O ano termina com a exposição lastimável de Pedro Henry, algemado, na chegada a Cuiabá. Trata-se de um homem inocente, humilhado e levado à prisão depois de condenado sem provas no julgamento do Mensalão. Por que o PP não o defende? Por que o PP não se soma àqueles que denunciam a farsa do Mensalão? Recorde-se que Pedro Henry foi inocentado completamente pelos votos dos ministros Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e Marco Aurélio Mello.

O ex-deputado federal Pedro Henry, com os deputados estaduais Ezequiel Fonseca e Antonio Azambuja, lideranças do Partido Progressista em Mato Grosso e algemado, cobrindo as algemas com o paletó, em sua chegada, escoltado pela Policia Federal, a Cuiabá, no dia 27 de dezembro. Condenado na farsa do Mensalão, Pedro Henry que já foi uma das maiores lideranças partidárias do Estado, hoje não tem quem o defenda, já que seu partido não tem perfil ideológico.

Placar final da votação contra Pedro Henry no julgamento do mensalão. Confira e veja que o ex-deputado federal do PP foi INOCENTADO COMPLETAMENTE pelos ministros Ricardo Lewandoski, Gilmar Mendes e Marco Aurélio Mello que contestaram a validade a tese  de compra de voto sustentada pelo Ministério Público Federal. No final, sobrou retórica truculenta, sustentada pelo ministro Joaquim Barbosa, e faltaram provas válidas contra Pedro Henry

Placar final da votação contra Pedro Henry no julgamento do mensalão. Confira e veja que o ex-deputado federal do PP foi INOCENTADO COMPLETAMENTE pelos ministros Ricardo Lewandoski, Gilmar Mendes e Marco Aurélio Mello que contestaram a validade da tese de compra de voto sustentada pelo Ministério Público Federal. No final, sobrou retórica truculenta, sustentada pelo ministro Joaquim Barbosa, e faltaram provas válidas contra Pedro Henry

Em Mato Grosso, são muitas as patifarias de que o deputado federal Pedro Henry é acusado.  As disputas de baixo nível de Henry e seu irmão Ricardo, na cidade de Cáceres, contra o grupo do Túlio Fontes corporificam muitas dessas baixarias, em que a utilização criminosa das emissoras de televisão controladas pela família tem sido devidamente punidas tanto pela Justiça Eleitoral quanto pela Justiça comum. A recente privatização de parte do sistema estadual de Saúde, em benefícios das chamadas OSs, sobre as quais Pedro Henry teria um possível controle, é uma questão explosiva que também já está sendo devidamente judicializada.

Só que patife seria eu, Enock Cavalcanti, se não levantasse a minha voz de cidadão e de blogueiro para condenar a lastimável exposição a que foi submetido o ex-deputado Pedro Henry, ao ser transferido, de Brasilia para Cuiabá, preso e indevidamente algemado, para cumprir uma pena que jamais deveria ter recebido.

O julgamento do Mensalão, no âmbito do Supremo Tribunal Federal, foi um julgamento que atropelou as exigências legais, se transformando em um julgamento de excessão, um julgamento político que envergonha o Judiciário brasileiro perante o nosso País e perante o mundo. Juristas de escol como Ives Gandra Martins, Bandeira de Mello e Carlos Veloso já expuseram as contradições observadas em todo este processo.

O tempo inteiro, durante o julgamento, Pedro Henry e o seu advogado, José Antonio Duarte Alvares, declararam a sua inocência. Recordem que Pedro Henry foi acusado, enquanto líder do Partido Progressista, durante o governo do digno presidente Luis Inácio Lula da Silva, de recebido grana para favor a favor de teses de interesse do partido do governo, que era o Partido dos Trabalhadores. Ora, esse esquema de compra de votos jamais ficou provado, seja contra Pedro Henry, seja com relação a qualquer um dos réus do Mensalão.

E as provas alinhavadas pelo truculento ministro-relator Joaquim Barbosa contra Pedro Henry foram tão frágeis que, no final, além do voto sempre emblemático do ministro Ricardo Lewandowski, Pedro Henrique foi COMPLETAMENTE INOCENTADO de todas as acusações que contra ele foram lançadas, também pelos ministros Marco Aurélio Mello e Gilmar Mendes, este último que figurou, curiosamente, ao lado do truculento Joaquim Barbosa como um dos carrascos do PT e dos seus aliados nesse julgamento político e manipulado do Mensalão.

Então, apontar a inocência de Pedro Henry, no julgamento do Mensalão, é dever de todos os cidadãos conscientes, de Mato Grosso e do Brasil. Uma inocência que se impõe não só pela falta de provas válidas no processo, mas porque, ao longo do julgamento, para os ministros Lewandowski, Marco Aurélio e Gilmar Mendes, restou comprovada a completa inexistência dos fatos narrados na denúncia do Ministério Público Federal.

Ora, é um absurdo falar-se em compra de votos de deputados aliados para a aprovação de propostas como a Reforma da Previdência, quando até os parlamentares da Oposição, os parlamentares do PSDB, votaram favoravelmente àquela Reforma. Mas a tese esdrúxula acabou se impondo, ante a campanha anti-petista sustentada pela grande mídia e a inércia de partidos como o Partido Progressista – que foi tímido na defesa de Pedro Henry durante todo o processo do Mensalão e agora, quando Pedro Henry chega algemado, humilhado indevidamente, em Cuiabá, se omite completamente na defesa daquela que já foi sua principal liderança.

Ora, por que o PP de Mato Grosso não defende Pedro Henry?

