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ONOFRE RIBEIRO: Em Mato Grosso e no Centro-Oeste, a cara do Brasil do futuro

Uma nova cara do Brasil
por ONOFRE RIBEIRO

Pesquisa sobre o índice de expectativas das famílias, do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas-IPEA, vinculado á Presidência da República, divulgada na semana passada mostra que a população da região Centro-Oeste tem os mais altos índices de otimismo em relação à situação socioeconômica do país. O Centro-Oeste, vem na frente do Sudeste e do Sul. Avalia-se a expectativa da família sobre a situação econômica nacional, a percepção sobre a condição financeira passada e a futura, a expectativa de cada lar sobre decisões de consumo. De acordo com o presidente do IPEA, Márcio Pochman, o bom resultado apresentado pelo Centro-Oeste é uma pista das diferentes dinâmicas regionais que o país vivencia neste momento.

Trago o assunto por algumas razões. Entre elas que no Sudeste, principalmente, e parte do Sul do Brasil, ainda vigora forte preconceito contra o Centro-Oeste, numa visão estereotipada e pejorativa de “interiooooor”. Aqui “interiooooor” quer significar atraso e distância. Preconceito mesmo. Porém, gostaria de registrar aqui uma frase que consegue re-significar o Centro-Oeste e, Mato Grosso, em particular. Ela é do diretor do Grupo Seara, de Santa Catarina, Nair Bonassi, e foi dita no lançamento do frigorífico de aves em Jaciara – MT, no dia 13 de março de 2010: “Mato Grosso tem a cara do Brasil do futuro”.

Fiquei impressionadíssimo com o conceito e refleti sobre ele, que o Brasil industrial dos anos 70 em diante, está enfrentando um mundo competitivo e predatório. A qualidade de vida nos grandes centros do Sul e do Sudeste está no limite suportável. As perspectivas de qualidade de vida dos cidadãos piora seguidamente. O desemprego é cruel porque é extremamente seletivo. Gente desempregada tem dificuldade de retornar ao mercado exigente e predador. Então, o “interiooooooor” do Brasil é uma opção de qualidade de vida sem os “congestionamentos” humanos das demais regiões.

Cidades menores com problemas conjunturais menores e expectativas de crescimento tecnológico com menores “congestionamentos” humanos. O uso de tecnologias intensivas dispensa grande contingentes de mão-de-obra. Isso traz uma linha moderada de crescimento populacional e indica melhor qualificação para um tipo de economia mais concentrado nas cadeias da produção agrícola, animal, mineral, turismo e de base florestal. Os cenários de produção voltam-se para um crescente mercado interno brasileiro e para os imensos mercados mundiais.

Porém, melhor do que tudo isso, parece-me a questão da possibilidade de se ter no Centro-Oeste, embutido dentro do conceito de “interioooooor”,  essa coisa tão humana, chamada de espírito. Espírito da cultura, espírito do melhor viver, espírito da convivência humana, espírito de expectativas sustentáveis de vida muito além do caos de algumas regiões do país.

Nesses quase 36 anos morando em Mato Grosso, de fato encontrei um espírito permanente de futuro e, agora mais recentemente, melhores perspectivas de qualidade de vida e como disse Nair Bonassi: “a cara do Brasil do futuro”. Numa conversa recente, noite adentro com dois executivos, um de São Paulo e outro do Rio de Janeiro, ouvi de ambos a surpresa “do tamanho da riqueza, o tipo de desenvolvimento e o tipo de empreendedor que tem aqui. E a qualidade de vida é fantástica”. Vão investir aqui, especialmente nas cidades ricas do “interiooooooooor”.

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

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Categorias:Cidadania

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