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CUIABÁ

O melhor detergente é a luz do sol

III Mostra de Cerâmica do Mato será aberta nesta quinta-feira (10)

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O melhor detergente é a luz do sol

 

Uma ação cultural voltada ao segmento da cerâmica tem movimentado ateliês de artistas em Mato Grosso. Ela é fruto de iniciativas do Coletivo Ceramistas do Mato que tem como objetivo, valorizar a cerâmica artística e fomentar o mercado consumidor de peças que nascem da argila.

Ao todo 23 artistas que moram em Cuiabá, Várzea Grande, Chapada dos Guimarães, Tangará da Serra e Sorriso produziram peças que vão integrar a “III Mostra de Cerâmica do Mato”. A mostra foi contemplada no edital MT Nascentes, realizado pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT).

A exposição virtual “Pantanal: das águas, das matas, do barro” ficará em cartaz por três meses, a partir de 10 de junho, no site www.ceramistasdomato.com.br. Neste mesmo dia, haverá live de abertura da mostra, às 19h30, no canal da Paratudo Artes, no YouTube.

Cada artista produziu até três peças a serem exibidas na mostra virtual. Eles foram remunerados pelo trabalho e os que têm na produção da cerâmica, sua única fonte de renda, ainda receberam pró-labore.

A proponente Paty Wolff explica que antes de iniciarem a produção, tiveram orientação da curadoria sobre a temática e, após a conclusão das peças, esta mesma curadoria fez a seleção das produções que vão ser exibidas na “vitrine virtual”. Neste caso, decisão de Nice Aretê. Já a produção executiva da mostra é realizada pela professora doutora Ludmila Brandão, que assim como elas, é ceramista e integra o coletivo.

“No Coletivo faço parte de uma comissão criada para movimentá-lo e expandi-lo, objetivos que vêm sendo consolidados desde a primeira edição da Mostra do Coletivo. E agora, com a aprovação pelo edital MT Nascentes, podemos dizer que alcançamos um amadurecimento”, observa Paty.

Ela explica que com a criação do Coletivo, os ateliês individuais foram fortalecidos. “E outros mais nasceram neste processo. Com a proposta de levar a arte produzida nestes espaços para a vitrine virtual, certamente que expandiremos ainda mais nosso trabalho, para além das fronteiras físicas. Assim, a cerâmica mato-grossense ganhará espaço no mundo”.

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De Cuiabá, participam Anailde Gomes, Cleide Rodrigues, Irani Laccal Gomes, Jac Barroso, Leandro da Silva Oliveira, Ludmila Brandão, Mariza Mendes Fiorenza, Nice Aretê, Osmar Virgílio, Patty Wolff, Regina Lucia Ortega Calazans, Rhori Pereira, Rosylene Pinto e Tula Kirst. De Várzea Grande, Domiciano Marques dos Santos e Maria Oliveira. Representando Chapada, Lucileika da Silva David; Sorriso, Rosangela Maria de Jesus e Tangará da Serra, as artesãs Maria Sebastiana de Jesus Pinheiro (Dona Fia), Valéria dos Santos Menezes, Maria da Penha Dias, Rosane Fagundes Kraemer e Orlinda Meiato Gonçalves.

O secretário de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), Alberto Machado destaca a efervescência promovida pela mostra. “Projeta a arte mato-grossense em nível mundial, mas principalmente, agita o dia a dia dos artesãos, movimenta os ateliês em várias regiões de nosso Estado”.

Curadoria

A curadora Nice Aretê ficou entusiasmada com a agitação dos ateliês e mobilização dos artesãos mato-grossenses, especialmente, pela temática escolhida, que no seu entendimento, eleva a produção para um patamar sociopolítico.

“Escolhemos o Pantanal como tema, motivados pelos trágicos eventos recentes que ameaçam e se perdurarem, podem macular esse valioso bioma de nosso Estado”, aponta.

Sendo assim, o acervo final, além de representar parte da identidade regional mato-grossense, servirá como instrumento de reflexão, buscando despertar a consciência ambiental.

Nice é precursora do coletivo. A artesã identifica que, com o surgimento do coletivo, a produção regional se diversificou, tanto no tipo de cerâmica quanto de formas, pinturas e acabamentos.

