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Alguma coisa está fora da ordem

Tentando agradar Malafaia e evangélicos homofóbicos, Procurador Mauro renega teses humanistas do PSOL sobre aborto e homossexualidade

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Alguma coisa está fora da ordem

Um vexame. O troglodita evangélico Silas Malafaia ataca as teses defendidas nacionalmente pelo PSOL e, ao invés de reforçar as posições de seu partido, Procurador Mauro abre as pernas e reforça posições anti-humanistas dos evangélicos.
O Procurador Mauro só faltou dizer: “É mentira o que eles estão dizendo. Eu não defendo as posições do PSOL apesar do PSOL ser o meu partido. Quando o assunto e aborto e homossexualismo, eu estou mesmo é com o meu mestre, o pastor Silas Malafaia, amém”. Que vexame! Um candidato acovardado e que abre espaço para que continue a violência e a homofobia contra a comunidade LGBT! (EC)
VEJA O QUE PUBLICOU O DIÁRIO DE CUIABÁ

Pastor Silas Malafaia divulgou um vídeo em sua página no YouTube conclamando fiéis de Cuiabá a não votarem no candidato do Psol

RAFAEL COSTA
DO DIÁRIO DE CUIABÁ
Por conta da defesa de temas polêmicos defendidos pela bancada do Psol no Congresso Nacional como a legalização das drogas e alterações na legislação do aborto, um dos principais líderes religiosos do país, o pastor evangélico Silas Malafaia divulgou um vídeo em sua página no YouTube conclamando fiéis e o povo de Cuiabá a não votarem no candidato a prefeito de Cuiabá pelo Psol, o procurador da Fazenda Nacional Mauro César Lara de Barros, conhecido como Procurador Mauro.
No vídeo com duração de 1m35s, Malafaia se dirige ao “povo abençoado e cristão de Cuiabá” e acusa o Psol de agir contra princípios da Igreja como defender abertamente o aborto, casamento gay, liberação de drogas e ideologia de gênero.
“Não se deixem enganar por discursos! O senhor Procurador Mauro, do Psol, um dos partidos mais radicais contra nossos princípios, defendem casamento gay, aborto, liberação de drogas e uma das coisas mais nojentas, que é a ideologia de gênero”, disse.
Em suas críticas, Malafaia acusou o Psol de agir ideologicamente em detrimento do cumprimento das leis. “A ideologia de gênero é erotizar crianças nas escolas. O artigo 229 da Constituição Federal diz que educação moral é dos pais. O artigo 12 da Convenção Latino- americana de Direitos Humanos assegura aos pais a educação moral e religiosa. A ideologia de gênero já foi rejeitada pela Câmara dos Deputados e Senado. Então, diga não ao Psol”.
Malafaia ainda acusou o Psol de adotar um tom moderado no discurso, mas o radicalismo nos próximos quatro anos se vier a ser eleito. “Agora estão todos bonzinhos, mas durante quatro anos eles trabalham contra nossos princípios. Diga não ao senhor procurador Mauro. Deus abençoe você, Deus abençoe sua família, Deus abençoe Cuiabá”, finalizou.
A resposta do Procurador Mauro foi feita no programa eleitoral de apenas 15 segundos e reproduzido em sua página na rede social Facebook.
O procurador Mauro afirmou que está sendo vítima de um ataque de mentiras patrocinado pelos pastores Silas Malafaia e Victorio Galli, pois ambos têm o objetivo de apoiar outras candidaturas a prefeito de Cuiabá.
O candidato ainda negou que faça defesa de temas que são tratados como verdadeiras bandeiras pela bancada do Psol no Congresso Nacional, que são a legalização das drogas e alterações na legislação do aborto.
“Não é verdade o que eles estão dizendo. O meu posicionamento pessoal é o seguinte: sou contra modificações na legislação do aborto, sou contra a legalização das drogas, nunca defendi a troca de sexo ou a erotização de crianças”, disse.
Por último, Procurador Mauro ainda disse ser católico e pediu aos eleitores para não acreditarem em mentiras.
“Sou católico praticante, sou cristão. Vocês me conhecem, não deixem a mentira, o pânico e o desespero deles enganarem vocês”. (RC)
CONFIRA, AGORA, OS VÍDEOS DA POLÊMICA:

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LÚDIO CABRAL: 5 mil vidas perdidas para a covid em Mato Grosso

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CINCO MIL VIDAS

Lúdio Cabral*

Cinco mil vidas perdidas. Esse é o triste número que Mato Grosso alcança hoje, dia 26 de janeiro de 2021, em decorrência da pandemia da covid-19.

