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O melhor detergente é a luz do sol

GABRIEL NOVIS NEVES: Sou de uma das últimas gerações de médicos da antiga escola francesa. Hoje predomina a tecnologia, cada vez mais sofisticada e cara. Entendo, porém, que nada substitui uma boa anamnese e um detalhado exame clínico para a fixação das primeiras hipóteses

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O melhor detergente é a luz do sol

Consulta médica. Foto de Thirdman no Pexels

GOTEJAMENTO

POR GABRIEL NOVIS NEVES

 

 

O médico acompanha os tratamentos. No caso, para exemplo, dez dias com aplicações venosas de antibióticos dissolvidos em uma bolsa com cem mililitros de soro fisiológico, de oito em oito horas. Prescrição precisa, tempo para aplicação e técnicas para aplicar e cuidar bem executadas.

Percebendo o gotejamento perfeito na veia, inevitável a satisfação e a alegria de ver aquilo, sinal que o antibiótico corria normalmente em veia do dorso da mão esquerda.

Anos à fio, no exercício da medicina, me ocupei com essa atitude, sempre satisfatória. Imediatamente me recordei quando, desde o início do exercício da minha profissão, reconhecia a importância de uma boa veia para o sucesso do tratamento.

Quantas vezes telefonei para o hospital para saber se o gotejamento da paciente que operei estava bom!

Nas emergências, a primeira providência do médico era providenciar uma veia para passar o soro ou sangue.

São coisas tão pequenas que, na maioria das vezes, passam despercebidas ao paciente, desapercebido do bem-estar profissional que sentimos até com os pequenos êxitos.

Quem trabalha com a saúde dos pacientes, reconhece que nem sempre as grandes intervenções ou diagnósticos são capazes de substituir as pequenas coisas, como o sorriso de quem sofre.

O abraço, olhar, o afago são recompensas desta profissão tão sofrida e incompreendida!

Sou de uma das últimas gerações de médicos da antiga escola francesa.

Hoje o que predomina é a tecnologia, cada vez mais sofisticada e cara.

Entendo, porém que nada substitui uma boa anamnese e um detalhado exame clínico para a fixação das primeiras hipóteses.

Chegamos ao cúmulo de, no atendimento a pacientes de primeira consulta, em alguns casos, novos médicos solicitarem um “montão” de exames laboratoriais mesmo antes de analisar as queixas sobre o quadro clínico.

Mesmo com queixas pulmonares evidentes, já se percebe que têm resistência à auscultar sequer o tórax desse infeliz.

É imediatamente encaminhado ao laboratório de imagens para tomografia pulmonar, onde o paciente recebe comandos de voz de um computador: “encha o peito de ar, prenda a respiração, respire”!

Até o velho Raio-X do tórax está obsoleto nos dias de hoje.

A medicina fica cada vez mais distante da maioria da população.

Nós ainda temos o SUS que, bem administrado, é um sucesso.

E os EUA? Onde não há esse tipo de atendimento e os seguros de saúde são inaccessíveis a maioria da população?

Defendo que deveríamos humanizar os serviços de saúde e sentir emoção nas coisas mais simples do dia-a-dia desses profissionais.

Mesmo afastado do exercício clínico, continuo sentindo um prazer enorme vendo o gotejamento perfeito em uma veia.

 

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Gabriel Novis Neves, reitor fundador da UFMT, é médico e professor aposentado em Cuiabá, MT, titular do blogue Bar do Bugre

17-07-2021

 

Médico com crianças. Foto de Jonathan Borba no Pexels

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CHOCOLATE CONTRA O PRECONCEITO: Nestlé muda nome de bombom para “acabar com racismo e discriminação”

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O bombom da Nestlé ” Negrita ” mudará seu nome para ” Chokita ” para evitar “atitudes racistas e preconceituosas”, diz a marca. O nome estampou o chocolate por 60 anos , e deixará de existir a partir de outubro .

Segundo a Nestlé, o novo nome “refere-se ao inconfundível sabor do chocolate, somado ao diminutivo que no Chile reflete o que tratamos com carinho. Esta modificação não afeta de forma alguma a receita do produto, que mantém sua qualidade e sabor característico de sempre.”

Para a empresa, chegou a hora de fazer a alteração, pois, há 60 anos, viviam num contexto completamente distinto. Hoje, o chocolate por vexes é utilizado de maneira jocosa com pessoas de pele preta.

A empresa diz que os consumidores receberam bem a mudança e concordam que era a hora certa.

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Caso parecido aconteceu com o bombom ” Feitiçaria “, da Lacta, que teve que trocar a estampa após teorias da conspiração.  Inspirado no clássico “feitiço”, famoso na década de 90, foi acusado de conter “mensagens malignas” na embalagem. A companhia então trocou o nome para “Lacta Chocolate” e “Lacta Morango”.

 

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