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Projeto de nação no Brasil deve integrar Educação e Cultura, defende José Miguel Wisnik

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EDUCAÇÃO/3º SIEI

Projeto de nação no Brasil deve integrar Educação e Cultura
Em encontro promovido pelas fundações Itaú Social e SM, José Miguel Wisnik diz que diversidade cultural brasileira é recurso para aprofundar aprendizado na escola
ENOCK CAVALCANTI
Da Editoria – DIÁRIO DE CUIABA
O 3º Seminário Internacional de Educação Integral (SIEI) aconteceu em São Paulo, nos dias 12 e 13 de dezembro, como resultado de uma parceria da Fundação Itaú Social com a Fundação SM, uma entidade fundada na Espanha por religiosos da Ordem Marianista e que, se espalhando pelo mundo, tem adotado a missão de contribuir para o desenvolvimento integral das pessoas por meio da educação. O tema que animou todas as rodas de conversas nesses dois dias foi o “Desenvolvimento Integral e a Aprendizagem: o mesmo direito, várias realidades” – e as discussões, que não mereceram manchetes da grande mídia corporativa, atraiu, todavia, educadores e outros agentes de ensino das mais diversas partes do Brasil que se juntaram para defender que o aperfeiçoamento das práticas educacionais em nosso País passa, necessariamente, pela ampliação da oferta da educação integral.
O mestre e doutor em Teoria Literária José Miguel Wisnik, que tem merecido grande destaque no cenário cultural, como músico, compositor ensaísta, proferiu uma das suas mais vibrantes aulas-performances no palco do Sesc Pompeia, onde aconteceu o alegre e movimentado conclave dos educadores brasileiros.
Para Wisnik, a educação não pode ser só a transmissão de conteúdo formal, pois isso transforma a ida à escola, para a maioria dos jovens brasileiros, em uma coisa chata, aborrecida, pouco atraente. “A Educação só ganha sentido e se amplia se estiver em relação com o que existe em volta, com a vida e suas formas criativas” – defendeu ele, introduzindo, então, seu argumento principal: “A educação só pode ser vista como um projeto de país se estiver totalmente integrada à cultura.”
Usando como exemplos a experiência dos núcleos estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia, criados pelo pianista Ricardo Castro, o rap utilizado no Museu da Língua Portuguesa para revalorizar os poemas de Gregório de Matos, bem como a provocação criativa de Caetano Veloso em sua canção “Vereda Tropical”, o educador Wisnik paulista procurou demonstrar que a escola não pode ser uma bolha fora do mundo e que é preciso buscar nas manifestações culturais uma ligação com as coisas que os jovens estudantes vivenciam no seu cotidiano.
– Aqui no Brasil temos uma sociedade mal letrada mas talvez para compensar isso somos um povo extremamente musical. A canção ocupa esse lugar, é poesia. Quem faz um estudo da origem do Rap, por exemplo, verá que essa é um tipo musical com o qual nossos jovens das periferias traduzem suas vidas com ritmo e poesia. Então, não se trata de substituir literatura por música popular mas, sim, de levantar fronteiras, criar interesses se e estabelecer relações para atrair cada vez mais os meninos e as meninas para a escola – defendeu José Miguel Wisnik
EDUCAÇÃO INTEGRAL – O 3º Seminário Internacional de Educação Integral (SIEI) foi marcado pela defesa apaixonada da educação integral, nos seus mais diversos desenhos, como melhor caminho para que o Brasil consiga desenvolver nas crianças brasileiras o potencial que a sociedade desigual impede dia após dia.
Natacha Costa, diretora do Cidade Escola Aprendiz, defendeu a urgência da escola pública ser uma unidade brasileira, que reconheça as identidades, as cisões e as barreiras que os brasileiros enfrentam todos os dias. “Se a escola pública pode ser a máquina de fazer a democracia, precisamos reconhecer quem somos, o que queremos e para onde queremos ir”, concluiu.
Os participantes tiveram a oportunidade de conhecer experiências exitosas como o projeto Curumim, do Sesc de São Carlos, que atua com a missão de contribuir com o processo de educação integral num contexto social em que as mulheres chegaram ao mercado de trabalho. O projeto – que funciona em 30 unidades do Sesc no interior e na capital – atende a aproximadamente 3.700 crianças de sete a 12 anos com atividades manuais, de esporte e de saúde. “Levamos em conta dimensão social, emocional, cultural e física”, explicou Lucelina Rosseti Rosa, da coordenação do projeto.” O foco prioritário é o desenvolvimento do brincar, com espaço e tempo para a criança ser quem é.”
A importância do cumprimento das metas do Plano Nacional de Educação (PNE) foi o tema da mesa “O papel das políticas públicas na garantia do direito à Educação Integral”, que contou com a participação da secretária Estadual de Educação de Minas Gerais, na administração do governador Fernando Pimentel (PT), a professora Macaé Evaristo dos Santos, uma oradora muito aplaudida devido à vibração e ao engaajamento do seu discurso. Ela alertou sobre a importância da luta pela plena realização do PNE, principalmente da meta número 20 – que trata da ampliação do investimento público em educação pública de modo a atingir, no mínimo, o patamar de 10% do PIB.
“A meta 20 é a garantia do direito à boa escola, com boa infraestrutura, professores bem formados e permanência da equipe pedagógica em um projeto educativo continuado. Isso não é querer privilégio, é direito”, defendeu a professora Macaé, sempre sob os aplausos entusiasmados da plateia.
 
