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O melhor detergente é a luz do sol

Centro de Equoterapia e Equitação da Cavalaria da PM dobra atendimento a população

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O melhor detergente é a luz do sol

 

A duplicação da pista do Centro de Equoterapia e Equitação do Regimento Montado da Polícia Militar de Mato Grosso – Cavalaria, dará início ao projeto ‘Efeitos da equoterapia na inclusão social de crianças e adolescente imigrantes’ e a prática de volteio interativo. Noventa famílias passarão a ser atendidas no local.

Os projetos foram lançados na manhã desta quarta-feira (21.07), com a presença do comandante-geral da PMMT, coronel Jonildo José de Assis, que destacou o trabalho ostensivo e a consolidação dos serviços sociais desenvolvidos pela unidade que é o embrião da corporação. Todas as medidas de biossegurança foram tomadas.

“É um orgulho poder fazer parte dos avanços dessa unidade. Com a ampliação da pista, mais famílias poderão ser assistidas com as ações sociais que ajudam no desenvolvimento de tantas crianças de adolescentes”, destacou o comandante.

Na avaliação do comandante da Cavalaria, tenente-coronel Walmir Barros Rocha, a duplicação da pista enriquece ainda mais o corpo da tropa e a identidade do Regimento Montado e caminha diretamente à filosofia de Polícia Comunitária, obedecendo suas doutrinas e aproximando a Polícia Militar dos cidadãos.

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“Desenvolvemos um trabalho social e oportunizamos ajudar mais pessoas passando de 45 para 90 famílias atendidas na equoterapia. O espaço reúne, em único lugar, o trabalho do Comando Especializado – unidade Cavalaria da PM, aliado ao conhecimento científico da UFMT, em prol do atendimento às crianças que necessitam deste método terapêutico e educacional”.

 

A pró-reitora e coordenadora do Centro de Equoterapia da UFMT, Liziane Pereira de Jesus, conta que a unidade desenvolve um trabalho multidisciplinar de cunho filantrópico e prioriza a população de baixa renda.

Ela destacou o projeto ‘Efeitos da equoterapia na inclusão social de crianças e adolescentes imigrantes’ – que beneficia 10 crianças e adolescentes com idade entre 2 e 17 anos.

“O trabalho vem sendo desenvolvido desde 2010 e junto com a Pastoral do Migrante estamos associando essa interação com o cavalo e vem surtindo efeito positivo de socialização com os participantes do projeto”.

Além do cunho social, o Centro de Equoterapia agrega uma série de projetos das mais diversificadas áreas, contribuindo e fomentando o ensino, a pesquisa e a extensão, pilares que orientam a conduta institucional. O espaço é voltado para famílias de baixa renda. Crianças com deficiência ou necessidades especiais são atendidas no espaço gratuitamente.

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Participaram da solenidade, o subchefe de Estado Maior, coronel Calor Eduardo Pinheiro da Silva, deputado Ulysses Moares, oficiais, alunos e familiares da equoterapia e sociedade civil organizada.

 

Fonte: GOV MT

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O melhor detergente é a luz do sol

VINICIUS SOUZA: Não, não são os cães que buscam qualquer fonte de proteína como seus antepassados lobos. No Brasil de Bolsonaro, os famintos são gente que espera pacientemente em longas filas de doação atrás de um açougue de Cuiabá, capital do estado que mais produz carne no país

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Fila dos ossos em Cuiabá . Foto Francisco Miguel Silva Alves

Quem procura osso é cachorro”. A fome bolsonarista humilha a população

por Vinicius Souza/Jornalistas Livres

Antes de se tornar presidente, o então deputado Jair Bolsonaro pregou um cartaz na porta de seu gabinete em Brasília ofendendo os familiares e ativistas de direitos humanos que lutavam para encontrar e identificar ossadas de mortos e desaparecidos pela ditadura militar. Isso foi pouco antes do Brasil finalmente sair do Mapa da Fome da ONU, uma vergonha histórica para um dos maiores produtores de alimento do mundo. A foto que ele distribuiu para a imprensa ficou marcada na cabeça de muita gente como o escárnio que representa e mais uma prova cabal (como se fosse preciso) de sua índole fascista. Mas naquela época ainda não se imaginava que ele poderia subir ao cargo máximo da nação para poder cumprir a promessa, feita em 1999, que previa um golpe e uma guerra civil na qual morreriam pelo menos 30 mil.