Imagino que, nesse momento, Pedro Henry está sendo vítima de si mesmo, ele que construiu um partido sem espinha dorsal, sem ideologia, plataforma apenas para acertos administrativos de ocasião, e, agora, não encontra, entre seus correligionários, uma pessoa sequer para gritar, como os petistas estão gritando em defesa de Genoino, Zé Dirceu e Delúbio: o julgamento do Mensalão foi uma farsa e que Pedro Henry, nesse episódio deste julgamento do Mensalão, é um homem inocente!

Um fim de ano lastimável para a política, em Mato Grosso. Voltarei ao assunto.

 

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ENTENDA O CASO

 

Ministros votam pela condenação de Pedro Henry; Gilmar Mendes o inocenta

Cinco votos condenaram o parlamentar por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Gilmar Mendes votou pela absolvição do Réu

YURI RAMIRES/ DE CUIABÁ – GAZETA – 28.09.2012

Foi votado nesta quinta-feira (27) no Supremo Tribunal Federal a condenação do deputado federal Pedro Henry (PP). Os ministros Luiz Fux, Rosa Weber, Cármen Lúcia e José Dias, foram favoráveis pela condenação do parlamentar.

Ele foi acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Já pelo crime de formação de quadrilha, o único que votou pela condenação foi o ministro Luiz Fux. Já o ministro mato-grossense Gilmar Mendes votou a favor de Henry e optou pela absolvição de todos os crimes.

Gilmar Mendes votou pela condenação dos seguintes réus, Corrêa, Genú, Costa Neto e Jacinto Lamas, esses acusados de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Os mesmos crimes que Pedro Henry está sendo acusado.

Sobre isso, o ministro argumentou que não há provas contra o parlamentar do PP. “O único indício de que ele era líder do PP na Câmara dos Deputados. Não foi comprovada a participação dele nos ajustes financeiros”, declarou Gilmar.

 

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Lewandowski diverge de Barbosa e absolve Pedro Henry de três crimes

Danilo Macedo e Débora Zampier
Agência Brasil – 20.09.2012

Brasília – O ministro Ricardo Lewandowski, revisor do processo conhecido como do mensalão, iniciou hoje (20) a leitura de seu voto sobre o Capítulo 6 da Ação Penal 470, sobre esquema de compra de apoio parlamentar entre 2003 e 2004. Lewandowski condenou o ex-deputado federal e ex-presidente do PP, Pedro Corrêa (PE), por corrupção ativa, mas o absolveu da acusação de lavagem de dinheiro. Ele também absolveu o deputado Pedro Henry (PP-MT) das acusações de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.
Em relação a Pedro Henry, o ministro disse que a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) não o convenceu sobre a participação do réu em atos ilícitos. “Nem mesmo ficou provado que ele [Pedro Henry] teria recebido qualquer quantia. Concluo que a acusação não descreveu uma só conduta para demonstrar sua participação nos ilícitos que lhe são imputados”.

Lewandowski julgou procedente, no entanto, a denúncia de corrupção passiva contra Pedro Corrêa, por estar provado que ele recebeu dinheiro, tendo, o próprio, admitido o recebimento de R$ 700 mil como ajuda de custo. “O réu não participou das votações da reforma tributária nem lei de falências. Tal circunstância, porém, não descaracteriza o crime de corrupção passiva nos termos da jurisprudência da Corte nesta ação penal.”

Apesar de condenar Corrêa por corrupção passiva, Lewandowski argumentou que o parlamentar não lavou dinheiro porque desconhecia a operação realizada pelo Banco Rural e pelo grupo do publicitário Marcos Valério para ocultar o caminho do dinheiro sujo. “Um réu só pode ser condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro se vier a praticar atos delituosos distintos”, disse Lewandowski, para quem o recebimento de propina por meio de um assessor faz parte do próprio ato de corrupção.

O revisor disse que deixará para o final de seu voto sobre o núcleo do PP a análise do crime de formação de quadrilha, do qual Corrêa é acusado. Segundo o MPF, o ex-parlamentar e o já falecido José Janene atuaram em quadrilha quando se uniram aos sócios das corretoras Bônus Banval e Natimar para lavar dinheiro do esquema conhecido como mensalão.

Apontando o baixo quórum na Corte e a proximidade da sessão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que conta com três ministros do STF, Lewandowski pediu para suspender a leitura de seu voto. O julgamento será retomado na próxima segunda-feira (25) com as considerações do revisor sobre o papel do réu João Cláudio Genu, assessor do PP na época dos fatos.

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Barbosa condena maioria da base aliada e ataca tese do caixa dois

Relator absolve por completo apenas Antônio Lamas. Lewandowski, o revisor, absolve Pedro Correa por lavagem de dinheiro e Pedro Henry por todas as acusações

por Redação Carta Capital — publicado 20/09/2012

O ministro relator Joaquim Barbosa finalizou nesta quinta-feira 20 o item seis do julgamento do chamado “mensalão” no Supremo Tribunal Federal (STF), que envolve os crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha por réus de partidos da base aliada ao governo Lula. O magistrado pediu a condenação de Pedro Henry, Pedro Corrêa e João Cláudio Genú (absolvido em duas imputações de corrupção passiva), do PP, e Valdemar Costa Neto, do extinto PL (atual PR), pelos três crimes.

Jacinto Lamas, Enivaldo Quadrado e Breno Fishberg tiveram voto pela condenação por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha em favor de réus do PL. Bispo Rodrigues (PL), Roberto Jefferson (PTB), Romeu Queiroz (PTB) e José Borba (PMDB) foram considerados culpados por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Já Emerson Palmieri (PL) foi condenado por corrupção passiva e absolvido em três acusações de lavagem de dinheiro. Antônio Lamas teve absolvição concedida em todas as acusações.

