O melhor detergente é a luz do sol
FRAUDE EM DOCUMENTAÇÃO: Ataques à perita Luciana Dias Corrêa de Oliveira escondem disputa por 10 mil hectares de terras em Nova Ubiratã, avaliadas em R$ 650 milhões
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A senhora Luciana Dias Corrêa de Oliveira é uma profissional com bastante experiência e uma atuação reconhecida, ao longo dos anos, na Politec (Perícia Oficial e Identificação Técnica do Estado de Mato Grosso). Luciana também tem atuado assessorando no deslinde das mais variadas demandas apresentadas perante o Tribunal de Justiça de Mato Grosso, como uma das profissionais credenciadas naquela Corte dada sua inegável experiência.
Nos últimos dias, todavia, Luciana virou alvo de uma trama que tenta invalidar um laudo por ela exarado. Esse laudo revelou que houve uma grande falsificação de documentos de propriedade de terras na região de Nova Ubiratã, abarcando fazendas bastante produtivas, avaliadas, por baixo, em mais de 650 milhões de reais.
DISPUTA EM NOVA UBIRATÃ
Quem está atacando a perita Luciana parece não ter limites. Até uma ação de busca e apreensão, determinada pela Polícia Civil de Sorriso, teria sido articulada para tentar lançar suspeitas sobre sua atuação profissional. O fato, todavia, é que, até então, Luciana de Oliveira nunca tinha sido questionada quanto à sua honestidade.
O que estaria por trás de toda essa movimentação é uma tentativa de invalidar uma decisão da Vara Única de Nova Ubiratã, presidida pelo juiz Glauber Lingiardi Strachini. Esse juiz sempre foi discreto e nunca teve seu nome envolvido em suspeitas. Foi o juiz Stracini quem nomeou a perita Luciana para esclarecer possíveis fraudes relacionadas à assinatura de uma procuração que resultara em uma transferência, que se revelou fraudulenta, de uma propriedade para Emil Sackmann, figura notória na região e que teria se transferido da Alemanha para o Brasil nos idos dos anos 60.
REGIÃO DE MUITOS CONFLITOS
A disputa por terras na região de Nova Ubiratã, especialmente na Fazenda Sackmann, já se arrasta por mais de 30 anos. A área envolve locais como Novo Mato Grosso e o vilarejo de Santo Antônio do Rio Bonito, dentro do município de Nova Ubiratã. A região é uma das mais ricas em produção agrícola no Estado e, por isso, muitos litígios por posse de terras acabam indo parar na Justiça. O juiz Glauber Strachini tem lidado com vários desses conflitos, envolvendo proprietários, arrendatários, posseiros e até invasores. Muitas dessas pessoas envolvidas nestas disputas faturam milhões com a produção agropecuária naquele disputado pedaço de Mato Grosso.
Foi justamente em uma dessas disputas judiciais, travada entre Maria de Lourdes da Costa Monteiro e Adevair Faria Monteiro (que são representados pelos advogados Rafael Stellato e Diogo Biondo de Souza), contra José Martins Stieven Pinho e Aline Schevinski (que têm como advogados Arley Gonçalves e Adriana Stieven Bedin), que o juiz Glauber achou importante contar com um parecer da perita Luciana de Oliveira. Luciana recebeu a missão de ajudar a esclarecer os fatos para o julgamento, já que as terras em questão estão relacionadas entre as das mais valiosas de Mato Grosso, desde o longínquo ano de 1984.
Essas disputas têm causado bastante repercussão na região, cuja população convive com esses conflitos há muitos anos, tanto na parte física quanto na jurídica. Há notícia de que uma notificação judicial também atingiu diretamente os interesses dos advogados Zilaudio Luiz Pereira e Irineu Roveda, no processo nº 1000272-90.2025.8.11.0107.
FRAUDE E FALSIFICAÇÃO
Na sua análise, a perita Luciana estudou toda a documentação do processo, fez visitas aos terrenos reivindicados e consultou os arquivos de procurações registradas no 6º Ofício Notarial e de Registro de Imóveis de Cuiabá. A perita concluiu que houve fraude e falsificação na assinatura de uma procuração que deu origem às escrituras apresentadas por Stieven Pinho e Schevinski, para sustentarem a pretensa posse da área em disputa.
