(65) 99638-6107

CUIABÁ

Esquerda volver

FILÓSOFO VLADIMIR SAFATLE: À esquerda só há um caminho possível: a mais austera virtude jacobina em relação ao bem comum

Publicados

Esquerda volver

por Vladimir Safatle, na Folha de S.Paulo (15/4)
“O que temos no Brasil não é um negócio de cinco, dez anos. Estamos falando de 30 anos atrás”. Foi bom, Emílio Odebrecht, que você tenha lembrado disso em sua delação premiada. Pois durante os últimos anos o povo brasileiro teve que assistir ao espetáculo patético de corruptos com ares de indignação cívica acusando corruptos, torcedores de corruptos saindo às ruas para clamar contra a corrupção.
Tudo isto para chegar neste momento catártico e todos os lados da Nova República serem expostos em suas relações incestuosas com o empresariado nacional.
O ilibado e endeusado pela imprensa local Fernando Henrique Cardoso, o defensor dos oprimidos Lula, o santo Alckmin, a guerrilheira Dilma, o indignado Aloysio Nunes, seu amigo e presidente natural Serra, os operadores do PT, os operadores do PSDB, os negociadores do PMDB, os trânsfugas da ditadura do DEM: em suma, toda a fauna da casta política brasileira no mesmo banco dos réus.
Os mesmos que ocupam os espaços na imprensa para pregar austeridade e destruição dos direitos dos trabalhadores são os que pilharam os cofres públicos de forma aberta e sem pudores. Os mesmos que exigem dos trabalhadores que trabalhem 49 anos para se aposentar de forma integral deram ao Brasil a honra de ter 24 de seus 81 senadores como alvo de inquérito no STF.
Os mesmos que fecham escolas e deixam apodrecer universidades sentavam à mesa fausta das negociações e levavam para casa milhões de reais.
Desde o aparecimento da primeira ponta do iceberg do esquema do mensalão, isto nos idos de 2004, tudo estava claro para quem quisesse ver.
O “maior esquema de corrupção da República” tinha sido simplesmente reciclado pelos novos inquilinos do poder a partir, como disse o patriarca Odebrecht, do business usual dos últimos 30 anos.
O mais cômico era ouvir aqueles que tentavam diferenciar os ocupantes do poder por “intensidade” de corrupção: “Não, mas este corrompeu muito mais”. “Mas em relação a este são só ilações, é só tentativa de jogar todo mundo na lama para relativizar tudo”.
É, meus amigos, o Brasil conhece como ninguém o cinismo dos que sabem muito bem, mas mesmo assim agem como se não soubessem.
Diante disto, poucas foram as vozes que se perguntaram: mas como chegamos até aqui? De onde veio a opacidade do Estado brasileiro e seu desprezo pela presença da soberania popular, único esteio real contra a corrupção dos entes privados? Será que há mesmo uma zona cinzenta de amoralidade em toda forma de governo a respeito da qual não é possível fazer nada?
No entanto, a maioria preferiu o jogo miserável de gritar “corrupto” enquanto abraçava seu corrupto do coração.
Melhor teria sido começar por se questionar sobre as relações incestuosas entre governos e empresariado que fazem do Estado brasileiro um Estado privado. Um Estado que serve para socializar as perdas do empresariado, transformando suas dívidas em dívidas públicas, que serve para rentabilizar o dinheiro ocioso de seus banqueiros enquanto joga a polícia para cima de seus trabalhadores.
Agora, aparecem os oportunistas de plantão com os mesmos truques de sempre. O nome da vez é o Sr. Doria. O mesmo que gostava de gritar para seus desafetos: “Vá para Curitiba”, enquanto devia R$ 90 mil de IPTU para o município e cujas empresas receberam aportes de R$ 10,6 milhões de vários governos nos últimos anos.
Não, certamente não se trata de mais um caso de relações incestuosas entre empresariado e governos.
Diante da exposição produzida pela chamada “delação do fim do mundo”, só gostaria de lembrar, como disse o filósofo francês Patrice Maniglier, que “outro fim do mundo é possível”.
Que isto sirva principalmente à esquerda brasileira. Eis o resultado do seus “grandes operadores” e de seus “conciliadores que garantiriam uma transformação social segura”.
Melhor teria sido lembrar que à esquerda só há um caminho possível: a mais austera virtude jacobina em relação ao bem comum e a recusa completa em operar no interior desta “governabilidade”.
Sim, que este mundo acabe o mais rápido possível. Toda a história da Nova República só poderia acabar mesmo nesta confissão explícita de fracasso nacional. Que este trauma nos sirva de lição.
Leia Também:  Força feminina e presença marcantes das rodas de samba de Cuiabá, cantora Deize Águena convoca mato-grossenses para conhecer sua nova música “Pra ser feliz”

 

COMENTE ABAIXO:

