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Padrão de beleza: apenas 4% das mulheres se consideram bonitas

 

Leila Lopes

Leila Lopes

COMPORTAMENTO »

Em uma sociedade na qual os padrões de beleza e de comportamento continuam extremamente rígidos, contamos a história de pessoas que deram um grito de liberdade e se aceitaram exatamente como são. Cansada de ouvir das agências que precisava perder peso, a modelo plus size Bibi Monteiro decidiu que, se tivesse que fazer sucesso, seria do jeito dela

Juliana Contaifer – Especial para a Revista do Correio Braziliense

A autoestima é a capacidade do ser humano de se gostar, de admirar as próprias qualidades, o famoso amor próprio. Não é uma característica inata — é algo que evolui com o tempo, que depende de um processo de autoconhecimento para definir as melhores qualidades, aquelas que podem ser melhoradas e as outras que são imutáveis. Em uma sociedade em que a imagem tem um peso gigantesco, o desafio é conseguir enxergar a beleza em todas elas. Assumir que as formas não são exatamente as “estabelecidas” pela sociedade, que os cabelos estão ficando brancos, que os efeitos da gravidade chegaram ao corpo podem ser atitudes libertadoras. Mas não tão fáceis.

Aos 51 anos, a ex-modelo e empresária Luiza Brunet faz questão de sair em capas de revistas sem nenhum tipo de tratamento de imagem

A preocupação em se encaixar é tão grave que pesquisa realizada, ao redor do mundo, pela marca de cosméticos Dove mostrou que apenas 4% das 6.400 mulheres entrevistadas se sentem seguras o suficiente para se definirem como belas. Entre as brasileiras, a porcentagem é maior, 14%, mas ainda baixa. Ou dado preocupante: 59% afirmam sentir pressão para ser bonita. O levantamento, intitulado “A Verdade sobre a Beleza”, mostra, porém, uma luz no fim do túnel: 72% das mulheres se dizem satisfeitas com a própria beleza, ainda que não se considerem necessariamente bonitas.

E essa satisfação pode ser retratada em pequenos atos, como o da estudante Lara Percílio, 23 anos, que voltou a assumir os cachos — veemente negados desde que tinha 12 anos. Ou da modelo plus size Babi Monteiro, 39 anos, que cansou de ouvir das agências que “precisava perder 5kg” e se convenceu de que ser magra não condizia com a sua estrutura. “Resolvi que se fosse para fazer sucesso, que fosse do jeito que eu sou”, setenciou. Já a servidora pública Júlia Maass, 25 anos, descobriu logo cedo, ainda na adolescência, que não fazia parte dos “padrões” sociais. Assumiu-se do jeito que é e vai muito bem, obrigado. E não há idade estabelecida para se aceitar. Os cabelos brancos de Ana Lúcia Laudares, 72 anos, não são por descuido ou desleixo. “Cada idade tem a sua beleza. E eu estou na beleza dos 70.”

Até quem sempre viveu da aparência deu o seu grito libertador. Aos 51 anos, a ex-modelo e empresária Luiza Brunet faz questão de sair em capas de revistas sem nenhum tipo de tratamento de imagem, assumindo as rugas como elas são. Recentemente, resolveu retirar as próteses de silicone, um dos recursos que levam a uma imagem mais sexy da mulher. Quer continuar com uma silhueta feminina, porém mais refinada e natural.

 

modelo plusA modelo plus size Bibi Monteiro decidiu que, se tivesse que fazer sucesso, seria do jeito dela

Gordinha não, curvilínea!
“As pessoas entregam a autoestima na mão dos outros. Ela é minha, é muito pessoal. Passo uma imagem positiva e feliz e não fico me comparando aos outros. Sou a mulher de hoje.” É o que afirma a advogada e modelo plus size Babi Monteiro, 39 anos. A vencedora do Miss Brasil Plus Size 2012 conta que começou a modelar aos 7 anos, mas como hobby. Aos 18, interrompeu a carreira por conta da morte do pai. Nessa época, era magra para os padrões de seu corpo atual. “As agências sempre diziam que eu precisava emagrecer mais 5kg, mas vi que era impossível para a minha ossatura. Sou grande. Resolvi que se fosse para fazer sucesso, que fosse do jeito que eu sou. Foi exatamente o que aconteceu”, conta.

