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ENOCK CAVALCANTI: O ataque de Virgínia Mendes contra Alexandre Aprá e Popó Pinheiro

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O ataque de Virgínia Mendes contra Alexandre Aprá e Popó Pinheiro

Por Enock Cavalcanti

Feliz quem atravessa a vida prestativo, sem medo, estranho à agressividade e ao ressentimento. (Alberto Einstein)

A primeira-dama de Mato Grosso, senhora Virginia Mendes, esposa do governador Mauro Mendes publicou nesta sexta-feira (10.6.22) um pretenso “desabafo” em suas redes sociais, sob a forma de um video com um textão, marcado pelo rancor. O que me pareceu uma demonstração de que ela, ao contrário de se livrar das emoções reprimidas, repressadas, segue cultivando uma raiva profunda contra algumas pessoas e de que não consegue relaxar diante da gravidade do adoecimento que, tristemente, a acomete.

Seria de imaginar que, em uma situação dessas, a senhora Virgínia Mendes buscasse o apaziguamento – mas alguma orientação torta parece empurrá-la para o abismo da angústia mais dolorosa. Insensatez – foi a palavra que me ocorreu quando visualizei o espetáculo deprimente deste vídeo, alardeado por toda a mídia, sem que eu visse contra ele qualquer reparo. Faço eu, então, humildemente, os meus reparos, neste momento. Procuro me guiar pela orientação de Guimarães Rosa de que qualquer contraponto ao destempero, qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura.

Será que uma mulher gravemente adoecida tem, por causa dessa sua imensa e inegável dor, permissao para agir de forma tão amargurada, distribuindo patadas a torto e a direito?! Essa é a discussão que se impõe e, a depender da reação do Popó e do Aprá, a Justiça talvez tenha que decidir em breve sobre este caso.

Devemos, considero eu, nesse momento, ter piedade da senhora Virginia Mendes – mas não se pode deixar de fazer alguns apontamentos sobre o caso, já que estamos diante de uma personalidade pública de expressiva relevância no cenário mato-grossense, onde a condição humana se revela sob as mais variadas facetas.

Quem não viu o pequeno video negro, com o desabafo de dona Virgínia, deve vê-lo e, quem sabe, refletindo sobre os descaminhos que as pessoas adotam em suas abordagens da realidade, talvez concorde com as minhas reflexoes. Para facilitar o conhecimento do fato, republico o video logo abaixo.

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Vejam que, no “desabafo”, Virginia Mendes, usando e abusando do apelo ao drama, do tom novelesco, afirma, sem qualquer prova fática, que o diagnóstico de câncer no pâncreas e na pele, e também de um quadro de depressão que teria sofrido teriam sido causados “pela maldade de pessoas envolvidas na política, que atacam sua família há anos”.

A esposa do governador Mauro Mendes não vacilou em citar, nominalmente, o empresário Marco Polo (Popó) Pinheiro e o jornalista e blogueiro Alexandre Aprá. Teriam esses dois personagens, segundo ela mesma, uma forte responsabilidade pelo atual padecimento da senhora Virginia já que teriam, pelo que ela alega, se ocupado em atacar a sua honra e a honra de seus familiares. E se põe na condição de vítima, uma mulher com uma família exposta constantemente aos assaques dos pretensos vilões que aponta.

A afirmação chocante e o ataque que dona Virgínia veicula em seu “desabafo” me parecem despropositados, surpreendentes, já que ela é personagem que, nos embates políticos que sempre se travaram neste Estado de Mato Grosso não me parece autorizada, pelo seu próprio desempenho, a espernear contra quem faz críticas que podem ser avaliadas como críticas à vida pessoal de agentes públicos.

Como contraponto à arremetida tão agressiva da primeira dama contra Popó e Aprá, passível de arguição perante a Justiça dos homens, certamente é essa a hora de relembrar um episódio que contradiz os argumentos usados por ela contra aqueles a quem parece odiar tanto. Virgínia Mendes diz que é vítima da maldade alheia mas o episódio que vou agora por em pauta demonstra, ao meu alvitre, que ela pode também ser identificada como algoz. Deveria, portanto, ter o simancol de nos poupar, notadamente nesse momento de dor, de protagonizar esse duelo tão degradante.

É que eu, como velho jornalista, com mais de 30 anos de atividades em Mato Grosso, lembro, por exemplo, que, quando o marido de dona Virginia, Mauro Mendes, disputou eleição contra o médico Lúdio Cabral, no ano de 2012, ela adotou um comportamente altamente questionavel. Vejam que, conforme registrado pelo menos pelo meu blogue, e jamais desmentido,, era ela, Virginia Mendes, acompanhada de uma assessora, que fazia questão de se plantar no auditório dos debates, como eu pessoalmente acompanhei, no Liceu Cuiabano, fazendo com que fossem erguidos cartazes que alardeavam a existência de pretensas amantes na vida do médico e hoje deputado estadual Lúdio Cabral.

