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O melhor detergente é a luz do sol

VICENTE VUOLO: Não podemos confundir a crueldade dos governantes de Israel com o espírito libertário de seu povo e dos judeus espalhados pelo mundo. No Brasil, judeus e palestinos convivem em harmonia. Ambos contribuíram muito com a formação de nossa nacionalidade. Foram aqui recebidos e prosperaram. Esse deveria ser um exemplo para o mundo.

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GAZA
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O porta-voz do ódio
por Vicente Vuolo
O que leva um país a introduzir tanto ódio nas pessoas? Até que ponto matar pessoas inocentes intimidará os terroristas? Será que, ao contrário, não é um incentivo? Tem algo maior por trás dessa guerra? Interesses econômicos, domínio territorial, militar, religioso? Parece que o massacre faz parte da lógica do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel Yagal Palmor, ao declarar o Brasil como sendo “um anão diplomático” em reação à decisão do Brasil de condenar “energicamente o uso desproporcional da força por Israel na Faixa de Gaza”.
Para o ex-professor titular da Universidade Federal de Minas Gerais(UFMG) e presidente da Associação Brasileira de Direto Financeiro (ABDF) no Rio de Janeiro, Sacha Calmon, a matança parece ser a única forma de resolver o conflito na faixa de Gaza. O professor ressalta: “Para o porta-voz de Israel, o seu governo representa um governo violento, religioso, ultraortodoxo, que ainda acredita existir um Deus só deles, com exclusividade, contrário a qualquer povo que lhe atravesse o caminho, como certas tribos da Polinésia”.
É evidente que esse pensamento não é da maioria da população israelense. Existe, inclusive, uma “Associação a favor dos Direitos Civis em Israel”, com cerca de 1 milhão e meio de palestinos de nascença, muçulmanos e cristãos (como cidadãos de 2ª classe) dentro do Estado religioso judeu.
O Senador Cristovam Buarque apoiou, em pronunciamento no Plenário do Senado Federal, a decisão da presidente Dilma Roussef de convocar o embaixador brasileiro Henrique Sardinha, para consultas relacionadas ao conflito entre Israel e Palestina. Cristovam pontuou duas hipóteses para a matança de civis palestinos, principalmente, mulheres e crianças: “Incompetência muito grande na maneira como estão atrás de alguns terroristas ou de insensibilidade moral muito grande na maneira como as Forças Armadas de Israel estão sendo usadas”. Na visão do senador, jogar foguetes indiscriminadamente contra Israel é um ato terrorista, que deve ser combatido. Isto porque, ao tentar acabar com alguns terroristas, Israel está destruindo um povo inteiro. Ele finalizou, dizendo: “A Dilma falou em meu nome, também”.
Portanto, parece ser unânime, a posição do adotada pelo Itamaraty pela paz. O que nos causa perplexidade foi a reação violenta de Israel diante de ato que constitui praxe na diplomacia mundial. Afinal, são quase 1.500 mortes de civis palestinos contra pouco mais de 50 de soldados israelenses.
Aliás, o Brasil, ao se pronunciar de forma inequívoca sobre o tema que encabeça a lista de prioridades da comunidade internacional , desempenha papel que se espera de um ator com pretensões globais. Contempla até mesmo a queixa dos que cobravam do país postura clara e firme no cenário internacional.
A violência de Israel contra o povo palestino prossegue uma trajetória de exclusão e expulsão que se prolonga por décadas (veja a aula sobre a história recente desse conflito em https://www.youtube.com/watch?v=MCdLVKcM6aA). O Brasil foi o país que defendeu com energia a criação do estado de Israel, nos debates das Nações Unidas, nos anos 1946/1947. A expectativa era de que a divisão daquele território entre israelenses e palestinos poderia promover a paz em um conflito que já se prolongava desde os anos 1920. O belicismo dos israelenses não permitiu a paz. A reação dos palestinos foi a manutenção da violência que conduziu ao terrorismo.
Hoje, colocar fim ao conflito e preservar os direitos dos povos é uma questão que atinge todo o planeta. Não tem sentido, em pleno século XXI, admitir-se o horror de crianças e mulheres sendo mortas com crueldade em suas casas. O extermínio de um povo não pode ser aceito por ninguém.
Não podemos confundir a crueldade dos governantes de Israel com o espírito libertário de seu povo e dos judeus espalhados pelo mundo. O mundo deve muito a grandes filósofos modernos, cientistas e artistas de origem judaica. Muitos prêmios Nobel foram conferidos a judeus porque é um povo que acredita na educação de seus filhos. Por séculos foram perseguidos e expulsos de muitos países, mas nunca se vergaram. Dezenas de milhões foram cruelmente mortos na 2ª Guerra Mundial, na tentativa dos nazistas em exterminar o povo judeu. É um povo que sobrevive em amor à vida. Por isso, não podem deixar que a marca da morte passa a ser ligada ao seu nome.
No Brasil, judeus e palestinos convivem em harmonia. Ambos contribuíram muito com a formação de nossa nacionalidade. Foram aqui recebidos e prosperaram. Esse deveria ser um exemplo para o mundo. Por isso, o Brasil está certo em repudiar a violência e pedir a paz. Temos o exemplo e o compromisso.
 


vicente-vuolo-economista-18-03-10
VICENTE VUOLO  é cientista político e analista legislativo no Senado Federal.
E-MAIL: [email protected]

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JORGE YANAI: Tem umas coisinhas que nós, médicos experientes, nunca vamos abrir mão: os exames clínicos e a boa e velha prosa com o paciente

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50 anos de Medicina

POR JORGE YANAI

 

 

Ano que vem completo 50 anos de Medicina mas quero hoje dividir um pensamento com você.

Nós médicos, somos notáveis pela mão de Deus e com o uso da ciência,  para prevenir, curar, intervir e salvar. Isso merece, sim, uma data e ela tá prontinha, 18 de outubro.

Mas e o dia do paciente, quando comemorar? Sem ele, não tem médico, enfermeiro, técnicos, recepcionistas, hospital, laboratório. É dele que depende o nosso sucesso e é por ele que trabalhamos, isso não pode ser esquecido. Jamais.

Então, todos os dias são dias dos pacientes, inclusive o 17 de setembro, Dia Mundial da Segurança do Paciente, algo mais amplo, conceitual mas ainda pouco pessoal, pouco humano, de verdade.

Na medicina moderna, andamos meio distantes desse protagonista. A internet, os exames, a tecnologia, nos tiram um pouco da proximidade, da intimidade, do toque e do abraço.

Nos últimos anos a pandemia também fez com que essa relação se tornasse mais “europeia” e o bom e velho tempo,  a tal  correria que usamos como desculpa, encurtam as consultas. Infelizmente.

Considero que o médico moderno, deve sim, usar todos os recursos para ser melhor, para fazer o  melhor. Só que tem umas coisinhas que nós, experientes, nunca vamos abrir mão: os exames clínicos e a boa e velha prosa com o paciente.

Muitas coisas são descobertas, ouvindo histórias, observando o tom de voz, gestos, olhares, postura, carências, excessos… porque, afinal, ser médico, também é: ler as pessoas.

Que a tecnologia, o tempo e o respeito aos bons métodos sejam uma forte corrente para que os atuais e futuros médicos possam unir-se às causas que vão além das datas comemorativas.

Um abraço do amigo,

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Jorge Yanai, médico desde 1972… e eterno aprendiz das necessidades humanas.

Jorge Yanai

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