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Alguma coisa está fora da ordem

JOSÉ ORLANDO MURARO: Meninos usam azul e meninas usam rosa. E os boçalnaristas usam LARANJA!

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Alguma coisa está fora da ordem

Muraro


Meninos usam azul e meninas usam rosa:
E os boçalnaristas usam LARANJA!
 
POR JOSÉ ORLANDO MURARO
 
Meses atrás, um jornalista árabe naturalizado cidadão norte-americano, foi assassinado e esquartejado dentro da embaixada da Arábia Saudita em Istambul, na Turquia.
Cidadão norte-americano. Crítico feroz dos atos do príncipe herdeiro saudita.
Desenhou-se, por alguns dias, uma CRISE DIPLOMÁTICA de enormes proporções  envolvendo os Estados Unidos e a Arábia Saudita, eis que tanto a Interpol, como a própria CIA, em relatórios, apontavam o príncipe herdeiro como mandante do assassinato brutal do jornalista.
Calma. Muita calma. A Arábia Saudita é parceira militar dos Estados Unidos além de ser guardiã do maior centro religioso dos muçulmanos ( a cidade de Meca). Por outro lado, a Turquia é membro da OTAN e tem bases militares norte-americanas em seu território. Outra nação militarmente aliada.
O resumo é o seguinte: deixa para lá a morte deste jornalista e, entre tapas e beijos, não se lê mais nada nos sites da imprensa mundial sobre o assunto.
Narro a acontecido acima para diferenciar bem o que é uma Crise Diplomática, que se resolve em acordos, de uma crise econômica entre países, que normalmente se resolve em sanções, aumento de tarifas de importação e mesmo retaliações. Logicamente, se as duas primeiras falharem, poderemos ter uma crise militar entre países. Aí é a guerra.
Vamos aos exemplos. Logo depois de ter sido sufragado pelas urnas, o senhor Jair Messias Bolsonaro, sem consultar ninguém, declarou que iria mudar a embaixada do Brasil em Israel, de Tel-Aviv para Jerusalém. Assim, do nada.
A resposta veio logo no início do ano; a Arábia Saudita suspendeu a compra de frangos de empresas brasileiras. E deve ser seguida por outros países muçulmanos. Retaliação, declarou o nosso atrapalhado ministro das Relações Exteriores. Vão comprar frango dos Estados Unidos e Israel não declarou interesse em comprar o  encalhe de frangos brasileiros.
Aqui nós temos uma crise diplomática ( a mudança da embaixada) com uma resposta comercial ( a suspensão da compra de frangos) E temos um beneficiário direto: os Estados Unidos.
Mas vamos adiante. Quando deputado federal, o senhor Jair Messias Bolsonaro declarou várias vezes que : “- a China não está comprando no Brasil. Ela está comprando o Brasil”. Era uma crítica direta aos investimentos chineses no Brasil, na ordem de 55 bilhões de dólares.
Quando eleito, voltou a disparar seus torpedos diretamente contra a China. Afinal, um governo comunista que deu certo. Isto contraria a ideologia de direita do recém eleito.
A China pediu, por escrito, explicações do presidente empossado. Afinal, esta nação é a que mais compra produtos brasileiros, além da volumosa soma investida na Brasil. Nada foi respondido, num desprezo total à nação chinesa.
A paciência é um  dom dos orientais. Mas não é infinita.
Os noticiários, desde a posse de Donald Trump, fervilharam, por meses, dando conta da crise comercial entre os Estados Unidos e a China, com retaliações de ambos os lados, notadamente imposição de tarifas de importação de produtos.
Neste mês de março em curso, deve ser firmado o acordo comercial entre Estados Unidos e a China. O valor: 10 bilhões de dólares em cinco anos. A China vai comprar dos norte-americanos a soja, carne de frango e gado e aço!!!!
Coisas estas que os comunistas chineses sempre compraram…do Brasil!!!
Neste acordo, nós temos um beneficiado diretamente, que passará a vender soja, carne de frango e gado e aço para o maior mercado consumidor do planeta.    E temos um perdedor direto: as cadeias produtivas do Brasil.
Só quero relatar mais dois fatos: o presidente Jair Messias Bolsonaro, num belo dia, sem consultar ninguém, declarou que iria ceder um pedaço de terras do  Brasil para a implantação de uma base militar norte-americana. Assim, do nada. Falou de manhã e à tarde o dispositivo dos militares que o cercam desmentiu categoricamente qualquer possibilidade de implantação de base norte-americana em território brasileiro.
Da mesma forma, sem consultar ninguém, declarou reconhecer, de bate-pronto, o governo interino de Guaidó na Venezuela e decidiu enviar 200 toneladas de alimentos, num ato de provocação que poderia levar o Brasil a uma crise militar com aquele país. E crises  militares se resolvem com a guerra.
Acendeu a luz vermelha para os seis generais e um brigadeiro que ocupam cargos de ministros no atual governo. Segundo levantamento do jornal  Folha de S. Paulo, já são 49 os generais e tenentes-coronéis que ocupam cargos de direção nos primeiros e segundos escalões do governo federal. Nem na época do presidente-general  Garrastazu Médici tantos militares ocuparam cargos na esfera federal.
Na reunião do Grupo de Lima, na Colômbia, o dispositivo militar decidiu que não iria somente o desastrado e trapalhão ministro das Relações Exteriores, e enviou o vice-presidente, general Hamilton Mourão como o representante oficial do Brasil. Deu no que deu: sem guerra….a saída para a crise venezuelana deve ser negociada diretamente com Maduro, como disse o próprio vice-presidente, citando como exemplo as negociações entre a Coréia do Norte e Estados Unidos
O resumo de 60 dias de governo já deixou claro ao dispositivo dos militares que ocupam cargos na esfera federal: o senhor Jair Messias Bolsonaro não passa de um BOÇAL, que prefere ouvir seus filhos com sérios problemas mentais a encarar com seriedade a sua função de presidente desta Nação.
É apenas um ex- capitão do Exército. Não serviu  para ser militar. Foi ser político.
Esta TUTELA do dispositivo dos militares ocupantes de cargos públicos fica, a cada dia, mais evidente….e o BOÇAL passa a ter um papel figurativo, tal qual o da rainha da Inglaterra.
Reina, mas não governa!
Em sessenta dias perdemos os mercados dos países árabes e dos chineses.
Mas não liga não: os Estados Unidos irão comprar  a soja, a carne de frango e de gado e o aço do Brasil para revender para Arábia Saudita e China,  argumentou um boçalnarista aqui de Chapada dos Guimarães, tentando defender os atos do BOÇAL-MÓR de Brasília…..
Sim, até pode ser…mas irão comprar pelo preço que quiserem e impuserem!!! Afinal, bussine is bussine…
Eu já conheci idiotas de todos os tipos, mas nenhum chegou a ser tão imbecil como o boçalnarista …..
 
