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ADEMAR ADAMS: A cortina que roubou meu bife lá no Hotel Águas Quentes

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Patacoada

A cortina que roubou meu bife

Por Ademar Adams

É verdade que nunca apreciei a comida do restaurante do Hotel Mato Grosso Águas Quentes. Falei isso nas muitas vezes que estive hospedado naquele local maravilhoso em eventos sociais, de trabalho, em cursos sindicais ou cooperativos que participei.

Nunca deixei de ir lá por causa da comida, o lugar compensa minha desdita com o cardápio. Se bem que uso de um dia, o chamado day use, eu nunca tinha feito.

Então neste começo de ano fomos passar um dia lá com a família, incluindo pela primeira vez os nossos netos. 

Lá pela tantas senti um aroma de carne suína assada ou frita que me permitiu augurar um primeiro almoço digno dos meus elogios.

Chegada a hora do almoço com a família todos fazendo “boca de rancho”, como se dizia na caserna de quem estava na primeira fila na hora do rango.

Todos se serviram e nos sentamos para almoçar. Nossa mesa ficava num canto junto ao guarda corpo no lado do restaurante que dá para as piscinas quentes.

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Mal comecei meu almoço e uma lufada de vento fez uma cortina vermelha me envolver. Pela cor dela politicamente falando, bem-vinda. Mas, futebolisticamente, vade retro! Desvencilhei-me dela e senti que ela tinha um tipo de contra peso, joguei ela para o lado de fora e por lá ela ficou.

Minha cunhada Vanessa notou aquela coisa pendurada e eu didaticamente expliquei que era um peso para segurar a cortina. 

– Parece um bife, disse ela.

Respondi que deveria ser um tipo de cerâmica ou coisa que valha.

Voltei ao prato e terminada a salada resolvi provar o bife suíno, cujo olor eu havia sentido antes do almoço. Mas cadê o meu bife? Escrafunchei meu prato e não é que o bife tinha sumido.

– Está lá pendurado na cortina, insistiu a Vanessa.

Só então eu fui olhar com mais afinco aquilo que eu tinha definido como peso para manter a cortina. Era o meu bife enroscado num daqueles penduricalhos da cortina…

Rimos muito e virou a piada do almoço, o caso da cortina ladrona de bife.

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Ainda fui fazer um repeteco da comida, mas os bifes de suíno não estavam disponíveis no momento. Voltei à mesa resmungando da comida como sempre. 

Fomos à busca da sobremesa para tentar suavizar o desprazer da comida. Vã esperança…a sobremesa também não era do meu gosto.

E assim mantive minha condenação ao almoço do hotel. Mas na verdade, em resorts e casas onde se faz comida para muita gente, a qualidade é sempre baixa. A única chance de mudar um pouco esta minha avaliação, me foi surrupiada pela cortina rubra. 

Pelo menos saí no lucro, pois a patacoada da cortina ladrona me rendeu esta crônica.

Ademar Adams é jornalista em Cuiabá, MT

Janeiro de 2022

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NA DIVISA DE MATO GROSSO COM O PARÁ: Parque Estadual do Cristalino II ganha novo fôlego e continua valendo. Decreto de criação da unidade de conservação, de 118 mil hectares de Floresta Amazônica, segue vigente e caso pode chegar ao STF

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Após a justiça ter dado ganho de causa a uma empresa para revogar decreto que criou o Parque Estadual do Cristalino II (MT), o processo (nº 0001322-40.2011.8.11.0082) foi reaberto, com a retirada da certidão de “trânsito em julgado”.

O “trânsito em julgado” é o momento em que uma sentença se torna definitiva e não cabe mais recurso no processo. Reverter esse quadro é algo incomum, até raríssimo, na justiça brasileira.

No caso do Cristalino II, isso se deu porque o Ministério Público não foi citado sobre a decisão e sobre os prazos de recurso. Com o reconhecimento desta falha processual, agora o MP poderá recorrer a instâncias como o Superior Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal Federal.

A consultora jurídica e de articulação do Observatório Socioambiental de Mato Grosso (Observa-MT), Edilene Amaral, ressalta que a área continua fazendo parte do banco das unidades de conservação do Estado. “O parque continua existindo e protegido. Qualquer atividade incompatível com a sua categoria, que é de proteção integral, continua vedada e passível de penalidades”.

A decisão que poderia resultar na extinção do parque mobilizou a sociedade civil. O Observa-MT e outras 45 organizações se aliaram para fazer frente ao retrocesso sem precedentes.

Em manifesto, defenderam a proteção do Parque Cristalino II. “É mais um dos diversos ataques que as áreas protegidas no Estado vêm sofrendo e podem representar um precedente perigoso”.