“Registramos um salto nas produções e novas características, novos designs. Mas, ainda assim, essas peças mais contemporâneas coexistem com a cerâmica tradicional, como a originada em São Gonçalo Beira Rio”.

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Ampliação e difusão do trabalho dos Ceramistas

Este novo momento da arte mato-grossense em cerâmica é marcado também pela retomada da produção de eventos do Coletivo, em parceria com a Paratudo Artes.

A ceramista, arquiteta e professora aposentada Ludmila Brandão juntamente à historiadora Suzana Guimarães, às comunicadoras Giordanna Santos e Quise Brito, que atuam na área de produção cultural, e o fotógrafo Fred Gustavos integram o coletivo multidisciplinar de consultoria e produção artístico-educacional Paratudo Artes, responsável pela elaboração e produção do Projeto da III Mostra de Cerâmica, do Coletivo dos Ceramistas do Mato.

“A mostra vem atenuar os impactos da pandemia no segmento, pois ela afetou muito a comercialização de peças. Com o coletivo ganhando um site, ultrapassando a barreira física, abrem-se mais possibilidades a artistas de Mato Grosso”, explica Ludmila Brandão.

Fora isso, a mostra remunera os artesãos com R$ 1 mil pelas suas produções e, aos artistas que têm apenas na produção de cerâmica sua fonte de sustento, também foi destinado um pró-labore de R$ 500.

“O site, trazendo um recorte da diversidade artística, representa um espaço de difusão do trabalho que garantirá ainda mais oportunidades de divulgação para o artesão. Afinal, seu portfólio está disponível o tempo todo para visualização de consumidores de arte de todo o globo”, destaca Ludmila.

O artista Osmar Virgílio, por exemplo, foi contemplado com o recurso para produção e ainda, o pró-labore. “Nunca houve algo assim. Os recursos públicos dificilmente alcançam os artesãos. Esse incentivo vai me ajudar muito, não só por valorizar meu trabalho, mas também, porque vou aplicá-lo na compra de mais material e assim, produzir mais peças”.

Fonte: GOV MT

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ADVOGADA KAMILA MICHIKO: A homofobia, assim como o racismo, está cotidianizada para a sociedade brasileira. Basta assistir aos noticiários, sair às ruas e manter os ouvidos atentos

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Homofobia recreativa: a dor do outro como elemento de humor

Por Kamila Michiko Teischmann*

 

A opressão vivenciada por determinados grupos historicamente inferiorizados e vulnerabilizados não encontra hierarquia, como nos ensina Audre Lorde (2019). A opressão atravessa cada um dos indivíduos na particularidade que lhes é própria. As mulheres, as pessoas negras, pessoas LGBTI, as pessoas pobres. Não se pode desconsiderar a especificidade de cada uma, passando por questões de identidade de gênero, orientação sexual, raça e classe social. Contudo, a luta, sem ignorar as peculiaridades próprias, encontra adversário único no opressor.

É partindo dessa tônica de unicidade no confronto que extraímos do conceito formulado de racismo recreativo um paralelo com a homofobia recreativa.

A homofobia, assim como o racismo, está cotidianizada para a sociedade brasileira. Basta assistir aos noticiários, sair às ruas e manter os ouvidos atentos. Certamente será possível constatar pelo menos um episódio racista ou homofóbico.

Isso porque as condutas cotidianas revelam um modo de viver estruturado sobre bases dessa natureza, como nos ensina o professor Silvio Almeida (2019) na obra intitulada “Racismo estrutural”, desenvolvendo verdadeiramente uma teoria social, como o próprio autor aduz na introdução do livro mencionado, intercambiando o conceito de raça com a filosofia, ciência política, teoria econômica e do direito, evidenciando que o racismo é um elemento que integra a organização econômica e política da sociedade ao longo dos tempos, especialmente a brasileira.

Uma das expressões do racismo é no humor que violenta, faz troça com a imagem sempre suspeita da pessoa negra quando brinca de acusar o negro da sala por ocasião do sumiço de algum bem. Quando atribui a um mal serviço executado a feitura por uma pessoa negra, o chamado “serviço de preto”, tratado no vocabulário popular como um serviço de qualidade ruim.

