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JUIZ SAÍTO: Num certo sentido, o povo não se conhece, e às vezes não se reconhece. O exemplo são as eleições

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por GONÇALO ANTUNES DE BARROS NETO

Os filósofos se deram, num sentido mais dinâmico e básico, duas respostas diferentes para a questão do conhecimento – o racionalismo e o empirismo.
Para os racionalistas, como Descartes, o conhecimento verdadeiro é puramente intelectual. A fonte do conhecimento, por ser a razão, ao descartar a experiência sensível já a separa do conhecimento verdadeiro.
Os empiristas, ao contrário, têm como fonte do conhecimento a experiência sensível – vai de a sensação até atingir as ideias. Hume é a sua expressão maior.
Exemplo são as eleições. Não se entregam a especialistas o papel que deveriam representar, dentre os quais, os filósofos
‘Embora nosso pensamento pareça possuir essa liberdade imensa, verificaremos, por meio de um exame mais meticuloso, que ele está verdadeiramente preso a limites muitos reduzidos e que todo poder criador da mente não ultrapassa a faculdade de combinar, de transpor, aumentar ou de diminuir os materiais que nos foram fornecidos pelos sentidos e pela experiência’ (HUME, por André Campos Mesquita).
Contudo, nos é seguro aceitar que todas as ideias válidas se fundamentam nas impressões, como parece querer Hume?
Na complexidade das ideias e mesmo das impressões, tendo em vista a subjetividade, forçoso é relembrar o ‘Paradoxo do Navio de Teseu” quando se trata de conhecer-se a si próprio.
Tal paradoxo foi publicado em um texto de Plutarco, discípulo de Platão. Teseu, o rei fundador de Atenas, retornou de suas conquistas pelo mar, sendo que, ao longo de todo o percurso, todas as velhas e desgastadas placas de madeira que formavam o navio foram sendo arrancadas e substituídas por placas de madeira novas e fortes. As placas velhas de madeira eram jogadas ao mar.
Quando Teseu retornou da viagem, cada placa de madeira do navio havia sido trocada e descartada (fonte: Paul Kleinman). Pergunta-se: o navio em que Teseu retornou era o mesmo navio em que partiu, levando em consideração que as placas de madeira do navio haviam sido trocadas?
Nota-se, Teseu não saiu do navio em nenhum momento. O navio A, em que Teseu partiu, é o mesmo que o navio B, que retornou?
O que está a retratar tal paradoxo (que posteriormente foi levado mais adiante por Hobbes)? A identidade e o que nos torna a pessoa que somos.
Somos histórias de nós mesmos…, uma ideia, mas pela soma das impressões fundamentadas na experiência sensível ou pela razão, como conhecimento verdadeiro, separando-a da influência dos sentidos?
Num certo sentido, o povo não se conhece, e às vezes não se reconhece. O exemplo são as eleições. Não se entregam a especialistas o papel que deveriam representar, dentre os quais, os filósofos. Aliás, não se ouve mais os preparados intelectualmente, pois, por aqui, somos todos inteligentes.
Deixo um pensamento de Mill – ‘…não pode ter-se uma democracia hábil, se ela não consentir em que as funções, que exijam habilidade, sejam desempenhadas por quem possua realmente habilidade para as desempenhar’.
Elegemos, dentre os tantos, os nossos heróis…
É por aí…
 
GONÇALO ANTUNES DE BARROS NETO, o SAITO, é juiz de Direito em Cuiabá.

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Leia Também:  Romário já foi o melhor jogador do mundo. Hoje é um dos deputados federais de maior destaque em Brasília. As pessoas, diz ele, têm reconhecido que o Romário de hoje é diferente d0 fanfarrão e bad boy de 20 anos atrás. A diferença crucial é que agora goza de imunidade parlamentar, que, teoricamente, permite-lhe falar ainda mais. “Muitos colegas desta Casa talvez não gostem de ouvir o que digo, mas são pessoas que não têm seriedade. Aqui (na Câmara Federal) tem muito mau caráter.” Leia aqui a entrevista de Romário à revista Rolling Stones.