Propaganda
Clique para comentar

Você precisa estar logado para postar um comentário Login

Deixe uma resposta

Esquerda volver

TARSO GENRO AO TUTAMÉIA: Poder miliciano bloqueia o impeachment de Bolsonaro. VIDEO

Publicados

em

Por

Tarso Genro


 

TARSO: PODER MILICIANO BLOQUEIA IMPEACHMENT

POR ELEONORA DE LUCENA E RODOLFO LUCENA

 

Bolsonaro comete um crime verdadeiro de responsabilidade por dia. E o processo de impeachment não funciona. Não funciona porque essa ordem de força paralela [as milícias e forças paramilitares subversivas dentro das polícias] está pressionando, trabalha alheia ao Estado de direito e influi nas decisões do parlamento. Ou por medo, ou por covardia, ou por irresponsabilidade, ou por cumplicidade com setores majoritários do parlamento. Porque, se o parlamento não fosse majoritariamente seduzido e integrado com essas estruturas paralelas, evidentemente Bolsonaro já teria saído. Seria impichado e sairia algemado. Estaria preso. Porque tudo o que ele fez até hoje –seja em relação ao coronavírus, seja em relação a outras questões, seja em relação a golpes militares, em relação a ameaças ao CNJ e ao STF e ameaças ao próprio Congresso –não tem paralelo na história do Brasil. Estamos num terreno e num momento perigoso. Porque esses grupos paralelos estão representados por uma maioria congressual que não toma providências contra eles. A principal providência contra esses grupos, contra essa estrutura paralela de poder miliciano que está no Brasil seria o impeachment do presidente. E a maioria do Congresso é refém desse bloqueio. Então não toma providências. E essa maioria é cúmplice com aquilo que pode acontecer no Brasil. E que pode se deparar com a situação semelhante, inclusive, ao que ocorreu no Capitólio.”

É o que afirma Tarso Genro ao TUTAMÉIA. Para ele, uma “transfusão entre a ilegalidade estruturada através da liberação das armas, de dar prestígio às milícias, dos assassinatos seletivos com setores estruturados dentro das polícias militares pode mudar a natureza do Estado brasileiro”, alerta. Nesta entrevista, ele trata da “tentativa de golpe” nos EUA, da situação das polícias, da tragédia da Covid-19, dos desafios para as forças democráticas, de debates na esquerda e da necessidade de criação “uma frente política de bloqueio ao bolsonarismo”. Afirma que é preciso estimular e apoiar todos os grupos políticos que são contra o negacionismo e que defendem a democracia nesse momento.

Por quê? Porque o perigo maior é o fascismo! O perigo maior hoje o Brasil não é a eleição do Alckmin, não é sequer a eleição do Dória. Não é a eleição de ninguém que seja consagrado nas urnas contra o Bolsonaro. Eu, que defendo a candidatura do presidente Lula em primeiro lugar e, em segunda instância, a candidatura de Fernando Haddad, tenho que guardar para mim por enquanto. Porque nós temos que nos unir hoje com todos os setores políticos da sociedade para uma frente política de bloqueio ao bolsonarismo e nos preparar programaticamente para 2022. Sem falar em nomes. Uma grande frente para bloquear o fascismo e instituir no país o funcionamento político e econômico do Estado brasileiro dentro da Constituição de 1988, que é Constituição social democrata”.

Exatamente esse foi o sentido da carta que escreveu a João Dória Jr. no final do ano passado, em que diz que o governador de São Paulo “detém hoje a legitimidade necessária para –através dos devidos processos legais– desequilibrar o jogo contra Bolsonaro”. Ao TUTAMÉIA, Genro a resposta do governador e fala de outras iniciativas para debate plural sobre a frente ampla.

Prefeito de Porto Alegre por duas vezes, governador do Rio Grande do Sul, ministro de três pastas no governo Lula (Justiça, Educação e Relações Internacionais), advogado, professor, escritor, Tarso Genro, 73, fala do papel do empresariado na conjuntura (ele presidiu também o Conselhão no governo Lula):

Não é crível que, dentro do grande empresariado brasileiro, uma maioria de empresários ache que Bolsonaro pode oferecer algum futuro para o país. O país está sendo liquidado, está sendo desmantelado”, declara.

Tarso também aborda as divergências dentro do PT, partido que dirigiu quando estourou a crise do mensalão, em 2005. Elogia Gleisi Hoffmann e trata de posições de personagens como Lula, João Dória, William Bonner, Ciro Gomes, Marina Silva, Michel Temer (acompanhe a íntegra da entrevista no vídeo e se inscreva no canal TUTAMÉIA TV).

