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CUIABÁ

O melhor detergente é a luz do sol

SAÍTO, navegando nas águas de Heidegger,  recomenda que se adote a dúvida como a mais conveniente postura ideológica. “Duvide da cultura que se aprende, dos gestos que encanta, das palavras que enobrece e escandaliza, da vida e da morte como finitude, do absoluto e da tentativa de relativizar a tudo e a todos, e, acima de tudo, duvide de qualquer convenção social” – escreve o magistrado cuiabano

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O melhor detergente é a luz do sol

Saíto, magistrado cuiabano, e Marttin Heidegger, filósofo alemão

Saíto, magistrado cuiabano, e Marttin Heidegger, filósofo alemão


Ode à dúvida
POR GONÇALO ANTUNES DE BARROS NETO – SAÍTO
 
Você já duvidou, hoje? Se, não, então duvide. Duvide da cultura que se aprende, dos gestos que encanta, das palavras que enobrece e escandaliza, da vida e da morte como finitude, do absoluto e da tentativa de relativizar a tudo e a todos, e, acima de tudo, duvide de qualquer convenção social.
Aliás, duvide da maldade e da bondade, da vitória e da derrota, da autoridade e da forma, do conforto e da ilusão, do luxo e da miséria. Se, ainda assim, não se sentir liberto, duvide que você esteja duvidando.  Se coloque à prova.
Duvide, sem peia, do acusador implacável e do julgador cruel, do bonzinho e de sorriso largo e do também sisudo e com aparência de sereno. Leve a dúvida além de sua própria imaginação e duvide que esteja imaginando tal estado de coisa. Não acredite se da objetividade alcançada, o talvez lhe tenha acenado de longe. Por fim, duvide que o sentimento de liberdade alcançado já lhe basta, e duvide dele mesmo.
A liberdade é reveladora. Liberte-a, está em todos. ‘A única condição adequada da liberdade no ser humano é o libertar-se a liberdade no ser humano’ (Heidegger). Para o filósofo alemão, o problema consiste em que o ser humano se estabelece na cultura que criou, na busca de segurança e proteção, e com isso perde a consciência de sua liberdade (Safranski).
Não cheguemos aos céticos, já minimizados por Descartes. Nem nos ocupemos do cartesianismo e da dúvida hiperbólica; Locke já o fez acerca das ideias inatas do pensador francês. Mas, em processo continuo, precisamos entender a complexidade humana.
Conheci um menino, malabarista de primeira, jogava os objetos para cima, num movimento circular que encantava a todos no sinaleiro muito bem escolhido. Ganhava uns trocados, e levava vários ‘conselhos’, do tipo – vai trabalhar, vagabundo-. Seu apelido, Cabralzinho.
Para Jesus de Nazaré, peca-se não pelo que se ingere, mas no que sai pela boca. Vive-se a ilusão da crítica irrefletida, mordaz, que fere mais que o chicote. Quebra os ‘ossos’ da alma. E o que é pior, em tempos de arquivos virtuais, é indelével.
Cabralzinho, de somente quinze anos, era arrimo de família, alimentava seus pais doentes, e mais dois irmãos menores. Perguntei-lhe quem o retribuía mais pelo espetáculo, os dos carrões ou os dos populares? Nem pensou direito, já tinha seus referencias científicos pesquisados na labuta – os dos carrinhos. Apartei: E quem elogia mais? Moço, os dos carrões; mas não dão dinheiro, não.
Sem consciência crítica, talvez por faltar-lhe referencial teórico, mas parece que o menino entendeu algo. Para a matéria, mais vale o dinheiro suado dos indiferentes. Ajuda a forrar o estômago. Para a alma, a essência das coisas, a usura dos ricos, petrifica, em fingimento, a miséria alheia.
O malabarista Cabralzinho, provou, momentaneamente, da liberdade. Aceitou como os estoicos, a escola da vida e a natureza humana. Somente a simplicidade, de começo, nos leva ao ápice do conhecimento. Libertemo-nos das convenções culturais e sociais. Ou a elas nada dediquemos; assim, a felicidade nos alcançará.
É por aí…
 
GONÇALO ANTUNES DE BARROS NETO – SAÍTO é magistrado e professor em Cuiabá e escreve aos domingos em A Gazeta (email: [email protected]).
 

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Dinheiro na mão é vendaval

Procon-RJ multa iFood em R$ 1,5 milhão por troca de nomes de restaurantes

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Empresa deverá pagar indenização por não prestar informações sobre alteração em nomes de restaurantes
Sophia Bernardes

Empresa deverá pagar indenização por não prestar informações sobre alteração em nomes de restaurantes

O iFood foi multado R$ 1.508.240 pelo Procon-RJ por não prestar informações necessárias que garantirassem que os dados dos clientes estavam seguros, após uma pane no sistema que levou os nomes de vários restaurantes listados pelo serviço de entregas serem substituídos por mensagens políticas, antivacina e dados de app rival no último dia 2 de novembro.

Segundo o Procon Carioca, o IFood chegou a informar que as alterações teriam sido feitas por uma empresa prestadora de serviço, mas que não houve vazamento de dados pessoais dos consumidores nem de informações sobre cartões de débito ou crédito cadastrados como meios de pagamento.

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No entanto, como o aplicativo declara em sua política de privacidade compartilhar dados com empresas terceirizados, incluindo os meios de pagamento, o Procon Carioca pediu ao iFood esclarecimentos sobre a vulnerabilidade de exposoção de dados dos consumidores, como CPF, endereço, cartões.

O Procon Carioca solicitou também informações sobre quais estabelecimentos foram afetados por esse acesso indevido, por quanto tempo os nomes ficaram alterados, qual foi o prazo para correção do sistema, quantas compras foram realizadas durante o acesso indevido e qual a identificação da empresa prestadora de serviços que deu causa ao acontecimento e suas atribuições na gestão da plataforma.

Segundo o órgão de defesa do consumidor a ausência de documentos comprobatórios de que não houve vazamento de dados e sobre o incidentes em si levou à multa. A empresa ainda pode recorrer.

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