O revisor do caso, ministro Ricardo Lewandowski, leu os trechos iniciais de seu voto e abriu divergência do voto de Barbosa. Lewandowski condenou Pedro Correa pelo crime de corrupção passiva, mas absolveu o ex-parlamentar por lavagem de dinheiro. Segundo ele, não há como enquadrar o mesmo ato (o fato de Correa ter recebido dinheiro) em dois crimes diferentes. De acordo com o ministro, Correa teria que ter realizado algum outro ato com o dinheiro, como mandá-lo ao exterior, para incorrer no crime de lavagem. Lewandowski não analisou a acusação de formação de quadrilha contra Correa, dizendo que fará posteriormente.

Lewandowski também analisou as acusações contra Pedro Henry e inocentou o ex-líder do PP na Câmara federal por todas as acusações que pesam contra ele: corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Segundo Lewandowski, a denúncia é tão vaga e genérica que nem deveria ter sido aceita pelo STF, pois não individualiza a conduta do ex-parlamentar. Ainda de acordo com o revisor do “mensalão”, o fato de Henry ser líder do PP e de ser acusado por outros réus do caso não servem para condená-lo. Neste ponto, Lewandowski foi apoiado por Marco Aurélio Mello. O ministro fez uma intervenção para afirmar que não cabe condenação de um réu com base unicamente em depoimento de corréu.

Barbosa ataca a tese do caixa 2

Na parte final de seu voto, Barbosa criticou a tese defendida por diversos réus sobre os pagamentos como formação de caixa dois. Para o relator, os parlamentares condicionaram seu apoio ao governo por dinheiro e a versão de crime eleitoral sem incorrência em corrupção confundiria dois atos e momentos distintos. “Primeiro a solicitação de dinheiro por parte dos réus valendo-se da condição de parlamentares e depois a destinação que deram aos recursos. Campanhas eleitorais ou despesas pessoais, pouco importa.”

Barbosa destacou que os partidos “não são vocacionados” a dar dinheiro um ao outro sem motivos que lhe interessem. “Teria que ser muito ingênuo para acreditar nesta alegação. Aceitar essa tese significa concluir que os beneficiários de milhões adotaram duas condutas distintas e sem relação”, disse. “De um lado solicitaram dinheiro e de outro votaram em importantes matérias no sentido orientado pelo PT. É uma conclusão inconcebível.”
O relator pontuou que os pagamentos foram solicitados por parlamentares com poder sobre seus correligionários e o inicio da distribuição coincidiu com o das atividades legislativas, prosseguindo por vários meses com pagamentos em votações importantes. “Não é possível separar a solicitação de dinheiro ao PT e o exercício da função parlamentar.”

Segundo o magistrado, a finalidade do dinheiro não contribui para a descoberta do motivo dos pedidos de valores. “Ao dizer que tudo se tratou de caixa dois ou despesas particulares não se responde em troca de que elas foram feitas. Não afasta que os pedidos de recurso se vincularam ao apoio”, afirmou. “Não se julga aqui se o dinheiro foi para caixa dois dada a inteira irrelevância deste fato para a conduta criminosa da denúncia. Cabe analisar se foram solicitados recursos em troca de fidelidade ou se não houve relação com a possibilidade dos aliados comporem a base.”

Para o ministro, os beneficiários do suposto esquema não tinham como agir contra os interesses “daqueles que periodicamente lhes transferiam somas fabulosas de dinheiro”. “Ao se aceitar a defesa [tese do caixa dois] estaria aberta a possibilidade de se solicitar pagamentos de campanha em troca de atos de interesse destes partidos.”

Os réus do PTB e PMDB

O relator destacou que os petebistas utilizaram intermediários para receber valores das empresas do publicitário Marcos Valério. Em Minas Gerais, disse, o coordenador do PTB José Hertz realizou saques de elevadas somas no Banco Rural e levou esses valores a Brasília, entregando-as a Palmieri. Valério também levou dinheiro pessoalmente a Jefferson: 4 milhões de reais em espécie em duas parcelas (2,2 mi e 1,8 mi).

“A entrega deste valor para vantagem indevida segue sistema de lavagem para ocultar origem e destino do dinheiro”, ressaltou.

Para o ministro, Jefferson sabia da origem ilícita dos valores e usou o esquema de lavagem fornecido pelo Rural. “Palmieri, embora presente na ocasião de recebimento de valores por Jefferson, não pode ser condenado por este crime devido à ausência de provas”, afirmou. “O valor era para o parlamentar e não foi demostrada sua participação na distribuição do dinheiro.”

Romeu Queiroz recebeu em proveito próprio 102 mil reais pela mesma estrutura de Valério, indicou. Segundo o relator, pediu a um intermediário para sacar o valor no Rural, que também depositou parte do dinheiro na conta do deputado e entregou o restante a sua secretária. “Ele procurou no banco um funcionário indicado pelo deputado, não precisou apresentar documentos e só preencheu um formulário de transferência do valor a Queiroz, que estava em uma lista de beneficiários.”

De acordo com Barbosa, Borba foi comprado pelo PT para influenciar a bancada do PMDB. Ele havia sido eleito líder da bancada da legenda de forma contestada, em um momento em que a legenda não apoiava o governo de forma concreta. “Não vejo como divorciar os pagamentos realizados da atividade do deputado.”