Aos 35 anos, depois de escutar dos amigos e da família que deveria voltar a ser modelo, Babi resolveu dar mais uma chance para a carreira, apesar da idade. “Eu pensava que não era o padrão das capas de revistas, elas são todas magras e altas. Mas, mesmo assim, resolvi mandar algumas fotos para agências em São Paulo e Nova York e, depois de alguns trabalhos, fui chamada para participar do Miss Brasil Plus Size 2012.” Sem dar muita importância ao concurso, Babi conta que foi mais para passear do que para competir. Ela ganhou. E, depois do título, a carreira deslanchou.

Mesmo sendo modelo plus size, categoria que abrange manequins acima do 44, a pressão com o peso continua. Mas Babi não se ofende com os pedidos dos familiares para perder alguns quilos. “Eu não me importo muito com o exterior, prefiro me preocupar com a minha cabeça. Se eu tiver de emagrecer por questão de saúde, não tem problema. No momento, não faço dieta, mas cuido da alimentação. Quando você se gosta, tudo fica mais bonito.”

Bem resolvida, a modelo não se preocupa com o peso. É vaidosa, animada e alegre — e ainda não casou, o que a torna alvo de mais pressão por parte da sociedade, que rotula aquelas mulheres que não carregam um anel no dedo. Não foi por falta de oportunidade: Babi já foi pedida em casamento três vezes, mas nunca achou que era a hora certa de juntar os trapos. “Nunca pensei no casamento como a solução dos meus problemas. Prefiro fazer as coisas direito, ter certeza de que vai durar.”

A miss conta que se considera uma mulher real e um exemplo de como são as brasileiras: alegres, despojadas e curvilíneas. A autoestima está alta, mas Babi afirma que se aceitar não significa ignorar que existem características que podem ser melhoradas. “É tentar melhorar dentro das suas possibilidades e nunca se acomodar. A gente deve escutar as críticas e decidir por si mesma o que deve mudar.”

Nem aí para o que dizem: veja história de famosas e anônimas que deram o grito de liberdade

Pesquisa ‘A verdade sobre a beleza’ mostra que 59% das mulheres afirmam sentir pressão para ser bonita

Juliana Contaifer – Especial para a Revista do Correio

Adele: quando o estilista Karl Lagerfeld declarou que a cantora estava um pouco gorda, mas que tinha um rosto bonito e uma voz divina, Adele declarou que nunca quis ser como as modelos das capas das revistas e que se sente muito orgulhosa de representar a maioria das mulheres do mundo.

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Jennifer Lawrence: a atriz ganhadora do Oscar já declarou que quase perdeu alguns papéis por conta de seu peso e não perde oportunidades de criticar a magreza excessiva das atrizes atuais. Jennifer já afirmou que se preocupa com a imagem distorcida e muito magra em que os telespectadores acabam se espelhando.

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Lady Gaga: uma das músicas mais famosas da cantora americana é Born this way, em que fala sobre como é importante se aceitar como é. Em um show em Estocolmo, a cantora aproveitou o espaço para mandar um recado para os fãs: “Eu quero cantar essa música para vocês porque quero que parem de ser tão duros com vocês mesmos. Quero que parem de ser tão deprimidos com a vida, quero que vejam que eu também amo vocês, e que há muitas coisas bonitas para vocês serem felizes.”

