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Alguma coisa está fora da ordem

ADVOGADO EDÉSIO ADORNO: Aliados de Zé Pedro Taques querem acabar com Unemat

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Alguma coisa está fora da ordem

Zé Pedro Taques

Aliados de Taques querem acabar com a Unemat

Edésio Adorno

A política é ou deveria ser um instrumento a serviço da melhoria das condições de vida da população. Tudo que atinge as pessoas, seja de forma positiva ou negativa, é resultado de ação política. Até a qualidade do ar que abastece nossos pulmões, para variar, depende de decisão dos engravatados de Brasília.
A política não é pop, mas está no sangue, na palma da mão, no preço do arroz, da carne e do feijão. Política é vida, assistência médica, educação, saúde, doença e morte.
O político pode ser diferente, sentir e agir com amor e respeito ao seu semelhante; pode ser indiferente ao ingente sofrimento de tanta gente. É o político que determina quem vive, quem morre e quem deve rastejar na indigência ou refestelar na opulência.
Ainda assim, per si, a política não é boa e nem ruim. Ela é polimórfica e multifacetária. Se presta a todas as finalidades e produz o resultado pretendido por quem consegue manejá-la. É apenas um instrumento, portanto.
Depois deste inócuo, porém inoculante preambulo, vamos ao que interessa. O X da questão, aqui, é chamar atenção para uma predatória ação política deflagrada pelo suplente de deputado Ademir Brunetto (PSB), no exercício do mandato parlamentar, por força de questionável arranjo político.
Pois bem! O dito cujo suplente chegou à Assembleia Legislativa e, de bate pronto, revelou a que veio e a que interesses representa. O proposito de Brunetto é acabar com a Unemat e inviabilizá-la financeiramente.
O golpe de misericórdia em uma das instituições mais importantes do estado depende apenas da aprovação, pelo plenário da AL, de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC), que suprime o Artigo 246 da Constituição do Estado.

 
Leia Também:  WILSON SANTOS: O governador Pedro Taques, eleito com 58% dos votos válidos, começou os trabalhos de transição do seu governo realizando uma série de ações acertadas. Contudo, a partir de agora, sua equipe econômica terá que enfrentar seu primeiro grande desafio: solucionar o problema do desequilíbrio fiscal do estado de Mato Grosso

Eximir o governo do estado da obrigação de repassar a Unemat, com regularidade, um percentual definido em lei (atualmente 2,5%) sobre a receita liquida corrente (RLC), para custeio, manutenção, desenvolvimento de pesquisas e expansão de Campus universitários, é o mesmo que assinar o atestado de óbito da instituição.
Sem autonomia financeira, a Unemat torna-se presa fácil para políticos predatórios, que se beneficiam com o analfabetismo e com a abundância de mão de obra não qualificada. Brunetto não tornou-se algoz da Unemat por questões de somenos importância.
O apagado representante de Alta Floresta é apenas a voz e a fácil visível de inimigos mais poderosos da instituição. As assinaturas dos deputados Doutor Leonardo (SD) e Wilson Santos (PSDB), líder e vice-líder, respectivamente, do governo na Assembleia, escondem coisas inimagináveis por nossa vã filosofia.
Se submetida a PEC Brunetto a rigoroso exame de impressão digital, os peritos da Politec podem revelar sinais dos dedos e das papilas dérmicas das mãos do governador Pedro Taques.
É de obviedade ululante, que um suplemente acomodado no parlamento, por prazo predeterminado de 90 dias, não seria atrevido ao ponto de apresentar um projeto tão nefasto e pernicioso aos interesses dos trabalhadores. Brunetto é respaldado pelos notórios e não notórios inimigos da universidade pública, livre e gratuita.
Acabar com a Unemat representa um negócio da China para os grupos econômicos, que corrompem autoridades, são inatingíveis pelos órgãos de controle externo e de fiscalização, financiam políticos e monopolizam o rico mercado do ensino privado. A Unemat entrou no radar dessa gente ou dessa matilha de lobos famintos. Vamos defende-la?

