(65) 99638-6107

CUIABÁ

O melhor detergente é a luz do sol

PANTANAL MATO-GROSSENSE: Seminário discute soberania popular e questiona bicentenário da independência do Brasil. Evento ocorre nesta terça (7), no município de Poconé, com participação de professoras/es, estudantes e quilombolas

Publicados

O melhor detergente é a luz do sol

As equipes de articulação do 28º Grito dos Excluídos e Excluídas de Mato Grosso e da Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária (JURA) realizam o seminário “200 anos de (in)dependência para quem?”, nesta terça-feira (7), das 8h30 às 12h, no salão paroquial da Igreja Católica, em Poconé, município do pantanal mato-grossense.

O seminário terá café pantaneiro, atividades culturais e palestras. A organização espera reunir cerca de cem pessoas. A atividade faz parte da extensa programação do Grito, que realiza ações todo dia 7, finalizando com protestos de rua no 7 de setembro.

Em material produzido pela equipe de organização, um dos “gritos” de 2022 diz: “É preciso denunciar os detentores do capital, fazendeiros, garimpeiros, petroleiros, madeireiros e agentes imobiliários, que não poupam esforços para descaracterizar, criminalizar e se apossar dos territórios em detrimento das populações locais”.

Por uma independência de verdade

O seminário crítico ao bicentenário da independência (1822-2022) terá a participação de professoras/es e estudantes da rede pública do município, além de moradoras/es de comunidades quilombolas. O bate-papo contará com a presença do professor Bruno Gonçalves, que vai falar sobre o “faz de conta” da independência do Brasil. A professora Lilian Andrade abordará as teorias da dependência, do neocolonialismo e do neoimperialismo.

Já o professor Ricardo Assis vai discorrer sobre a necessidade de se construir um projeto educacional voltado ao fortalecimento de uma sociedade justa, democrática e acolhedora, levando em conta a população oprimida e marginalizada. E a professora universitária aposentada e integrante da equipe de organização da JURA, Rosa Lúcia Rocha Ribeiro, falará a respeito do direito à terra, à moradia, ao trabalho e sobre a reforma agrária.

Leia Também:  MINO CARTA E A TRAGICOMÉDIA BRASILEIRA: Por que figuras como os presidentes das duas maiores empreiteiras do País, com endereço certo e sabido, são presos sob acusação a ser provada? E por que o Supremo não se manifesta a respeito: conivência ou covardia? Por que a mídia permanece em campanha maciça contra o governo, na tentativa de justificar tanto a ideia do impeachment da presidenta quanto o envolvimento de Lula na Lava Jato? E que mudaria em relação à crise econômica e à insensatez dominante se afastadas Dilma e a ameaça de retorno de Lula em 2018? Por que o noticiário das falcatruas da Fifa, de reconhecida inspiração brasileira, sumiram do noticiário das Organizações Globo, donas de um poder único na história mundial?

O poder antidemocrático do país celebrará os 200 anos da Independência do Brasil e ao percebermos que nada temos a comemorar vamos conclamar a todos e todas à luta por um país verdadeiramente independente, sem genocídio da população pobre, negra e indígena, com justiça social e oportunidade para que o povo volte a sonhar e ter orgulho de ser brasileiro”, disse José Carlos Correia Paz, o frei Zeca, que compõe a Articulação do Grito em Mato Grosso.

O seminário integra a agenda de atividades do Grito e da JURA. O Grito é uma movimentação da sociedade civil organizada que ocorre desde 1995 no Brasil com várias rodas de discussão durante o ano e protestos de rua no dia 7 de setembro, envolvendo pastorais sociais, movimentos populares, partidos de esquerda e ongs. A JURA é um evento anual, existe desde 2014 e congrega movimentos do campo, docentes e estudantes universitárias/os de todo o país em defesa da reforma agrária popular.

O Grito dos Excluídos e das Excluídas é um processo de construção coletiva e tem parceria este ano com a JURA. Tanto um como outro são manifestações populares carregadas de simbolismo, espaços de animação e profecia, sempre abertos a grupos, entidades, igrejas e movimentos sociais comprometidos com as causas da população mais vulnerável”, explicou.

