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O melhor detergente é a luz do sol

FREI BETO E A SEXTA FEIRA DA PAIXÃO – O mais importante na vida de Jesus não foi quanto ele sofreu, mas quanto e como ele amou — assim como só Deus ama.

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O melhor detergente é a luz do sol

O Cristo de Mel
por Frei Betto *
Mel Gibson mostra, em seu filme A Paixão de Cristo, um Jesus dilacerado pelos mais atrozes sofrimentos. As cenas são chocantes ou, como disse D. Geraldo Magela, cardeal de Salvador, “cruéis”.
O que está por trás dessa ótica dolorista da paixão de Jesus? Acima de tudo, um jogo de marketing. Quem lida com entretenimento sabe que a receita de sucesso exige dois ingredientes: sexo e/ou violência. Em nosso inconsciente oscila o pêndulo que nos alerta, continuamente, para algo que nenhum outro ser vivo sabe: nascemos e haveremos de morrer. O entretenimento deturpa essas polaridades e associa geração de vida à sexualidade e daí à pornografia, enquanto a morte, extinção de vida, ganha o caráter de violência. O uso desses dois ingredientes hipnotiza multidões.
Mel Gibson partiu de uma ótica teológica muito em voga no passado da Igreja: de tal modo ofendemos a Deus com os nossos pecados, que só a morte torturante de Seu Filho é capaz de nos redimir de tamanha culpa. O Pai entrega o Filho à morte para, com Seu sangue, aplacar a Sua sede de vingança contra nós mortais. Ao morrer crucificado, Jesus lava os pecados de toda a humanidade. Seria preciso contextualizar a morte de Jesus numa sociedade em que o direito prescrevia por resgate de prisioneiros escravos, para entender esse teatro mórbido no qual Deus faz sofrer e mata Deus, para compreender a ótica equivocada de Mel Gibson. O centro da vida de Jesus não estava em Seu sofrimento e morte, mas em Sua ressurreição, sem a qual, frisa Paulo, a nossa fé seria vã. E o mais importante na vida de Jesus não foi quanto ele sofreu, mas quanto e como ele amou — assim como só Deus ama. Conheci prisioneiros que, na mão de torturadores, sofreram mais que Jesus. Mas ninguém amou como Ele, que jamais fez um gesto de desamor e, portanto, não conheceu o pecado.
Não foi para sofrer que o Verbo se encarnou. Foi para amar e nos trazer luz. O Seu amor em nada se parecia a essa complacência que reduz o ato de amar a um mero sentimento. Amar é ser verdadeiro consigo e com o outro, ainda que isso doa em ambos. É praticar a justiça e tudo fazer para que “todos tenham vida e vida em abundância” (Jo 10,10). Por isso morreu Jesus, vítima de um sistema injusto. Morreu como um prisioneiro político, condenado à morte adotada pelo poder romano: a cruz. Morreu, sim, pelos nossos pecados, na medida em que a injustiça que praticamos cria estruturas que asseguram plenitude de vida a uns poucos e condenam a maioria à morte precoce.
O Cristo de Mel é amargo. É expressão do desamor nosso e de Deus. Mas Deus é amor e jamais deixa de nos amar. Essa dimensão da paixão — agora no sentido de estar apaixonado por alguém — é que falta no filme. Mel nos oferece uma estopa de fel. Os Evangelhos, felizmente, nos oferecem caminho, verdade e vida — o amor incondicional de Deus que, em Jesus, nos indica a via da felicidade, a ponto de Ele exclamar: “Eu vos digo isso para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja plena” (Jo 15, 11).
• Frei Betto é autor de “Batismo de sangue” (Casa Amarela), entre outros livros.

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Brasil ganha Frente Nacional de Defesa do Consumidor. Movimento buscará agenda positiva na proteção dos direitos do consumidor

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Um grupo plural, formado por professores, defensores públicos, advogados, membros do Ministério Público, entidades civis, representantes de Procons e cidadãos de todo o Brasil, sensibilizados com a grave situação do País, criou na última semana a Frente Nacional de Defesa do Consumidor (Fenadecon). O movimento de união prioriza uma agenda positiva na proteção dos direitos do consumidor e tem o objetivo de contribuir para solução de graves problemas, como o crescente assédio de instituições financeiras aos aposentados – que agravou o superendividamento no Brasil nos últimos anos – e ameaças de retrocessos aos direitos dos consumidores em tramitação no Congresso Nacional, como projetos de lei que pretendem impor barreiras para restringir o acesso do cidadão ao Judiciário.

Nossa intenção com a Frente é criar um espaço de diálogo e participação dos órgãos e entidades de defesa do consumidor e especialistas, propondo ações que atenuem as dificuldades das pessoas, sobretudo aquelas agravadas pelos efeitos da pandemia de Covid-19. Os problemas são muitos e estaremos mais mobilizados para propor e cobrar soluções”, afirma Amauri da Matta, ex-promotor e coordenador do Procon-MG, coordenador do movimento.

A Fenadecon tem o objetivo de debater e consolidar posicionamentos e atuar diretamente para a resolução dos problemas e propor medidas que defendam os direitos dos consumidores brasileiros. Será um canal direto e aberto de articulação entre as principais entidades do Sistema Nacional de Defesa do Consumidor para estabelecer interlocução com os poderes executivo, legislativo e judiciário, e com a sociedade.

A primeira reunião que definiu a criação do movimento expôs alguns dos principais problemas que afetam os consumidores coletados por representantes de Procons de todo o Brasil. Um dos destaques foram as diversas denúncias de casos envolvendo fraudes e irregularidades na abordagem e concessão de crédito consignado para aposentados e pensionistas do INSS. Em 2020, as reclamações sobre essa modalidade de crédito registradas no Consumidor.gov.br e Banco Central cresceram 179% em relação a 2019, conforme revelou levantamento do Idec.

A Frente também acompanha a movimentação de medidas no Congresso Nacional que possam dificultar o acesso dos consumidores ao Judiciário, como projeto de lei que trata da pretensão resistida. Outros pontos de atenção do grupo são os reajustes nos planos de saúde, que tiveram aumentos acumulados no começo de 2021, e a alta de preços, em plena pandemia e crise financeira, de itens essenciais para a sobrevivência humana como alimentação e medicamentos.

A crise econômica que enfrentamos desde o ano passado teve um efeito devastador para consumidores de todas as partes do Brasil. O número de denúncias de irregularidades e dificuldade com serviços financeiros e atividades vitais deixa o consumidor em uma situação cada vez mais vulnerável e são as nossas prioridades”, completa o coordenador do grupo.

Além de dialogar com o poder público, a Frente pretende ser um canal de orientação permanente com estudos, dados científicos e debates. Sua estrutura será composta por um Comitê Executivo, um Conselho Consultivo, e por uma Coordenação e Secretaria que darão andamento às deliberações.

É muito importante para o Idec e para outras entidades esse trabalho de forma articulada e coordenada. A ameaças e retrocessos aos direitos dos cidadãos chegam em diferentes frentes e precisamos estar cada vez mais preparados e atentos para impedi-los“, afirma Teresa Liporace, diretora executiva do Idec e uma das integrantes do movimento.

FONTE IDEC

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