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O melhor detergente é a luz do sol

CÉSAR DANILO NOVAIS – Nos dias que correm o voto é vilipendiado, diuturnamente, pelo poder político e econômico e pela utilização da máquina pública. Prática ainda mais visível em decorrência do instituto da reeleição

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O melhor detergente é a luz do sol

César Danilo Novais é promotor de Justiça em Mato Grosso - e blogueiro


Voto de cabresto na versão revista e atualizada
Por César Danilo Ribeiro de Novais
Nos primeiros anos da República em nosso país, era largamente utilizado pelos coronéis o chamado voto de cabresto. Não bastasse o emprego de seu poder econômico, o coronel coagia, moralmente e/ou fisicamente, o eleitor de seu curral eleitoral a votar no candidato por ele apoiado e indicado, tudo com olhos voltados ao dirigismo das eleições.
O eleitor não tinha escolha, já que, naqueles tempos, o voto não era secreto. Daí que era fiscalizado e patrulhado por capangas para que votasse nocandidato do coronel, sob pena de severa e grave repreensão. Um jogo de cartas marcadas.
Sacudida a poeira da história e transcorridos tantos anos, ainda hoje em que comemoramos duas décadas de Estado Democrático de Direito, vivemos a vigência, mormente nos rincões do Brasil, do odioso voto de cabresto, porém, em versão revista e atualizada.
Nos dias que correm, malgrado ser o voto secreto, este é vilipendiado, diuturnamente, pelo poder político e/ou econômico e pela utilização da máquina pública. Prática esta ainda mais visível em decorrência do instituto da reeleição, em que o prefeito-candidato e o vereador-candidato são mantidos no poder durante o processo eleitoral. Seria cômico se não fosse, flagrantemente, trágico, uma vez que o sistema foi plantado com claro objetivo: manter os poderosos no poder em prejuízo lógico da cidadania e da res publica.
A situação é agravada pela falta de cidadania de grande parte da população brasileira. Educação é o que falta. É a Educação que liberta o ser humano da ignorância e do descaso de temas ligados ao exercício da cidadania. A paideia de que falavam os gregos: é o que precisamos.
Em outras palavras, não existe cidadania sem Educação. Povo sem estudo é massa de manobra política, é presa fácil daqueles que têm por modo de vida a corrupção. Vale, aqui, o clichê: “pensar em Educação é pensar na próxima geração e não na próxima eleição”. Infelizmente, tudo indica que a fauna política de nosso país pensa e repensa somente na próxima eleição.
O povo não fica atrás. O raciocínio de significativo número de eleitores parece ser este: “esquecido quatro anos, agora, é hora de tirar o atraso”. É o eleitor não-cidadão, eleitor-pedinte ou eleitor-prostituído, filhos da falta de Educação. E aí os coronéis modernos deitam e rolam. Não vêem pessoas, seres humanos, senão apenas mercadorias, produtos, como se objetos fossem, compráveis por qualquer tostão ou cargo em comissão. É o fácil e lamentável caminho que o corrupto percorre para “zelar” pelo interesse público e pela coisa pública.
Zapeando a televisão, folheando os jornais ou navegando pela internet, vemos que os valentes, idealistas e incansáveis Promotores (de Justiça) Eleitorais passam de bairro em bairro de diversas cidades,do Oiapoque ao Chuí, alertando, em palestras e reuniões, os eleitores sobre a importância do voto para os destinos da cidade e de suas próprias vidas. Mas, a verdade é que parecem estar pregando no deserto, despidos de ouvintes ou cujo público alvo é surdo. É, enfim, o Promotor (de Justiça) Eleitoral aquele beija-flor que tenta apagar o incêndio na floresta, transportando água em seu minúsculo bico.
Frente a esse quadro perverso e terrível, ainda assim, restam aos cidadãos não esmorecer, pena de contribuírem para a mantença desse estado de coisas deprimente e deplorável.
A propósito, Denis de Rougemont, escritor suíço, disse que “a decadência de uma sociedade começa quando o homem pergunta a si próprio: ‘O que irá acontecer?’, em vez de indagar: ‘O que eu posso fazer?’”
E aí: o que você,leitor-eleitor, pode fazer?
Tudo, com absoluta certeza, começa com o espancamento, a tortura e o assassinato sem piedade do abominável voto de cabresto, para, assim e enfim, vermos nascer o voto consciente e comprometido não com a cosa nostra mas com a res publica.
A batalha está apenas começando. Mãos à obra, então!
 
Por César Danilo Ribeiro de Novais, Promotor de Justiça no Mato Grosso e editor do Blogue www.promotordejustica.blogspot.com .

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CULTURA DE MATO GROSSO: Trajetória do artista Benedito Nunes é perpetuada em site e documentário

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Apelidado carinhosamente de Van Gogh do Cerrado, a trajetória do artista plástico Benedito Nunes está eternizada no site que leva o nome dele, e que conta com detalhes a história de vida e o legado cultural deixado pelo mato-grossense, que gostava de retratar a natureza da região e o cotidiano da cuiabania. Aprovado no edital Conexão Mestres da Cultura, da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel), o projeto ‘Tributo ao Mestre do Cerrado: Benedito Nunes’, conta também com o documentário ‘Se essa rua fosse Nunes’, com estreia para esta sexta-feira (26.11), na plataforma digital que homenageia o artista.

Falecido em março do ano passado, aos 63 anos de idade, Benedito Nunes é considerado um dos mais importantes artistas da famosa ‘Geração 80’. Nascido em 1956, era pintor, desenhista, professor e escultor. Ganhou reconhecidos prêmios nas artes visuais, participou de importantes exposições no Brasil e fora do país. E, os seus 30 anos de história com a arte, a biografia é contada pelo professor e crítico de arte Laudenir Antônio Gonçalves, disponível no site lançado pelo projeto.

Leia Também:  LUIS NASSIF E O XADREZ DA POLITICA: O que assustou no comportamento do STF foi a facilidade com que os Ministros superaram a falta de provas, o rigor inédito das condenações, o discurso político irresponsável de alguns deles (puxados por Celso de Mello). Esta semana, ao julgar poder de investigar do MPF, o voto de Luiz Fux foi ducha de água fria nas pretensões do MPF. Acabou restringindo mais a atuação do MPF que anteriormente.

A plataforma traz também o documentário ‘Se essa rua fosse Nunes’, produzido a partir das imagens e narração sobre as obras do artista. Também estão disponíveis no site uma galeria virtual e uma oficina apresentada pela proponente do projeto ‘Tributo ao Mestre do Cerrado: Benedito Nunes’, a artista Tânia Pardo.

“Nunes, além de ser um artista acessível e carismático, era famoso por retratar o cenário mato-grossense. Assim ficou conhecido como o Van Gogh do Cerrado, deixando sua marca na arte brasileira. Foi um grande artista, premiado em vários salões, não só em Mato Grosso, mas também fora. Reconhecido no Brasil por seu estilo, nos deixou um grande legado”, destaca Tania Pardo.

Conexão Mestres da Cultura – O edital surgiu para compartilhar os saberes e fazeres artísticos e culturais do estado, reconhecendo o trabalho desenvolvido por pessoas impactaram a cultura mato-grossense, considerando sua contribuição para o fortalecimento da cultura do estado e sua importância para a comunidade que atua.

Fonte: GOV MT

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