Leia Também:  Cai confiança do leitor na imprensa tradicional

Os gritos de 2022

A seguir outros motivos para refletir sobre o “faz de conta” da independência, conforme material local e nacional produzido pela Articulação do Grito.

– É urgente uma mudança de estruturas. Não é mais possível suportar as formas destrutivas como o sistema opera contra a vida dos povos, pobres de modo geral, vítimas maiores de um processo histórico de desigualdades sociais, que se arrasta desde o Brasil colônia.

– O endividamento interno e externo do governo federal que representa ainda um modelo de desenvolvimento que faz da degradação uma oportunidade de negócios que expropriam riquezas, desrespeitam os povos e a natureza.

– É preciso defender a educação popular e o trabalho de base que contribua para despertar a dignidade das pessoas e a confiança nos seus valores e potenciais.

– A garantia do direito à terra, teto e trabalho para toda a população. Urgência de um projeto popular para o Brasil.

  • Lutar para que a “democracia representativa” avance para a “democracia participativa”.

FONTE JURA MT

 

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

O melhor detergente é a luz do sol

GABRIEL NOVIS NEVES: Na Cuiabá antiga, quem tinha barba era homem, e quem tinha seios era mulher. Hoje, tem mulher com barba e bigode casada com mulher, e homem com seios, casado com homem

Publicados

em

OS PITORESCOS XXXVI

POR GABRIEL NOVIS NEVES

Bem antigamente, meu avô paterno Gabriel de Souza Neves era cuiabano, filho de cuiabanos e se casou com uma carioca Eugênia de Vasconcelos. Era filha única de um gaúcho Américo de Vasconcelos e Leonarda Vasconcelos uruguaia.

Já meu avô materno Alberto Novis (médico) era cuiabano, filho do baiano Augusto Novis (médico) e da cuiabana Maria da Glória Gaudie da Costa Leite (Nharinha).

Casou-se com cuiabana Antonieta Corrêa de Almeida (Tutica).

Meus avós maternos tiveram 7 filhas e 1 filho (médico). Minha mãe nasceu na Usina do Itaicy (Santo Antônio do Leverger) que meu bisavô materno comprou de Totó Paes. Os outros nasceram em Cuiabá.

Meus avós paternos tiveram 13 filhos, sendo 5 mulheres e 8 homens, todos cuiabanos.

Meu pai era cuiabano e minha mãe do Itaicy. Tiveram 5 filhas e 4 homens (2 médicos). Todos cuiabanos.

Dos homens, um era casado com uma argentina, outro com portuguesa e dois com cariocas.

Das mulheres, duas são casadas com cuiabanos, duas com paulistas e uma com sul matogrossense.

Todos os seus netos são cuiabanos.

Dos meus três filhos (1 médico) e todos com formação universitária, são casados com paulistas.

Das minhas 5 netas (1 médica) e 1 neto, todos com formação superior, duas são casadas com cuiabanos e uma com português. A Família Novis Neves está na 6ª geração de médicos, em Cuiabá:

Augusto Novis, Alberto Novis, Oswaldo Novis, João Novis, Gabriel e Inon Novis, Fernando Novis, Atos Otávio Novis (Rio) e Natália Novis.

Tenho 3 bisnetos cuiabanos e 1 português. Assim são as famílias cuiabanas de tchapa e cruz.

A Família Novis Neves existe por causa da Guerra do Paraguai que trouxe para Cuiabá o Cirurgião da Marinha Imperial Capitão, Dr. Augusto Novis.

E o engenheiro militar gaúcho, Capitão Américo Vasconcelos, com mulher uruguaia Leonarda e filha única carioca Eugênia, para a construção do Jardim (Praça Alencastro) e Laboratório de Pólvora.

Leia Também:  MINO CARTA E A TRAGICOMÉDIA BRASILEIRA: Por que figuras como os presidentes das duas maiores empreiteiras do País, com endereço certo e sabido, são presos sob acusação a ser provada? E por que o Supremo não se manifesta a respeito: conivência ou covardia? Por que a mídia permanece em campanha maciça contra o governo, na tentativa de justificar tanto a ideia do impeachment da presidenta quanto o envolvimento de Lula na Lava Jato? E que mudaria em relação à crise econômica e à insensatez dominante se afastadas Dilma e a ameaça de retorno de Lula em 2018? Por que o noticiário das falcatruas da Fifa, de reconhecida inspiração brasileira, sumiram do noticiário das Organizações Globo, donas de um poder único na história mundial?