O ministro também considerou haver lavagem de dinheiro pelo deputado, que recebeu 200 mil reais pelo esquema montado por Valério. O magistrado ressaltou que o deputado esteve no Rural em Brasília para sacar o valor, mas se recusou a assinar um comprovante. Por isso, Valério enviou Simone Vasconcelos até a agência naquele mesmo dia para assinar o comprovante e entregar o valor ao deputado. “Tinha conhecimento da origem do dinheiro e da sistemática usada no banco, que usava autenticação do pagamento com um cheque como se o beneficiário fosse a própria SMP&B para dar certeza aos beneficiários de que a operação jamais seria formalizada.”

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ENTENDA O PERSONAGEM
Mensalão confirma histórico de Pedro Henry responder processos na justiça

Henry também foi flagrado em escuta da Polícia Federal que investigou o Escândalo dos Sanguessugas, sobre fraude no uso de recursos do Ministério da Saúde
JONAS DA SILVA
HIPERNOTÍCIAS

 

O cumprimento de pena na condenação do ex-deputado Pedro Henry (PP) no Mensalão é mais um dos casos em que ele tem que responder a crimes perante a justiça. Médico, em 2011 e início de 2012, ele foi secretário de Saúde do governo Silval Barbosa (PMDB).

Henry também foi flagrado em escuta da Polícia Federal que investigou o Escândalo dos Sanguessugas, sobre fraude no uso de recursos do Ministério da Saúde.

Em processo na Comissão de Ética da Câmara dos Deputados, ele foi absolvido. Mas, responde a improbidade administrativa em uma ação civil pública de 2006 na Justiça Federal de Mato Grosso referente ao caso.

Inquéritos e processos do escândalo apuraram um esquema de compra de ambulâncias superfaturadas para prefeituras com emendas parlamentares, verba pública do governo federal, via o ministério.

Os empresários Darci Vedoin e Luiz Antônio Vedoin, da Planam, também respondem à ação. Em 2002, perante a Justiça Federal, Luiz Antônio afirmou que doou uma caminhonete Blazer para Henry e mais R$ 140 mil de propina, para ele agilizar licitações fraudulentas do esquema com emendas parlamentares no Ministério da Saúde.

O irmão de Pedro Henry, Ricardo Henry, foi prefeito de Cáceres, eleito em 2008, cuja cidade e municípios da região, na década de 1990 e no início dos anos 2000 a família dominava, inclusiva com poderio nos meios de comunicação (rádio e televisão).

Em 2006, Pedro Henry teve o diploma cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral, por crime de compra de voto. Ele manteve o mandato após recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e obter uma liminar.

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 OUTRA OPINIÃO
Do gabinete de luxo a uma cela na Polinter
Por Romilson Dourado
RD News

Pedro Henry foi do céu ao inferno. No auge de sua força política, em novembro de 2004, quando foi convidado pelo então presidente Lula para ser ministro das Cidades, o que só não foi possível por causa de racha na bancada do PP, ele se apresentava como todo poderoso. Os próprios colegas parlamentares disseram que Henry não entrou para o primeiro escalão do governo federal porque era considerado arrogante, todo poderoso, espertalhão e ganancioso, adjetivos que atropelam e encurtam a vida pública de qualquer liderança.

O ex-deputado que cumpre pena em regime semiaberto por envolvimento no escândalo do mensalão viveu na vida pública uma situação paradoxal. Ao mesmo tempo que foi um trator para trabalhar, também tinha o mesmo ímpeto para derrubar qualquer pessoa que eventualmente viesse atravessar no seu caminho. Inteligente e com boa leitura política, virou cacique. Sentia-se dono da Grande Cáceres.

Quando se via acuado, partia para cima. Foi assim em agosto de 2010. Condenado à inelegibilidade pelo TRE-MT, o então deputado declarou que o juiz federal Julier Sebastião, o procurador da República Mário Lúcio Avelar e o ex-procurador e candidato na época ao Senado, Pedro Taques, estavam tentando prejudicar a classe política em época de campanha eleitoral, com operações, denúncias e prisões, para beneficiar eleitoralmente o pedetista e hoje senador. Contou que interpelou judicialmente Taques por este ter anunciado antes o resultado da votação no TRE, de que (Henry) ficaria inelegível. Afirmou que o trio agia em conluio e com viés político.

Henry reagia de forma dura. Entre os colegas de bancada mantinha discrição. Se mostrava recluso, disperso e distante. Pouco aparecia nas sessões na Câmara e quando se fazia presente permanecia por alguns minutos, principalmente depois que se envolveu nos escândalos das sanguessugas e mensalão. Se dedicava mais às articulações políticas. Cerca vez o deputado federal José Reinaldo (PP-MG) revelou que Henry, enquanto líder da bancada progressista, “botava todo mundo no pacote” na hora de negociar benefícios. E foi assim que ganhou fama e propagou ter sido o parlamentar que mais trouxe recursos para Mato Grosso.

Do auge para a cadeia, Pedro Henry caiu pela trapalhadas e porque foi pilhado em acordos espúrios. E quantos políticos aprontaram até mais do que Henry e continuam atuando numa boa? É que estes demonstram certas humildades e fingem de mortos para seguirem com sobrevida na política. Henry, não! Se achou tão dono da situação que manteve o jeito arrogante de ser. E foi isso que contribuiu para o tombo. Caiu em desgraça e paga caro. Sai do conforto do gabinete de luxo para uma cela. Se antes o ex-secretário estadual de Saúde irrigava os negócios empresariais, numa mistura entre público e privado, agora vai passar o tempo no anexo da Polinter cultivando hortaliças para passar o tempo. Serão 7 anos de “cana”.

