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ENOCK CAVALCANTI: Janaina se diz de centro-esquerda – e se mostra fundamental na articulação dos movimentos sociais com a Assembleia

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Janaina Riva, uma mulher de centro-esquerda
Por Enock Cavalcanti
Meus amigos, meus inimigos: esta foi a semana da deputada Janaina Riva, na Assembleia de Mato Grosso. Ela se reencontrou com o movimento dos servidores públicos organizados e mostrou como continua sendo fundamental para que os movimentos sociais consigam uma melhor articulação dos seus interesses dentro do Legislativo estadual.
Claro, tudo em Mato Grosso é muito precário, e o movimento sindical mato-grossense, sem uma coluna vertebral operária, se ressente das disputas de egos que muitas vezes marca a caminhada de estruturas como o Fórum Sindical que continua sendo uma espécie de Godzilla – assustador para as autoridades do Governo do Estado, só que muito pesadão em sua mobilidade.
Sim, estes dias são marcados, aqui em Mato Grosso, pela greve do Sintep, que luta para que a Lei 510/2013, a Lei da Dobra do Poder de Compra dos Salários dos trabalhadores da Educação deixe de ser uma Lei sem efetividade.
O Sintep segue sozinho em sua greve, enquanto a maioria das demais categorias patina, sem saber direito como enfrentar esse senhor calamidade, que é o atual governador de Mato Grosso, o demo Mauro Mendes, grosso nas suas conversações, de conhecido perfil autoritário, duro no repressão à organização dos trabalhadores do Estado, tanto que não vacilou em determinar corte de ponto dos grevistas, assim que o pessoal do Sintep paralisou as aulas na maioria das escolas do Estado.
Mauro Mendes, o demo bolsonarista, acredita que pode vencer a greve apelando basicamente para a repressão. Ele cortou o ponto dos grevistas, deixou os trabalhadores sem salários e acredita que vai ser assim que irá colocar o Sintep de joelhos, obrigando a categoria a voltar pras salas de aula de cabeça baixa, simplesmente para garantir o recebimento do salário e o alimento das famílias dos trabalhadores que dependem destes salários. Uma velha forma dos governantes autoritários de lidar com a luta dos trabalhadores.
Na luta de classes, pode-se dizer aqui que Mauro Mendes comanda e aciona o aparelho repressivo do Estado para garantir que prevaleçam os interesses que ele e seus parceiros de poder traçaram para o Estado de Mato Grosso. Tanto que se ele não vacila em arrochar salários e deixar mesmo de pagá-los, nada se faz com relação a privilégios das castas dos demais poderes, como Legislativo e Judiciário, além de não se avançar na devassa dos incentivos fiscais que continuam beneficiando um grupo muito seleto de apadrinhados pelo poder.
Mas como é que Janaina Riva entra nesta história? Na verdade, ela entrou nesta história esta semana, porque o Sintep, através de suas lideranças, acabou recorrendo a ela para tentar viabilizar a negociação que Mauro Mendes e seus acólitos vem bloqueando.
A presença de Janaina não é garantia imediata de que MM vá aceitar negociar com grevistas e fazer rapidamente uma contraproposta à pauta que o Sintep defende. Mas uma vez disposta, Janaina tem o poder de articulação suficiente, como de fato já demonstrou nesta véspera de feriado, para fazer com o presidente da Assembleia, deputado Eduardo Botelho (DEM) e até mesmo o procurador de Justiça e chefe do Ministério Público, promotor José Antônio Borges, passem a considerar a lógica da negociação que Janaina defende.
Sim, José Antônio Borges acenando com a retomada de um MP negociar, no estilo adotado no passado pelo promotor Henrique Schneider, com tão bons frutos em greves passadas.
Vejam que parlamentares solidários aos grevistas, como Lúdio Cabral, Max Russi, Dr. Eugenio, Barranco, João Batista, Tiago Silva, Elizeu Nascimento até fazem discursos tonitruantes para defender a validade de Lei 510/2013. Mas eles foram incapazes, até aqui, de gerar esta unidade para a ação, entre os parlamentares da oposição e até mesmo da situação, que começa a pintar à medida que Janaina Riva entrou em cena, harmonizando os disparos individuais dos demais parlamentares..
Ninguém sabe até onde vai chegar o confronto, com a greve dos professores posta diante de um governador turrão como Mauro Mendes. Mas se existe esperança de que as partes abandonem o bate boca e comecem a buscar uma saída para os impasses criados pela paralisação, essa esperança passa pelas movimentações que Janaina Riva será capaz de conduzir. ( Ou será que vai aflorar um articulador parlamentar mais competente do que ela?) Afinal de contas, muita gente percebe como uma greve dessa sacrifica jovens estudantes e famílias empobrecidas, pelo Mato Grosso adentro, que dependem das atividades das escolas para viabilizar a própria sobrevivência dos seus lares e de suas famílias.
Enquanto não se forja nenhuma forma menos dolorosa para a sociedade de negociar com governantes autoritários, a população vai tendo que conviver “com a dor e a delícia” de mobilizações impactantes como essa nova greve.
Eu estava lá no gabinete da filha de José Geraldo Riva quando Janaina, depois de falar da tristeza do aborto que marcou o seu início de ano, depois de reclamar dos ataques que tem recebido de diversos setores do movimento dos servidores, de ajeitar o cabelo e abrir bem seus olhos, e oferecer o único copo de água que tinha em sua geladeirinha para matar a sede do professor Muza Amorim, se definiu como uma política de centro-esquerda. Uma auto definição que não mereceu nenhum comentário imediato dos presentes, e ficou ecoando ali no ar, até ser recolhida por este blogueiro para uma citação em seu espaço no Facebook e, agora, aqui.
A filha do Riva uma política de centro-esquerda. Que não sejam apenas palavras da boca para fora – e muitas possibilidades podem se erguer a partir desta definição ideológica. Nesse Estado em que até bem pouco tempo Mauro Mendes e Fábio Garcia se apresentavam como “socialistas”, e eram apenas socialistas de araque, imagine onde poderemos chegar se a auto-definição de Janaina Riva tiver efetiva substância?!
Mais importante agora será ver a negociação em favor dos grevistas avançar e constatar que o movimento grevista dos professores pode, sim, alcançar uma vitória expressiva neste anos que parecia reservado apenas para derrotas dos movimentos sociais em nosso Estado. Tudo vale a pena se a alma não é pequena e se a gente não se transforma em adoradores xiitas da Lei de Responsabilidade Fiscal.
Imagino que até os analistas da esquerda mais conservadora e pretensiosa não poderão desconsiderar a contribuição que pode e está dando a este movimento social a filha daquele velho cacique chamada Zé Riva, que tantos tristezas nos causou. Sim, a vida dá muitas voltas e voltas por dentro e por fora de nossas cabeças.

