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Brasil, mostra tua cara

GIBRAN LACHOWSKI: "Manifestações de ódio dia 15 não foram isoladas; representam um padrão. Houve camisetas mandando “tomar no cu”, defesa do nazismo, da volta da ditadura, agressões a pessoas que estavam de vermelho. Sobrou até para Paulo Freire e a pedagogia (da libertação) do oprimido". RENATO GOMES NERY: "Aqui dinheiro nas meias, nas cuecas, na piscina, no estrangeiro é negado com tanta veemência que o culpado das falcatruas passa a ser a imprensa"

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INTERVENÇAO MILITAR JÁ MANIFESTAÇÃO 15 MARÇO
 
 
As manifestações de ódio no dia 15 não foram isoladas; representam um padrão
Por Gibran Luis Lachowski
Está escancarado que as posturas de intolerância, expressas por violência simbólica e física, não são ações isoladas nas exposições públicas, como as ocorridas no dia 15 de março em várias cidades brasileiras, que reuniram de milhares a milhões de pessoas, dependendo da fonte de informação.
Houve camisetas mandando “tomar no cu”, defesa do nazismo, defesa da volta da ditadura, agressões físicas e morais a pessoas que estavam de vermelho e/ou se mostravam simpatizantes a partidos de esquerda, repetições incansáveis de que o PT e os comunistas devem sair do Brasil e ir para Cuba, Venezuela e, agora, também, para a Argentina (provavelmente uma referência à combativa postura do governo Cristina Kirchner diante das tentativas de desestabilização no país). Sobrou até para o pedagogo Paulo Freire e a pedagogia (da libertação) do oprimido.
O vídeo de um advogado hostilizado na avenida Paulista por estar com uma camiseta vermelha com figuras históricas do comunismo, para mim, foi exemplar desta onda de ódio/intolerância misturada com pensamento reacionário e analfabetismo político: http://noticias.bol.uol.com.br/ultimas-noticias/brasil/2014/11/19/eles-perderam-o-bonde-da-historia-diz-advogado-hostilizado-em-protesto.htm
Ficou notório, pela grande quantidade de situações do tipo, que a incapacidade de conviver com o outro, com o diferente, com o oposto ideológico, é um padrão nessas manifestações. Não é possível afirmar que se trate de um padrão dominante – e creio que não seja –, contudo corresponde a algo presente na maioria das recentes ocorrências de rua embaladas pela bandeira do “Chega de corrupção!”.
Que bandeira?
 
Aliás, uma bandeira bem genérica, que não gera avanço em termos de discussão, muito menos em torno de leituras concatenadas com a realidade, e que dirá de elaboração de propostas que visem à diminuição do problema. É uma reclamação de extrema amplitude que não se converte em pauta nem possui caráter de reivindicação. E isso também pode ser compreendido como um outro padrão nessas manifestações.
No entanto, maquinada por emissoras de televisão, como Globo e Bandeirantes, e jornais tais quais “Folha de São Paulo” e “O Estado de São Paulo”, recebem polimento e direção, e aí ganham ares de grande movimento democrático contra o governo, inclusive defendendo a retirada de uma presidenta eleita pela maioria dos votos da população e sob a qual não pesa nenhuma acusação formal de corrupção.
(Isso se chama golpe, ou seja, negação da democracia. Mas no tratamento midiático a absurda contradição é aplainada para que a ação continue cândida e valorosa. Os bombardeios informativos em redes sociais virtuais e no whatsapp ajudam a viralizar a mercadoria.)
Aliás, estamos falando de uma presidenta que estimula as investigações e que nesta quarta (18) encaminhou um pacote anticorrupção ao Congresso, relativo às instâncias pública e privada, apertando o cerco inclusive contra a prática quase cultural de caixa 2. Não importa se parcela das medidas está na Câmara Federal e no Senado há anos (e importa, ao mesmo tempo, pois, pergunta-se: por que ainda não foram votadas?). O gesto recoloca de forma pragmática os meios para se promover mudanças no sistema de modo a diminuir os espaços de proliferação da corrupção.
Por isso é digno de nota a imediata reação negativa do senador Aécio Neves (PSDB), que, lembremos, perdeu democraticamente as eleições para a presidência. Ele qualifica o pacote anticorrupção de sintomático, porém diz que a população quer respostas rápidas. Mais uma escancarada contradição.
Um outro caminho
 
