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O melhor detergente é a luz do sol

1º PRÊMIO MT ARTES: Artista plástica Mari Gemma marcou a noite com protesto contra presidente genocida. Além de 15 premiados, foram homenageados Clóvis Matos, grupo “É o Bicho” e Beto Dois a Um

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Plateia do Cine Teatro no Premio MT Artes, com distanciamento social

Uma noite de artes, uma noite de gala, uma noite de protesto e também uma noite de homenagem ao homem do poder na Cultura de Mato Grosso. Assim foi a noitada de premiação do 1º Premio MT Artes lançado este ano pela MT Escola de Teatro e outros parceiros como forma de homenagear e celebrar o setor cultural de Mato Grosso. No final de tudo, saldo positivo para um grupo de culturetes que conseguiu se manter ativo em meio à severa pandemia que vem castigando o Estado e já matou mais de 11 mil mato-grossenses, depois de contaminar mais de 400 mil pessoas em nosso território – e continua avançando, já que MT voltou essa semana a aparecer pintado com o alerta vermelho da multiplicação dos casos, no Jornal Nacional da Rede Globo.

O protesto, no palco do Cine Teatro Cuiabá, ficou a cargo da artista plástica Mari Gemma, de Cuiabá, premiada na categoria artes visuais devido a exposição digital Porto Kyvaverá. Desafinando o coro dos contentes, Mari Gemma apareceu inicialmente com uma enorme cara de palhaça e empunhando cartaz com o grito “Fora Bolsonaro Presidente Genocida”. Mari Gemma, uma mulher e artista delicada, retratou, em sua fala, o sentimento de revolta que percorre não só o cenário cultural de Mato Grosso, mas todo o universo civilizado, quando se trata de avaliar a atuação do atual presidente do Brasil, o capetão Jair Bolsonaro.

Seven Mônica, apresentadora

A homenagem ao homem do poder ficou a cargo do ator Romeu Benedito –  um dos apresentadores da noitada, ao lado da cantora trans Seven Mônica – ao convidar o secretário Alberto Machado para subir no palco “Beto é um homem comprometido com a cultura e carrega a arte nas veias, já que é músico, compositor e gestor cultural, com forte sensibilidade artística”, disse Romeu Benedicto, com os rapapés de praxe, previsto no script.

Uma noite de gala

Celebrar a cultura de Mato Grosso. Esta a intenção do 1º Prêmio MT Artes, realizado em noite de gala, na quarta-feira (9), no Cine Teatro Cuiabá. O evento destacou importantes obras e artistas da cultura mato-grossense que contribuíram para manter acesa a chama da arte em tempos de pandemia.

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O Prêmio MT Artes surge para homenagear e celebrar o setor cultural de Mato Grosso e também ampliar a visibilidade das produções artísticas produzidas durante o período de pandemia. A premiação foi dividida em cinco linguagens artísticas, cada uma com dez indicados, dos quais foram eleitos três vencedores de cada segmento: artes visuais, audiovisual, dança, literatura e teatro.

Esse Prêmio foi criado para valorizar a cultura de Mato Grosso. É importante dizer que não se está premiando os melhores, e sim indicando alguns trabalhos para fortalecer a classe artística, para que as pessoas percebam a importância da arte e da cultura neste momento de pandemia. O que tem amenizado nossas dores e acalmado nossos corações neste momento tão difícil é a cultura”, explica Flávio Ferreira, diretor do Cine Teatro Cuiabá e da MT Escola de Teatro.

O Prêmio MT Artes é de suma importância porque valoriza a cultura, fundamental para que passássemos por este momento difícil. Nosso segmento foi impactado diretamente com a pandemia e a arte ajuda muito a controlar nosso emocional. Parabéns a todos por essa realização e me coloco a disposição sempre, para que possamos juntos levar a cultura para os quatro cantos de Mato Grosso”, disse o secretário de Cultura, Esporte e Lazer, Beto Dois a Um.

