“Olhar Direto” lança nova luz sobre atuação do MPF e do MP na chamada “Operação Ararath” – e sugere que investigações sobre esquema de lavagem de dinheiro e crimes contra a ordem tributária, que já estariam se articulando em torno da factoring de Junior Mendonça, começaram em 2007, por iniciativa do Gaeco. Nas revelação de Flávia Borges, o MPF e o então procurador Mário Lúcio Avelar não aparecem em seus melhores momentos. Falar nele, por onde anda Mário Lúcio Avelar, depois que foi a pique (*) sua candidatura a governador de Tocantins?

MPF “engavetou” Ararath por três anos no auge do esquema que movimentou R$ 500 mi ilegalmente

Da Redação – Flávia Borges

Foto: Olhar Direto

MPF “engavetou” Ararath por três anos no auge do esquema que movimentou R$ 500 mi ilegalmente

As investigações que culminaram na Operação Ararath, cuja primeira fase foi deflagrada em novembro de 2013, tiveram início em 2007, pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Documentos obtidos pelo Olhar Jurídico revelam que as investigações, desde que foram repassadas para o Ministério Público Federal, ficaram praticamente três anos estagnadas. Se a investigação tivesse prosseguido, a maior parte dos crimes investigados poderia ter sido evitada. Estima-se que R$ 500 milhões foram movimentados ilegalmente pelo esquema.No documento, o promotor de Justiça Joelson de Campos Maciel fala do procedimento instaurado para averiguar a existência de crimes contra a ordem tributária e lavagem de dinheiro, tendo como principal investigado Gércio Marcelino Mendonça Júnior, sócio da empresa Globo Fomento.Conforme o documento emitido pelo promotor, foram efetuadas diligências constatando pessoas físicas e jurídicas que mantinham relacionamento particular e comercial com Júnior Mendonça, além de declarações da ex-esposa dele, Karina Nogueira.O procedimento foi encaminhado ao procurador da República Mário Lúcio Avelar, “para as providências necessárias, haja vista terem sido constatadas irregularidades nas operações financeiras praticadas pelo investigado”.Em 28 de novembro de 2008, um ano após o envio do procedimento, o procurador Mário Lúcio Avelar emitiu o despacho 6693/2008. Ele informa que após análise no sistema Arp, foi constatado a existência de Procedimento Administrativo sigiloso no cartório procedimental.“Assim determino que protocole o expediente e encaminhe-se ao cartório procedimental para análise da conexão com o procedimento administrativo supramencionado”, diz o procurador em seu despacho.

Somente no dia 30 de agosto de 2010 a delegada da Polícia Federal Heloísa Alves de Albuquerque instaurou inquérito policial visando apurar os fatos narrados pelo Gaeco que “anunciam que a empresa Globo Fomento Mercantil vem atuando como instituição financeira sem autorização para tal e auxiliando criminosos no branqueamento de capitais advindos de atividade ilícita”. A delegada encaminhou em 1º de setembro de 2010 o ofício 6277/2010 à procuradora da República Ludmila Bortoleto Monteiro comunicando a instauração do inquérito policial.

Em 12 de novembro de 2013, 11 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região foram cumpridos para coletar provas materiais e dar continuidade nas investigações de um esquema de lavagem de dinheiro e agiotagem.

Operação Ararath

A Operação Ararath investiga um complexo esquema de lavagem de dinheiro – cuja estimativa de movimentação ultrapassa R$ 500 milhões – para o ‘financiamento’ de interesses políticos no Estado. Uma lista apreendida pela PF aponta que pelo menos 70 empresas utilizaram ‘recursos’ oriundos de esquemas fraudulentos de empréstimos.

A primeira dase da operação foi deflagrada no dia 12 de novembro de 2013, quando a Polícia Federal cumpriu 11 mandados de busca e apreensão para coletar provas materiais e dar continuidade as investigações de um suposto esquema de lavagem de dinheiro e agiotagem. Entre os locais “batidos” pela PF estavam a cobertura de luxo de Júnior Mendonça, principal nome das investigações, no condomínio Maison Paris, em Cuiabá, e postos de combustíveis da rede Amazônia Petróleo, da qual ele é sócio.

Mendonça era sócio proprietário da factoring “Globo Fomento Mercantil”, empresa que, segundo a PF, foi usada como fachada para negócios de agiotagem e lavagem de dinheiro. Todas as transações financeiras supostamente ilegais eram movimentadas através de contas da factoring e da rede Amazônia Petróleo.

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POR ONDE ANDA O PROCURADOR MARIO LÚCIO AVELAR?

Sucessão

Quem tem medo de Mário Lúcio Avelar?