Romilson Dourado é editor do RD News

Categorias:Direito e Torto

25 Comentários

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  1. - IP 189.59.63.222 - Responder

    Tenho uma sugestão ,vamos criar um mundo bizarro,como nas histórias do superman,la,seria tudo ao contrário,quem é branco,seria preto,quem é burro, seria inocente,quem é culpado, seria inocente,quem é bõbo,seria inteligente e assim por diante entenderam?Vamos levar para lá alguns jornalistas,e alguns condenados do mensalão,quem sabe lá no mundo bizarro eles conseguiriam viver em paz e conformados.Na psiquiatria este comportamento do Enock,é chamado “FUGA DA REALIDADE”. Não tem argumentos que conseguem fazer essas pessoas com este problema ,viver e enfrentar a realidade; pois elas vivem nesse mundo paralelo que só existe na mente delas.Em alguns casos só choque elétrico costuma ajudar.Talvez com este jornalista seja o caso.Ele não aceita o resultado do mensalão e criou o mundo maravilhoso do Enock do PT,que fica em algum lugar obscuro da sua mente!

  2. - IP 179.217.100.225 - Responder

    Tomara que devolvam o dinheiro ao erário.
    Chega de colarinho branco nunca ir preso.
    Reforma política já!!!

    Só temos políticos corruptos por que a nossa sociedade brasileira também é.
    Um povo melhor vai diminuir a corrupção.

  3. - IP 177.221.96.140 - Responder

    Não estou entendendo nada, pois o Enock sempre considerou inadequados os votos do Gilmar Mendes e agora ele os acha corretos.

    Realmente, vale tudo para defender um mensaleiro. Vale tudo, até negar as provas.

  4. - IP 191.207.152.218 - Responder

    Inocente é voce Enock. A ideologia cega o indivíduo, especialmente o da esquerda que condena a riqueza e ama o luxo. Ele foi inocentado pela minoria e condenado pela maioria, logo é inocente. Faz sentido? Na verdade essa lógica se explica porque o condenado faz parte do mesmo processo que condenou a cúpula petista. No caso, ninguém deveria ser condenado para atender a volúpia de poder que domina o partido. A lógica do Enock não é a mesma quando o acusado é o Riva. Tudo farinha do mesmo saco. É uma vergonha!

  5. - IP 177.5.126.40 - Responder

    Condenado. Ele não é inocente. Enock, vc está se queimando…

  6. - IP 191.194.120.155 - Responder

    O PP nao o defende porque ja foi vendido pro Erai…ou nao…?
    Essa gang ja mudou de dono, com caverna, armas, planos e todos os seus 6 quadrilheiros…
    Vai migrar as “fitas” para o agronegocio…chega de assaltar seringas, remedios e soros…

  7. - IP 201.88.97.212 - Responder

    Enock, se o Pedro e’ inocente ou não eu não sei. Apenas sei que não precisavam traze-lo algemado como um bandido perigoso, que pudesse oferecer risco à integridade física dos agentes policiais ou à população.Também, não acredito que ele tinha algum plano para escapar das garras da justiça. Logo ele, idoso e obeso. Pirotecnia Federal, mais uma vez, infelizmente!

  8. - IP 177.65.155.243 - Responder

    UMA PEQUENA REFLEXÃO SOBRE A CORRUPÇÃO:

    Psiquiatria Forense

    CORRUPÇÃO

    Por Hilda Morana, PhD*

    Político corrupto, empresário corrupto, empreiteiro poderoso, cuja única ambição é dinheiro e poder, são deficientes de caráter, atrasados na evolução da espécie!

    Corrupção é a falta de senso ético! O senso ético é a capacidade que os ser humano tem de seguir as regras de boa conduta e de respeitar os outros. De se importar com os demais e ter sentimentos altruístas. Pode variar conforme a cultura, mas tem sempre um sentido comum em qualquer sociedade, que é, justamente, o bem comum e a condenação do contrário.

    Corrupto é sujeito atrasado no sentido evolutivo da espécie humana e, defeituoso do ponto de vista cerebral. É aberração!

    O ser humano é um ser social por excelência, ou seja, vive para o bem comum. É assim que anos de evolução talharam o ser humano. Ao longo da escala zoológica, observamos uma incapacidade do indivíduo bastar-se a si mesmo e uma maior necessidade do outro, de vida social e de ajuda mútua.

    A evolução cuidou de desenvolver, na nossa espécie, áreas cerebrais responsáveis pelo caráter que permite o desenvolvimento do que chamamos de senso ético. Sem este processo a vida em sociedade não seria possível.

    Caráter, então, refere-se às tendências da personalidade relacionadas aos sentimentos e atitudes do sujeito frente à sociedade. Essas são tendências inatas e configuradas pela sociedade, que, por sua vez, vai permitir ao sujeito a expressão do senso ético próprio de sua cultura.

    Estudos já confirmam que a moral não depende apenas da cultura e faz parte da natureza humana.

    Desde WELT (1888), e KLEIST (1931), sabe-se que o sujeito deficiente de caráter é um enfermo orbitário, vítima de alguma malformação ou disfunção orbitária. Essas áreas, que atingem, no homem, o seu máximo desenvolvimento, são áreas cerebrais de maturação mais tardia em relação a outras áreas. Integram as várias informações.

    Relacionam-se com funções do pensamento abstrato e simbólico. Desempenham papel fundamental na formação de intenções e programas, funções estas relacionadas com o planejamento do futuro.

    Vários pesquisadores, entre eles Antônio Damásio, Marc Hauser e Adrian Raine, apresentam pesquisas, utilizando-se de PET scan demonstrando diminuição no volume da substância cinzenta destas áreas pré-frontais.

    Nem todos os psicopatas (sujeitos com deficiências graves de caráter) acabam na prisão. Alguns alcançam altos cargos nas corporações e têm uma ascensão extremamente rápida.