 

Mahon e Marta Cocco, premiados na Literatura

Relação de premiados

Na categoria artes visuais, venceram Kaji Wauja e Makalu, por suas criações em cerâmica, representando o Parque Indígena do Xingu; Mari Gemma, de Cuiabá, premiada com a exposição digital Porto Kyvaverá; e Sol Ferreira, de Várzea Grande, premiada com a obra Manga Coração de Boi.

Na categoria audiovisual venceram “As mãos Beneditas de Justina”, de Isabela Ferreira; “Missivas”, de Caroline Araújo e Mauricio Pinto; e “Vitamina D”, de Severino Neto e Diego Medvedocky.

Na categoria dança, os vencedores foram a Escola Municipal de Dança, de Primavera do Leste, por “conSente”; Estúdio CLAZ, de Cuiabá, por “Desassossego”; e Grupo de Dança de Rua, de Cáceres, pela obra “Intense life”.

Na categoria literatura, os premiados foram “Eles não podem tirar isso de mim”, de Eduardo Mahon; “A Menina Capu e as tintas mágicas”, de Capucine Picicaroli e Marta Cocco; e Aclyse Mattos.

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Na categoria teatro, os vencedores foram “Depois do fim do mundo vem sempre um outro dia”, dos estudantes do Núcleo 2 da MT Escola de Teatro; “Fiu Fiu – O encontro entre Pássaros”, Grupo Tibanaré; e “O que restou do bairro silenciou a mulher na quarentena”, de Ariana Carla.

Johnny Everson e banda, o grupo de cururueiros Siriri Elétrico, a cantora trans Seven Monica, o dançarino Nicolas e a dupla sertaneja Dois a Um realizaram apresentações entre as premiações. O Prêmio MT Artes é uma parceria entre o Cia Cena Onze, Adaap e Unemat.

Homenagens

O secretário Beto Dois a Um foi um dos homenageados da noite, ao lado de Clovis Matos pelo projeto de resistência e inclusão literária que já distribuiu mais de 140 mil livros em 15 anos e “É o Bicho”, grupo de voluntários defensores da causa animal que esteve à frente de importantes ações de combate aos incêndios do Pantanal em 2020, acolhendo e tratando animais que sobreviveram à tragédia ambiental.

A escolha de Beto se deu em função da atuação fundamental na Lei Aldir Blanc em Mato Grosso, tornando possível a sobrevivência da cultura no período de pandemia”.

A cultura transforma e resiste a tudo. Resiste ao tempo, à política, e está resistindo a esta pandemia tão cruel. Esse prêmio não é meu, é de toda a Secel. Preciso dizer isso para honrar o trabalho que tem sido realizado. Eu me sinto um privilegiado por ‘estar secretário’ em uma época tão difícil, rodeado de gente aguerrida, e poder colaborar com toda força que for possível dedicar. Sinto-me o cara mais feliz do mundo por fazer parte desse time. Repito, esse não é só meu, é de todos nós da Secel”, disse Beto, ao agradecer pela homenagem.

Antes de chamar seu parceiro Ivan ao palco para encerrar a noite de premiações cantando canções da dupla Dois a Um, o secretário Beto adiantou: “Quero deixar uma mensagem de otimismo, nem só de Lei Aldir Blanc vive a Secel. Teremos muitos editais este ano, recursos importantes para que possamos manter a engrenagem se movimentando. O governador Mauro Mendes entende a urgência da cultura e está engajado nessa causa. Aguardem que estamos preparando muitas novidades”.