 

Liberdade aos cachos

 

A primeira vez que a estudante Lara Percílio, 23 anos, abriu mão dos cachos foi aos 12 anos. Fez uma escova nos cabelos e saiu do salão com a cabeça leve. Aos 15, começou a alisar permanentemente os fios. “A gente acaba se adaptando a uma dinâmica completamente nociva para nós mesmas. Nos transformamos para seguir um modelo, para nos adaptar a um padrão que a sociedade impõe.”

Assim que entrou na faculdade, aos 20 anos, Lara decidiu se libertar. “Decidi que não ia mais me sujeitar a isso, cansei mesmo. Foi uma decisão de dentro para fora”, conta. A manutenção que o cabelo liso exige, as idas trimestrais ao salão, tudo fazia mal à estudante, que nunca gostou do ambiente. “Não me deixava satisfeita. Gastava uma energia com uma coisa que me esgotava. Foi libertador poder deixar de frequentar salões de beleza.”

 

Lara Percílio

Lara Percílio

Durante a transformação, Lara resolveu passar a tesoura nos fios que chegavam à cintura. Cortou bastante e, de pouquinho em pouquinho, atingiu o tamanho atual. Ainda passou um tempo escovando a franja, até que conseguiu se livrar totalmente do secador. “Essa fase de transição, de pensar que vai ficar estranho, também é uma resistência a parar de alisar. Eu encontrei uma forma de lidar com meu cabelo. Se pensarmos demais no futuro, a coragem de mudar nunca vai vir”, conta. A estudante afirma que a decisão de retornar ao seu cabelo natural foi um processo. “A partir do momento em que você está bem, resolvida, disposta à mudança, as coisas fluem”, afirma. Depois de assumir os cachos, Lara ainda fez escova uma vez, mas sentiu tanta falta do cabelo natural que não pretende repetir a experiência tão cedo.

Hoje, com os fios cacheados, sente-se mais autêntica. Quando vê uma foto de si mesma quando criança, cheia de cachinhos, se reconhece. “Me sinto mais eu. É uma reconexão com a minha essência, que está sendo muito boa, muito transformadora.” No contexto em que vive, a estudante explica que não há mais tanta pressão para se encaixar em um padrão, embora ainda tenha que escutar piadas sobre o cabelo cacheado. “Internamente, estou muito certa, segura e satisfeita. Se há pressão, não me influencia. Estou bem com o meu cabelo. É também uma emancipação simbólica. Meus cachos representam criatividade nesse conceito de mundo.”

Músicas para animar e se inspirar

  • Born this way, Lady Gaga
  • Just the way you are, Bruno Mars
  • Beautiful, Christina Aguilera
  • Men, I feel like a woman, Shania Twain
  • Who says, Selena Gomez
  • Pagu, Rita Lee
  • 1º de julho, Cássia Eller

Como elas se veem

  • 86% acreditam que a beleza pode ser alcançada sem relação com a aparência física.
  • 81% concordam que se esforçar para reconhecer seus pontos positivos ajuda a se sentir mais feliz.
  • No mundo, 59% afirmam sentir pressão para ser bonita.
  • 32% dizem que a pressão maior vem delas mesmas
  • A parte preferida do corpo de 57% das entrevistadas são os olhos
  • 4% não gostam de nenhuma parte em si mesmas
  • A parte do corpo mais odiada é a barriga, com 36%
  • Em Portugal, nenhuma das entrevistadas se descreveria como bonita
  • 87% acreditam que mulheres bonitas não são necessariamente as que nasceram assim, e sim aquelas que sabem valorizar seus atributos
  • 40% afirmam que teria uma imagem mais positiva agora se tivessem aprendido uma definição saudável de beleza na infância.
  • Quase 100% das brasileiras concordam que a beleza independe da idade

Fonte: Pesquisa “A verdade sobre a beleza”, da Dove.