O juiz Glauber Strachini validou totalmente o laudo da perita e já determinou a averbação nas matrículas que tiveram origem na transmissão garantida pela falsa procuração o que, pelo que se conclui, vem provocando a reação dos derrotados ou insatisfeitos com o resultado da perícia que, por conseguinte, estariam inspirando os ousados ataques que agora se vê serem levantados contra a perita Luciana de Oliveira.
ESPAÇO EM ABERTO
A perita Luciana Dias Corrêa de Oliveira, depois de virar alvo de manchetes escandalosas na mídia mato-grossense, com pretensos ataques à sua honra, ainda não se manifestou e o espaço está aberto para que ela se pronuncie sobre as acusações que contra ela são apresentadas.

Luciana Dias Corrêa de Oliveira, perita da Politec em Mato Grosso – Reprodução

Laudo da perita Luciana de Oliveira detonou com falsificação de documentos que tentava justificar posse de terras milionárias em Nova Ubiratã, MT
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Rosenwal Rodrigues, trocando PV pelo PSB, e afinado com Zé Pedro Taques, pode marcar força dos servidores nesta eleição que expõe luta de classes em MT
O comando nacional do Partido Socialista Brasileiro – PSB parece que percebeu que a luta de classes pode vir a ser o grande mote na disputa eleitoral que se travará neste ano no Estado de Mato Grosso. Por isso trabalha ferozmente, nos prazos finais da janela partidária, para tirar o sindicalista Rosenwal Rodrigues do Partido Verde, onde ele está inscrito e programado para fazer mera escadinha para a candidatura da professora Rosa Neide (PT), para se transformar no puxador de votos de uma chapa de deputados federais do PSB, partido que pretende trabalhar para radicalizar o confronto entre patrões e trabalhadores nas eleições deste ano no Estado.
Comandando a luta salarial dos servidores do Poder Judiciário, no ano passado, Rosenwal conseguiu se expressar com uma radicalidade que faltou à maioria das lideranças sindicais mato-grossenses. Com coragem notável, o presidente do Sinjusmat – Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso, confrontou não apenas os magistrados que compõem a direção do Tribunal de Justiça mas também o chefe do Executivo, governador Mauro Mendes (União) e a maioria dos deputados estaduais que compõem a Assembleia Legislativa de Mato Grosso – três poderes que se uniram com violência inesperada, na ocasião, para barrar o pagamento da recomposição salarial que a categoria tem reclamado há vários anos.
Líder destacado de uma mobilização trabalhista exemplar, Rosenwal soube também se perfilar entre os mais explosivos aliados do ex-governador e ex-procurador da República José Pedro Taques, na denúncia da roubalheira de recursos públicos no chamado Escândalo da OI, onde apareceram como comprometidos não só o empresário e governador Mauro Mendes, como seus familiares e um número enorme de apaniguados que gravitam em seu entorno, a começar pelo deputado federal e chefe da Casa Civil Fábio Garcia. Formando a Facção Criminosa dos Bacanas, segundo Zé Pedro, eles teriam se aproveitado de uma negociação realizada nas sombras da gestão estadual, para pretensamente desviar nada menos que 308 milhões de reais dos cofres públicos – uma denuncia que Zé Pedro, com apoio ostensivo do plantel de sindicalistas coordenados por Rosenwal Rodrigues, fizeram viralizar a partir de campanhas irreverentes nas redes sociais, tocadas no ritmo do refrão em cuiabanês do “Panhou ou Não Panhou?”.
De imediato, Rosenwal parece ter percebido o boqueirão político que se abria à sua frente, notadamente devido às vacilações de outros sindicalistas, como o presidente do Sinpaig-MT, Antônio Wagner de Oliveira, e o dirigente do Sintep-MT e presidente regional da CUT – Central Única dos Trabalhadores, o professor Henrique Lopes, que, apesar de intensamente envolvidos na denúncia dos escândalos da OI e dos empréstimos consignados, não deram o devido respaldo político-partidário ao ex-governador José Pedro Taques que, paralelamente à sua atuação em defesa dos servidores públicos estaduais, se lançou de imediato no processo de reconstrução do PSB em Mato Grosso e da sua pré-candidatura a senador da República pelo Estado, em confronto direto com Mauro Mendes.