JORNAL OPÇÃO – GOIANIA – 

 
Edição 16 a 22 de fevereiro de 2014
Procurador da República que botou Jader Barbalho na cadeia assume a pretensão de ser candidato a governador do Tocantins, confirma entendimento com o PSB dos presidenciáveis Eduardo Campos e Marina Silva e chega provocando mal-estar na cena política do Estado
Procurador Mário Lúcio Avelar: possível candidatura ao governo causa preocupação na base de Siqueira Campos

Ruy Bucar

Sua candidatura ainda é apenas uma ideia, uma pretensão vaga e incerta que ainda depende de alguns fatores externos, mas também de decisões pessoais e escolhas políticas não tão fáceis de serem feitas. Uma legenda para encampar o projeto eleitoral e o afastamento do Ministério Pú­bli­co Federal; para alguns juristas não será apenas afastamento, mas re­nún­cia. De qualquer forma o procurador da República Mário Lúcio A­velar está de volta ao Tocantins para ser candidato ao governo do Es­ta­do, trilhando a perspectiva de repetir o fenômeno Carlos Amastha.

Para o jornalista e marqueteiro Vieira de Melo o procurador Mário Lúcio Avelar tem uma condição diferenciada nestas eleições. Tem “cheiro” de novo e pode emplacar, mas terá que trabalhar muito para viabilizar sua candidatura, pois será duramente combatido por forças que se sentem ameaçadas com a sua presença. Vieira sustenta a tese de que o procurador tanto pode se tornar um fenômeno eleitoral ou não ter sequer legenda para disputar as eleições. Contingências do processo.

A jornalista Roberta Tum ao analisar a pretensão do procurador descarta repetição do fenômeno Amastha. “Não acredito que repita o fenômeno Amastha. O momento é outro e Amastha tinha dinheiro e onde levantá-lo, bem diferente de Mário Lúcio Avelar”, comenta. Consultor em marketing político com experiência em pesquisas eleitorais, Goianyr Barbosa avalia que a repetição do fenômeno vai depender de como o eleitor vai se portar. “No caso do eleitor optar por mudança Mário Lúcio terá que ter a capacidade de congregar em torno do seu nome todas as forças partidárias que não comungam com a candidatura plantada pelo Palácio Araguaia”, recomenda.

O procurador já deu um passo importante para ter legenda e uma candidatura competitiva. Buscou entendimento com o PSB do presidenciável Eduardo Campos, orientado pela ex-senadora Marina Silva, com quem tem bom relacionamento que vem desde quando atuou no combate ao desmatamento em Mato Grosso com enorme rigor e conquistou a simpatia da então ministra do Meio Ambiente. Mas se não conseguir ser candidato pelo PSB, Avelar tem outras opções: PDT, PCdoB, e Psol estão entre os partidos alinhados com o seu projeto político.

Para Vieira de Melo o PSB parece ser uma opção interessante em função da postura do partido em lançar candidatos não políticos nos Estados. Mas tem o problema de a legenda no Tocantins compor a base do governo Siqueira Campos. Pelo PSB a candidatura de Mário Lúcio Avelar fica a depender da quebra de braço entre os interesses nacionais do partido e os conchavos regionais, muitas vezes obscuros e ilegítimos, mas tem peso na hora da decisão. A direção regional é contra candidatura própria, pois tem compromisso de apoiar o candidato do governo. A prevalecer a decisão regional não será apenas Avelar que sai perdendo, Eduardo Campos também não terá palanque no Estado.

O consultor Goanyr Barbosa ressalta a importância da escolha da legenda. “O partido pelo qual Mário Lúcio postula ser candidato é, na realidade, um bom partido, tem história e vem embalado pelo bom momento vivido administrativamente pelo seu principal expoente, o governador de Pernambuco, Eduar­do Campos”, analisa, acrescentando que no Tocantins o PSB foi o partido que mais cresceu nas últimas eleições, que mais elegeu prefeitos e vereadores, proporcionalmente.

A postulação de Mário Lúcio Avelar divide opiniões. Para os governistas a candidatura do procurador não tem legitimidade. O procurador não mora no Tocantins nem tem militância política no Estado. O que não deixa de ser verdade, mas que não tem muita importância diante da sua história. O nome de Avelar no Tocantins está associado à imagem de combate à corrupção, o que lhe garante discurso atual e eficiente, ajustado com o sentimento das ruas.

Vieira de Melo observa que o procurador é o único pré-candidato que tem fortes ligações com as manifestações de rua. “A candidatura de Mário Lúcio vai ao encontro dessas manifestações que representam bem o sentimento de insatisfação da sociedade com os seus representantes,” comenta o jornalista, que cita uma pesquisa recente realizada no Estado que apontou que 76% dos eleitores do Tocantins estão insatisfeitos com nível de atuação dos seus representantes, quer do Legislativo, quer do Executivo.

Vieira analisa que a pesquisa aponta para a necessidade de mudanças e, segundo ele, Avelar tem o perfil interessante, pois sua atuação profissional tem sido no sentido da moralização da coisa pública. “Se for candidato de fato, Mário Lúcio tem perfil para preencher os pré-requisitos que o eleitor ávido por mudanças espera de um candidato. Aí, ele será a verdadeira terceira via”, defende a jornalista Roberta Tum.