 

Júlia Maass, 25 anos, percebeu que estava fora dos padrões ainda na adolescência

Conforto na pele
A decisão de ser verdadeira com ela mesma veio ainda na adolescência. A servidora pública Júlia Maass, 25 anos, começou a perceber que estava fora do padrão na época das matinês. As amigas mais arrumadas, com os cabelos lisos, sempre atraiam a atenção dos meninos. Nas situações em que resolveu alisar os fios, tornou-se o centro das atenções. “Foi aí que comecei a me rebelar. Não queria esse tipo de gente que só gostava de mim quando eu estava em uma versão diferente. Se fosse para gostar de mim, tinha de ser do jeito que eu sou”, conta.

Quem vê Júlia acredita mesmo nessa aceitação. Não só nos cabelos, curtinhos, mas também nas roupas e na atitude de quem sabe o que quer e não se preocupa com o que os outros pensam. “Me sinto confortável na minha pele, eu trabalho para isso todos os dias. É claro que ainda tenho algumas insatisfações, quando eu for mais velha talvez chegue em um ponto em que eu goste de tudo em mim. Espero chegar aos 50 anos 25 vezes melhor do que sou hoje.” Para Júlia, a autoaceitação tem relação direta com maturidade, terapia e autoconhecimento.

A servidora pública acredita que a sociedade força um padrão e que a lavagem cerebral se completa quando a cobrança passa a ser interna. “As pessoas precisam trabalhar o conforto consigo mesmas, encontrar seu lugar na sociedade. Ser do jeito que eu sou não chega a ser rebeldia, não tem esse teor de conflito. É mais uma questão de se sentir confortável como está, de se gostar.”

Com o corpo magro, Júlia poderia se render a qualquer modismo que aparece na televisão. Mas, confiante em seu estilo, corre dos brilhos e paetês e aposta em uma abordagem mais confortável e básica, com roupas largas e pouca bijuteria. Mesmo assim, é julgada por quem não a conhece. Para o bem e para o mal. “Ao mesmo tempo que tem gente que me elogia, diz que eu tenho cara de gente bem resolvida, independente e que tenho um estilo incrível, tem muita gente que acha que eu sou lésbica e tenta me julgar por isso. Até me param na rua para perguntar minha opção sexual. Falo sempre que ter o cabelo curto é viver lutando contra o estereótipo do homossexualismo”, afirma. Mas, quando se tem certeza de quem é, apesar dos julgamentos, é mais fácil encontrar seu lugar. Júlia, por exemplo, encontrou o seu.

 

PADRÂO DE BELEZA »

Em biografia, Luiza Brunet conta que resolveu redefinir sua imagem e reescrever a própria história

Luiza defende um visual mais natural e sem retoques de Photoshop por acreditar que as mulheres acabam desejando uma imagem irreal. Por isso, se há retoques em suas fotos, são extremamente sutis e não a transformam em uma pessoa que não é ao vivo

Juliana Contaifer – Especial para a Revista do Correio
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Mesmo em uma sociedade cheia de padrões, nem todos são nocivos. Algumas celebridades nacionais e internacionais entendem a pressão de corresponder a uma imagem pré-definida — elas mesmas sofrem, e em versão potencializada, uma vez que são os veículos de propagação desses padrões —, e despontam como defensoras da autoestima e da naturalidade. A ex-modelo e empresária Luiza Brunet, por exemplo, tornou-se um símbolo de mulher bem resolvida. Já saiu em capas de revistas sem tratamento de imagem, aceitando os 51 anos de bom grado. Agora, resolveu retirar as próteses de silicone, símbolo máximo de sensualidade.

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Luiza descobriu que a imagem da mulher madura e segura que é agora é mais rentável do que a de mulher casada

Em sua recém-lançada biografia, Luiza, ela conta que resolveu redefinir sua imagem e reescrever a própria história aos 45 anos, assim que se separou do ex-marido, o empresário Armando Fernandez, e se viu no fim de um ciclo. E foi aí que decidiu se tornar um exemplo para outras mulheres. “Um exemplo de que é possível, real; de que dói, mas passa; de que caiu, mas levanta; de que acabou, mas recomeça”, conta no livro. Com essa decisão em mente, descobriu que a imagem da mulher madura e segura que é agora é mais rentável do que a de mulher casada. É a cara da mulher moderna.

