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O melhor detergente é a luz do sol

HISTORIADOR SEBASTIÃO CARLOS: Esta é a questão central para o cidadão: mudar a política e não apenas o governo. Pois, veja, suponhamos que aconteça agora o impeachment de Dilma. Novas eleições serão realizadas. Quem ganhar estará conectado aos reais anseios hoje mostrados nas mobilizações? E se, possibilidade palpável, passados dois anos, a presidente renuncia, quem será colocado em seu lugar? O grupo que, nesta hipótese, se apossará do poder por acaso não é o mesmo que lá já se encontra?

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O melhor detergente é a luz do sol

 
 
sebastião carlos advogado e professor mtO dia depois – II
Sebastião Carlos
Indagava no artigo antecedente, o que significa para o futuro dos atuais protestos antigovernamentais o fato de que, ao contrário das manifestações iniciais em que a presença de políticos com mandatos foi praticamente impedida, e neste ultimo já se viu a presença de inúmeras figuras congressuais. Estará havendo uma desfiguração do “desabafo” do povo? O grito parado na garganta está sendo domesticado? Está se correndo o risco de se transformar um movimento cívico numa corrida pré-eleitoral? Alguns, talvez mais ingênuos, já estão se perguntando: mas, não estamos indo às ruas para tentar reescrever a história contemporânea do país? Para dizer que este país pode ser outro? Portanto, retorno ao inicio: qual o foco a ser estabelecido neste momento atual das manifestações? Esta, a meu ver, é uma questão de difícil equacionamento.
As manifestações do contra tendem a se esgotar em si mesmas. Fomos às ruas contra a ditadura e pelas ‘Diretas Já’ e acabamos no governo de coalização de Sarney. Gritamos pelo impeachment de Collor e ele é hoje um dos h0mens fortes do governo. Acreditamos com fé religiosa no operário sofredor e ético, que transformaria o país ainda que se orgulhasse de nunca ter lido um livro, e … bem. Então, de que adianta ser anti-Dilma e anti-PT sem ser também contra os partidos e os políticos que nos Estados e nos municípios são aliados do governo (será preciso lembrar que a Dilma não chegou lá sozinha?).
Como ser anticorrupção sem se adotar uma vigorosa postura no dia a dia contra toda e qualquer forma de malversação? Como querer melhorar a representação política sem ser radicalmente contrário a todo aquele empresário que financia campanhas milionárias de parlamentares e de chefes de executivos? O jornal ‘O Estado de São Paulo’, em 8/11/14, informava que, de cada 10 deputados federais, 7 foram financiados por grandes empresas. Para defender prioritariamente os interesses de quem? Precisa responder? Comentando essa informação, o juiz Marlon Reis, que escreveu um livro sobre o assunto, matou a charada: estes assim eleitos são deputados “corrompidos em sua independência”. Eles não representam o eleitor, representam o financiador. A verdade, como bem lembrou com o seu conhecido sarcasmo o José Simão, é que “não dá para gritar contra a corrupção e apoiar o Cunha (ou quaisquer dos aliados do governo), aí não é acabar com a corrupção, é apenas trocar de corrupção!” Da mesma forma que “não se pode protestar contra a corrupção com a camiseta da CBF!”.
Esta é a questão central para o cidadão: mudar a política e não apenas o governo. Pois, veja, suponhamos que aconteça agora o impeachment de Dilma. Novas eleições serão realizadas. Quem ganhar estará conectado aos reais anseios hoje mostrados nas mobilizações? E se, possibilidade palpável, passados dois anos, a presidente renuncia, quem será colocado em seu lugar? O grupo que, nesta hipótese, se apossará do poder por acaso não é o mesmo que lá já se encontra?
Então entendo que o foco, aproveitando essa energia cívica, deve ser ampliado. É imperioso que haja maior politização da sociedade. Buscar comprometer a categoria política com fatos concretos do dia a dia. Por exemplo, estamos vendo em alguns municípios do país a população comparecer às Câmaras de Vereadores e obrigar os senhores edis a recuarem de comportamentos abusivos, sobretudo no que diz respeito ao aumento de vencimentos ou do numero de servidores de gabinete. Por que não obrigar, por exemplo, a que os deputados se comprometam concretamente com a diminuição de impostos? Por que não exigir nas ruas que governador e prefeitos cumpram os programas prometidos na campanha? Enfim. Isto será fazer com que a politização alcance também aqueles que exercem mandatos. Sabemos que nem sempre aquele que tem mandato eletivo pode ser considerado um político, strictu senso.
Esta é, portanto, a meu pensar, a agenda a favor, que deve ser vocalizada por todos os que estão comprometidos com as movimentações de protesto. Viveremos mais uma etapa perdida da força e da generosidade do povo se esta questão não for colocada. O resto é desviacionismo deletério. Por isso, é preciso que se comece a refletir com urgência necessária sobre o perfil daqueles que vocalizarão a mudança do sistema político. Que é o que realmente importa.
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Sebastião Carlos Gomes de Carvalho é advogado e professor.
 
