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As lutas do povo trabalhador

GIBRAN LACHOWSKI: Não é fácil fazer greve no interior de Mato Grosso

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As lutas do povo trabalhador

Parabéns às professoras e aos professores!

Por Gibran Lachowski

 

Nos tempos de hoje, em que mauricinhos e patricinhas se arrogam a defender o erário público e a moralidade pública mesmo ferindo a jato a lei que tanto elogiam, é importante falar da greve das professoras e professores de Mato Grosso.

Em especial, gostaria de falar das trabalhadoras e trabalhadores da educação básica que atuam em Tangará da Serra, porque seguram o movimento na garra, diante de uma paralisação que ocorre em parte das escolas.

Não é fácil fazer greve no interior de Mato Grosso, principalmente nos primeiros seis meses de administração de um governador que venceu as eleições no 1º turno, e diante de ações tão truculentas, como o corte de ponto, algo que ganha enorme proporção num Brasil com milhões de [email protected]

Na capital o Sindicato dos Trabalhadores no Ensino (Sintep) consegue causar mais impacto, pois as sedes dos poderes instituídos ali estão, assim como qualquer ação de rua ganha destaque, da tradicional passeata ao inusitado pedido de dinheiro no sinaleiro.

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No interior, as ações são mais difíceis, aumenta o esforço para garantir empoderamento,  o temor social cresce, e isto ainda que se trate de uma das cidades com maior população e rendimento econômico do Estado.

Por isso, em Tangará cada reunião ou ato público em escola, cada roda de conversa com colegas de trabalho, cada trago partilhado em busca de utopia vale a pena pelo cumprimento da Lei da Dobra do Poder de Compra, da Lei da RGA, da melhoria nas condições de trabalho e convivência.

Então, em nome dos professores Dirceu e Zé Rosa e da professora Chiquinha, presidenta do Sintep/subsede Tangará, um grande salve a todas e todos que fazem desta greve uma realidade, dentro das difíceis condições históricas que vivemos. Vocês são de luta! Merecem o meu respeito!

Nota de pesar: Também me dói saber que parcela considerável da cobertura jornalística não dá conta de explicitar esse jogo de forças marcado pela covardia do poder econômico sintetizado nas figuras do soberbo Mauro Mendes e de seu secretariado insensível às demandas populares.

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Gibran Lachowski, jornalista e professor universitário em Mato Grosso

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Alguma coisa está fora da ordem

RICARDO BERTOLINI: Inflação alta, salário mínimo desvalorizado e tributação injusta

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Inflação alta, salário mínimo desvalorizado e tributação injusta

Ricardo Bertolini

A política de valorização do Salário Mínimo, que vigorou de 2011 a 2019, tinha a missão de repassar uma parcela da riqueza nacional aos trabalhadores de baixa renda, e que consequentemente, recebem Salário Mínimo. Nesse período, o governo assumiu o compromisso de reajustar o Salário Mínimo de acordo com o índice inflacionário oficial, acrescido do percentual de variação positiva do Produto Interno Bruto – PIB, que é a soma de todas as riquezas produzidas pelo país;

Essa promessa de valorização do Salário Mínimo foi abandonada pelo governo, no entanto esperava-se a manutenção do compromisso de reajustar o Salário Mínimo de acordo com a variação do índice inflacionário oficial;

Dados divulgados pelo IBGE, nos dão conta que a inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), no período de 2020, fechou com alta de 4,52%. Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), utilizado para reajustar o Salário Mínimo registrou alta de 5,45%;

No entanto, o governo reajustou o Salário Mínimo para R$ 1.100,00, aplicando índice de 5,26%. Em outras palavras, o reajuste do Salário Mínimo não cobre nem a inflação oficial;

Segundo dados levantados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos – DIEESE, com um Salário Mínimo é possível comprar cerca de 1,58 cestas básicas, que custam, em média, R$ 696,70, composta por 13 itens alimentícios, base para cálculo do Salário Mínimo, necessário para sobrevivência de um trabalhador e de sua família. O valor é considerado o pior Salário Mínimo dos últimos 15 anos, justamente pelo menor poder de compra de alimentos, que variaram 14,09% contra os 5,26% de reajuste concedido para o mesmo período;

Leia Também:  ÓDIO DAS PALAVRAS E DAS BOMBAS: O Instituto Lula, em São Paulo, acaba de ser atacado por uma bomba caseira. Percebam a gravidade da situação. A bomba demente foi precedida pelo ódio disseminado há anos e anos por blogueiros, colunistas e revistas que se transformaram em panfletos do ódio e da mentira. A polícia precisa dizer quem lançou a bomba no prédio, no bairro do Ipiranga. Não sabemos a identidade do criminoso. Mas sabemos bem quem disseminou o ódio que produziu o demente do Ipiranga

Segundo o DIEESE, o valor do Salário Mínimo deveria ser de R$ 5.304,90, para uma família de 4 pessoas, dois adultos e duas crianças. No entanto, nem o governo nem a iniciativa privada se dizem capazes de garantir ou mesmo suportar valores nesses patamares;

Não é demais enfatizar que, para as famílias de baixa renda, os efeitos da inflação são sentidos com mais intensidade. Vejamos os exemplos das altas do óleo de soja e o arroz, que para o mesmo período, tiveram aumentos de 103% e 76% respectivamente;

Não bastasse as perdas inflacionárias e a redução do Salário Mínimo, a tributação injusta também afeta os mais pobres. Veja a tabela do Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, por exemplo: a não correção da tabela de tributação da renda gerou uma cobrança de imposto de renda acima da inflação de 103% dos trabalhadores. Segundo estudos do SINDIFISCO NACIONAL, no período compreendido entre 1996 e 2020, o IPCA acumulou alta de 346,69% e a tabela de Imposto de Renda foi reajustada em 109,63%. Em 24 anos, somente nos anos de 2002, 2005, 2006, 2007 e 2009 a correção da tabela ficou acima da inflação, sendo que a última atualização aconteceu em 2015. Com essa política de não atualização da tabela, salários a partir de R$ 1.903,98 já pagam imposto de renda;

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Se a tabela do imposto de renda fosse reajustada conforme a inflação oficial, ganhos até R$ 4.022,89 não pagariam o imposto. Segundo dados da Receita Federal do Brasil – RFB, o número de declarantes isentos seriam mais de 21,5 milhões de pessoas, dobrando o número atual;

E ainda tem a questão da tributação centrada no consumo, o que faz com que as famílias de menor renda, paguem mais impostos proporcionalmente, do que as famílias das classes mais altas e maior potencial econômico;

Cancelamentos de matrículas, migração para ensino público, perdas de planos de saúde, trabalhos informais e aumento de número de desempregados, contribuirá para formação de uma enorme demanda social, pois os brasileiros estão mais pobres, sem empregos dignos e alimentação superonerosa;

Analisando esse cenário, chegamos à conclusão que estamos caminhando para obter o resultado da seguinte equação:

Inflação alta

+

Salário Mínimo desvalorizado

+

Tributação injusta

=

Aumento da Desigualdade Social.

Ricardo Bertolini, Fiscal de Tributos Estaduais, diretor da FENAFISCO – Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital e do SINDIFISCO-MT

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