“Não fico em função do que os outros querem. Com o passar dos anos, é óbvio que o corpo muda — e se isso for um motivo de sofrimento, a vida será um inferno. Precisamos aprender a respeitar e aceitar o passar dos anos e encontrar formas e truques para ficar melhor. O próprio estilo de vestir precisa ser observado. Mulher elegante e discreta é mais jovial”, disse a ex-modelo, em entrevista à Revista.

Luiza defende um visual mais natural e sem retoques de Photoshop por acreditar que as mulheres acabam desejando uma imagem irreal. Por isso, se há retoques em suas fotos, são extremamente sutis e não a transformam em uma pessoa que não é ao vivo. “Sempre fui feliz com meu corpo quando era mais jovem e, agora, mais ainda. Gosto do que vejo no espelho, estou em paz. A carreira de modelo, ou mesmo para a mulher comum, é saber respeitar seu limite, levar em consideração seu biotipo”, explica. Para ela, autoestima e respeito ao estilo pessoal são os ingredientes necessários para se sentir livre.

Ciente de que sua imagem é muito conhecida desde nova, Luiza aceitou que não pode agradar a todos — como toda pessoa que vive de imagem, a cobrança é grande. “Envelhecer é difícil. Porém, se conseguirmos a delicadeza de aceitar o inevitável, passa a ser mais fácil. Uma mulher de 50 hoje é jovem se quiser. Basta manter o corpo saudável e a vida sexual ativa, e ter uma ocupação”, afirma. E é o que ela faz.

No livro Luiza, da editora Sextante, a ex-modelo conta tudo. A infância pobre no interior do Mato Grosso, o alcoolismo do pai, a mudança para o Rio de Janeiro e o começo de sua carreira, os amores e desamores e o relacionamento com os filhos — revelações escritas pela jornalista Laura Malin, amiga da família.

Com autoestima em dia
A autoestima começa a ser formada na infância. “Nessa hora, só existe a preocupação com as características estéticas, não de personalidade ou habilidades. As crianças só têm referência de beleza. Se ela tem as orelhas um pouco para fora, os amigos vão fazer graça e os pais vão tentar disfarçar. E aí a criança já cresce achando que tem algo de errado com ela”, acredita o psicólogo Fábio Augusto Caló. No caminho para a vida adulta, fica mais fácil encontrar características que desagradam, uma vez que os padrões vão sendo definidos de acordo com a idade. Se tem 20 e poucos anos, a ordem é ter cabelos longos e corpo malhado. Aos 30, a pressão passa a ser ao redor do casamento. Aos 40, a vida deve estar encaminhada e estável. Cabelos brancos são descuido, estar acima do peso é negligência e se recusar a juntar os trapos, instabilidade. Para assumir as próprias vontades, é preciso uma boa dose de autoconfiança. “Não dá para gostar de si mesmo se o mundo inteiro diz o contrário.”

O processo de autoaceitação exige reflexão. A sociedade impõe um padrão difícil de ser seguido. “A terapia ajuda nesse aspecto, trabalha com o autoconhecimento e ensina que nem todas as demandas impostas precisam ser atendidas, que há valor e importância nas características de cada um”, aposta Fábio. E é importante se amar. Quem não acredita no próprio potencial tem dificuldade para estabelecer relacionamentos amorosos, fazer amigos e até em lidar com problemas no trabalho, uma vez que enxerga feedback como críticas ferozes. O contrário também pode trazer problemas. Sem flexibilidade para se adaptar a diferentes contextos, quem tem a autoestima alta demais pode ter dificuldades nas relações interssociais.