As organizações registram na nota que a sentença se deu sem que a Procuradoria Geral do Estado (PGE) tivesse interposto nenhum recurso. E que o “procurador do Estado, em seu parecer, pede a retirada do parque das bases de dados da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA), fundamentado pela decisão da Segunda Câmara de Direito Público e Coletivo do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), que acolheu a tese do não cumprimento da exigência de consulta pública”.

Mas as organizações questionam esse argumento, pois “esse mesmo critério não tem sido reconhecido pelo TJMT e nem mesmo pela Procuradoria Geral do Estado especializada na questão ambiental (SUBPGMA) quando se trata de exigência para contemplar comunidades tradicionais, indígenas ou organizações que visam proteger a biodiversidade do Estado”.

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Segundo levantamento do Instituto Socioambiental para Unidades de Conservação, a região do Cristalino abriga mais de 600 espécies de aves catalogadas, sendo que 23 delas constam na Lista Nacional de Espécies Ameaçadas de Extinção do Ministério do Meio Ambiente. Conforme levantamento realizado pela Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT/ Sinop, foram identificadas 60 espécies de anfíbios, 82 espécies de répteis, 39 espécies de peixes e 38 espécies de mamíferos de médio e grande porte, sendo 12 delas também consideradas ameaçadas de extinção.

Conforme levantamento da Fundação Ecológica Cristalino (FEC), Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA), Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e Royal Botanica Gardens, foram catalogadas mais de 1.400 espécies da flora do Parque Cristalino. O estudo foi publicado em 2010.

A área, de 118 mil hectares do Cristalino, concentra floresta de terra firme, floresta estacional, de igapó, varjões, afloramentos rochosos e o rio Cristalino.

Vale ressaltar que, segundo o decreto que se pretendia anular, o parque foi criado, “considerando a necessidade de se assegurar a proteção integral dos recursos bióticos, abióticos e paisagísticos das áreas de floresta primárias, corredeiras, cachoeiras e sítios arqueológicos no Município de Novo Mundo.

O documento, que tem como fonte dados de 2002 da Fundação Estadual do Meio Ambiente – que no Governo de Blairo Maggi virou Sema -, destacava que a região era ameaçada pela extração ilegal de madeira e grilagem.

Localizado ao norte do estado, o Parque Estadual Cristalino II limita-se com a Serra Rochedo até a divisa com o Pará, em um lugar de profusão de nascentes de água pura e cristalina, que justificam o nome da Unidade de Conservação.

Os serviços ambientais prestados pelo Parque Estadual do Cristalino II são fundamentais para a própria agricultura do estado e do país. Entre estes serviços está a manutenção do regime de chuvas, com a formação dos Rios Voadores que transportam umidade da Floresta Amazônica que se transformará em precipitações em outras regiões do país.

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Manifestação Coletiva Sobre o Anúncio Da Extinção Do Parque Cristalino II Em Mato Grosso by Enock Cavalcanti on Scribd

Reação do MP

Na tarde de segunda-feira (8) o Ministério Público do Estado de Mato Grosso, por meio da Procuradoria de Justiça Especializada em Defesa Ambiental e da Ordem Urbanística se pronunciou via assessoria de imprensa. Informou que na sexta-feira (05) ingressou com embargos de declaração contra acórdão da Segunda Câmara de Direito Público e Coletivo do Tribunal de Justiça, que declarou nulo o Decreto Estadual n.º 2.628/01 que instituiu a Unidade de Conservação Parque Cristalino II. O MPMT apontou a existência de vício processual insanável na publicação do acórdão.

O MP explica que era imprescindível a intimação do MP, “por se tratar de processo que envolve interesse público e social, ao não possibilitar a intervenção do órgão ministerial na defesa da ordem jurídica, o órgão julgador teria violado artigos do Código de Processo Civil e da própria Constituição Federal”.

Segundo o procurador de Justiça Luiz Alberto Esteves Scaloppe, “a instituição aguarda o julgamento do recurso, como forma de sanar a omissão do acórdão publicado, e também para prequestionar o feito para fins de interposição de eventuais recursos aos Tribunais Superiores”.

O MP informa que também foi expedido ofício à secretária estadual de Meio Ambiente, Mauren Lazzareti, alertando que o Parque Cristalino II permanece no sistema de unidades de conservação do Estado de Mato Grosso até a apreciação conclusiva do mérito da demanda. A Secretaria de Estado de Meio Ambiente deverá continuar observando as regras de proteção ambiental referentes ao Parque em questão.

Cena no Cristalino. Foto Marcos Amend

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