 

 

Com informações e fotos da Secom MT

 

Beto e Ivan, do Dois a Um, também cantaram na premiação

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ENOCK CAVALCANTI: Neri Geller e Wellington, as duas faces do Agro que domina e sufoca Mato Grosso

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Neri Geller e Welington, duas faces do Agro que domina e sufoca MT

Por Enock Cavalcanti

 

O Agronegócio concentra suas preocupações e seus investimentos na disputa pela única vaga do Senado que será posta à disposição dos eleitores de Mato Grosso neste ano de 2022. É que o Agro parece querer confirmar, mais do que nunca, a sua hegemonia sobre a vontade dos mato-grossenses. Para o Governo do Estado, a reeleição do empresário garimpeiro Mauro Mendes já seriam favas contadas, segundo os prognósticos que circulam pelos bastidores.

Com Jayme Campos e Carlos Fávaro que já estão lá no Senado, o Agro trabalha para manter sua hidra de três cabeças reinando sobre as votações e sobre as articulações na Câmara Alta para que Mato Grosso se confirme como o rendoso pasto que Dante de Oliveira e os governos tucanos entregaram ao guloso controle dos ruralistas na virada do século 20 para o século 21.

Não é exagero dizer que Mato Grosso, atualmente, é a Fazenda Modelo da mais violenta concentração de renda da História desse Brasil sempre dominado pelos latifundiários, a ferro e fogo e sempre concentrado na exportação de produtos primários, desde a exploração inicial do pau brasil.

Para os pobres escravizados de antes e para os pobres assalariados de agora, sobram sempre os ossinhos – e/ou um desemprego que os mantém fora do mercado e do acesso às modernas maravilhas criadas pela opulenta sociedade burguesa que temos por aqui.

Mas por que o Agro não se unifica em torno de uma só candidatura nesssa disputa pelo Senado? Welington Fagundes é um nome de maior tradição no servilismo, pois nunca se preocupou com as populações subalternizadas, sempre teve olhos apenas para as grandes obras de infra-estrutura, sempre atendeu fielmente às exigências da Casa Grande. Neri Geller veio depois, inventado pelos integrantes da familia Maggi que, por sua vez, foi uma invenção do pioneiro Olacir de Morais, importada lá das sangrentas margens do Rio Bostinha, no Paraná.

Ora, existem aqueles analistas que já documentaram que o Agro teria formado como que uma enorme máfia no Brasil, sugando as riquezas de toda a República, e toda máfia que se preza – seja na Cosa Nostra italiana, seja na Bratva da Russia , seja na Mara Salvatrucha na América Central, seja na Yakuza – haverá sempre que ser marcada por disputas internas sangrentas, fratricidas, que vem lá do mito de Abel e Caim que está na base de todos as angústias que marcam a condição humana.

Leia Também:  CEARÁ E VILSON NERY: É um escárnio. As tais “pedaladas fiscais” são cometidas todos os anos, por todos os gestores, que rolam dívidas e compromissos da gestão. Não há sequer um prefeito ou um governador que ao fim de um exercício não tenha “pendurado” uma conta para o ano seguinte. Portanto, o impeachment que se planeja contra a presidenta da República, liderados por acusados de desvio de recursos para a Suíça, investigados na Lava a Jato e derrotados nas eleições de 2014, é um atentado contra a Democracia

Aqui em Mato Grosso, no Centro Oeste brasileiro, tem muito, uma montanha de dinheiro rolando nestas plantações, nestas matas, nestas florestas, mermão, e tanto dinheiro sempre atrai olhos famintos, troca de esbirros, choque de egos – e muitas outras plantações, e muitas outras minerações, e muitas outras formas de enriquecer, que é semente, que é plantação, ainda mais com tantos mercados a que a globalização pode nos envolver e arrastar. Pelo que se viu nas recentes investigações da CPI da Sonegação, na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, a contabilidade do Agro é um emaranhado tal que nem os nossos parlamentares estaduais mais esforçados conseguiram penetrar, para entender a mágica pela qual grande parte dos recursos que os ruralistas mato-grossenses recolhem pelo Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab) acabam retornando aos cofres de entidades como a Aprosoja, suspeitas de usarem esses recursos para financiarem até mesmo atividades contra o Supremo Tribunal Federal.