Na Cuiabá antiga as famílias eram tão numerosas que na hora de dormir os pais contavam seus filhos. Hoje, as famílias têm no máximo dois filhos, para desespero dos médicos parteiros. Minha enfermeira, técnica em enfermagem e cozinheira tem também dois filhos.

Bem antigamente, para ser bom advogado o aluno teria que ser um aluno brilhante de um excelente curso de Direito. Hoje, tem que estagiar em escritório de advogado famoso.

Na Cuiabá antiga, era muito difícil um graduado de Direito ser reprovado na prova da OAB. Hoje, difícil é quem passa nas primeiras tentativas.

Bem antigamente, os poucos médicos brasileiros eram formados em escola de medicina de Portugal. Aqui, no exercício da profissão, desconheciam as nossas doenças tropicais e eram como se fossem um presente de grego. Os nativos eram ajudados pelos curandeiros, benzedeiros e raizeiros.

Quando a Família Real veio para o Brasil, a Corte solicitou a criação de uma faculdade de medicina em 1808 em Salvador.

Na mesma data foi criada em Vila Bela da Santíssima Trindade, antiga capital de Mato Grosso, uma faculdade de medicina. Funcionou por pouco tempo pela distância do centro do poder.

E Cuiabá capital desde 08-04-1719, teve a sua faculdade de medicina funcionando em 1980, há 42 anos.

Na Cuiabá antiga, os cuiabanos estudavam medicina em Salvador, depois Rio de Janeiro. Hoje, ninguém precisa sair daqui para ser médico, pois a cidade possui três boas escolas.

Bem antigamente, os médicos usavam anel de esmeralda verde. Hoje, usam celulares ou notebooks. O curso de medicina tinha perfil masculino. Hoje, o número de mulheres é maior que dos homens. Era mais fácil atender os pacientes. Hoje, não sabemos o seu sexo de nascimento.

Leia Também:  GABRIEL NOVIS NEVES: Recebi o pedido de um amigo para escrever mais sobre a minha experiência no Hospital Colônia de Alienados do Coxipó da Ponte. Em 16 de março de 1966 assumi a direção do Hospital dos Loucos, como era conhecido o hospital

Na Cuiabá antiga, quem tinha barba era homem, e quem tinha seios era mulher. Hoje, tem mulher com barba e bigode casada com mulher, e homem com seios, casado com homem.

Bem antigamente, brincávamos com nossos colegas das escolas públicas e os chamávamos de neguinhos. Ninguém se zangava e a amizade conquistada era para o resto da vida. Hoje, é bulling e é motivo de processo por injúria racial.

Na Cuiabá antiga, muitos me chamavam de bugrinho e eu nunca me senti ofendido.

Bugre é como se chamam alguns índios, considerados por muitos, como população de segundo grau, preguiçosos que só sabem nadar, pescar e caçar.

Bem antigamente, os homens eram gentis com as mulheres e muitas recebiam poemas de presentes. Hoje, uma palavra mais gentil é considerada assédio sexual e escândalo pela imprensa.

Olavo Bilac, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Morais, Noel Rosa, Roberto Carlos, iriam se dar mal nos dias de hoje.

Na Cuiabá antiga, as mulheres recebiam um galanteio masculino com orgulho. Hoje, procuram a Delegacia das Mulheres para registrarem queixas de assédio sexual. As coisas ficaram tão chatas, que hoje ninguém namora ou paquera alguém. O termo é ficar. E casamento pode ser entre pessoas do mesmo sexo.

Bem antigamente atores e atrizes eram sempre héteros. Hoje, para serem aceitos para desempenharem essa arte milenar de representar, geralmente tem que ser bissexual, e declarar essa sua preferência em revistas, jornais e tevês. Curioso é que isso está acontecendo em outras profissões, chamadas de técnicas. O Pantanal com a sua novela, virou uma Torre de Babel sexual.

Gabriel Novis Neves é medico e professor aposentado em Cuiabá. Titular do blogue Bar do Bugre

03-06-2022

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

MATO GROSSO

POLÍCIA

Economia

BRASIL

MAIS LIDAS DA SEMANA