———-
José Orlando Muraro Silva
Portador da síndrome de Asperger
( editorial do jornal Pluriverso Chapadense que circula no próximo sábado, dia 9 de março de 2019)
 

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LÚDIO CABRAL: 5 mil vidas perdidas para a covid em Mato Grosso

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CINCO MIL VIDAS

Lúdio Cabral*

Cinco mil vidas perdidas. Esse é o triste número que Mato Grosso alcança hoje, dia 26 de janeiro de 2021, em decorrência da pandemia da covid-19.

Cada um de nós, mato-grossenses, convivemos com a dor pela perda de alguém para essa doença. Todos nós perdemos pessoas conhecidas, amigos ou alguém da nossa família.

A pandemia em Mato Grosso foi mais dolorosa que na maioria dos estados brasileiros e o fato de termos uma população pequena dificulta enxergarmos com clareza a gravidade do que enfrentamos até aqui.

A taxa de mortalidade por covid-19 na população mato-grossense, de 141,6 mortes por 100 mil habitantes, é a 4ª maior entre os estados brasileiros, inferior apenas aos estados do Amazonas (171,9), Rio de Janeiro (166,2) e ao Distrito Federal (147,0). O número de mortes em Mato Grosso foi, proporcionalmente, quase 40% superior ao número de mortes em todo o Brasil. Significa dizer que se o Brasil apresentasse a taxa de mortalidade observada em Mato Grosso, alcançaríamos hoje a marca de 300.000 vidas perdidas para a covid-19 no país.

Lembram do discurso que ouvimos muito no início da pandemia? De que Mato Grosso tinha uma população pequena, uma densidade populacional baixa, era abençoado pelo clima quente e que, por isso, teríamos poucos casos de covid-19 entre nós?

Lembram do posicionamento oficial do governador de Mato Grosso no início da pandemia, de que o nosso estado não teria mais do que 4.000 pessoas infectadas pelo novo coronavírus?

Infelizmente, a realidade desmentiu o negacionismo oficial e oficioso em nosso estado. Não sem muita dor. O sistema estadual de saúde não foi preparado de forma adequada. Os governos negligenciaram a necessidade de isolamento social rigoroso em momentos cruciais e acabaram transmitindo uma mensagem irresponsável à população. O resultado disso tudo foram vidas perdidas.

Ao mesmo tempo, o Mato Grosso do sistema de saúde mal preparado para enfrentar a pandemia foi o estado campeão nacional em crescimento econômico no ano de 2020. Isso às custas de um modelo de desenvolvimento que concentra renda e riqueza, de um sistema tributário injusto que contribui ainda mais com essa concentração, e de um formato de gestão que nega recursos às políticas públicas, em especial ao SUS estadual, já que estamos falando em pandemia.

Dolorosa ironia do destino, um dos municípios símbolo desse modelo de desenvolvimento, Sinop, experimentou mortalidade de até 100% entre os pacientes internados em leitos públicos de UTI para adultos em seu hospital regional.

Nada acontece por acaso. Os números da covid-19 em Mato Grosso não são produto do acaso ou de mera fatalidade. Os números da covid-19 em Mato Grosso são produto de decisões governamentais, de escolhas políticas determinadas por interesses econômicos, não apenas agora na pandemia, mas por anos antes dela. E devemos ter consciência disso, do contrário, a história pode se repetir novamente como tragédia.

Temos que ter consciência dessas injustiças estruturais para que possamos lutar e acabar com elas. A dor que sofremos pelas pessoas que perdemos para a pandemia tem que nos mobilizar para essa luta.

Lutar por um modelo de desenvolvimento econômico que produza e distribua riqueza e renda com justiça, que coloque pão na mesa de todo o nosso povo e que proteja a nossa biodiversidade. Lutar por um sistema tributário que não sacrifique os pequenos para manter os privilégios dos muito ricos. Lutar por políticas e serviços públicos de qualidade para todos os mato-grossenses. Lutar pelo SUS, por um sistema público de saúde fortalecido e capaz de cuidar bem de toda a nossa população.

São essas algumas das lições que precisamos aprender e apreender depois de tantos meses de sofrimento e dor, até porque a tempestade ainda vai levar tempo para passar.

*Lúdio Cabral é médico sanitarista e deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores em Mato Grosso.

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