O caminho para a harmonia, acreditam os especialistas, passa pelo reconhecimento das próprias limitações e pela desistência de culpar os outros pelos problemas. “Fundamental é buscar se conhecer, resgatar e expandir possibilidades e potencialidades. E também reconhecer e aceitar limites, entre eles os mais sofridos. O desafio é estar o melhor possível consigo mesmo e o que isso significa varia de pessoa para pessoa”, explica a socióloga e psicoterapeuta Almira Rodrigues. Com a autoestima em dia, tudo fica mais simples. A cobrança do dia a dia diminui, os relacionamentos são mais duradouros e seguros e até o trabalho rende melhor. Fica mais fácil levantar todos os dias e encarar a rotina.

O gostar de si mesmo passa pela percepção de beleza. E em uma sociedade misturada como a do Brasil, é complicado seguir um padrão internacional, que preza pelo cabelo liso e o corpo magro. E a representação que se vê na tevê é totalmente contrária à realidade — a pesquisa “Mulheres na Mídia”, do Instituto Data Popular, revela que 56% das entrevistadas não enxergam as mulheres das propagandas como pessoas da vida real. “Em uma perspectiva psicanalítica, os processos de identificação são fundamentais. Quando a construção da autoestima está fundamentada em valores e padrões socialmente dominantes, as pessoas ficam reféns de suas demandas e interesses, comprometendo a construção de uma identidade própria”, explica Almira. Para a psicoterapeuta, as brasileiras — e os brasileiros —, acabam internalizando o padrão de beleza propagandeado pela mídia e pela sociedade e dão importância demais à necessidade de se encaixar. “A submissão a esses padrões e valores impede a construção de uma visão mais vasta em que os recursos estéticos coexistam com outros recursos e atributos.”

Ana Lúcia Laudares, 72 anos, resolveu assumir os fios brancos

A beleza dos 70
Em uma sociedade que obriga que os fios sejam tingidos em qualquer idade, os cabelos da professora aposentada e artista plástica Ana Lúcia Laudares, 72 anos, são branquinhos, mas nunca por descuido ou por preguiça de retocar. Ana Lúcia conta que começou a tingir os fios assim que entrou na faculdade — foi vítima de um trote cruel com descolorante e, desde então, sempre teve tintura na cabeça. “Fiz muitas mechas e luzes a vida inteira. Até que, no começo deste ano, cansei”, conta.

Incomodada com as visitas ao salão a cada 15 dias e com a necessidade de pintar os fios a cada vez que tinha um evento a comparecer, a aposentada resolveu radicalizar. Fez mechas brancas para amenizar o choque das raízes destoantes e foi cortando o excesso de cabelo colorido até o tom se normalizar. “Eu me olhava no espelho e só me perguntava se ia ter mesmo coragem de assumir a cabeça branca. Ficava me achando a cara da minha mãe, da minha irmã. Mas me sinto mais tranquila, mais à vontade, mais livre. Não adianta. Plástica, eu não vou fazer, não vou ficar mais menininha, bonitinha. Cada idade tem a sua beleza. E eu estou na beleza dos 70.”

A receptividade tem sido maravilhosa. Os amigos e parentes apoiam a iniciativa e são só elogios — a aposentada já recebeu apoio até de desconhecidos na fila do banco. “Uma senhora veio me dizer que eu estava maravilhosa.” Para Ana Lúcia, a beleza dos 70 anos é a alegria de viver. “Prefiro que a idade chegue mesmo, melhor do que ir embora cedo. A gente vai envelhecendo e vai aceitando o que vem, sou feliz comigo mesma. Gostaria de estar mais enxuta, mas é normal, todo mundo tem alguma queixa.”

FONTE CORREIO BRAZILIENSE
Gisele Bundchen

Gisele Bundchen

Carisha, Ariel e Caprice

Carisha, Ariel e Caprice

Monica Belucci

Monica Belucci

Kete Moos

Kate Moos

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