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No dia do servidor público, comunidade da UFMT alerta população sobre a PEC 32 e cobra deputados

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Adufmat cobra compromissos dos parlamentares que representam o povo trabalhador de Mato Grosso

Já faz mais de um ano que os servidores públicos federais, estaduais e municipais denunciam a elaboração de mais um forte e perigoso ataque contra os direitos constitucionais. O Governo Federal queria aprovar sua proposta de Reforma Administrativa (PEC 32) em agosto deste ano, mas devido à gravidade da pauta e a pressão de sindicatos e movimentos sociais, tem encontrado dificuldades para conseguir os 308 votos necessários.

Nessa quinta-feira, 28/10, Dia do Servidor Público, a comunidade acadêmica da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), representada pelos sindicatos dos docentes, técnicos-administrativos e estudantes – Adufmat-Ssind, Sintuf/MT e DCE, respectivamente -, fez mais uma intervenção: encheu de faixas as grades da universidade para denunciar o ataque e cobrar os parlamentares mato-grossenses.

Há seis semanas servidores de todo o país fazem vigília em Brasília para demonstrar aos parlamentares que a população é contrária à PEC 32, porque sabe que será prejudicada. A Adufmat-Ssind já realizou diversas atividade nesse sentido. Publicou uma cartilha elencando os malefícios da PEC 32 para os servidores e para a sociedade como um todo (clique aqui para acessar), organizou atos e campanhas nas ruas, redes sociais, emissoras de TV e rádio, lives, além de uma série de programas com a personagem Almerinda para dialogar com a população sobre o assunto.

Leia Também:  WILSON SANTOS: Pedro Taques precisa tomar cuidado porque acho que há um excesso de conhecimento jurídico que ele chega a detalhar leis, artigos, incisos e que nem todos serão cumpridos. Dois exemplos: o salário mínimo, se for levar ao pé da letra da Constituição, teria que passar de R$ 3 mil. Nenhum presidente, seja o Aécio ou a Dilma, conseguirá cumprir a lei. Em nível estadual, a Constituição Estadual estabelece que o duodécimo para a educação tem que ser de 35%, hoje é de 25%. Dificilmente, o governador Pedro Taques conseguirá cumprir. Esta legalidade é necessária, tem que ser feita. Mas, em 4 anos, é difícil se cumprir ao pé da letra. Então, vamos devagar com o andor que o santo é de barro

A PEC 32 é a terceira proposta de Reforma Administrativa desde a promulgação da Constituição de 1988 e, desta vez, tem como objetivo precarizar os contratos dos trabalhadores, colocando os servidores públicos em condição de maior fragilidade e permitindo todo tipo de barganha com os cargos públicos. Também pretende introduzir o princípio de subsidiariedade, no qual o Estado atua como um igual, e não como um ente superior ao setor privado e conceder superpoderes ao presidente da República, que passaria a poder destruir instituições e autarquias com apenas uma canetada.

A justificativa mentirosa utilizada pelos governantes para aprovar a PEC 32 seria acabar com privilégios de servidores. No entanto, políticos, militares de alta patente e o alto escalão do Poder Judiciário, exatamente aqueles que recebem salários exorbitantes, ficarão de fora da Reforma. Ela tingirá, apenas, os servidores que recebem os menores salários, em sua maioria, os que estão em contato direto com a população usuária dos serviços públicos.

O Governo também mente sobre os reflexos da reforma para os atuais servidores federais, estaduais e municipais. Além de já receberem os piores salários e enfrentarem ambientes de trabalhos precarizados, esses servidores correm o risco de sofrer redução de salários e carga horária de trabalho em até 25%.

Leia Também:  ENOCK CAVALCANTI: Quando li panegírico constrangedor de Renato Nery para Jayme Campos tive vontade de sentar no meio fio e chorar lágrimas de esguicho

Para o diretor geral da Adufmat-Ssind, professor Reginaldo Araújo, a data é mais uma grande oportunidade para “chamar a atenção da população sobre os ataques da PEC 32 e cobrar os deputados, lembrando que aqueles que atacam a população dessa forma costumam não ser reeleitos, a exemplo da última Reforma da Previdência”.

Até o momento, os deputados mato-grossenses que se declararam contrários à PEC 32 são: Rosa Neide (PT), Emanuelzinho (PTB), Leonardo (SDD), Carlos Bezerra (MDB) e Juarez Costa (MDB). Os deputados que ainda se mostram favoráveis à proposta são Neri Gueller (PP), Nelson Barbudo (PSL) e José Medeiros (PODE).

Protesto na UFMT contra PEC 32

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