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O melhor detergente é a luz do sol

SAITO: Não há coragem mais doída e aterrorizante que a aceitação das próprias limitações

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O melhor detergente é a luz do sol

Verdade sobre si mesmo

GONÇALO ANTUNES DE BARROS NETO

 

Existe um princípio antigo, retratado por Foucault em aula no ano de 1984, de que ‘é preciso dizer a verdade sobre si mesmo’, que se relaciona com um outro, muito conhecido, o socrático ‘conhece a ti mesmo’.

Isso não é tarefa fácil, em especial pelo fato de que se precisa da figura de um outro, que seja sério ou séria e que tenha profundidade em suas reflexões. Pode ser um professor, filósofo ou amigo, mas verdadeiro, amadurecido pelo tempo, tomando-se cuidado com as armadilhas da mente.

Lembrem-se de Demétrio (citado por Foucault), o Cínico, que era o conselheiro de Thrasea Paetus, um homem importante na vida política romana em meados do séc. I, que suicidou, sendo assistido por ele até o derradeiro instante, dialogando sobre a imortalidade da alma.

Esse outro, conselheiro, de livre escolha, cuidadosa, por quem quer ‘dizer a verdade sobre si mesmo’, terá o papel de discernir a alma, as paixões e afetos. Acima de tudo, não pode ter melindres em dizer a verdade (‘parresía’), coragem deve tomar-lhe por atributo.

Leia Também:  CEARÁ E VILSON NERY: O ano de 2015 se esvai, e certamente deixa para a memória desta e das futuras gerações, o pior período de produção legislativa desde a redemocratização, e o grande culpado é um sujeito que vem desde os anos 80 patrocinando malfeitos e se escondendo na imunidade parlamentar, para não ser alcançado pelas algemas. Trata-se do deputado federal Eduardo Cosentino Cunha, eleito pelo PMDB do Rio de Janeiro, e combatido por uns poucos “gatos pingados” em Brasília, entre eles Jean Wyllys e Chico Alencar (PSOL), Wadih Damous (PT) e Miro Teixeira (PROS)

Esse ‘parresiasta’, de fala franca, apontará as contradições, erros e inclinações do interessado em se conhecer da própria mentira e falsidade, tão naturais aos que pensam já saber de tudo e de tudo, palpitam. Uma espécie de diálogos socráticos em pleno século XXI, dos quais vence a verdade.

Ao expor seu pensamento sem nada dissimular (Demóstenes, Primeira filípica, cit. Por Foucault in A Coragem da Verdade, trad. de Eduardo Brandão, Martinsfontes), é provável que o ‘parresiasta’ veja diante de si alguém em fuga, fraco, e que pode tomar-lhe por desafeto. Não importa, deve dizer tudo, toda a verdade.

Parafraseando a Euclides da Cunha em Os Sertões (‘Estamos condenados à civilização’): o descobridor de si se condena à verdade. E não há coragem mais doída e aterrorizante que a aceitação das próprias limitações.

Não adianta, também, acertar no diagnóstico e errar na causa. Esta pode ser psicológica, vaidade excessiva, falta de um certo equilíbrio entre o ego e o superego. Disso resulta nos falsos intelectuais e literatos. Pessoas sem o necessário talento, mas fogosas em vender uma falsa imagem. São os idiotas ganhando o mundo, voz, pela internet (Umberto Eco).

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A biografia de alguns é uma farsa, apesar dos títulos acadêmicos. As pulsões não podem se transformar em criatividades, antes, devem ser depuradas pelos modelos científicos existentes para se chegar a um resultado satisfatório no campo da verdade.

É preciso dizer a verdade sobre si mesmo, porque a vida é um processo em construção que muito provavelmente se acaba com o fim da existência; e, se continuar para além dela, será sem o corpo passageiro, finito.

Disso resulta numa outra verdade, saber escolher os amigos, os ‘parresiastas’ que tão frequentemente chama a todos à reflexão sobre si mesmos. A camaradagem e uma tal educação não podem servir para escamotear a realidade.

Assim, considerando a excelência de certos ditados populares, não há parto sem dor, ainda que exista a anestesia social (hipocrisia) para aliviar a tristeza em se vê desnudado.

É por aí…

 

GONÇALO ANTUNES DE BARROS NETO, o SAITO, tem formação em Filosofia e Direito, autor da página Bedelho.Filosófico no Facebook e Instagram ([email protected]).

 

Michel Foucault, o filósofo

 

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Sistema penitenciário no Brasil representa “uma das maiores tragédias humanitárias da história”, diz ministro Gilmar Mendes

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O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse hoje (14) que o sistema carcerário epresenta “uma das maiores tragédias humanitárias da história do Brasil”r, e que o encarceramento em massa das últimas décadas agrava ao invés de solucionar o problema da violência e da segurança pública.

“Temos um sistema penitenciário extremamente custoso, desumano, degradante e ineficiente, que somente serve para denegrir pessoas ou inseri-las no mundo organizado do crime”, disse o ministro em audiência pública para discutir formas de garantir a fiscalização do sistema penitenciário brasileiro, no Supremo.

Gilmar Mendes disse que a recente onda de violência em Manaus “comprova essa situação, já que as informações preliminares indicam que as ordens de ataques a ônibus, prédios públicos e à população têm partido de dentro dos presídios”.

Gilmar Mendes é relator de um habeas corpus coletivo em que a Segunda Turma do Supremo concedeu prisão domiciliar a todos os detentos que são pais ou responsáveis por crianças menores de 12 anos ou deficientes. A condição é que não tenham praticado crimes mediante violência ou grave ameaça e contra os próprios filhos ou dependentes. Segundo o ministro, há cerca de 32 mil presos beneficiados.

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A Segunda Turma aprovou a realização da audiência para esclarecer dúvidas e dificuldades no cumprimento dessa decisão, diante de notícias de reiterado descumprimento da medida.

Ao abrir o debate, Gilmar Mendes citou o relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o Sistema Carcerário, realizada pela Câmara dos Deputados em 2009, que concluiu que “os presos no Brasil, em sua esmagadora maioria, recebem tratamento pior do que o concedido aos animais: como lixo humano”.

“Há diversos e fatídicos exemplos de violências físicas, psicológicas e sexuais, de depósito de pessoas em condições insalubres, do sofrimento de prática de torturas e maus-tratos, com a dominância dos ambientes prisionais pelas facções criminosas”, disse o ministro.

Edição: Fernando Fraga

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