 

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JORGE YANAI: Tem umas coisinhas que nós, médicos experientes, nunca vamos abrir mão: os exames clínicos e a boa e velha prosa com o paciente

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50 anos de Medicina

POR JORGE YANAI

 

 

Ano que vem completo 50 anos de Medicina mas quero hoje dividir um pensamento com você.

Nós médicos, somos notáveis pela mão de Deus e com o uso da ciência,  para prevenir, curar, intervir e salvar. Isso merece, sim, uma data e ela tá prontinha, 18 de outubro.

Mas e o dia do paciente, quando comemorar? Sem ele, não tem médico, enfermeiro, técnicos, recepcionistas, hospital, laboratório. É dele que depende o nosso sucesso e é por ele que trabalhamos, isso não pode ser esquecido. Jamais.

Então, todos os dias são dias dos pacientes, inclusive o 17 de setembro, Dia Mundial da Segurança do Paciente, algo mais amplo, conceitual mas ainda pouco pessoal, pouco humano, de verdade.

Na medicina moderna, andamos meio distantes desse protagonista. A internet, os exames, a tecnologia, nos tiram um pouco da proximidade, da intimidade, do toque e do abraço.

Nos últimos anos a pandemia também fez com que essa relação se tornasse mais “europeia” e o bom e velho tempo,  a tal  correria que usamos como desculpa, encurtam as consultas. Infelizmente.

Considero que o médico moderno, deve sim, usar todos os recursos para ser melhor, para fazer o  melhor. Só que tem umas coisinhas que nós, experientes, nunca vamos abrir mão: os exames clínicos e a boa e velha prosa com o paciente.

Muitas coisas são descobertas, ouvindo histórias, observando o tom de voz, gestos, olhares, postura, carências, excessos… porque, afinal, ser médico, também é: ler as pessoas.

Que a tecnologia, o tempo e o respeito aos bons métodos sejam uma forte corrente para que os atuais e futuros médicos possam unir-se às causas que vão além das datas comemorativas.

Um abraço do amigo,

Leia Também:  JOHNNY MARCUS: A indignação diante da injustiça social gerada pela corrupção é sempre bem-vinda. Mas o que dizer quando a injustiça social tem raiz na fria letra da lei? Como aceitar que dinheiro que poderia ser investido em políticas públicas vá parar no bolso de quem já recebe um super salário? Em tempos de crise econômica, em que se cobra austeridade por parte do governo federal, é mais do que oportuno que a sociedade saiba que existe uma minoria que custa muito aos cofres públicos e nem por isso são alvos de panelaços ou protestos indignados nas ruas.

Jorge Yanai, médico desde 1972… e eterno aprendiz das necessidades humanas.

Jorge Yanai

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