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SAÍTO: Penso que a identidade de alguém, ou seja, quem a pessoa verdadeiramente ‘é’, não é um número de RG ou CPF, mas a história. A complexidade de acontecimentos históricos em torno de determinado ser

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Saíto

Quem somos?

Por GONÇALO ANTUNES DE BARROS NETO

 

A identidade das pessoas é a mesma ao longo do espaço/tempo por causa de nossa estrutura, das partes que somos compostos? É por causa da mente e de nossos sentimentos? Ou da história de cada qual? Explico, problematizando a questão para depois responder. Primeiro, lembraremos de uma pequena passagem histórica (mito ou verdade? Aqui não importa, apenas a lição).

O paradoxo do Navio de Teseu (rei fundador de Atenas) fez-se conhecer ao mundo pela lavra de Plutarco, filósofo e seguidor de Platão. Descreve o citado pensador grego como Teseu retornou de uma longa viagem pelo mar.

Ao longo de todo o percurso, todas as velhas e desgastadas placas de madeira que formavam o navio foram sendo arrancadas e substituídas por outras mais novas.  As velhas eram jogadas ao mar na medida em que foram substituídas.

Quando Teseu e comandados retornaram da viagem, cada placa de madeira do navio havia sido trocada. Isso nos leva à indagação: O navio em que retornaram era o mesmo em que partiram?

Claro está que o exemplo é de um objeto e não pessoa. Mas no final, nos servirá também.

Mais tarde, já no século XVII, um outro filósofo, Thomas Hobbes, levou esse paradoxo mais adiante. Imagine, agora, que seguindo o navio de Teseu houvesse um ser reciclador. Enquanto os comandados do grande rei descartavam as placas de madeira no mar, o reciclador as recolhia da água para construir o próprio navio. Portanto, duas embarcações chegaram ao porto, a que conduziu Teseu, com placas novas de madeira, e a outra, construída pelo reciclador, com as madeiras descartadas ao mar.

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Nesse contexto, qual é o navio de Teseu? O que torna o navio de Teseu  o navio de Teseu? As partes individuais das quais o navio é feito? A sua estrutura? A história do navio? (Paul Kleinman, Filosofia).

Se a resposta for as partes individuais das quais o navio é feito, teremos que o primeiro navio (A)  é o mesmo navio do reciclador (C), mas Teseu chegou no navio com placas novas (B). Contudo, aqui há um paradoxo, para que isso fosse possível, Teseu teria que ter trocado de navio, razão pela qual a resposta não pode ser essa, pois, Teseu nunca deixou o navio, nunca esteve a bordo de dois navios. Partiu em A e retornou em B.

Então, temos a primeira conclusão: não se mantém a própria identidade pelas partes do corpo. Ora, se alguém perder um braço ou uma perna continuará sendo a mesma pessoa. No mesmo sentido, nem pela mente ou sentimentos. Basta imaginar uma pessoa que tenha perdido a memória ou mesmo o amor por alguém, ela teria perdido a própria identidade? Seria outra pessoa?

Também, o navio A não pode ser o mesmo navio B, visto que este tem todas as placas de madeira novas. Ainda, não pode ser o navio C, pois, este conduziu o reciclador, e não Teseu, até o porto, e Teseu nunca esteve a bordo de dois navios. Outra, não se pode afirmar que A seja igual a B, já que isso implica que A seja diferente de C, o que seria um paradoxo: cada parte de C é também parte de A.

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Esse paradoxo do Navio de Teseu trata especificamente da identidade.

Traduzindo-o para as pessoas, penso que a identidade de alguém, ou seja, quem a pessoa verdadeiramente ‘é’, não é um número de RG ou CPF (estes podem ser falsificados ou trocados), não são os membros do corpo ou mesmo a mente e sentimentos, mas a história. A complexidade de acontecimentos históricos em torno de determinado ser (aqui não farei distinção entre ente e ser).

Essa será sua verdadeira identidade, um ser formado ao longo da própria história, da singularidade de sua existência, algo parecido com o ‘estudo do ser enquanto ser’ da metafísica de Aristóteles; mas não sobre a razão da sua existência, e, sim, sobre seu histórico enquanto ser do mundo.

É por aí…

 

GONÇALO ANTUNES DE BARROS NETO (SAÍTO) tem formação em Filosofia e Direito, autor da página BEDELHO.FILOSÓFICO no Facebook e Instagram (email: [email protected]).  

 

 

 

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AGRICULTURA FAMILIAR: Empaer multiplica mudas de mandioca para garantir ramas para 2022 em Mato Grosso

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A equipe do Campo Experimental de Acorizal da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), preocupada com os efeitos das secas prolongadas e a falta de ramas de mandioca para plantio, vem desenvolvendo o método da multiplicação de mudas da mandioca em copinho de plástico. A iniciativa é devido a grande importância social que a cultura da mandioca proporciona, por ser uma alternativa para pequenos produtores na geração de renda e segurança alimentar.

Em pleno trabalho, no final de novembro, os técnicos já tinham preparado 4,5 mil unidades que serão plantadas no Campo Experimental e garantir ramas para 2022, que serão  disponibilizadas aos agricultores que tiverem  interesse em cultivar a mandioca e também, aos técnicos da empresa que quiserem instalar a  Unidade de Referência Tecnológica (URT), para mostrar aos produtores os materiais que estão sendo analisados e avaliar os mesmos em cada região.

A pesquisadora da Empaer, Dolorice Moreti, comenta que nos dois últimos anos, as secas castigaram muito a cultura da mandioca. Ela destaca que este método permite a reprodução do material em maior escala e de maneira economicamente viável.

Leia Também:  Segundo jornalista Luis Nassif, "escândalo" do caso Controlar foi produzido claramente e está sendo sustentado pela grande mídia (Rede Globo, Folha e Estadão) para tentar abater candidatura de Gilberto Kassab, ao Palácio dos Bandeirantes. Texto do Nassif, replica questionamento desta PAGINA DO E com relação à ação do procurador José Elaeres Teixeira que pediu afastamento do juiz Julier Sebastião, antes da conclusão do inquérito da Operação Ararath, sendo barrado em sua pretensão pelo desembargador Carlos Medeiros

“A finalidade é aumentar a quantidade de mudas geradas a partir de plantas matrizes, com foco principalmente no pequeno agricultor, contribuindo na estruturação da cadeia da mandiocultura, de forma a minimizar, futuramente, os efeitos das secas prolongadas e da baixa produtividade”, afirma.

A multiplicação das mudas está sendo realizada com diversos materiais genéticos de mandioca provenientes de várias regiões do estado de Mato Grosso, da Embrapa e do Instituto Agrônomo de Campinas (IAC). A técnica, segundo Dolorice é simples e oportuniza ao produtor, o aproveitamento das ramas, melhor brotação, redução de falhas na lavoura e também até 30 dias para o preparo do solo e aquisições dos insumos necessários, enquanto as mudas ficam aptas para ir a campo.

Os trabalhos realizados são para duas finalidades de uso da mandioca: mesa e indústria.  Para a mandioca de mesa precisamos ter produtividade, precocidade e cozimento, na comercialização. Para a mandioca destinada à indústria, ela precisa ser produtiva e apresentar alto teor de amido. Esse trabalho realizado pela Empaer visa oportunizar o produtor rural ter acesso aos materiais mais promissores para cada finalidade de uso e assim, ter maior rentabilidade na atividade.

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Dolorice e colegas da Empaer realizando o trabalho de montar muda por muda               Foto: Empaer

Fonte: GOV MT

Mandioca. Foto de Daniel Dan no Pexels

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