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Onde é que está o rancor?! Quem é, afinal de contas. que se dedica à maldade e a atacar a vida pessoal de quem quer que seja, visando obter pretensas vantagens para o grupo político de que participa?!

Imagino que seja do interesse de toda a sociedade mato-grossense dispor destes esclarecimentos. Parece que, nessa hora de padecimento, a esposa do governador necessita, mais do que nunca, de bons médicos, de um cuidadoso socorro à sua saúde física e mental e de bons conselheiros que a acudam em seu aparente descontrole e socorram a sua alma aparentemente tão atormentada. Confesso que fico boquiaberto diante de uma situação dessas. Mas divulgo o link do texto em que, no meu blogue, registrei o comportamento tão inusitado e tão agressivo adotado, naquele ano de 2012, pela senhora Virgínia Mendes contra o médico Lúdio Cabral e contra a sua vida pessoal que, pelo que me lembro, jamais veio à boca de cena atribuir a ela a causa pelos dissabores que marcaram a sua existência e nem dirigiu “desabafos” raivosos, freudianamente doentios, contra a esposa de Mauro Mendes e sua família.

Importante tambem anotar que, por ocasião dos ataques maliciosos e despudorados contra a honra pessoal de Lúdio Cabral – que o médico preferiu deixar passar –, e que tiveram a presença ostensiva da senhora Virgínia Mendes, lá estavam, ao lado de Virgínia, talvez referendando seu despudor, como se vê na foto de Dinalte Miranda que ilustra a matéria, os empresários Mauro Carvalho e Gustavo Oliveira, figuras exemplares da melhor sociedade cuiabana, testemunhas, portanto, oculares desta história que a PÁGINA DO E acompanhou e registrou. Confiram:

https://paginadoenock.com.br/jogo-do-poder/mauro-esta-a-um-passo-da-baixaria-campanha-de-mauro-nao-leva-nome-de-suposta-amante-de-ludio-para-a-televisao-mas-provoca-o-candidato-do-pt-o-tempo-inteiro-com-citacoes-da-mulher-que-permanece-nas/

Dixi et salvavi animam mea.

Enock Cavalcanti, 69, jornalista, é editor do blogue PAGINA DO E em Cuiabá, MT, desde o ano de 2009.

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ECONOMISTA YANIS VAROUFAKIS: Por que a inflação voltou? A questão é do tipo que não tem resposta precisa

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Por que a inflação voltou?

Por Yanis Varoufakis, no Project Syndicate | Tradução: Antonio Martins

A tentativa de encontrar culpados pela alta dos preços está cada vez mais intensa. Foi o dinheiro farto dos bancos centrais, injetado por tempo demais nas economias, que fez a inflação decolar? Foi a China, que adotou lockdows para se proteger da covid e rompeu as cadeias globais de abastecimento? Foi a Rússia, que ao invadir a Ucrânia bloqueou uma parcela importante do suprimento global de gás, petróleo, grãos e fertilizantes? Foi uma mudança brusca das políticas pré-pandêmicas de “austeridade” para liberalidade fiscal irrestrita?

A questão é do tipo que não tem resposta precisa. Todas as mencionadas acima e nenhuma delas. Grandes crises econômicas frequentemente atraem múltiplas explicações, que estão todas corretas mas não tocam no ponto central. Quando os mercados financeiros desabaram em 2008, desencadeando a Grande Recessão global, surgiram várias interpretações: A captura das instituições regulatórias pelas instituições financeiras, que substituíram a indústria na liderança da ordem capitalista. Uma inclinação cultural ao risco financeiro. O fracasso dos políticos e economias, que confundiram uma bolha gigante com um novo paradigma. Tudo isso era real, mas nada ia ao núcleo da questão. O mesmo ocorre agora. “Nós avisamos”, dizem os monetaristas, que preveem inflação alta desde que os bancos centrais passaram a emitir dinheiro em larga escala, em 2008. Fazem-me lembrar do triunfo que os esquerdistas (como eu!) experimentamos naquele ano, depois de termos “previsto” repetidamente a quase-morte do capitalismo – iguais a um relógio parado, que acerta a hora duas vezes ao dia.

É verdade: ao permitirem que os banqueiros fizessem vasta emissão de crédito (na falsa esperança de que o dinheiro emitido iria irrigar a economia), os bancos centrais provocaram uma inflação de ativos (fazendo disparar os preços dos imóveis, das ações e das criptomoedas, por exemplo). Mas a narrativa monetarista não explica por que os bancos centrais foram incapazes, entre 2009 e 2020, sequer de ampliar a quantidade de dinheiro em circulação na economia real – muito menos de fazer a inflação chegar à meta de 2% ao ano. Algo além disso desencadeou a alta dos preços atual. A interrupção das cadeias de abastecimento dependentes da China) também teve peso, assim como a invasão da Ucrânia. Mas nenhum destes fatores explica a abrupta “mudança de regime” do capitalismo ocidental — da deflação, que predominava até há pouco, para seu oposto: a alta simultânea de todos os preços. Normalmente, para que isso ocorresse seria necessária uma inflação dos salários superior à dos preços, desencadeando uma espiral incessante, com a alta dos salários retroalimentando altas dos preços que, por sua vez, levaria os salários a aumentarem também, ad infinitum. Só nesse caso seria razoável que os bancos centrais demandassem aos trabalhadores “jogar para o time” e reduzir a luta por altas de salários.