No rastro do Golpe contra o governo Dilma Roussef em 2016, o Brasil passou a regredir rapidamente nas conquistas sociais mínimas (como pleno emprego e fim da fome estrutural) que havia conquistado com grande dificuldade nos anos anteriores. Desde as manifestações de 2015 uma parte da população vestindo a camisa da corrupta CBF pedia “seu” país de volta. Um dos maiores escândalos do governo golpista do Michel Temer teve como base exatamente a corrupção de um dos maiores produtores de carne do Brasil e do mundo, a JBS.

Assim que assumiu, Bolsonaro disse em jantar na embaixada do Brasil nos EUA para o Steve Bannon e o Olavo de Carvalho que “o Brasil não é um campo aberto para construir nada. Nós temos é que desconstruir muita coisa que foi feita nos últimos anos”. Sua promessa, então, era voltar aos “bons e velhos tempos da ditadura”. Não dá pra dizer que a gente não sabia.

Temos atualmente mais de 19 milhões de pessoas com fome e 49% da população com “insegurança alimentar”, ou seja, quando acordam não sabem se terão o que comer durante o dia. Enquanto isso, o Ministro da Economia, o “posto Ipiranga” do governo, a “confiança do ‘Mercado’”, dizendo que os ricos podem doar as sobras dos restaurantes e a Ministra da Agricultura dizendo que não há fome no país porque as pessoas pegam mangas nas ruas.

Escárnio, escárnio, escárnio e nenhuma carne!

É osso, só osso!

Essa semana, um açougue localizado no bairro CPA II, em Cuiabá, capital de Mato Grosso e do agronegócio no Brasil, ganhou destaque nacional por causa de uma ação de distribuição de ossos que faz há dez anos pra quem pedisse. Muita gente pegava mesmo pra dar pros cachorros. Mas isso mudou nos últimos três anos. A procura começou a crescer e a distribuição teve de ser organizada com horários fixos todas as segundas, quartas e sextas-feiras. Embora comece às 11h, por volta das 8h já chegam alguns moradores da região, que acordam cedo para ir caminhando até o açougue.

A fila é longa. Os olhares tristes. Os ossos, das pessoas, logo sob a pele fina. E não é “só” pessoas em situação de rua. Muitos estão entre os milhões que voltaram à linha de pobreza ou pobreza extrema mas ainda têm um teto, mesmo que precário ou “de favor”. Famílias inteiras com crianças, velhos, mulheres. Gente de capacete, provavelmente trabalhadores de aplicativos que levam comida boa pra classe alta mas não conseguem o alimento pra levar pra casa. A maioria tem vergonha de estar nessa situação e cobre o rosto. Vergonha devíamos ter nós.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Mato Grosso teve 180 mil pessoas desempregados no primeiro trimestre de 2021. Paralelo a isso, o botijão de gás no Estado custa cerca de R$ 125 e é o mais caro do país. Em Cuiabá, a cesta básica sai por R$ 594,99, se tornando a segunda mais cara do Brasil. A capital mato-grossense fica atrás somente da cidade de São Paulo, onde o valor é de R$ 595,87, conforme Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Esse é o Brasil que voltou aos seus “donos” originais. Como um cachorro que tenta fugir das agressões de um dono imbecil e é obrigado a voltar, humilhado, pra comer restos e não morrer de fome. Até quando vamos aceitar esse papel?

 

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VINICIUS SOUZA é jornalista e professor de jornalismo em Cuiabá, Mato Grosso

 

Fila dos ossos CPA 2, Cuiabá, MT. Fotos Francisco Miguel Silva Alves

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