 
FONTE DIARIO DE CUIABÁ

3º SIEI reuniu educadores e agentes de ensino de todo o Brasil, durante dois dias, no Sesc Pompeia, em São Paulo

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LEANDRO KARNAL: Livro é um presente permanente. Ler é esperança, sempre

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Uma ponte de livros

Por Leandro Karnal

Sim! Você sobreviveu até a penúltima semana de 2020. Parabéns! Eu sei que os pessimistas estão dizendo: ainda faltam vários dias. É verdade. Seria tão injusto falhar agora! Viemos nadando com desafios desde março. A outra margem do rio está tão próxima. Sejamos otimistas: chegaremos todos a 2021.

Há uma possível pausa pela frente. Em algum momento você terá um pouco mais de folga. Chegou a hora de pensar estrategicamente: livros. Por quê? Não sei o que nos aguarda no ano próximo e novo. Sei que ele será mais bem vivido se houver mais pensamentos, maior conhecimento, mais informações. Atrás de sugestões para ter ou presentear? Farei algumas. Lembre-se sempre: um livro é um presente permanente que pode mudar a cabeça do agraciado.

Literatura? É o ano do centenário de nascimento de Clarice Lispector. A editora Rocco lançou um volume alentado e lindo com Todas as Cartas. É a correspondência da nossa maior escritora em um tomo que “fica sozinho em pé”. A leitura me trouxe um enorme prazer. Se o gênero correspondência não faz sua cabeça, mergulhe nos volumes da mesma editora com várias obras de Clarice: A Maçã no Escuro, A Legião Estrangeira, Onde Estivestes de Noite, O Lustre, Perto do Coração Selvagem, Felicidade Clandestina e A Bela e a Fera. São apenas alguns dos títulos lindos, com capas sedutoras e textos que vão alterar seu mundo.

Quer reencontrar outros clássicos? A Cia das Letras lançou Ressurreição, de L. Tolstoi. A luta de um nobre para reparar um erro grave do passado é o eixo daquele que, para mim, é uma das melhores obras do russo genial. Se Tolstoi o atrai, a editora Todavia reuniu 4 obras dele (Felicidade Conjugal, A Morte de Ivan Ilitch, Sonata a Kreutzer e Padre Siérgui) em um único volume.

Você sobreviveu a uma das mais transformadoras epidemias na história. Que tal ler A História das Epidemias, de Stefan Cunha Ujvari? Saiu pela editora Contexto. Aprende-se muito com o livro, bem escrito e solidamente pesquisado. Prefere o terreno argiloso da política e da sociedade? A pesquisa de Bruno Paes Manso resultou no necessário A República das Milícias. O livro proporciona análises indispensáveis e medos incontornáveis.

