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CUIABÁ

O melhor detergente é a luz do sol

Velha senhora Ana Cristina Neiva, companheira abandonada pelo empresário Moacir Ravagnani depois de uma convivência de 15 anos, detalha na Justiça possível fraude processual cometida pela construtora Ginco para favorecer seu sócio nos Florais da Mata em ação de partilha de bens. Dona Ana segue confiando na Justiça. LEIA DOCs

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Simulação, fraude, mascaramento, burla ao sistema de Justiça. É dessa forma que a velha senhora Ana Cristina Neiva caracteriza a participação da empresa Ginco Empreendimenos Imobiliários (também identificada como Ginco Urbanismo) no arrastado processo que a senhora move atualmente para partilha de bens que construiu durante a sua convivência de 15 anos com o empresário sr. Moacir Ravagnani, pai de sua filha Maria Eduarda, e sócio da Ginco em uma série de empreendimentos na Grande Cuiabá.

O processo corre atualmente perante a Sexta Vara Civel da Comarca de Cuiabá e nele a velha senhora Ana Cristina Neiva, através do seu procurador, o advogado Diogo Botelho, detalha uma série de manobras que teriam sido perpetradas por Moacir Ravagnani e pela empresa no sentido de prejudicá-la nessa demanda em que busca garantir uma partilha equânime de bens depois da longa convivência familiar que ela e o sr. Moacir mantiveram.

Hoje a velha senhora Ana Cristina Neiva vive acolhida por parentes e amigos, depois de ter sido praticamente expulsa da casa em que conviveu grande parte de sua vida com o sr. Moacir Ravagnani e onde vinha criando suas filhas (além de Maria Eduarda, ela é mãe de outra garota, filha de um relacionamento anterior).

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Em documento ao qual a PAGINA DO ENOCK teve acesso e divulga em primeira mão, já devidamente protocolado na Justiça, a velha senhora Ana Cristina Neiva, ainda abalada pelo comportamento agressivo do empresário com o qual conviveu sem contudo formalizar o contrato nupcial, detalhou que “ Moacir Ravagnani, ora Executado, ciente da incursão processual consistente no reconhecimento e dissolução de união estável cumulada com partilha de bens, sempre se antecipou à Justiça com o apoio incondicional da GINCO EMPREENDIMENTOS – LTDA para mascarar o patrimônio objeto da partilha.

Para caracterizar a longo e desgastante labirinto em que mergulhou desde que iniciou a demanda judicial contra seu antigo companheiro de cama e mesa, dona Ana Cristina Neiva recorda que foi em 3 de junho de 2015 – portanto há mais de 7 anos! -, que a Justiça de Mato Grosso, visando resguardar os seus direitos e os direitos de sua filha Maria Eduarda e prevenir uma possível burla patrimonial, seja por parte do empresário Moacir Ravagnani, seja por parte da Ginco Empreendimentos Imobiliários, determinou o seguinte:

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Essa determinação judicial, todavia, não foi bastante para pacificar e resolver a questão e a velha senhora segue sustentando a demanda judicial contra seu antigo companheiro, enquanto vive em situação de penúria, conforme relata o advogado Diogo Botelho em seu arrazoado.

No destaque, publicamos o inteiro teor dos pedidos formulados pela velha senhora Ana Cristina Neiva perante a Poder Judiciário de Mato Grosso, em requerimento protocolado através do seu advogado Diogo Botelho em 14 de junho deste ano de 2022.

 

OUTRO LADO

A Ginco Urbanismo foi procurada para se manifestar sobre este caso. Responsável pelo departamento jurídico da empresa, o advogado Elder Ribeiro ficou de retornar nosso contato mas não fez até o momento. O espaço segue aberto para que a Ginco expresse seu posicionamento.

