(65) 99638-6107

CUIABÁ

Alguma coisa está fora da ordem

Ciro Gomes no Jornal Nacional vacilou deixando de expor contradições da Globo

Publicados

Alguma coisa está fora da ordem

Ciro no JN


Em entrevista com presidenciável, o que menos interessa é o plano de governo.
Lembra daquele teatrinho de sempre da Globo separando temas pros candidatos responderem e fugindo dos confrontos políticos, pelo Brasil a fora, através dos anos? Coisa mais chata.
Não dá mais pra fazer aquele teatrinho.Ficou claro na entrevista do Ciro no Jornal Nacional. Até a Globo percebeu. Então, Bonner vira mais acusado, político, confrontador, do que entrevistador, repórter. É a voz do monopólio procurando sempre enquadrar os políticos à sua vontade, nos marcos de sua ideologia.

Negócio é mesmo o pau, a tentativa de desconstrução. De lado a lado. Sim, de lado a lado.

O Ciro deveria ter percebido isso e dado um pau mais duro no Bonner e na Renata, aproveitando-se da liberdade que um ao vivo concede.. Afinal, se um lado bate, por que o lado de cá tem apenas que aparar os golpes? Por que considerar aquela sabatina uma sabatina comum?
Ciro preferiu os salamaleques, como se ao abrir aquele espaço para os presidenciáveis a Globo estivesse fazendo um grande favor. Ora, trata-se de uma concessão pública a televisão brasileira. Trata-se de uma emissora com conhecido e reconhecido engajamento político. Uma rede de TV que tenta se sobrepor aos governos, aos partidos, às instituições públicas. Então, é ingenuidade se imaginar diante de um repórter isento…

Favor, porra nenhuma. E eles da Globo estão boicotando criminosamente a campanha do Lula e do PT. Isso tem que ficar claro e o Ciro só fez um pequena defesa do Lula.
Na minha cabeça fiquei imaginando e sonhando e analisando assim: quando a Renata Vasconcelos e o William Bonner falaram das possíveis contradições dele, Ciro, tentando emparedá-lo, eis o momento perfeito para entrar com a cunha ideológica de dar um cruzado de esquerda: e as contradições da Rede Globo?!?
Bonner e Renata também cobraram a devida reverência à Lava Jato e ela não faltou na boca do Ciro, incapaz de uma síntese mais eficiente do golpe.
Neste quesito de enfrentar a Globo dentro da Globo, enfim, Leonel Brizola segue insuperado, apesar de sabermos que Brizola também teve seus históricos vacilos. Até quando? Quando aparecerá alguém capaz e competente de ir mais fundo do que Brizola foi?

Ciro, preocupado em agradar seus marqueteiros e aparecer sorridente para a grande plateia, perdeu a chance de gravar seu nome na história dos embates políticos na TV brasileira.

COMENTE ABAIXO:
Leia Também:  Jornalista prevê Brito apoiando Mauro por culpa de Éder

Propaganda
Clique para comentar

Você precisa estar logado para postar um comentário Login

Deixe uma resposta

Alguma coisa está fora da ordem

LÚDIO CABRAL: 5 mil vidas perdidas para a covid em Mato Grosso

Publicados

em

Por

CINCO MIL VIDAS

Lúdio Cabral*

Cinco mil vidas perdidas. Esse é o triste número que Mato Grosso alcança hoje, dia 26 de janeiro de 2021, em decorrência da pandemia da covid-19.

Cada um de nós, mato-grossenses, convivemos com a dor pela perda de alguém para essa doença. Todos nós perdemos pessoas conhecidas, amigos ou alguém da nossa família.

A pandemia em Mato Grosso foi mais dolorosa que na maioria dos estados brasileiros e o fato de termos uma população pequena dificulta enxergarmos com clareza a gravidade do que enfrentamos até aqui.

A taxa de mortalidade por covid-19 na população mato-grossense, de 141,6 mortes por 100 mil habitantes, é a 4ª maior entre os estados brasileiros, inferior apenas aos estados do Amazonas (171,9), Rio de Janeiro (166,2) e ao Distrito Federal (147,0). O número de mortes em Mato Grosso foi, proporcionalmente, quase 40% superior ao número de mortes em todo o Brasil. Significa dizer que se o Brasil apresentasse a taxa de mortalidade observada em Mato Grosso, alcançaríamos hoje a marca de 300.000 vidas perdidas para a covid-19 no país.

Lembram do discurso que ouvimos muito no início da pandemia? De que Mato Grosso tinha uma população pequena, uma densidade populacional baixa, era abençoado pelo clima quente e que, por isso, teríamos poucos casos de covid-19 entre nós?

Leia Também:  PROMOTOR WAGNER ANTONIO CAMILO: A abolição material e verdadeira da discriminação contra os cidadãos negros, nem de longe, ainda não raiou no Brasil

Lembram do posicionamento oficial do governador de Mato Grosso no início da pandemia, de que o nosso estado não teria mais do que 4.000 pessoas infectadas pelo novo coronavírus?

Infelizmente, a realidade desmentiu o negacionismo oficial e oficioso em nosso estado. Não sem muita dor. O sistema estadual de saúde não foi preparado de forma adequada. Os governos negligenciaram a necessidade de isolamento social rigoroso em momentos cruciais e acabaram transmitindo uma mensagem irresponsável à população. O resultado disso tudo foram vidas perdidas.

Ao mesmo tempo, o Mato Grosso do sistema de saúde mal preparado para enfrentar a pandemia foi o estado campeão nacional em crescimento econômico no ano de 2020. Isso às custas de um modelo de desenvolvimento que concentra renda e riqueza, de um sistema tributário injusto que contribui ainda mais com essa concentração, e de um formato de gestão que nega recursos às políticas públicas, em especial ao SUS estadual, já que estamos falando em pandemia.

Dolorosa ironia do destino, um dos municípios símbolo desse modelo de desenvolvimento, Sinop, experimentou mortalidade de até 100% entre os pacientes internados em leitos públicos de UTI para adultos em seu hospital regional.

Nada acontece por acaso. Os números da covid-19 em Mato Grosso não são produto do acaso ou de mera fatalidade. Os números da covid-19 em Mato Grosso são produto de decisões governamentais, de escolhas políticas determinadas por interesses econômicos, não apenas agora na pandemia, mas por anos antes dela. E devemos ter consciência disso, do contrário, a história pode se repetir novamente como tragédia.

Leia Também:  SUJOU GERAL: Júlio Campos, segundo MPF, é um assassino

Temos que ter consciência dessas injustiças estruturais para que possamos lutar e acabar com elas. A dor que sofremos pelas pessoas que perdemos para a pandemia tem que nos mobilizar para essa luta.

Lutar por um modelo de desenvolvimento econômico que produza e distribua riqueza e renda com justiça, que coloque pão na mesa de todo o nosso povo e que proteja a nossa biodiversidade. Lutar por um sistema tributário que não sacrifique os pequenos para manter os privilégios dos muito ricos. Lutar por políticas e serviços públicos de qualidade para todos os mato-grossenses. Lutar pelo SUS, por um sistema público de saúde fortalecido e capaz de cuidar bem de toda a nossa população.

São essas algumas das lições que precisamos aprender e apreender depois de tantos meses de sofrimento e dor, até porque a tempestade ainda vai levar tempo para passar.

*Lúdio Cabral é médico sanitarista e deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores em Mato Grosso.

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

MATO GROSSO

POLÍCIA

Economia

BRASIL

MAIS LIDAS DA SEMANA