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Mas fazê-lo hoje seria absurdo. Todas as evidências sugerem que, ao contrário dos anos 1970, os salários estão subindo muito menos que os preços, e ainda assim a inflação não apenas se mantém – mas acelera. O que está acontecendo, então? Minha resposta: um jogo de poder de meio século, conduzido pelas grandes corporações, pela oligarquia financeira, pelos governos e bancos centrais, está terminando muito mal. Como resultado, as autoridades ocidentais agora defrontam-se com uma escolha impossível: ou empurram os conglomerados (e mesmo alguns Estados) para falências em série, ou permitem que a inflação suba sem parar. Por 50 anos, a economia dos EUA sustentou as exportações líquidas da Europa, Japão, Coreia do Sul; e mais tarde da China e de outras economias emergentes. A parte do leão destes lucros estrangeiros voltava a Wall Street, em busca de maiores rendimentos.

Por trás deste tsunami de capitais que se dirigia aos EUA, o sistema financeiro construía pirâmides de dinheiro privado (os mercados de opções e derivativos). O esquema financiava a construção, pelas corporações, de um labirinto de portos, navios, entrepostos, pátios de estocagem, estradas e ferrovias. Quando o crash de 2008 incendiou estas pirâmides, todo o labirinto financeirizado de cadeias de suprimento just in time balançou. Para salvar não apenas os banqueiros, mas o próprio labirinto, os bancos centrais tomaram a frente, substituindo as pirâmides do sistema financeiro com dinheiro público. Ao mesmo tempo, os governos estavam cortando gastos públicos, empregos e serviços. Não era nada menos que socialismo de luxo para o capital e austeridade estrita para o trabalho. Os salários encolheram e os preços e lucros estagnaram, mas os preços dos ativos negociados pelos ricos (e, portanto, sua riqueza) disparam.

O nível de investimentos (em relação ao dinheiro disponível) caiu a um ponto inédita, a capacidade de produção encolheu, o poder dos mercados multiplicou-se e os capitalistas tornaram-se ao mesmo tempo mais ricos e mais dependentes do dinheiro dos bancos centrais que nunca. Era um novo jogo de poder. A luta tradicional entre capital e trabalho, cada um esforçando-se para elevar a respectiva fatia na renda disponível, por meio de crescimento das margens ou elevações de salários, continuou. Mas já não era a fonte principal da nova riqueza. Depois de 2008, as políticas generalizadas de “austeridade” resultaram em baixo investimento (demanda por dinheiro), que, combinado com total liquidez assegurada pelos bancos centrais (vasta oferta de dinheiro), manteve o preço do dinheiro (taxas de juros) próximo de zero. Com a capacidade produtiva (mesmo no setor imobiliário, em termos globais) em queda, bons empregos escassos e salários estagnados, a riqueza triunfou nos mercados de ações e propriedades, que haviam se desacoplado da economia real.

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Então, veio a pandemia, que mudou algo essencial. Os governos ocidentais foram forçados a direcionar alguns dos novos rios de dinheiro dos bancos centrais para as massas em quarentena, em meio a economias que, ao longo de décadas, haviam corroído sua própria capacidade de produzir e tinham de lidar agora com a ruptura das cadeias de abastecimento. À medida em que as multidões em quarentena gastavam parte de seu novo dinheiro em importações escassas, os preços começaram a subir. As corporações com riqueza acumulada em papel responderam lançando mão de seu imenso poder de mercado (ainda garantido por sua capacidade produtiva encolhida) para levar os preços às alturas.

Depois de duas décadas de bonança de preços de ativos disparados e de dívida corporativa crescente – tudo em consequência das ações dos bancos centrais – bastou uma pequena inflação para terminar com o jogo de poder que moldou o mundo pós-2008 à imagem de uma classe dirigente revivida. Agora, o que virá? Nada de bom, provavelmente. Para estabilizar a economia, as autoridades primeiro precisariam acabar com o poder exorbitante concedido a muito poucos por meio de um processo político de produção de riqueza de papel e criação de dívida barata. Mas estes muito poucos não vão entregar poder sem luta, ainda que isso signifique mergulhar toda a sociedade num grande incêndio.

Yánis Varoufákis é economista, blogger e político grego membro do partido SYRIZA. Foi o ministro das Finanças do Governo Tsipras no primeiro semestre de 2015. Varoufákis é um assíduo opositor da austeridade. Desde a crise global e do euro começou em 2008, Varoufákis tem sido um participante ativo nos debates ocasionados por esses eventos. Publicado originalmente no saite Outras Palavras.

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