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O melhor detergente é a luz do sol

SAÍTO tenta decifrar paradigmas desse admirável mundo virtual em que se pode assumir várias identidades e trocá-las de acordo com o alcance da imaginação. E teme que se chegue a um tempo em que valerá apenas uma espécie de dignidade humana ou mesmo direito de ir e vir circunstanciais, relativizados pelas variáveis grupais

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O melhor detergente é a luz do sol

Gonçalo Antunes de Barros Neto, juiz de Direito em Cuiabá, Mato Grosso, conhecido pelos amigos como Saíto

Gonçalo Antunes de Barros Neto, juiz de Direito em Cuiabá, Mato Grosso, conhecido pelos amigos como Saíto


Tropeço
GONÇALO ANTUNES DE BARROS NETO – SAITO
Vive-se sob novos paradigmas. O indivíduo, de sujeição individual no mundo jurídico e político, passou a ser um componente de sua própria identidade. Está contido, não é mais continente, conteúdo. Para se estudar e individualizar alguém, nesse complexo processo de qualificação, precisa-se estar munido de dados que até então passavam ao largo de sua existência como membro comunitário. Sua imagem refletida transmuda-se em representação do que verdadeiramente é. Explico.
Hoje, o que se é nas redes sociais não é exatamente aquilo que se pensa ser. Nesse novo mundo virtual se pode assumir várias identidades e trocá-las conforme a circunstância recomenda. Afinal, quantos “login” podem fabricar, com os mais variados apelidos e características pessoais? Pode-se “logar” como Batman ou Capitão América e dar a esses personagens características outras conforme o alcance da imaginação do criador. O assumir identidades está se tornando febre e passatempo predileto de alguns.
Por outro norte, a economia e a política já te analisam conforme o círculo potencialmente identificador de suas predileções, compras, trabalho, religião, renda etc. Você não é o que pensa e o que realiza, mas a vontade do grupo a que pertence. A clássica definição de cidadão, e também de cidadania, está ultrapassada. Ao indicar seu sobrenome, estará irremediavelmente indicando pertencer a um determinado segmento de pessoa. Da mesma forma, seu trabalho, sua religião, e outras mais. Isso tudo leva ao fim da homogeneidade enquanto membro individual, e ser indistinto de direitos, para algo muito mais aberto – grupos. Tal estado de coisas pode gerar divisão por casta e até racismo.
Do homem e da mulher não se pode mais afirmar que são livres. Estão irremediavelmente divididos, ou em homens e mulheres ou entre eles e elas. Cada qual carrega sua identidade no perfil de abordagem já de antemão estudado. Maria não é Maria e João não é João senão que pertençam a um intrincado referencial pessoal, formado por teorias das mais variadas roupagens empíricas. Tal não seria mais devastador se não acrescentássemos o Direito. No jurídico as coisas se complicam ainda mais. Logo, logo, se estará ponderando princípios constitucionais de acordo com as origens. Seria uma espécie de dignidade humana ou mesmo direito de ir e vir circunstanciais, relativizados pelas variáveis grupais. Guantánamo que o diga.
Passou-se o século XX inteiro lutando pelas conquistas individuais e coletivas, mas, dessas, somente o coletivo pragmático e útil se está vingando, sobrevivendo. O governo te reconhece por um número (RG ou CPF) e logo o conecta num determinado perfil de contribuinte ou político. A divergência no Parlamento deixou de ter conteúdo específico para virar ponto-de-vista do governo ou da oposição, da maioria ou da minoria, e assim vai. Conceitos como certo e errado, justo e injusto, legal e ilegal, foram substituídos por referenciais contra ou a favor do mandante (que quase nunca é o povo).
Tudo isso me faz lembrar a música de Lulu Santos “Assim caminha a humanidade” – “Com passos de formiga/E sem vontade/Não vou dizer que foi ruim/Também não foi tão bom assim/Não imagine que te quero mal/Apenas não te quero mais/Não te quero mais”… “Nunca mais!”. É por aí…
GONÇALO ANTUNES DE BARROS NETO – SAITO é Juiz de Direito e escreve aos domingos em A Gazeta
e-mail: [email protected]

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JORGE YANAI: Tem umas coisinhas que nós, médicos experientes, nunca vamos abrir mão: os exames clínicos e a boa e velha prosa com o paciente

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50 anos de Medicina

POR JORGE YANAI

 

 

Ano que vem completo 50 anos de Medicina mas quero hoje dividir um pensamento com você.

Nós médicos, somos notáveis pela mão de Deus e com o uso da ciência,  para prevenir, curar, intervir e salvar. Isso merece, sim, uma data e ela tá prontinha, 18 de outubro.

Mas e o dia do paciente, quando comemorar? Sem ele, não tem médico, enfermeiro, técnicos, recepcionistas, hospital, laboratório. É dele que depende o nosso sucesso e é por ele que trabalhamos, isso não pode ser esquecido. Jamais.

Então, todos os dias são dias dos pacientes, inclusive o 17 de setembro, Dia Mundial da Segurança do Paciente, algo mais amplo, conceitual mas ainda pouco pessoal, pouco humano, de verdade.

Na medicina moderna, andamos meio distantes desse protagonista. A internet, os exames, a tecnologia, nos tiram um pouco da proximidade, da intimidade, do toque e do abraço.

Nos últimos anos a pandemia também fez com que essa relação se tornasse mais “europeia” e o bom e velho tempo,  a tal  correria que usamos como desculpa, encurtam as consultas. Infelizmente.

Considero que o médico moderno, deve sim, usar todos os recursos para ser melhor, para fazer o  melhor. Só que tem umas coisinhas que nós, experientes, nunca vamos abrir mão: os exames clínicos e a boa e velha prosa com o paciente.

Muitas coisas são descobertas, ouvindo histórias, observando o tom de voz, gestos, olhares, postura, carências, excessos… porque, afinal, ser médico, também é: ler as pessoas.

Que a tecnologia, o tempo e o respeito aos bons métodos sejam uma forte corrente para que os atuais e futuros médicos possam unir-se às causas que vão além das datas comemorativas.

Um abraço do amigo,

Leia Também:  DEU NO ESTADÃO: Alijada da campanha do Ministério da Saúde, a prostituta Nilce segue na luta contra as DSTs e pelo orgulho da classe. "Sou prostituta e feliz porque adquiri muito conhecimento, é na profissão que consigo ajudar minhas colegas, ganho meu dinheiro, não tenho patrão, faço meu horário, tenho minha liberdade, cuido da minha saúde", relaciona.

Jorge Yanai, médico desde 1972… e eterno aprendiz das necessidades humanas.

Jorge Yanai

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