    O assim chamado psicopata corporativo prospera rapidamente no caos organizacional de algumas empresas e corporações.

    A prevalência de psicopatas em corporações ainda não foi estimada estatisticamente, mas estima-se que as tendências à manipulação e à desonestidade sejam freqüentes. Os estudos em empresas sugeriram que 15% de executivos superiores deturpam seu grau de instrução, e um terço de todos os currículos contêm informações falsas.

    O grande estudioso destas questões é o Dr. Babiak que tem seus estudos disponíveis no endereço: http://www.lifepsych.com/linksworkarticle01psychopath.htm)

    Enfim, corrupção é falta de caráter!

    • Sujeitos com deficiência de caráter são insensíveis às necessidades dos outros, condição que obedece a um espectro de manifestação: do sujeito ambicioso até o pior dos perversos cruéis.

    • Na formação cerebral, processos responsáveis pelas funções da sociabilidade, não se estruturam de forma adequada nestes sujeitos.

    Corrupto é sujeito atrasado do ponto de vista da evolução social e defeituoso do ponto de vista cerebral. É aberração no sentido evolutivo.

    Caráter, que integra as funções da sociabilidade, é o nosso melhor atributo, faz-nos ter vontade de seguir em frente com nossos projetos, nos sacrificarmos por aquilo em que acreditamos e nos solidarizarmos com pessoas, grupos e causas sociais.

    Enfim, é o que dá sentido à nossa existência e nos torna humanos.

    O sujeito, com defeito das funções da sociabilidade, vive apenas para satisfazer as suas próprias necessidades.

    O que fazer?

    Matar corrupto não pode, mas podemos ter mais consciência social e política. E qual a importância disso?

    O sujeito com defeito de caráter só vai agir se encontrar as condições para tal. Ele é mau caráter e não é burro, no sentido chulo da expressão. Ele vai escolher o local e as condições apropriadas para satisfazer o seu desejo egoísta. Através da boa educação e das condições sociais decentes na comunidade, o sujeito não vai fazer nada que possa vir a prejudicar alguém se essa atitude for lhe causar uma pena ou um prejuízo pessoal. Ele vai até tentar arriscar, mas, se não houver impunidade, a atuação dele vai ser bem mais restrita.

    Então não depende só da família se esforçar por oferecer uma boa educação para os seus filhos, a comunidade tem que ser séria e não tolerar nenhum desvio do comportamento e das regras da boa convivência social.

    *Dra Hilda Morana é psiquiatra forense e uma das maiores autoridades em estudos de psicopatas do Brasil e do mundo, com diversas publicações nacionais e internacionais

    Fonte: Psychiatry on line Brasil

    • - IP 177.221.96.140 - Responder

      Meu caro Ceará, se corrupto é m sujeito doente, então o que dizer dos filocorruptos que idolatram os bandidos que roubam em nome de suas causas??? Aí pode, é?

      Agora, eu entendi, a alma petralha, pois a esquerda pilantra, sempre considerou desculpável o roubo em benefício de suas causas.

      • - IP 177.65.155.243 - Responder

        O Corrupto é um doente do ponto de vista da psiquiatria forense. Para mim ele pilantra, safado e LADRAO. O psicoterapeuta João Augusto Figueiró, pesquisador do Hospital das Clínicas de São Paulo. “Os corruptos querem a satisfação imediata dos seus desejos sem medir conseqüências, não prestam atenção às necessidades dos outros e não se arrependem”, diz. De acordo com Figueiró, a tendência a transgredir as regras se mostra desde cedo, mas pode – e deve – ser controlada com medidas educacionais e limites. Isso porque, uma vez formado, o corrupto será sempre corrupto.

        LEIA ABAIXO:

        Segundo o psicoterapeuta João Augusto Figueiró, quem comete atos de corrupção tem um transtorno sem cura. Segundo ele, Collor de Mello e Roberto Jefferson, por exemplo, associados a denúncias de corrupção, têm traços de transtornos psiquiátricos comuns nas pessoas que fazem maracutaias.

        As pessoas que praticam atos de corrupção têm algumas características de personalidade em comum, descritas em compêndios de psiquiatria e psicologia. A afirmação é do médico e psicoterapeuta João Augusto Figueiró, 54 anos, pesquisador do Hospital das Clínicas de São Paulo. “Os corruptos querem a satisfação imediata dos seus desejos sem medir conseqüências, não prestam atenção às necessidades dos outros e não se arrependem”, diz. De acordo com Figueiró, a tendência a transgredir as regras se mostra desde cedo, mas pode – e deve – ser controlada com medidas educacionais e limites. Isso porque, uma vez formado, o corrupto será sempre corrupto.

        ISTOÉ – O corrupto sofre de alguma doença mental?

        João Augusto Figueiró – A corrupção é uma doença social. Então, ele é um sociopata. Na psiquiatria, esse tipo de comportamento está dentro do que chamamos de transtorno da personalidade. O indivíduo não é normal porque tem uma personalidade doentia. Uma pessoa sadia, do ponto de vista da personalidade, não mata, estupra ou agride e não pratica atos ilícitos como a corrupção.

        ISTOÉ – Quais transtornos de personalidade o corrupto manifesta?

        Figueiró – Os mais diretamente envolvidos são o anti-social, o narcísico e o borderline.

        ISTOÉ – O que é o anti-social?

        Figueiró – Há um padrão de violação dos direitos dos outros, ocorrendo desde os 15 anos. Ele não segue a lei. Mente, usa desculpas e engana para o seu benefício pessoal ou prazer. É impulsivo, agressivo, não se preocupa com o bem-estar alheio, é indiferente ao sofrimento dos outros e não tem remorso.