Aqui, alguns trechos:

CORONAVÍRUS, ELITES E BOLSONARO

É uma tragedia [a pandemia] que nenhuma pessoa da minha geração poderia esperar que acontecesse. Não é uma tragédia única, nem uma que surge do nada. Ela está determinada pela postura de um governo conservador, misógino, negacionista, de corte fascista, de uma irresponsabilidade pública absoluta e que as classes dominantes brasileiras se espelham. Bolsonaro não é um bandido isolado. Não é um condutor fascista isolado das massas –ele tem apoio ainda no país, mas isso se reduziu–, e nem uma pessoa que surgiu do nada. Foi uma alternativa que as classes dominantes brasileiras escolheram para fazer as reformas. Não era uma escolha difícil [entre Bolsonaro e Haddad] para as classes dominantes brasileiras. Estavam entre permitir que os trabalhadores, que os pobres, que as classes medias empobrecidas, que os não ricos do país continuassem participando da mesa da democracia no país ainda que em situação desigual em relação à distribuição de riqueza. E resolveram cortar essa participação.

Passou a ser uma grande articulação da mídia oligopólica, dos quadros conservadores, dos partidos políticos que se articularam nacionalmente e globalmente para bloquear aqueles espasmos positivos de social democracia que tivemos no Brasil, escorados na gloriosa Constituição de 1988. E se enxergaram no Bolsonaro, como em “O Retrato de Dorian Gray (romance de Oscar Wilde). Transferiram a sua feiura moral, a sua pobreza espiritual, o seu banditismo congênito numa sociedade escravista para uma pessoa que era o Bolsonaro. Resolveram apoiar e transformar em presidente da República. Está aí o resultado. As mortes do coronavírus são resultado do protofascismo que está dirigindo o Brasil hoje, do negacionismo medieval”.

INVASÃO DO CONGRESSO NOS EUA

O que aconteceu em Washington é o que o Estado americano, as classes dominantes americanas que dominam o seu Estado e o complexo financeiro, industrial e militar transportam para fora do seu território. Para fora do seu território, eles fazem o que querem: matam, ocupam países, enforcam um chefe de Estado, ocupam território, poços de petróleo e não respeitam nenhuma norma internacional –e muito menos as normas internas desses países em que eles têm algum interesse econômico.

O que ocorreu em Washington. Essa ordem concreta que existe fora dos Estados Unidos, que é a postura do Estado americano em relação aos seus satélites, foi agora aplicada dentro dos EUA. Quantos golpes de Estado eles promoveram aqui na América Latina? Quantos golpes levaram as pessoas à morte e à tortura em centenas de países em todo o mundo?

Esta ordem de fora estava no poder e, quando isso acontece no seu próprio país, se desenvolvem métodos fascistas de direção política para que ela permaneça no poder, para que essa ordem aplicada lá fora se torne a ordem vigente também lá dentro. A democracia americana sofreu ontem um assalto político com uma tentativa de golpe de Estado. Uma tentativa muito primária, mas assim foi também a tentativa de golpe de Estado da Marcha sobre Roma [promovida por Benito Mussolini, em 1922, para alcançar o poder].

O caso não terminou com essa derrota de Trump. O fascismo demonstrou organização, ousadia, desfaçatez para tentar derrubar um governo eleito democraticamente, limpamente e ocupar o poder. Saudemos o fracasso, mas essa história não terminou. Não é de graça que Bolsonaro tem insistido em fraude [com o voto eletrônico]”.

POLÍCIAS E BOLSONARISMO

Custo a crer que as polícias militares estejam dominadas pelo bolsonarismo. Não acredito nisso. Tem focos subversivos organizados paramilitares que estão dentro das polícias e se comunicam com milícias fora das polícias. Essa é a formação de uma ordem concreta paralela ao Estado de direito que em algum momento pode ser mobilizada para ocupar o Estado, se as Forças Armadas não resistirem. Todo o brasileiro, independentemente de ideologia, desde que seja um democrata, tem que compreender a importância que, no futuro, as Forças Armadas vão ter nesse jogo. No nazismo e fascismo houve fortalecimento paralelo de instituições parapoliciais, que foram convergindo para dentro do Estado e neutralizando o papel constitucional legal que tinham as Forças Armadas. Não eram Estados fascistas, mas democráticos burgueses, com certo nível de estabilização democrática pela via parlamentar.

