ONOFRE RIBEIRO E O NATAL: Confesso que prefiro os natais de hoje. Eles não são mais instrumentos exclusivos da devoção religiosa

Onofre

Nossos eternos natais

por ONOFRE RIBEIRO

           Já vão distantes os natais da minha infância. Lembranças vagas de um tempo. Concentro-me nos natais atuais. Gosto mais agora. Daqueles, a presença dos meus pais, dos meus avós e de amigos que há muito não vejo. Os de agora vejo e me relaciono, e entre eles acrescento os meus próprios filhos e os familiares da minha própria sombra. A árvore cresceu. O menino que ia à missa do galo, à meia-noite escutar um longo sermão de um padre mal-humorado, hoje tem família e questiona sermões de toda ordem.

           Nas lembranças de natais infantis naquelas serras de Minas, fica a sensação de uma festa que pertencia somente à Igreja e não ia além de mais um instrumento de devoção religiosa. Presentes minguados, carrinhos de lata ou de madeira pintados com tinta de anilina, rústicos, menos no carinho.

           Os natais de agora são mais a festa que envolve pessoas. Tem mais cores vermelhas, brancas e congrega gente com a guarda mais baixa em relação às lutas de todos os dias durante o ano que termina. Sem culpas!

           Confesso que, tirando a ausência das pessoas da minha infância, prefiro os natais de hoje. Eles não são mais instrumentos exclusivos da devoção religiosa. Pertencem à alegria das pessoas, ao desejo de presentear, de compartilhamento, muita comida, a liberdade de comer e de beber sem culpas.

           São tempos mais claros. Afinal, o mundo já não comporta o peso cinzento da marcação religiosa apontando o pecado na gula, no luxo e até no simples conforto de se viver bem. Saudades dos meus natais da infância e da juventude. Da missa do galo não guardo a mínima saudade. Saudades da macarronada da minha mãe, dona Júlia, no dia seguinte. Tinha coxa grande de galinha criada no nosso próprio quintal. Saudade do sabor do queijo da fazenda do Zé Andrade, o melhor do mundo….

           No mais, continuo gostando dos natais. É um tempo de alegria. No mundo de hoje, a alegria é tão necessária quanto o ar que se respira. Não quero saber de natais cinzentos. Nunca acreditei muito no Papai Noel, mas adoro o seu “hohoho” imaginário. É um grito de alegria.

           Ah! Antes que eu me esqueça: “hohoho” pra você que termina de ler este artigo.

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso. Publicado originalmente em 2013

Categorias:A vida como ela é

Sem comentários. Seja o primeiro a comentar

Assinar feed dos Comentários

Deixe seu Comentário

Seu endereço de email não será publicado.
Campos com * são obrigatórios.

dois × cinco =