        ISTOÉ – E o borderline?

        Figueiró – É o sujeito que está no limite entre o normal e o patológico. Apresenta relações instáveis de amor e ódio. Hoje está com você, mas pode imediatamente se virar contra você.

        ISTOÉ – Como o transtorno narcísico se mostra no corrupto?

        Figueiró – Ele se sente grandioso, com funções muito importantes. Vamos pensar, por exemplo, no ex-presidente Fernando Collor de Mello, associado a denúncias de corrupção: “Vou moralizar esse país”, ele costumava dizer. O indivíduo requer atenção excessiva e está sempre tirando vantagem em tudo. É arrogante e invejoso. Ou acredita que os outros o invejam.

        ISTOÉ – Mas todos temos essas características em algum grau.

        Figueiró – O psicanalista Sigmund Freud disse que o normal e o patológico são variações de intensidade das mesmas qualidades. Portanto, a qualidade que um portador de transtorno de personalidade tem eu também tenho. Mas o que Freud diz é que um neurótico sonha com o que o psicopata faz. Posso sonhar que roubei o Banco do Brasil, comprei uma casa. Tenho prazer nisso. Mas acordo e não vou assaltar o banco porque a minha moral e a minha ética me impedem.

        ISTOÉ – Qual a origem desses transtornos?

        Figueiró – Depende. No transtorno anti-social existem questões genéticas envolvidas. Outros, como o narcísico, estão mais ligados às vivências do indivíduo. Se desde pequeno o corrupto em formação cair em um ambiente rígido, disciplinador, essa conduta terá uma probabilidade muito menor de se expressar. Mas existem famílias nas quais os bons hábitos são desencorajados.

        ISTOÉ – Por esse raciocínio, em uma família na qual há corruptos é provável que ocorra uma geração de pessoas influenciadas por esse comportamento?

        Figueiró – Exatamente. Outro aspecto que colabora para isso é a cultura. Uma cultura como a nossa facilita a expressão de disposições morais ou genéticas de agir erradamente. No Brasil existem uma tolerância e uma falta de punição, de interdição, à ação transgressora.

        ISTOÉ – O corrupto tem cura?

        Figueiró – Os transtornos de personalidade são intratáveis, incuráveis e irreversíveis.

        ISTOÉ – Na menor brecha, o comportamento volta?

        Figueiró – Sim. Se o corrupto continuar no poder, a chance de repetir seus atos é total. E é importante ver o seguinte: ele trabalha psicologicamente com uma coisa que se chama projeção. Coloca no outro aquilo que é seu. O deputado Roberto Jefferson, envolvido em denúncias de corrupção, age exatamente como o escorpião ao qual comparou o ex-ministro José Dirceu. Uma vez desagradado, ataca. (O entrevistado se refere à acusação feita por Jefferson ao ex-ministro da Casa Civil, a quem chamou de escorpião. O parlamentar citou a fábula do escorpião e do sapo. O animal levava o escorpião nas costas para ajudá-lo a cruzar um rio, apesar do medo de ser picado. Embora tenha ajudado, foi picado porque o escorpião não conseguiu ir contra sua natureza).

        ISTOÉ – Não existe possibilidade de haver um corrupto arrependido?

        Figueiró – Na verdade, há uma, quando tem perdas. Se você perguntar ao Collor se faria tudo do mesmo jeito, pode ser que diga que não porque perdeu o cargo. Mas essa resposta é algo absolutamente auto-referente, não por consideração ao outro.

        ISTOÉ – Já que o corrupto é portador de um transtorno de personalidade, na ótica da psiquiatria a sociedade deve enxergá-lo como um doente e manifestar compaixão?

        Figueiró – Não, ele não merece complacência. Precisa ser contido. Se atua politicamente, deve-se contê-lo no contexto da política, tornando-o inelegível, por exemplo. E todos devem responder por seus atos na Justiça.

        ISTOÉ – Qual a incidência desses transtornos na população?

        Figueiró – Estima-se que a de personalidade anti-social seja de 1% a 3%. Mas entre políticos a incidência é muito mais alta do que na população em geral. Por quê? São pessoas narcísicas, que buscam o poder.

        ISTOÉ – Existe outra categoria profissional na qual a corrupção se expresse com mais freqüência?

        Figueiró – Entre os policiais. Tudo aquilo que se aproxima da criminalidade atrai o corrupto.

        ISTOÉ – Quais os recursos para evitar novas gerações de corruptos?

        Figueiró – Investir em educação, em atendimento à primeira infância, na aplicação das leis e em contenção.

        ISTOÉ – E o que a psicologia diz sobre o corrupto?

        Figueiró – Há três tipos de comportamento. O primeiro é o grosseiro e despudorado. Esse se compraz em fazer demonstrações ostensivas de poder e riqueza. Necessita alardear o seu sucesso econômico mesmo quando os que estão à sua volta percebem que o dinheiro exibido não tem procedência legítima. O segundo é o fraudador discreto. Tem formas de agir que tornam mais difícil a descoberta do ilícito. O terceiro tipo é aquele que se sente traído na partilha e que denuncia o esquema.

        ISTOÉ – Como funciona o cérebro de um corrupto?

        Figueiró – O corrupto funciona dentro do que a psicanálise chama de processos primários. Não há retardo na satisfação do desejo – tem de ser imediata. E não há negociação. O corrupto não transforma o que deseja em outra coisa. E, para conseguir, não importam os meios.

        ISTOÉ – Essa satisfação é com algo material ou pode advir do prazer de cometer o ato?

        Figueiró – Há o prazer da transgressão. Mas o indivíduo com esse tipo de estrutura mental é menos simbólico. Volta-se mais para o concreto. O objetivo da corrupção é apropriar-se de bens materiais, mas há também o desejo de poder.