Essa transfusão entre a ilegalidade estruturada através da liberação das armas, de dar prestígio às milícias, dos assassinatos seletivos com setores estruturados dentro das polícias militares pode mudar a natureza do Estado brasileiro. Essa ordem informal e paralela que existe pode anular de fato alguns fundamentos constitucionais importantes. Um exemplo extremamente perigoso. Bolsonaro comete um crime verdadeiro de responsabilidade –que a presidenta Dilma nunca cometeu– um crime de responsabilidade por dia. E o processo de impeachment não funciona. Não funciona porque essa ordem de força paralela está pressionando e trabalha alheia ao Estado de direito e influi nas decisões do parlamento. Ou por medo, ou por covardia, ou por irresponsabilidade, ou por cumplicidade com setores majoritários do parlamento. Porque, se o parlamento não fosse majoritariamente seduzido e integrado com essas estruturas paralelas, evidentemente o Bolsonaro já teria saído. Seria impichado e sairia algemado. Estaria preso. Porque tudo o que ele fez até hoje — seja em relação ao coronavírus, seja em relação a outras questões, seja em relação a golpes militares, seja em relação a ameaças ao CNJ, ao STF, a ameaças ao próprio Congresso– não tem paralelo na história do Brasil. Estamos num terreno e num momento perigoso”.

TUTAMÉIA pergunta: as instituições estão reféns desse poder paralelo?

Tarso: “Indiretamente, estão. Porque esses grupos paralelos estão representados por uma maioria congressual que não toma providências contra eles. A principal providência contra esses grupos, contra essa estrutura paralela de poder miliciano que está no Brasil seria o impeachment do presidente. E a maioria do Congresso é refém desse bloqueio. Então, não toma providências. E essa maioria é cúmplice com aquilo que pode acontecer no Brasil. E que pode se deparar com a situação semelhante, inclusive, ao que ocorreu em Washington no dia 6 de janeiro.

DEFINIÇÃO DO GOVERNO BOLSONARO

O governo Bolsonaro é protofascista, aventureiro, [que atua] através de uma personalidade psicopática, doentia, que foi trabalhada por grandes think tanks internacionais, por estruturas de poder internacional do grande capital, do setor mais conservador do capitalismo mundial que quer utilizá-lo para as reformas. Até não tem muita simpatia por ele. Bolsonaro breca as reformas porque sabe que, se as fizer muito rapidamente, poderá cair fora, não vai ser mais necessário”.

EMPRESARIADO E BOLSONARO

Não é crível que, dentro do grande empresariado brasileiro, uma maioria de empresários ache que Bolsonaro pode oferecer algum futuro para o país. O país está sendo liquidado, está sendo desmantelado. A ciência, a pesquisa, a tecnologia, o ensino superior, a educação. A saúde está sendo devastada. Eu não sei até onde esse pessoal vai dar sustentação a um demente como Bolsonaro. Uma pessoa que vem a público dizer o que diz: debochar da ciência, atacar as pessoas, desrespeitar os indivíduos, ter ataques racistas publicamente. Como o país absorve isso? Só pode ser uma classe dominante muito atrasada, muito cúmplice, muito fora de um projeto de destino nacional, que está centralizando os demais setores das classes dominantes brasileiras. Com um apoio inclusive em setores populares, o que é mais grave. Um apoio em função da produção que foi feita contra o PT, contra a esquerda, contra o Lula, para poder repassar o Bolsonaro como um novo herói. Ninguém se surpreende, hoje, se metade dos eleitores de Bolsonaro votasse no Lula. Porque eles foram seduzidos; estão sendo orientados para apoiar uma pessoa que preside o país dessa maneira”.

LUTAS E FRENTES

Para Tarso Genro, a luta hoje tem dois níveis. O primeiro é o emergencial: “É a luta contra a pandemia, pela vacina, pela ciência. A luta pelo direito das pessoas de serem bem informadas e se vacinarem. É a luta contra o genocídio político que está sendo cometido a partir do governo federal”.

Há outro nível que é “o da defesa do funcionamento pleno das instituições democráticas, STF, Congresso Nacional, partidos políticos, liberdade de opinião, de circulação. Não adianta querer fazer atalhos. É a questão democrática. Na questão democrática, temos que unirmo-nos a todos, em movimentos paralelos e convergentes. Todos nós temos que defender aquelas pessoas e grupos políticos que são contra o negacionismo e que defendem as liberdades democráticas perante o avanço do fascismo. Ou que estão sendo atingida pelo arbítrio e pela violência. Isso não é uma frente política, como pensam alguns. Frente política a gente faz com pessoas que a gente tem diferenças políticas, mas não tem divergência de princípio”.

Ele defende, em outro nível, “uma grande frente política pela esquerda, que abra um leque de relações políticas e um programa de transição para uma economia produtiva de inclusão social, de desenvolvimento, de alto crescimento, de defesa das instituições democráticas, que vá para a disputa política na sociedade”.

 
 

Leia Também:  Após reunião com governador, BRF anuncia investimentos de R$ 670 milhões em Mato Grosso

ELEONORA DE LUCENA E RODOLFO LUCENA

Jornalistas há mais de quarenta anos, o casal gaúcho atuou na imprensa de combate à ditadura militar, na Zero Hora, na Gazeta Mercantil e na Folha de S. Paulo

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

MATO GROSSO

POLÍCIA

Economia

BRASIL

MAIS LIDAS DA SEMANA