ONOFRE RIBEIRO: Juntar todas as obras num pacotão só da Copa do Mundo de 2014, com todos os problemas acumulados em Cuiabá, deu nisso: um caos e uma completa bagunça que ninguém sabe se responderá aos anseios da capital e da sua população.

A cidade tem planejamento pro futuro? - pergunta Onofre Ribeiro. Na sua avaliação, em termos de planejamento, ainda estamos na década de 1970.

A cidade  de Cuiabá tem planejamento pro futuro? – pergunta Onofre Ribeiro. Na sua avaliação, em termos de planejamento, ainda estamos na década de 1970.

Cuiabá, atraso de 30 anos 

Onofre Ribeiro

Dia desses conversava com dois técnicos de planejamento ligados ao governo estadual há mais de 30 anos.

Eles fazem parte daquela equipe de jovens nacionalistas recém-saídos das universidades públicas brasileiras nos anos 1960, começo dos anos 1970. Era um período da história brasileira em que as universidades ainda eram freqüentadas por jovens bastante politizados que nas mesas de bar discutiam política, temas nacionais e defendiam um país mais igual. Bom lembrar que era um tempo de profundas desigualdades sociais e regionais no Brasil.

O governador Pedro Pedrossian, eleito em 1965, iniciou um processo de trazer jovens técnicos dessa geração para trabalhar no governo.

Iniciava-se um período de modernização da gestão. Alguns desses técnicos ainda sobrevivem no governo. Com dois desses, de uma geração mais jovem, foi com quem conversei. Ambos são daqueles nacionalistas que entendiam como sua a responsabilidade de traçar o futuro do estado de Mato Grosso, numa visão mais ampla de Brasil.

Hoje, quando se compara a alienação política vigente dentro das universidades públicas e privadas, chega a dar dó. Além das mesas da cerveja, nenhuma discussão sobrevive aos times de futebol. Nada!!!!

Voltando ao tema deste artigo, discutíamos numa viagem de carro entre o CPA e o centro de Cuiabá sobre as chamadas “obras da Copa”, que mexeram profundamente no trânsito da cidade.

Entre um desvio e outro, lembrou-se que essas obras que estão sendo feitas em 2013, deveriam ter sido planejadas e feitas por volta de 1970 em diante. Não foram porque faltou planejamento e depois faltou qualquer senso de planejamento nas gestões estaduais e municipais de Cuiabá. “São obras com 30 anos de atraso”, dizia um dos dois técnicos.

Fora de Cuiabá, nesse período se construíram cidades e visões de futuro muito mais definidas. Curiosamente, o maior centro urbano de Mato Grosso e o que serviu de referência para messe desenvolvimento, foi Cuiabá. Mas a capital não se percebeu como cidade e muito menos como capital. Deixou-se afundar em problemas de todas as espécies e se conformou com isso. Antes tarde do que nunca, diria o leitor.

Mas juntar tudo num pacotão só da Copa do Mundo de 2014 todos os problemas acumulados, deu nisso: um caos e uma completa bagunça que ninguém sabe se responderá aos anseios da capital e da sua população.

Tudo indica que a economia mato-grossense crescerá muito mais e, de um modo ou de outro, refletirá sobre a capital, cobrando mais infraestrutura, mais urbanismo e um planejamento maior do que esse de ocasião que estamos assistindo. Se tudo ficar pronto a tempo, se tudo ficar bem, o máximo que terá acontecido, será atualizar Cuiabá na década de 1970.

De lá para cá passaram-se mais de 30 anos e outras imensas necessidades já estão criadas. Quer ver? A cidade tem planejamento pro futuro? Resposta: não tem. Ainda estamos na década de 1970.
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso.

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