Antônio Wagner, em sua vacilação, ainda é visto como apoiador da candidatura a senadora da deputada estadual Janaina Riva (MDB) – herdeira de Zé Riva, ex- chefão da Assembleia Legislativa e já condenado e réu confesso, ao lado do ex-governador Silval Barbosa, despontando como responsável por um rombo nos cofres públicos que, de acordo com o MP-MT, superou a casa dos 4 bilhões de reais.
Janaina também tem contra ela o fato de comandar uma das facções politicas do bolsonarismo golpista em Mato Grosso, na condição de aliada do senador Wellington Fagundes (PL). Ela também é responsável pela descaracterização politica do MDB mato-grossense, transformado em puxadinho da aliança política dos extremistas de direita em nosso Estado.
Henrique Lopes, por outro lado, apesar de comandar o sindicato que representa a maior categoria de servidores estaduais, que são os profissionais da Educação, tem se comportado com um evidente sectarismo em relação às demais categorias e sindicatos, trabalhando contra a representatividade da Federação dos Servidores Públicos, comandada pela sindicalista Carmen Machado, já que tem preferido se guiar caninamente pelos ditames do Partido dos Trabalhadores que, em Mato Grosso, se subordinou à orientação política de um setor do Agronegócio, comandada pelos ruralistas Blairo Maggi, Eraí Maggi e Carlos Fávaro que, curiosamente, também se alinham à direita com o governador Mauro Mendes já que as lideranças no Agro, repudiando a candidatura de José Pedro Taques, tem defendido abertamente uma espécie de frente ampla lulista pantaneira, trabalhando pela eleição de Mauro Mendes como senador numa ponta e pela eleição de Carlos Fávaro, na outra ponta. Dessa forma, o sindicalismo cutista aparece assim, em Mato Grosso, como mero marionete dos interesses dos grandes empresários do Agro que, em contrapartida, tratam também de compor a grande frente ampla política nacional que, comandada pelo velho sindicalista metalúrgico Luis Inácio Lula da Silva, aos trancos e barrancos, segue conduzindo a atual presidência da República do Brasil.
Favorecida por toda esta confusão ideológica que tem marcado a política de Mato Grosso, onde o bolsonarismo extremista continua a dominar municípios importantes como Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis e Sinop, a candidatura a deputado federal de Rosenwal Rodrigues passa a ser apontada pela direção nacional do PSB como um fator de importante reposicionamento do Partido Socialista no Estado, já que, até recentemente, sob o comando do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Max Russi, o PSB aparecia como mais um dos marionetes partidários que o governador Mauro Mendes administrava.
Com Rosenwal Rodrigues articulando em torno de sua candidatura a força do sindicalismo do serviço público, a expectativa do PSB é dar uma grande passo para se transformar em importante força política à esquerda dentro de Mato Grosso. Tanto que tem sido o próprio vice-presidente da República, o médico e ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin que, segundo as fontes deste blogue, tem conduzido as negociações que podem levar Rosenwal a trocar, ainda neste final de semana, o Partido Verde pelo PSB e passar a gerenciar um processo de fortalecimento da candidatura de José Pedro Taques a senador e de afirmação dos interesses classistas dos servidores públicos dentro de uma eleição em que, nos últimos anos, o que tem prevalecido tem sido a força da grana dos barões do Agro.
Esta possibilidade está sendo traçada nas negociações que marcam esta Sexta-Feira da Paixão em Mato Grosso e pode representar, até domingo, dia em que se comemora a Páscoa, com a ressurreição de Jesus Cristo, a própria ressurreição de uma política de esquerda em nosso Estado, juntamente com a articulação de um sindicalismo minimamente combativo. A menos, é claro, que a força disruptiva da grana do Agro vença mais uma vez.
Enock Cavalcanti, 72, é jornalista e editor do blogue PAGINA DO ENOCK, que se edita a partir de Cuiabá, Mato Grosso, desde o ano de 2009.

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