O fato é que a eleição está no ar e os candidatos já estão voando. Se você votar Neri Geller senador, o Agro pega. Se você votar Wellinton senador, o agro come. O controle sobre o gado, povo marcado nesse mercado mato-grossense, é tão forte, é tão tradicional, é tão corriqueiro, que é dificil para qualquer analista pensar em uma alternativa viável. Nossos partidos , claro, não ajudam, só servem mesmo para multiplicar espantos, como essa candidatura de Antônio Galvan pela extrema direita sojeira.

Crucial é perceber que o controle sobre o Parlamento, que produz as Leis, é necessário para que o Agro implemente medidas como a que, recentemente, foram consagradas pelo Projeto de Lei (PL) 1293/21 que afastou os fiscais do Estado e estabeleceu a fiscalização de todas as atividades da agropecuária no Brasil atraves, vejam só, do autocontrole dos próprios produtores.

De um lado, o controle do Governo Federal pelo bolsonarismo vai sucateando a máquina do Estado e se chega a situações como a que se registrou no norte do estado do Paraná, recentemente, onde o Ministério da Agricultura dispunha de apenas uma fiscal para fiscalizar estalecimentos rurais de 60 municípios, algo em torno de 400 a 500 granjas.

Abre-se concurso e contrata-se mais fiscais?! Que nada! Os ruralistas que dominam o Congresso acharam bem melhor entregar a fiscalização de suas atividades aos próprios ruralistas, confiando que eles são todos homens e mulheres de boa vontade. A partir de agora, intervenção zero do Estado. Produtores poderão aderir voluntariamente aos programas de autocontrole, por um protocolo privado de produção, com registros auditáveis de toda a cadeia – da matéria-prima ao produto final. Podia haver coisa melhor?!

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Fico temendo que, se o bolsonarismo vencer e ganhar um segundo mandato com Bolsonaro e o Congresso seguir nas mãos venais do Centrão, pode ser que essa desregulamentação chegue a todos os setores da economia. Sim, se os ruralistas podem viver e trabalhar no campo sem qualquer fiscalização estatal nos seus cangotes, pra que mantér os Procons empentelhando a vida de donos de lojas de shoppings e de supermercados?!

E esse é só um exemplo do controle (ou descontrole) cada vez maior que o Agro vai exercendo sobre o cotidiano brasileiro e do impacto que isso pode ter em todo o nosso modo de vida, levando a uma mercantilização atroz das mais diversas facetas do nosso cotidiano.

Os investimentos eleitorais, nesse mês de maio, já estão a todo vapor e traduzem uma guerra interna que para o grande público é dificil perceber. O que o público certamente já percebe , todavia, é que o dinheiro para viabilizar este ou aquele candidato dos ruralistas já está jorrando.

Custosas placas com a campanha de Neri Geller e Welington que brigam para ser a cara do Agro no Senado já ocupam ruas e vielas da capital e do interior, numa pré-campanha eleitoral rica e evidentemente ilegal, mas sem que a Justiça Eleitoral se preocupe em coibí-la.

Afinal de contas, Governo, Parlamento, Ministério Público, Poder Judiciário… todas as instâncias de poder se confraternizam e evitam os confrontos desnecessários quando o mais importante é viabilizar “uma nova e histórica eleição democrática em nosso País”.

Quem controlar o poder no Agro controla o poder no Brasil. Sim, porque Mato Grosso vê Neri Geller duelando contra Wellington pela preferência do Agro, no mesmo momento em que todo mundo já sabe que, no plano nacional, seja Jair Bolsonaro, seja Luis Inácio Lula da Silva, as duas campanhas presidenciais já dão a pinta de que se renderam também ao poder desse Agro que, para perplexidade nossa, parece não ter quem lhe estabeleça limites e alternativas.

 

Enock Cavalcanti, 69, jornalista, é editor em Cuiabá, do blogue PAGINA DO ENOCK , desde 2009

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