Portanto, diante de manifestações de ódio/intolerância, pensamento reacionário e analfabetismo político, que ofuscam o legítimo direito de protestar e reivindicar melhorias de vida para a população, é fundamental postular um outro caminho. Isso está sendo feito pelas centrais sindicais, movimentos sociais, coletivos populares, e entidades com capilaridade nacional, como a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) – http://www.ihu.unisinos.br/noticias/540851-a-nota-anti-golpe-da-cnbb-condena-tambem-a-imoralidade-do-mercado
Espera-se que, em breve, também partidos de esquerda para além do PT, PC do B e PCO engrossem esse caldo democrático, que deve se pautar por uma postura crítica em relação ao governo, o que se associa à luta pelo respeito ao resultado das urnas em 2014, que elegeu Dilma presidenta do país, outorgando-lhe mandato até o fim de 2018.
Esse caminho corresponde à:
*** defesa da Reforma Política Popular (com plebiscito oficial e Assembleia Constituinte exclusiva);
*** denúncia da postura golpista de veículos de comunicação, principalmente de emissoras de tv, por serem concessões públicas.
*** posição contrária a qualquer tentativa de desrespeito constitucional ao resultado da eleição presidencial de 2014;
*** revogação das Medidas Provisórias 664 e 665, que restringem direitos previdenciários e trabalhistas;
*** defesa da Petrobras (modelo de partilha e conteúdo nacional).
 
gibran lachowski jornalista e professor universitário em rondonopolis
Gibran Luis Lachowski, jornalista, é professor universitário e militante de movimentos sociais em MT
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OUTRA OPINIÃO

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Que país é este?

Por Renato Gomes Nery
Estou acabando de ler o último livro da “Trilogia do Século” do escritor inglês Ken Follett, são eles: A Queda de Gigantes (1), Inverno do Mundo (2) e Eternidade Por Um Fio, da Editora Arqueiro. Para lê-lo é preciso ter fôlego, pois cada um deles tem em torno de 1.000 páginas. Eles descrevem em forma de romance a história do século de 20, a partir de antes da 1ª Guerra Mundial, até a queda do muro de Berlim, em 1.900.Esta trilogia é apaixonante, pois abandona a historia oficial e descreve o que aconteceu neste período de forma informativa e clara. Com personagens reais convivendo com personagens criadas pelo autor. É a história viva, com se ela tivesse acontecendo a nossa frente como um longo filme. Uma leitura impagável que eu aconselho a todos. Temos oportunidade de ver a história se repetir em muitas nuances com o que acontece hoje no Brasil. Citarei para reflexão alguns trechos dos livros. “ O senhor já passou muito tempo sentado aqui para a qualidade do trabalho que tem feito. Vá embora e permita que nos livremos do senhor. Em nome de Deus, vá embora. (Cromwel) – pag. 341/342 – O Inverno do Mundo).Isto nos faz pensar no propalado impeachement previsto na Constituição para defenestrar governantes indignos dos cargos. Seria muito mais fácil se tivéssemos um sistema parlamentar, onde os governos caem mediante o voto de desconfiança do parlamento, sem traumas. Portanto, a propalada reforma política não pode ser feita de afogadilho. Será que o sistema parlamentar não seria mais apropriado para conter as nossas crises cíclicas patrocinadas pelo presidencialismo imperial que temos? Se a governabilidade depende do Congresso (fonte de tantos males), por que não entregar a ele a tarefa de governar o País (sistema parlamentar).
Certamente que se gastaria menos com as tenebrosas negociatas!! A maioria e os mais estáveis países mundo é governada por sistemas parlamentares. “ – O camarada Beria assumiu a direção do programa de física nuclear. Valoya já sabia. Stalin criara um novo comitê para dirigir os trabalhos e nomeara Beria presidente. Beria não sabia nada sobre física e era totalmente desqualificado para organizar um projeto de pesquisa científica. Mas Stalin confiava nele. Era o mesmo problema de sempre no governo soviético: pessoas incompetentes porém leais eram promovidas a cargos para aos quais não estavam aptas”. (pag. 798/799 do livro acima citado. Qualquer semelhança é mera coincidência !! – A PETROBRÁS o símbolo nacional, não é dos Brasileiros, mas dos incompetentes e carreiristas úteis aos políticos que a tomaram de assalto.
O BNDES distribui dinheiros aos amigos do rei nacionais e estrangeiros. A PETROSSAURO, com disse Roberto Campos, renderia dividendos e impostos se tivesse em mãos privadas. Não se auditam nem balanços com receio dos gigantescos rombos. UMA GRANDE PROPOSTA A SER POSTA EM DISCUSSÃO: A PRIVATIZAÇÃO DA PETROBRÁS. Ninguém mais sente saudades da Vale do Rio Doce que foi privatizada sem traumas. Um dos motivos por que os regimes comunistas não deram certo em lugar nenhum do mundo é por que todos são funcionários públicos. Imaginem um País somente de funcionários públicos, com a ambição desmedida por privilégios e vantagens?
E os adeptos e companheiros dos mandantes de ocasião se infiltraram em todos os setores do poder público no Brasil que passaram a cuidar dos seus interesse e abandonaram o País a própria sorte. A propósito um comandante de plantão que prometeu dar terras aos sem terras há mais de dez anos, parece que não cumpriu a promessa, pois segundo eles “os sem terras” foram transformados num exército abastardado com o dinheiro público – para defender o governo Por fim, o cinismo atroz que ameaça a todos nós. Em países civilizados até adultério é motivo suficiente para que dirigentes públicos renunciem. Aqui dinheiro nas meias, nas cuecas, na piscina, no estrangeiro é negado com tanta veemência que o culpado das falcatruas passa a ser a imprensa. QUE PAÍS É ESTE?
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RENATO NERY
Renato Gomes Nery é advogado em Cuiabá – e-mail – [email protected]
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Promulgação da PEC dos Precatórios será fatiada, diz Arthur Lira