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Edésio Adorno é advogado em MT
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LÚDIO CABRAL: 5 mil vidas perdidas para a covid em Mato Grosso

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CINCO MIL VIDAS

Lúdio Cabral*

Cinco mil vidas perdidas. Esse é o triste número que Mato Grosso alcança hoje, dia 26 de janeiro de 2021, em decorrência da pandemia da covid-19.

Cada um de nós, mato-grossenses, convivemos com a dor pela perda de alguém para essa doença. Todos nós perdemos pessoas conhecidas, amigos ou alguém da nossa família.

A pandemia em Mato Grosso foi mais dolorosa que na maioria dos estados brasileiros e o fato de termos uma população pequena dificulta enxergarmos com clareza a gravidade do que enfrentamos até aqui.

A taxa de mortalidade por covid-19 na população mato-grossense, de 141,6 mortes por 100 mil habitantes, é a 4ª maior entre os estados brasileiros, inferior apenas aos estados do Amazonas (171,9), Rio de Janeiro (166,2) e ao Distrito Federal (147,0). O número de mortes em Mato Grosso foi, proporcionalmente, quase 40% superior ao número de mortes em todo o Brasil. Significa dizer que se o Brasil apresentasse a taxa de mortalidade observada em Mato Grosso, alcançaríamos hoje a marca de 300.000 vidas perdidas para a covid-19 no país.

Lembram do discurso que ouvimos muito no início da pandemia? De que Mato Grosso tinha uma população pequena, uma densidade populacional baixa, era abençoado pelo clima quente e que, por isso, teríamos poucos casos de covid-19 entre nós?

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Lembram do posicionamento oficial do governador de Mato Grosso no início da pandemia, de que o nosso estado não teria mais do que 4.000 pessoas infectadas pelo novo coronavírus?

Infelizmente, a realidade desmentiu o negacionismo oficial e oficioso em nosso estado. Não sem muita dor. O sistema estadual de saúde não foi preparado de forma adequada. Os governos negligenciaram a necessidade de isolamento social rigoroso em momentos cruciais e acabaram transmitindo uma mensagem irresponsável à população. O resultado disso tudo foram vidas perdidas.

Ao mesmo tempo, o Mato Grosso do sistema de saúde mal preparado para enfrentar a pandemia foi o estado campeão nacional em crescimento econômico no ano de 2020. Isso às custas de um modelo de desenvolvimento que concentra renda e riqueza, de um sistema tributário injusto que contribui ainda mais com essa concentração, e de um formato de gestão que nega recursos às políticas públicas, em especial ao SUS estadual, já que estamos falando em pandemia.

Dolorosa ironia do destino, um dos municípios símbolo desse modelo de desenvolvimento, Sinop, experimentou mortalidade de até 100% entre os pacientes internados em leitos públicos de UTI para adultos em seu hospital regional.

Nada acontece por acaso. Os números da covid-19 em Mato Grosso não são produto do acaso ou de mera fatalidade. Os números da covid-19 em Mato Grosso são produto de decisões governamentais, de escolhas políticas determinadas por interesses econômicos, não apenas agora na pandemia, mas por anos antes dela. E devemos ter consciência disso, do contrário, a história pode se repetir novamente como tragédia.

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Temos que ter consciência dessas injustiças estruturais para que possamos lutar e acabar com elas. A dor que sofremos pelas pessoas que perdemos para a pandemia tem que nos mobilizar para essa luta.

Lutar por um modelo de desenvolvimento econômico que produza e distribua riqueza e renda com justiça, que coloque pão na mesa de todo o nosso povo e que proteja a nossa biodiversidade. Lutar por um sistema tributário que não sacrifique os pequenos para manter os privilégios dos muito ricos. Lutar por políticas e serviços públicos de qualidade para todos os mato-grossenses. Lutar pelo SUS, por um sistema público de saúde fortalecido e capaz de cuidar bem de toda a nossa população.

São essas algumas das lições que precisamos aprender e apreender depois de tantos meses de sofrimento e dor, até porque a tempestade ainda vai levar tempo para passar.

*Lúdio Cabral é médico sanitarista e deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores em Mato Grosso.

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