Cada um de nós, mato-grossenses, convivemos com a dor pela perda de alguém para essa doença. Todos nós perdemos pessoas conhecidas, amigos ou alguém da nossa família.

A pandemia em Mato Grosso foi mais dolorosa que na maioria dos estados brasileiros e o fato de termos uma população pequena dificulta enxergarmos com clareza a gravidade do que enfrentamos até aqui.

A taxa de mortalidade por covid-19 na população mato-grossense, de 141,6 mortes por 100 mil habitantes, é a 4ª maior entre os estados brasileiros, inferior apenas aos estados do Amazonas (171,9), Rio de Janeiro (166,2) e ao Distrito Federal (147,0). O número de mortes em Mato Grosso foi, proporcionalmente, quase 40% superior ao número de mortes em todo o Brasil. Significa dizer que se o Brasil apresentasse a taxa de mortalidade observada em Mato Grosso, alcançaríamos hoje a marca de 300.000 vidas perdidas para a covid-19 no país.

Lembram do discurso que ouvimos muito no início da pandemia? De que Mato Grosso tinha uma população pequena, uma densidade populacional baixa, era abençoado pelo clima quente e que, por isso, teríamos poucos casos de covid-19 entre nós?

Lembram do posicionamento oficial do governador de Mato Grosso no início da pandemia, de que o nosso estado não teria mais do que 4.000 pessoas infectadas pelo novo coronavírus?

Infelizmente, a realidade desmentiu o negacionismo oficial e oficioso em nosso estado. Não sem muita dor. O sistema estadual de saúde não foi preparado de forma adequada. Os governos negligenciaram a necessidade de isolamento social rigoroso em momentos cruciais e acabaram transmitindo uma mensagem irresponsável à população. O resultado disso tudo foram vidas perdidas.

Ao mesmo tempo, o Mato Grosso do sistema de saúde mal preparado para enfrentar a pandemia foi o estado campeão nacional em crescimento econômico no ano de 2020. Isso às custas de um modelo de desenvolvimento que concentra renda e riqueza, de um sistema tributário injusto que contribui ainda mais com essa concentração, e de um formato de gestão que nega recursos às políticas públicas, em especial ao SUS estadual, já que estamos falando em pandemia.

Dolorosa ironia do destino, um dos municípios símbolo desse modelo de desenvolvimento, Sinop, experimentou mortalidade de até 100% entre os pacientes internados em leitos públicos de UTI para adultos em seu hospital regional.

Nada acontece por acaso. Os números da covid-19 em Mato Grosso não são produto do acaso ou de mera fatalidade. Os números da covid-19 em Mato Grosso são produto de decisões governamentais, de escolhas políticas determinadas por interesses econômicos, não apenas agora na pandemia, mas por anos antes dela. E devemos ter consciência disso, do contrário, a história pode se repetir novamente como tragédia.

Temos que ter consciência dessas injustiças estruturais para que possamos lutar e acabar com elas. A dor que sofremos pelas pessoas que perdemos para a pandemia tem que nos mobilizar para essa luta.

Lutar por um modelo de desenvolvimento econômico que produza e distribua riqueza e renda com justiça, que coloque pão na mesa de todo o nosso povo e que proteja a nossa biodiversidade. Lutar por um sistema tributário que não sacrifique os pequenos para manter os privilégios dos muito ricos. Lutar por políticas e serviços públicos de qualidade para todos os mato-grossenses. Lutar pelo SUS, por um sistema público de saúde fortalecido e capaz de cuidar bem de toda a nossa população.

São essas algumas das lições que precisamos aprender e apreender depois de tantos meses de sofrimento e dor, até porque a tempestade ainda vai levar tempo para passar.

*Lúdio Cabral é médico sanitarista e deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores em Mato Grosso.

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