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A Proposta de Emenda à Constituição (PEC)  23/21, conhecida como PEC dos Precatórios terá promulgação “fatiada”. O objetivo é viabilizar o aumento do Auxílio Brasil. Segundo o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), as duas Casas Legislativas farão “o máximo esforço” para promulgar o quanto antes as partes da proposta em que houve acordo. Depois de promulgadas, serão publicadas e entrarão em vigor.

Já as alterações feitas pelo Senado voltam à Câmara para nova apreciação como proposta  independente.

“Nem mercado, bolsa, dólar, empresários, municípios, credores, e muito mais ainda, aqueles que precisam do Auxílio Brasil podem esperar uma tramitação de novo de CCJ [Comissão de Constituição e Justiça], de comissão especial e de plenário duas vezes. É muito normal que textos comuns possam ser promulgados”, disse Lira, após sair da reunião do colégio de líderes. Segundo Lira, as assessorias de Câmara e Senado definirão o que já pode ser promulgado e o que deve voltar à análise dos deputados.

Na tarde desta quinta-feira (2), o Senado Federal aprovou, por 64 votos a favor e 13 contra, no primeiro turno, e 61 votos a favor e 10 contra, no segundo turno, a PEC dos Precatórios.

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Entre as principais modificações feitas pelo relator, está a redução do prazo de vigência do limite no Orçamento destinado ao pagamento dos precatórios. Pelo texto aprovado, o teto de gastos, que restringe o crescimento das despesas à inflação, terá que ser rediscutido novamente em 2026, medida contraria o que desejava o ministro da Economia, Paulo Guedes.

Ainda segundo a proposta, o espaço fiscal aberto com a restrição do pagamento dos precatórios e a mudança no cálculo do teto de gastos do governo – um total de R$ 106 bilhões – será inteiramente destinado a fins sociais, como programas de combate à pobreza e extrema pobreza, saúde, assistência social e previdência.

*Com informações da Agência Câmara

Edição: Nádia Franco

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