Os analistas ressaltam, porém, que fenômeno não acontece por acaso. Vai depender do projeto da campanha, de nível de organização e que começa com uma boa escolha partidária. Para Vieira de Melo o procurador é um nome que tem chances de crescer durante a campanha e surpreender, mas que precisa entender como o pleito vai se transcorrer.

Quem tem medo de Mário Lú­cio Avelar? Uma eventual candidatura do procurador é ruim para o candidato governista. Mário Lúcio diz abertamente que é o único homem no Tocantins que bota medo no siqueirismo. O procurador sabe do que está falando, sabe dos pontos fracos do governo e fará uma campanha de desconstrução do siqueirismo. Se não conseguir conquistar votos para ser eleito tem prestígio para tirar votos do candidato do governo. Portanto as forças governistas farão tudo para não vê-lo candidato. Já se pode antever que será uma candidatura difícil de passar pelo crivo da Justiça Eleitoral, onde o siqueirismo exerce influência.

Uma eventual candidatura de Mário Lúcio também tende a prejudicar a terceira via. Mário Lúcio disputa espaço com os pré-candidatos deste segmento e se decolar pode assumir a posição da terceira via. Mas beneficia a oposição, portanto também a terceira via. Mario Lúcio é um candidato anti-siqueirista, de oposição e que tende a favorecer qualquer candidato de oposição.

É preciso ressaltar que Avelar ainda não tem a mínima garantia de que será candidato. Como ainda não tem domicilio eleitoral nem filiação partidária não pode nem dizer que será candidato, pois ainda não possui as condições mínimas para tal, mas o simples anúncio do desejo de disputar as eleições já incomodou o meio político. Tem deputado acusando-o de não possuir vínculo com o Tocantins e de chegar de paraquedas no processo político do Estado.

O medo tem explicação. Mário Lúcio conhece como ninguém o submundo do poder, dos conchavos, os ajeitamentos, as negociatas e o mau uso do dinheiro público. Só de voltar ao Estado já é uma ameaça, imagine se estiver disposto a falar o que conhece sobre o lado obscuro dos governos que pouca gente conhece. Antes mesmo de se filiar a um partido Mário Lúcio Avelar já vem sendo apontado como um candidato forte que pode despontar como opção viável de mudança.

A possível candidatura do procurador chega no vácuo dos movimentos de ruas que sacudiram o país clamando por mudança. O projeto vem sendo articulado por partidários de vários segmentos que acreditam que o Tocantins está maduro para uma revolução dos costumes políticos e rompimento definitivo com o paternalismo que alimentou a gestão pública até aqui. Para estes o procurador é o nome ideal para conduzir este processo.

O procurador tem a vantagem de ser um nome novo, com credibilidade junto aos formadores de opinião e de não ter desgaste, mas tem a desvantagem de não ser um nome conhecido da grande massa de eleitores dos grotões que decide as eleições. Se tiver tempo de TV e montar um bom programa tem chance de chegar ao interior por meio da propaganda positiva propagada pelos formadores de opinião dos grandes centros.

Roberta Tum conclui que a possibilidade de sucesso da candidatura de Mário Lúcio Avelar só depende dele mesmo. “Se for candidato, não se pode desprezar suas chances, especialmente se tivermos três candidaturas consistentes. Sua presença na disputa pode provocar o segundo turno. Onde vai, só o tempo dirá. O cenário está muito indefinido ainda”, observa a jornalista. Goianyr Barbosa avalia que a candidatura de Mário Lúcio é competitiva e tem espaço no cenário do Estado. Vieira diz que pode ser o nome do momento.

Digam o que disserem, o procurador da República Mário Lúcio Avelar pode ser considerado uma figura polêmica que divide opiniões, mas não se pode negar que tenha trabalho prestado no Tocantins e está de volta e com um objetivo legítimo: disputar as eleições como candidato a governador.

Como diria um entusiasta da sua candidatura ao governo do Estado, líder jovem do PSB que ajudou a articular o seu nome junto à cúpula nacional do partido e sonha com a sua candidatura ao governo, “o xerifão está de volta para desespero de alguns poucos e provavelmente alegria de muitos”. É esperar pra ver o que vai dar ou que não vai dar. Pelo início movimentado já está dando o que falar.

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1 Comentário

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  1. - IP 179.216.213.56 - Responder

    Engraçadas as opiniões do dono desse blog: a PF e MPF recebem o inquérito em 2010, em 2011 começam a investigação de complexos fatos, em 2013 partem para as diligências e processos penais e esta atrasado. O MPE/MT nunca vê nada de estranho acontecendo em mais de uma década, é alvo de uma busca apreensão em sua sede, usa provas federais para entrar com as ações civis públicas e é considerado irrepreensível, vai entender!

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