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Alguma coisa está fora da ordem

ENOCK CAVALCANTI: O promotor Roberto Turin aloprou – e tenta desmerecer profissionais da Educação

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Alguma coisa está fora da ordem

Promotor Roberto Turin



 
Divulgo abaixo inteiro teor de artigo de minha autoria publicado nesta quarta-feira, 23 de agosto, na edição impressa do Diário de Cuiabá, em que abordo a polêmica envolvendo o promotor Roberto Turin e os profissionais da Educação de Mato Grosso
 
Roberto Turin aloprou
Enock Cavalcanti
Meus amigos, meus inimigos: vejam que o Sr. Roberto Turin, cheio de empáfia, está expondo a categoria dos promotores de Justiça. Atuando como presidente da Associação do MP, o antes discreto promotor Turin parece que se sente com o rei na barriga e danou a falar bobagem, fazendo ataque irresponsável, já repudiado pela OAB, contra os profissionais da Educação.
Em meu blogue já tive o espanto de registrar o pagamento, a promotores, de quase R$ 200 mil, em um mês. Agora, quando o blogue do Alexandre Aprá expõe os 500 mil pagos ao juiz Mirko Tô Nem Aí Gianotte, vemos que supersalários, no Judiciário, se tornaram  prática abusiva, viabilizando a vida de nababo de uns poucos às custas da maioria assalariada.
Parece que o Sr. Turin aloprou e sugere que os profissionais da Educação não teriam padrão para receber o mesmo que um membro do MP. Ora, sempre destaquei o trabalho do Dr. Turin mas olhem para a maioria do MP que temos em MT: são profissionais quase anônimos, que não fedem nem cheiram, pesando pouco na depuração das instituições e para o aperfeiçoamento das relações sociais.
Vejam o argumento torto do Dr. Turin: os promotores têm que ser “muito bem remunerados” por conta da gama de atribuições que exercem. “A carreira do MP impõe enfrentamentos que outras carreiras não possuem. Enfrentamos o crime organizado, a corrupção, o poder político e econômico, na defesa da criança, do idoso, do meio ambiente e da probidade administrativa”.
Como se os professores, nas escolas maltratadas do Estado e dos municípios, não tivessem enfrentamentos tão duros. As escolas são palcos de luta diária contra o crime organizado, notadamente o tráfico de drogas, que procura, desde cedo, submeter nossos jovens ao seu domínio. Olhem para as mobilizações do Sintep contra os desmandos da administração, e verão que são esses trabalhadores corajosos que enfrentam cotidianamente os males provocados pela corrupção, pelo patrimonialismo que marca nosso Estado, enquanto dondocas e “gênios” do Ministério Público vivem a se gabaritar nas butiques, nas academias de ginásticas, sonhando com corpos marombados, viagens para o exterior, mansões nos Florais, tudo bancado pelos penduricalhos que sua casta arranca dos cofres públicos.
Compare o salário do Dr. Turin com o salário do cego professor Gilson Romeu, dirigente do Sintep/Cbá, e vejam quem é que está na batalha para favorecer mais decididamente a vida do povo pobre. Olhe-se no espelho, Dr. Turin. Reconheça os privilégios de sua categoria e tenha a humildade de compreender que um outro mundo é possível.
Enock Cavalcanti, jornalista e blogueiro, é editor de Cultura do Diário

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LÚDIO CABRAL: 5 mil vidas perdidas para a covid em Mato Grosso

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CINCO MIL VIDAS

Lúdio Cabral*

Cinco mil vidas perdidas. Esse é o triste número que Mato Grosso alcança hoje, dia 26 de janeiro de 2021, em decorrência da pandemia da covid-19.

Cada um de nós, mato-grossenses, convivemos com a dor pela perda de alguém para essa doença. Todos nós perdemos pessoas conhecidas, amigos ou alguém da nossa família.

A pandemia em Mato Grosso foi mais dolorosa que na maioria dos estados brasileiros e o fato de termos uma população pequena dificulta enxergarmos com clareza a gravidade do que enfrentamos até aqui.

A taxa de mortalidade por covid-19 na população mato-grossense, de 141,6 mortes por 100 mil habitantes, é a 4ª maior entre os estados brasileiros, inferior apenas aos estados do Amazonas (171,9), Rio de Janeiro (166,2) e ao Distrito Federal (147,0). O número de mortes em Mato Grosso foi, proporcionalmente, quase 40% superior ao número de mortes em todo o Brasil. Significa dizer que se o Brasil apresentasse a taxa de mortalidade observada em Mato Grosso, alcançaríamos hoje a marca de 300.000 vidas perdidas para a covid-19 no país.

Lembram do discurso que ouvimos muito no início da pandemia? De que Mato Grosso tinha uma população pequena, uma densidade populacional baixa, era abençoado pelo clima quente e que, por isso, teríamos poucos casos de covid-19 entre nós?

Lembram do posicionamento oficial do governador de Mato Grosso no início da pandemia, de que o nosso estado não teria mais do que 4.000 pessoas infectadas pelo novo coronavírus?

Infelizmente, a realidade desmentiu o negacionismo oficial e oficioso em nosso estado. Não sem muita dor. O sistema estadual de saúde não foi preparado de forma adequada. Os governos negligenciaram a necessidade de isolamento social rigoroso em momentos cruciais e acabaram transmitindo uma mensagem irresponsável à população. O resultado disso tudo foram vidas perdidas.

Ao mesmo tempo, o Mato Grosso do sistema de saúde mal preparado para enfrentar a pandemia foi o estado campeão nacional em crescimento econômico no ano de 2020. Isso às custas de um modelo de desenvolvimento que concentra renda e riqueza, de um sistema tributário injusto que contribui ainda mais com essa concentração, e de um formato de gestão que nega recursos às políticas públicas, em especial ao SUS estadual, já que estamos falando em pandemia.

Dolorosa ironia do destino, um dos municípios símbolo desse modelo de desenvolvimento, Sinop, experimentou mortalidade de até 100% entre os pacientes internados em leitos públicos de UTI para adultos em seu hospital regional.

Nada acontece por acaso. Os números da covid-19 em Mato Grosso não são produto do acaso ou de mera fatalidade. Os números da covid-19 em Mato Grosso são produto de decisões governamentais, de escolhas políticas determinadas por interesses econômicos, não apenas agora na pandemia, mas por anos antes dela. E devemos ter consciência disso, do contrário, a história pode se repetir novamente como tragédia.

Temos que ter consciência dessas injustiças estruturais para que possamos lutar e acabar com elas. A dor que sofremos pelas pessoas que perdemos para a pandemia tem que nos mobilizar para essa luta.

Lutar por um modelo de desenvolvimento econômico que produza e distribua riqueza e renda com justiça, que coloque pão na mesa de todo o nosso povo e que proteja a nossa biodiversidade. Lutar por um sistema tributário que não sacrifique os pequenos para manter os privilégios dos muito ricos. Lutar por políticas e serviços públicos de qualidade para todos os mato-grossenses. Lutar pelo SUS, por um sistema público de saúde fortalecido e capaz de cuidar bem de toda a nossa população.

São essas algumas das lições que precisamos aprender e apreender depois de tantos meses de sofrimento e dor, até porque a tempestade ainda vai levar tempo para passar.

*Lúdio Cabral é médico sanitarista e deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores em Mato Grosso.

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