(65) 99638-6107

CUIABÁ

O melhor detergente é a luz do sol

LAURO DA MATA: Posso dizer que me sinto privilegiado porque estive nas praças (não apenas de Cuiabá), na virada da década de 1970, nos anos de 1984 e 85, fui ver os “cara pintadas” no início da década de 1990 e volto novamente à praça, com muito prazer, nesta década de 2010.

Publicados

O melhor detergente é a luz do sol

 Participando das manifestações populares, em Cuiabá, mais uma vez, o advogado Lauro da Mata indaga: "Cadê a OAB? Tá inibida porque defendeu a PEC 37? As dezenas de Comissões Temáticas (cabides de amarração de apoio político e de autopromoção, salvo exceções) sumiram. A Comissão de Direitos Humanos só serve pra ficar na porta de presídio em dia de rebelião? A OAB enquanto instituição é muito maior do que meras e vacilantes diretorias que por ali passam."


Participando das manifestações populares, em Cuiabá, mais uma vez, o advogado Lauro da Mata indaga: “Cadê a OAB? Tá inibida porque defendeu a PEC 37? As dezenas de Comissões Temáticas (cabides de amarração de apoio político e de autopromoção, salvo exceções) sumiram. A Comissão de Direitos Humanos só serve pra ficar na porta de presídio em dia de rebelião? A OAB enquanto instituição é muito maior do que meras e vacilantes diretorias que por ali passam.”


Os protestos, a Constituição e a República de Platão
por Lauro da Mata  
 
Hoje no Brasil certamente que entre os nascidos de mulher ninguém com precisão poderá dizer que entendeu completamente o significado dos protestos que sacudiram o país nos últimos dias, e o mais importante, o que resultará dessa mobilização sem igual. Senão em quantidade, mas de uma “espontaneidade” jamais vista. Em quantidade de pessoas nas ruas e praças tivemos o Movimento “Diretas Já” e a campanha do Tancredo Neves nos idos de 1984/85, com grandes manifestações pra todo lado. Mas estas campanhas eram organizadas por partidos políticos, governos de estados e prefeituras, movimentos sociais, mega estruturas de palco e som, além, é claro, da presença de figuras queridas e muito populares da própria política (Tancredo, Teotônio, Ulisses, Simon, Dante, dentre tantos), do meio artístico e musical (Maitê, Cristiane Torloni, Marcos Nanini, Chico, o vascaíno Martinho da Vila), do mundo dos esportes (à frente o corintiano Sócrates, o locutor Osmar Santos) etc.
Depois de mais de 20 anos que havia ido às ruas ver o povo em manifestação, notadamente os “cara pintadas” que fizeram o Fora Collor, episódio no qual a OAB liderou a petição do “impeachment” decidi-me, na última 5ª feira, voltar a Praça Alencastro, Marco Cuiabano de memoráveis caminhadas e comícios políticos, dos quais tive a oportunidade de participar contra a Ditadura Militar que a mim, não me metia o menor medo, apesar da minha pouca idade ou idade semelhante à dos milhares de jovens que ali estavam mais uma vez.
Por falar em OAB, cadê a OAB? Tá inibida porque defendeu a PEC 37? As dezenas de Comissões Temáticas (cabides de amarração de apoio político e de autopromoção, salvo exceções) sumiram. A Comissão de Direitos Humanos só serve pra ficar na porta de presídio em dia de rebelião? Tenho observado que muitos advogados, ao que parece, têm medo de criticar a OAB, ou seus passageiros dirigentes – melhor dizendo, de forma pública. Certamente que se deva me incluir fora desta lista. A OAB enquanto instituição é muito maior do que meras e vacilantes diretorias que por ali passam. As diretorias atuais (nacional  e estaduais) parecem que preferem se esconder nas nossas suntuosas sedes.
Então eu posso dizer que me sinto privilegiado porque estive nas praças (não apenas de Cuiabá) na virada da década de 1970, nos anos de 1984 e 1985, fui ver os “cara pintadas” no início da década de 1990 e volto novamente à praça com muito prazer nesta década de 2010.
E o que vi? Vi o que todos que foram lá viram, assistiram pela televisão ou ouviram narrativas das rádios ou através de noticias chegadas de todo lado. Não vou nem me ocupar de um radialista, que tive o desprazer de ouvir (sem ter tido tempo de mudar de estação no rádio do carro) que teve a desfaçatez de afirmar que ali só tinha adolescentes rebeldes que estudam em escolas particulares do centro da cidade e não tinham a menor noção do que estava acontecendo. Alguma coisa nalguma hora vai acontecer e quem sabe ele acorde e pare de ficar indignado porque havia cartazes nada elogiosos a políticos influentes daqui do Estado. Voz vigorosa e que é bom que fiquem atentos os poderosos porque a coisa numa hora pode transbordar. E numa determinada hora a coisa pode supitar, como o leite que ferve e derrama pelas bordas da panela.
Já falaram até em Impeachment moral que teria ocorrido contra a Presidenta e contra todos os políticos. Tem governador por ai ou por aqui que é bom ficar esperto. Se me permitem, segundo o dicionário Wikipédia Impeachment ou impugnação de mandato é um termo do inglês que denomina o processo de cassação de mandato do chefe do poder executivo pelo congresso nacional, pelas assembleias estaduais ou pelas câmaras municipais.
A denúncia pode ser por crime comun, crime de responsabilidade, abuso de poder, desrespeito às normas constitucionais ou violação de direitos pétreos previstos na Constituição.  Dê uma olhadinha, generoso leitor e leitora, também no que está escrito no art. 85 da Lex Maior.
Será que seria muito dificil encontrar, para o devido enquadramento das nossas autoridades, especialmente “desrespeitos às normas constitucionais”, ou “violação de direitos pétreos” previstos na Constituição?
A Constituição não foi feita (em quase dois anos de trabalho dos constituintes, mais tantas emendas de 1988 para cá) para ser letra morta e quem tem que garantir o seu cumprimento são os eleitos (Executivo e Legislativo) e os indicados, conforme previsão da própria Carta, para as altas funções do Judiciário, especialmente o STF. Forçoso dar uma olhadinha na previsão dos arts. 5º “caput”, 6º “caput” e 7º “caput” e em todos os seus 111 incisos, além de dezenas de parágrafos e letras ou “alíneas”. Nestes artigos estão previstos e assegurados os direitos individuais e coletivos. Diz o art. 5º: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes”. Diz o art. 6º: “São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição”
Como anda o direito à vida e a segurança? E direito à saúde? E ao transporte público decente?  E ao Serviço Judiciário eficiente e eficaz? Este, na visão de muitos, tão essencial quanto qualquer outro citado até porque lida com direitos patrimoniais e à vida.
Para finalizar, quanto à República de Platão, fica para outra hora.
Quem leu vai se lembrar da Cidade Perfeita. Mesmo quem leu deve relê-la (como eu) para se certificar de que, como verão os que não a leram, que, apesar de passados bem mais de 20 séculos desde as palestras do filósofo, por aqui parece que o descaso pela República é o que impera. Os discípulos de Sócrates (não o querido e também destemido doutor corintiano) precisam ser rememorados, apesar de se falar muito em pensamento e conduta republicana, sentimento cívico e respeito pela pátria.
 