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Você prefere algo que o anime? Pedro Salomão lançou o Valor Presente – A Estranha Capacidade de Vivermos um Dia de Cada Vez pela Best Business. Tive o privilégio de fazer o prefácio. Na mesma linha, uma coletânea com textos exemplares de Mario Sergio Cortella: Sabedorias para Partilhar, da Vozes/Nobilis.

Quer discutir amor e casamento? Não perca Amor na Vitrine – Um Olhar Sobre as Relações Amorosas Contemporâneas, de Regina Navarro Lins. A psicanalista vai mexer com suas convicções tradicionalistas e desafiar seus censores invisíveis.

Eduardo Giannetti sempre faz pensar. Li com avidez O Anel de Giges, da Cia das Letras. Tomando a lenda platônica do anel que produz invisibilidade, o que restaria da ética? Um homem invisível precisa se manter com boas regras morais ou vai acabar se entregando a seus desejos e caprichos menos nobres de espírito? Foi a leitura que mais me provocou inquietações no ano de 2020. É genial a capacidade de Gianetti de combinar densidade com linguagem leve.

Você ou o seu amigo-secreto amam viajar? Guilherme Canever lançou dois tomos pela Pulp: Destinos Invisíveis – Uma Nova Aventura pela África e Uma Viagem Pelos Países Que Não Existem. Livros densamente ilustrados, com um olhar agudo para lugares inusitados.

A Autêntica vai fundo na alma humana ao lançar uma nova edição do Além do Princípio do Prazer. O livro chegou ao centenário agora e a cuidadosa tradução de Maria Rita Salzano Moraes ajuda a valorizar a obra fundamental do dr. Freud.

Foi um ano estressante, reconheçamos. Talvez seja hora de pensar em um texto sobre ansiedade e o desafio da saúde mental. O dr. Leandro Teles, pela editora Alaúde, lançou Os Novos Desafios do Cérebro – Tudo o Que Você Precisa Saber Para Cuidar da Saúde Mental nos Tempos Modernos. Acho que a grande meta de 2021 é o desafio do equilíbrio. O livro do dr. Teles ajuda muito.

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Você ama narrativas biográficas? A obra de Adam Zamoyski (Napoleão – O Homem Por Trás do Mito – ed. Crítica) prenderá sua atenção do início ao fim. O imperador raramente encontrou um biógrafo tão denso e sem lados definidos: sem o sempre esperado “monstro corso” (contra) ou gênio militar e político (a favor). Continua interessado em narrativas biográficas e domina inglês? Hildegard of Bingen – The Woman of Her Age, de Fiona Maddocks (Image Books), foi uma descoberta muito feliz. A entrevista final com a Sister Ancilla no mesmo mosteiro onde morou a santa medieval é um recurso muito interessante para iluminar a tradição da grande doutora da Igreja.

Anseia explorar uma área nem sempre devidamente destacada? Aventure-se pela obra A Razão Africana – Breve História do Pensamento Africano Contemporâneo (Muryatan S. Barbosa – Todavia). O Racismo Estrutural, obra crítica de Silvio de Almeida (editora Jandaíra), ajuda em um tema que foi destaque em 2020. Na mesma coleção, a coordenadora da série, Djamila Ribeiro, tem texto indispensável: Lugar de Fala. Você se preocupa com o universo feminino e suas muitas abordagens? Mary del Priore escreveu Sobreviventes e Guerreiras: Uma Breve História da Mulher no Brasil de 1500 a 2000 (editora Planeta). 2021 demandará consciência social. Prepare-se!

Muitos e bons livros para todos os gostos. Ler dá perspectiva, vocabulário, ideias e companhia. Um bom texto aumenta seu mundo e o faz sair do senso comum. Embeber-se em histórias é viver de forma ampla. Já é um bom projeto para 2021. Ler é esperança, sempre.

Leandro Karnal é historiador e escritor, autor de ‘O dilema do porco-espinho’, entre outros. Artigo publicado originalmente no jornal O Estado de S Paulo

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