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CUIABÁ

O melhor detergente é a luz do sol

ALFREDO DA MOTA MENEZES: Cuiabá nasceu do rio. Sem o rio Cuiabá, pode-se dizer que Cuiabá não teria sobrevivido depois que o ouro esgotou

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O melhor detergente é a luz do sol

Cuiabá nasceu do rio

POR ALFREDO DA MOTA MENEZES

Cuiabá teria sobrevivido sem o rio que lhe empresta o nome? Uma pequena viagem no tempo. Pelo rio chegaram as pessoas na busca do ouro. O ouro logo se esgota. A maioria das pessoas foi embora. Os que ficaram tinham que sobreviver de alguma forma. O rio será a salvação.

É por ele que chegava, como exemplo, o sal. É perto dele que se planta alguma comida como arroz e mandioca. Plantava-se fumo também, para consumo e exportação. Ele ainda dava o peixe.

Mais tarde surgem as usinas de açúcar, como Aricá, Itaicy, Flecha, Conceição nas terras ao longo do rio. Em suas margens estavam os saladeiros, lugares para matar gado e salgar a carne para exportação.

Foi dali que veio a música, a comida regional e ainda a atuação e mando na política. O linguajar cuiabano é fruto da vida ribeirinha também. A cultura local, na soma de tudo isso, cresce às margens do rio que dá nome à cidade.

Dizem que a música teve influência do Paraguai. Que os ritmos dali chegaram pelo rio e aqui se mesclam com os que existiam, criando o que se tem hoje na música folclórica e não folclórica.

Qual tipo de comida os restaurantes típicos da cidade servem hoje? O peixe, em suas variadas formas de fazer, é resultado do que cercava esse rio.

Na política, por muito tempo, vão mandar os usineiros do Rio Abaixo (expressão que mostra a força do rio nas coisas daqui). Os donos de usina tinham poder econômico e entram na política. Lutas e mortes houve no controle da política por gentes que habitavam as margens desse rio.

Foi pelo rio que chegou a cólera no período da Guerra do Paraguai. Não foi uma coisa boa, mas é que ela acaba fazendo que se modificassem os hábitos de saneamento de Cuiabá.

A própria arquitetura da cidade modificou-se e isso ajuda a alterar costumes e a sanear a cidade. Os casarões foram ampliados, com janelas maiores, diminuíram os becos. Deu-se uma nova cara à cidade.

Tem muitos objetos nesta cidade ainda hoje, como portas, portões, pontes, coretos que vieram do exterior pelo rio. Companhias de danças da Europa, usando o rio, chegaram se apresentar aqui.

A ligação de Cuiabá, por causa do rio, era mais forte com os países da Bacia do Prata do que com outros locais do Brasil. Por causa do rio, surgem as casas comerciais que trabalham com exportação e importação de produtos.

Elas funcionavam como bancos, emprestavam dinheiro para se produzir bens que seriam exportados. Pode-se afirmar que as fontes de rendas principais desta cidade estavam conectadas com o rio Cuiabá.

Quais são os traços hoje que mais identificam Cuiabá? A música, a comida, o linguajar, a dança e a arquitetura. Tudo teve como base o rio. A vida da cidade se ligava e fluía do rio. Dali é que saiu a cara desta cidade.

Sem ele, pode-se dizer que Cuiabá não teria sobrevivido depois que o ouro esgotou.

Alfredo da Mota Menezes, historiador, é professor titular aposentado da UFMT. Autor de “Ingênuos, Pobres e Católicos”, entre outros livros.

SITE: Alfredo Menezes

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Brasil ganha Frente Nacional de Defesa do Consumidor. Movimento buscará agenda positiva na proteção dos direitos do consumidor

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Um grupo plural, formado por professores, defensores públicos, advogados, membros do Ministério Público, entidades civis, representantes de Procons e cidadãos de todo o Brasil, sensibilizados com a grave situação do País, criou na última semana a Frente Nacional de Defesa do Consumidor (Fenadecon). O movimento de união prioriza uma agenda positiva na proteção dos direitos do consumidor e tem o objetivo de contribuir para solução de graves problemas, como o crescente assédio de instituições financeiras aos aposentados – que agravou o superendividamento no Brasil nos últimos anos – e ameaças de retrocessos aos direitos dos consumidores em tramitação no Congresso Nacional, como projetos de lei que pretendem impor barreiras para restringir o acesso do cidadão ao Judiciário.

Nossa intenção com a Frente é criar um espaço de diálogo e participação dos órgãos e entidades de defesa do consumidor e especialistas, propondo ações que atenuem as dificuldades das pessoas, sobretudo aquelas agravadas pelos efeitos da pandemia de Covid-19. Os problemas são muitos e estaremos mais mobilizados para propor e cobrar soluções”, afirma Amauri da Matta, ex-promotor e coordenador do Procon-MG, coordenador do movimento.

A Fenadecon tem o objetivo de debater e consolidar posicionamentos e atuar diretamente para a resolução dos problemas e propor medidas que defendam os direitos dos consumidores brasileiros. Será um canal direto e aberto de articulação entre as principais entidades do Sistema Nacional de Defesa do Consumidor para estabelecer interlocução com os poderes executivo, legislativo e judiciário, e com a sociedade.

A primeira reunião que definiu a criação do movimento expôs alguns dos principais problemas que afetam os consumidores coletados por representantes de Procons de todo o Brasil. Um dos destaques foram as diversas denúncias de casos envolvendo fraudes e irregularidades na abordagem e concessão de crédito consignado para aposentados e pensionistas do INSS. Em 2020, as reclamações sobre essa modalidade de crédito registradas no Consumidor.gov.br e Banco Central cresceram 179% em relação a 2019, conforme revelou levantamento do Idec.

A Frente também acompanha a movimentação de medidas no Congresso Nacional que possam dificultar o acesso dos consumidores ao Judiciário, como projeto de lei que trata da pretensão resistida. Outros pontos de atenção do grupo são os reajustes nos planos de saúde, que tiveram aumentos acumulados no começo de 2021, e a alta de preços, em plena pandemia e crise financeira, de itens essenciais para a sobrevivência humana como alimentação e medicamentos.

A crise econômica que enfrentamos desde o ano passado teve um efeito devastador para consumidores de todas as partes do Brasil. O número de denúncias de irregularidades e dificuldade com serviços financeiros e atividades vitais deixa o consumidor em uma situação cada vez mais vulnerável e são as nossas prioridades”, completa o coordenador do grupo.

Além de dialogar com o poder público, a Frente pretende ser um canal de orientação permanente com estudos, dados científicos e debates. Sua estrutura será composta por um Comitê Executivo, um Conselho Consultivo, e por uma Coordenação e Secretaria que darão andamento às deliberações.

É muito importante para o Idec e para outras entidades esse trabalho de forma articulada e coordenada. A ameaças e retrocessos aos direitos dos cidadãos chegam em diferentes frentes e precisamos estar cada vez mais preparados e atentos para impedi-los“, afirma Teresa Liporace, diretora executiva do Idec e uma das integrantes do movimento.

FONTE IDEC

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