Sra Ana Neiva Requer Na Justiça Providências Para Resguardar Seus Direitos Em Partiilha de Bens Com Moacir… by Enock Cavalcanti on Scribd

Dona Ana Neiva (no alto, à direita) com suas filhas, no tempo das vacas gordas, quando coabitava maritalmente com Moacir Ranagnani e era apresentada como sócia em seus negocios. Atualmente, seu mundo virou de ponta cabeça

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ECONOMISTA YANIS VAROUFAKIS: Por que a inflação voltou? A questão é do tipo que não tem resposta precisa

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Por que a inflação voltou?

Por Yanis Varoufakis, no Project Syndicate | Tradução: Antonio Martins

A tentativa de encontrar culpados pela alta dos preços está cada vez mais intensa. Foi o dinheiro farto dos bancos centrais, injetado por tempo demais nas economias, que fez a inflação decolar? Foi a China, que adotou lockdows para se proteger da covid e rompeu as cadeias globais de abastecimento? Foi a Rússia, que ao invadir a Ucrânia bloqueou uma parcela importante do suprimento global de gás, petróleo, grãos e fertilizantes? Foi uma mudança brusca das políticas pré-pandêmicas de “austeridade” para liberalidade fiscal irrestrita?

A questão é do tipo que não tem resposta precisa. Todas as mencionadas acima e nenhuma delas. Grandes crises econômicas frequentemente atraem múltiplas explicações, que estão todas corretas mas não tocam no ponto central. Quando os mercados financeiros desabaram em 2008, desencadeando a Grande Recessão global, surgiram várias interpretações: A captura das instituições regulatórias pelas instituições financeiras, que substituíram a indústria na liderança da ordem capitalista. Uma inclinação cultural ao risco financeiro. O fracasso dos políticos e economias, que confundiram uma bolha gigante com um novo paradigma. Tudo isso era real, mas nada ia ao núcleo da questão. O mesmo ocorre agora. “Nós avisamos”, dizem os monetaristas, que preveem inflação alta desde que os bancos centrais passaram a emitir dinheiro em larga escala, em 2008. Fazem-me lembrar do triunfo que os esquerdistas (como eu!) experimentamos naquele ano, depois de termos “previsto” repetidamente a quase-morte do capitalismo – iguais a um relógio parado, que acerta a hora duas vezes ao dia.

É verdade: ao permitirem que os banqueiros fizessem vasta emissão de crédito (na falsa esperança de que o dinheiro emitido iria irrigar a economia), os bancos centrais provocaram uma inflação de ativos (fazendo disparar os preços dos imóveis, das ações e das criptomoedas, por exemplo). Mas a narrativa monetarista não explica por que os bancos centrais foram incapazes, entre 2009 e 2020, sequer de ampliar a quantidade de dinheiro em circulação na economia real – muito menos de fazer a inflação chegar à meta de 2% ao ano. Algo além disso desencadeou a alta dos preços atual. A interrupção das cadeias de abastecimento dependentes da China) também teve peso, assim como a invasão da Ucrânia. Mas nenhum destes fatores explica a abrupta “mudança de regime” do capitalismo ocidental — da deflação, que predominava até há pouco, para seu oposto: a alta simultânea de todos os preços. Normalmente, para que isso ocorresse seria necessária uma inflação dos salários superior à dos preços, desencadeando uma espiral incessante, com a alta dos salários retroalimentando altas dos preços que, por sua vez, levaria os salários a aumentarem também, ad infinitum. Só nesse caso seria razoável que os bancos centrais demandassem aos trabalhadores “jogar para o time” e reduzir a luta por altas de salários.

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Mas fazê-lo hoje seria absurdo. Todas as evidências sugerem que, ao contrário dos anos 1970, os salários estão subindo muito menos que os preços, e ainda assim a inflação não apenas se mantém – mas acelera. O que está acontecendo, então? Minha resposta: um jogo de poder de meio século, conduzido pelas grandes corporações, pela oligarquia financeira, pelos governos e bancos centrais, está terminando muito mal. Como resultado, as autoridades ocidentais agora defrontam-se com uma escolha impossível: ou empurram os conglomerados (e mesmo alguns Estados) para falências em série, ou permitem que a inflação suba sem parar. Por 50 anos, a economia dos EUA sustentou as exportações líquidas da Europa, Japão, Coreia do Sul; e mais tarde da China e de outras economias emergentes. A parte do leão destes lucros estrangeiros voltava a Wall Street, em busca de maiores rendimentos.