São infindáveis os exemplos de inferiorização através de ditos populares ou mesmo de piadas prontas atreladas à pessoa preta.

Isso encontra fundamento teórico em Thomas Hobbes (apud MOREIRA, 2019), que aludiu sobre o bem-estar sentido pelos indivíduos quando se deparam com o infortúnio do outro, emanando um sentimento crescente de autoconfiança ao realizar a comparação com àqueles que são retratados em piadas, manifestações culturais de caráter negativo, formulando a partir daí questões sobre a teoria da superioridade, que pode ser observada no caso do exercício do humor como forma de marcar os locais superiores e inferiores dentro de uma sociedade.

Sobre a utilização do humor como forma de expressão do racismo, consubstanciado no que se pode conceber por racismo recreativo, Adilson Moreira (2019) indica que o humor dessa natureza revela uma dimensão de natureza coletiva e social de dado momento histórico.

Portanto, logo de representar pura e simplesmente uma piada inocente, o humor verdadeiramente é capaz de revelar muito sobre a ocupação dos espaços, as hierarquias vigentes e admitidas em determinados momentos históricos.

Aproximando a questão para o campo da homofobia, aqui concebida como toda forma de violência física ou verbal em desfavor de pessoas LGBTI, o cenário não é nada distinto.

A inferiorização a que são submetidas as pessoas LGBTI, em especial os gays, no cotidiano nacional é explícito. Quase sempre que se deseja ridicularizar um homem heterossexual basta chama-lo de “bicha”, “veado”, para logo ouvir do pretenso ofendido algum retrucar agressivo, tamanha sua aversão em ser denominado homossexual.

E tudo isso com o intuito de fazer rir à custa da existência do outro.

Considerando ser o Brasil o país que mais mata LGBTI no planeta e que há 12 anos lidera o ranking mundial de homicídios de pessoas trans (PUTTI, 2020), é inadmissível que se possa compreender piadas atinentes à identidade de gênero ou orientação sexual das pessoas simplesmente como inocentes.

O Brasil, na verdade, perpetua um humor com o negro, gay e nordestino que não tem trégua. A impressão que se tem é que a capacidade criativa é limitadíssima a esses alvos, sempre marcados.

Não é que a sociedade tenha ficado mais chata e que antigamente se brincava com tudo isso e ninguém se ofendia. O fato é que em outros tempos essas pessoas nem imaginariam a possibilidade de ter algum local para falar e serem ouvidas. Os avanços democráticos permitiram pôr em evidência atores sociais invisibilizados, afastados do protagonismo, por exemplo, de novelas, telejornais, propagandas.

Felizmente a realidade tem sido cada vez mais plural e ela vem acompanhada de algo a que Djamila Ribeiro (2019) referencia se tratar do lugar de fala.

É inconcebível que uma pessoa branca seja quem avalie se determinado episódio é ou não racismo. O mesmo com relação a um heterossexual dizer a um LGBTI sobre o que dói ou não nesse outro.

Sobre as dores, as lutas e as cicatrizes de toda uma gente só essa gente pode dizer.

Ainda sobre a importância de atentamente reconhecer e incentivar a produção de narrativas próprias, especialmente para não se correr o risco do perigo de uma única história, nas palavras de Chimamanda Ngozi Adichie (2017), permitindo que o conto ganhe corpo em primeira pessoa, com a realidade característica e capaz de não mais ser re-presentada, mas de verdadeiramente se presentar, se apresentar, estar presente.

É necessário olhar com olhos de querer ver e reconhecer que o racismo e a homofobia recreativa não têm mais espaço dentro de uma sociedade plural, fraterna e solidária, como a que se propõe a brasileira, conforme traçam as primeiras linhas da Constituição Federal de 1988.

Ao outro cabe acompanhar a evolução de pensamentos humanistas, sensível ao outro e reconhecendo nele a si próprio. O outro sempre seremos nós, de outro ângulo.

*Kamila Michiko Teischmann é advogada, conselheira Estadual da OAB-MT, vice-presidenta da Comissão da Diversidade Sexual da OAB-MT, professora universitária e mestranda do Programa de Pós Graduação em Política Social da Universidade Federal do Estado de Mato Grosso – UFMT. Contato: [email protected]

 

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