Enock Cavalcanti, jornalista e blogueiro, é editor do blogue PAGINA DO E
 
 
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Janaina com Valdeir Pereira, sindicalista e presidente do Sintep MT

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No dia do servidor público, comunidade da UFMT alerta população sobre a PEC 32 e cobra deputados

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Adufmat cobra compromissos dos parlamentares que representam o povo trabalhador de Mato Grosso

Já faz mais de um ano que os servidores públicos federais, estaduais e municipais denunciam a elaboração de mais um forte e perigoso ataque contra os direitos constitucionais. O Governo Federal queria aprovar sua proposta de Reforma Administrativa (PEC 32) em agosto deste ano, mas devido à gravidade da pauta e a pressão de sindicatos e movimentos sociais, tem encontrado dificuldades para conseguir os 308 votos necessários.

Nessa quinta-feira, 28/10, Dia do Servidor Público, a comunidade acadêmica da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), representada pelos sindicatos dos docentes, técnicos-administrativos e estudantes – Adufmat-Ssind, Sintuf/MT e DCE, respectivamente -, fez mais uma intervenção: encheu de faixas as grades da universidade para denunciar o ataque e cobrar os parlamentares mato-grossenses.

Há seis semanas servidores de todo o país fazem vigília em Brasília para demonstrar aos parlamentares que a população é contrária à PEC 32, porque sabe que será prejudicada. A Adufmat-Ssind já realizou diversas atividade nesse sentido. Publicou uma cartilha elencando os malefícios da PEC 32 para os servidores e para a sociedade como um todo (clique aqui para acessar), organizou atos e campanhas nas ruas, redes sociais, emissoras de TV e rádio, lives, além de uma série de programas com a personagem Almerinda para dialogar com a população sobre o assunto.

Leia Também:  Ministro Alexandre de Morais, do STF, manda pra cadeia notório Roberto Jefferson, bolsonarista homofóbico, que vive atentando contra as instituições democráticas e as minorias sociais. LEIA INTEGRA DA DECISÃO

A PEC 32 é a terceira proposta de Reforma Administrativa desde a promulgação da Constituição de 1988 e, desta vez, tem como objetivo precarizar os contratos dos trabalhadores, colocando os servidores públicos em condição de maior fragilidade e permitindo todo tipo de barganha com os cargos públicos. Também pretende introduzir o princípio de subsidiariedade, no qual o Estado atua como um igual, e não como um ente superior ao setor privado e conceder superpoderes ao presidente da República, que passaria a poder destruir instituições e autarquias com apenas uma canetada.

A justificativa mentirosa utilizada pelos governantes para aprovar a PEC 32 seria acabar com privilégios de servidores. No entanto, políticos, militares de alta patente e o alto escalão do Poder Judiciário, exatamente aqueles que recebem salários exorbitantes, ficarão de fora da Reforma. Ela tingirá, apenas, os servidores que recebem os menores salários, em sua maioria, os que estão em contato direto com a população usuária dos serviços públicos.

O Governo também mente sobre os reflexos da reforma para os atuais servidores federais, estaduais e municipais. Além de já receberem os piores salários e enfrentarem ambientes de trabalhos precarizados, esses servidores correm o risco de sofrer redução de salários e carga horária de trabalho em até 25%.

Leia Também:  VALTER POMAR: Faz tempo que Ciro Gomes não está mais costeando o alambrado. Seu lugar no espectro político brasileiro não é a esquerda, nem mesmo o centro.E seu ódio contra Lula e contra o PT não deixam nada a dever ao bolsonarismo. E se tiver chance, Ciro Gomes vai botar para quebrar

Para o diretor geral da Adufmat-Ssind, professor Reginaldo Araújo, a data é mais uma grande oportunidade para “chamar a atenção da população sobre os ataques da PEC 32 e cobrar os deputados, lembrando que aqueles que atacam a população dessa forma costumam não ser reeleitos, a exemplo da última Reforma da Previdência”.

Até o momento, os deputados mato-grossenses que se declararam contrários à PEC 32 são: Rosa Neide (PT), Emanuelzinho (PTB), Leonardo (SDD), Carlos Bezerra (MDB) e Juarez Costa (MDB). Os deputados que ainda se mostram favoráveis à proposta são Neri Gueller (PP), Nelson Barbudo (PSL) e José Medeiros (PODE).

Protesto na UFMT contra PEC 32

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