Por trás deste tsunami de capitais que se dirigia aos EUA, o sistema financeiro construía pirâmides de dinheiro privado (os mercados de opções e derivativos). O esquema financiava a construção, pelas corporações, de um labirinto de portos, navios, entrepostos, pátios de estocagem, estradas e ferrovias. Quando o crash de 2008 incendiou estas pirâmides, todo o labirinto financeirizado de cadeias de suprimento just in time balançou. Para salvar não apenas os banqueiros, mas o próprio labirinto, os bancos centrais tomaram a frente, substituindo as pirâmides do sistema financeiro com dinheiro público. Ao mesmo tempo, os governos estavam cortando gastos públicos, empregos e serviços. Não era nada menos que socialismo de luxo para o capital e austeridade estrita para o trabalho. Os salários encolheram e os preços e lucros estagnaram, mas os preços dos ativos negociados pelos ricos (e, portanto, sua riqueza) disparam.

O nível de investimentos (em relação ao dinheiro disponível) caiu a um ponto inédita, a capacidade de produção encolheu, o poder dos mercados multiplicou-se e os capitalistas tornaram-se ao mesmo tempo mais ricos e mais dependentes do dinheiro dos bancos centrais que nunca. Era um novo jogo de poder. A luta tradicional entre capital e trabalho, cada um esforçando-se para elevar a respectiva fatia na renda disponível, por meio de crescimento das margens ou elevações de salários, continuou. Mas já não era a fonte principal da nova riqueza. Depois de 2008, as políticas generalizadas de “austeridade” resultaram em baixo investimento (demanda por dinheiro), que, combinado com total liquidez assegurada pelos bancos centrais (vasta oferta de dinheiro), manteve o preço do dinheiro (taxas de juros) próximo de zero. Com a capacidade produtiva (mesmo no setor imobiliário, em termos globais) em queda, bons empregos escassos e salários estagnados, a riqueza triunfou nos mercados de ações e propriedades, que haviam se desacoplado da economia real.

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Então, veio a pandemia, que mudou algo essencial. Os governos ocidentais foram forçados a direcionar alguns dos novos rios de dinheiro dos bancos centrais para as massas em quarentena, em meio a economias que, ao longo de décadas, haviam corroído sua própria capacidade de produzir e tinham de lidar agora com a ruptura das cadeias de abastecimento. À medida em que as multidões em quarentena gastavam parte de seu novo dinheiro em importações escassas, os preços começaram a subir. As corporações com riqueza acumulada em papel responderam lançando mão de seu imenso poder de mercado (ainda garantido por sua capacidade produtiva encolhida) para levar os preços às alturas.

Depois de duas décadas de bonança de preços de ativos disparados e de dívida corporativa crescente – tudo em consequência das ações dos bancos centrais – bastou uma pequena inflação para terminar com o jogo de poder que moldou o mundo pós-2008 à imagem de uma classe dirigente revivida. Agora, o que virá? Nada de bom, provavelmente. Para estabilizar a economia, as autoridades primeiro precisariam acabar com o poder exorbitante concedido a muito poucos por meio de um processo político de produção de riqueza de papel e criação de dívida barata. Mas estes muito poucos não vão entregar poder sem luta, ainda que isso signifique mergulhar toda a sociedade num grande incêndio.

Yánis Varoufákis é economista, blogger e político grego membro do partido SYRIZA. Foi o ministro das Finanças do Governo Tsipras no primeiro semestre de 2015. Varoufákis é um assíduo opositor da austeridade. Desde a crise global e do euro começou em 2008, Varoufákis tem sido um participante ativo nos debates ocasionados por esses eventos. Publicado originalmente no saite Outras Palavras.

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