LAURO DA MATA é advogado em Cuiabá, Mato Grosso.
 

COMENTE ABAIXO:
Leia Também:  CAIUBI KUHN: A história geológica de Chapada dos Guimarães é algo fantástico. As rochas que existem neste município ajudam a contar como era o ambiente e os seres que viveram em muitos momentos diferentes da história do planeta Terra

Propaganda
2 Comentários

2 Comments

Você precisa estar logado para postar um comentário Login

Deixe uma resposta

Dinheiro na mão é vendaval

Bolsonaro pediu “banho frio”, mas Brasil consumiu mais energia em 2021

Publicados

em

 

 

source
Ministro de Minas e Energia Bento Albuquerque
Reprodução

Ministro de Minas e Energia Bento Albuquerque

Em 2021 o Brasil enfrentou a pior crise hídrica dos últimos 90 anos, o que acendeu um alerta no governo federal que decidiu apelar para a população pedindo que reduzisse o consumo de energia elétrica. O presidente Jair Bolsonaro chegou a sugerir  “banho frio” e uso de escadas ao invés de elevadores. O temor de apagões e racionamento, no entanto, não fez com que o brasileiro gastasse menos energia, segundo mostra um levantamento da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) divulgados nesta quarta-feira (19).

O Brasil fechou o ano passado com consumo de energia 4,1% maior em relação ao ano anterior, alcançando 64.736 megawatts (MW) médios, mostra a CCEE.

“Com a retomada gradual da economia, em 2021 o consumo de energia elétrica mostrou recuperação em grande parte do País na comparação com o ano anterior”, escreve a entidade em nota.

“Retornamos ao ritmo habitual de crescimento do mercado de energia, o que nos mostra que a atividade econômica do país também está sendo retomada, após os períodos mais críticos de isolamento social e paralisações”, diz Rui Altieri, presidente do Conselho de Administração da CCEE, em comunicado .

Leia Também:  CAIUBI KUHN: A história geológica de Chapada dos Guimarães é algo fantástico. As rochas que existem neste município ajudam a contar como era o ambiente e os seres que viveram em muitos momentos diferentes da história do planeta Terra

Veja o consumo por setor

A indústria automotiva foi o segmento com o maior aumento no consumo de energia no ano passado no mercado livre. Quando eliminados do cálculo as unidades consumidoras migradas para o ambiente nos últimos 12 meses, o setor de veículos apresentou uma alta de 21%. Em seguida, destacam-se o ramo têxtil, com crescimento de 20% e metalurgia e produtos de metal, com aumento de 12%.

Leia Também

Consumo por região

Na análise por regiões, em 2021 apenas o Acre, o Amazonas e o Mato Grosso do Sul registraram redução no consumo de energia, com recuo de 1% em ambos. Os demais estados avançaram, com destaque para o Ceará, Pará e Santa Catarina, além de Bahia, Paraná, Rio Grande do Norte e Sergipe.

Ministro pediu redução em rede nacional. Relembre:

Em agosto, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, pediu um “esforço inadiável” a todos os setores da economia para que reduzissem o gasto com energia.

“Para aumentar nossa segurança energética, é fundamental que, além dos setores do comércio, de serviços e da indústria, a sociedade brasileira participe desse esforço, evitando desperdícios no consumo de energia elétrica. Com isso, conseguiremos minimizar os impactos no dia a dia da população”.

Leia Também:  ADVOGADO VILSON NERY: Os liames entre corrupção, capitalismo e agronegócio

Banho. Foto de Lucas Vicente no Pexels

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

MATO GROSSO

POLÍCIA

Economia

BRASIL

MAIS LIDAS DA SEMANA