        ISTOÉ – E as pequenas corrupções do dia-a-dia nas empresas, no escritório, no setor público?

        Figueiró – É o mesmo problema de personalidade e falta de contenção, em uma dimensão menor. Eles continuam se perpetuando por que a sociedade brasileira tem essa cultura permissiva. Outros países colocam freios com regras para serem de fato cumpridas por todas as pessoas, incluindo autoridades.

  9. - IP 179.217.109.10 - Responder

    Reportagem repugnante. Quando é bandinho pé de chinelo, valter rabelo e os toninhos de souza da vida xingam, xingam, blasfemam. Com Pedro Henri foram todos sisudos, contidos e respeitosos.´Vi até certa compaixão em seus olhos.kkkkkkk. Afinal, são pares. Cambada de elite maldita, hipócritas, jocosos. Quantos são mortos e humilhados todos os dias!? Esta …. de site não fala nada. Defender uma figura odiosa como esse deputado. Me poupe! Fazem como o João Emanuel, que no programa da tv rondon só faltou dizer que não era ela quem estava ali no vídeo : ” Não sou eu, caro eleitor! Filho de uma …. esse político safado. A presunção de que todos são inocentes deveria ser invertida no caso de políticos. Eles deveriam provar que não são bandidos, pilantras, nojentos, a escória da humanidade. O Brasil já passou da hora de uma revolução verdadeira. É a última vez que perco o precioso tempo de minha vida acessando um blog deste tipo. Tá com dó, leva pra casa. Ou vem dizer que você confia neste sujeito já condenado. Se foi condenado é porque tinha provas o suficiente nos autos. Afinal, o que não existe nos autos, não existe no mundo. Não é assim com os pés-de-chinelo? Quantas pessoas esses imbecis matam todos os dias – MÁFIA DOS SANGUESSUGAS – quantas pessoas eles expôem à exacração e humilhação públicas por não terem dinheiro e morrem nas portas dos pronto-socorros em todo o país. E esses programinhas xulos ao estilo cadeia neles que nunca atacam o problema na fonte – OS TUBARÕES SAFADOS. Só não expõe o c.. do desgraçado maconheiro na TV porque não pode, se não virava o sujeito do avesso e mostrava tudo. Enoch Cavalcanti, sinto nojo de você e do seu blog.

  10. - IP 189.73.252.94 - Responder

    Interessante esse ponto de vista do blogueiro. Então uma corte comporto por onze juizes ; destes onze , oito condenam e tres absolvem , e isso para o blogueiro é prova de inocencia . Interessante mais ainda é saber que o ora defendido é pedro henry , expoente máximo de tantos escandalos de desvio do erário.
    Interesante como as coisas mudam.

  11. - IP 189.114.55.208 - Responder

    Parabéns Enock!
    Você é perfeito no que se propõe.
    Por essas e outras que a credibilidade vai até onde os patrocinadores deixam.

  12. - IP 189.59.63.222 - Responder

    Quanta porrada em vce Enock.Você não faz idéia da indignação que vce nos causou.Estamos além de indignados,frustados e até certo ponto, ofendidos.Voce rasgou sua história e com isso nossas esperanças.Achavamos que vce sendo politicamente esclarecido,jamais se prestaria a um papel desse.Ridículo é o menor adjetivo que nos ocorre,para definirmos a sua defesa de Pedro .Porém,serviu para que sua máscara tenha caído.Hoje vce se revelou e o que vimos não gostamos.Prepare-se pois não se junta painas após serem esparramadas pelo vento.Voce é agora defensor de mensaleiro e sanguessuga!

  13. - IP 179.253.7.77 - Responder

    O blogueiro deve defender que o STF anule o processo do Mensalão Tucano de MG, visto que alegar que o julgamento do Mensalão do PT foi ” um julgamento de excessão, um julgamento político que envergonha o Judiciário brasileiro perante o nosso País e perante o mundo. Juristas de escol como Ives Gandra Martins, Bandeira de Mello e Carlos Veloso já expuseram as contradições observadas em todo este processo.”

    Enock, defenda o fim do processo do Mensalão Tucano de MG.

  14. - IP 177.193.165.228 - Responder

    Enock agora você tem que defender Riva, pois o mesmo não aceita nem uma das 187 acusações que pesam sobre o lombo dele. Também deve defender toda omissão e sociedade que impera sobre a AL. Também tem que defender o fraco e omisso governo Silva. Pois são todos da linhagem do Pedrão oitentinha!

  15. - IP 179.253.185.153 - Responder

    Antonio Cavalcante Filho e sua indignação seletiva e psicanalítica. Uma piada.

    • - IP 177.65.155.243 - Responder

      S é piada a minha indignação, a piada não é minha. Os três textos postados por mim são especialistas da Psiquiatria Forense.

      Psicologia de Corrupção

      Transtorno social:

      “A falta de moral pode ser explicada por meio do desenvolvimento inadequado do “senso ético” no cérebro, mas aspectos socioantropológicos, fatores genéticos e pessoais também colaboram para o surgimento do transtorno de personalidade difícil de ser curado”

      Corrupção, segundo consta no dicionário on-line Michaelis, vem do latim corruptione e tem por significados “ação ou efeito de corromper”, “decomposição”, “putrefação”, “depravação”, “desmoralização”, “devassidão”, “sedução” e “suborno”. A palavra se tornou comum e mesmo vulgar no vocabulário dos brasileiros após os inúmeros escândalos, envolvendo personalidades e políticos, divulgados pelos meios midiáticos nos últimos tempos.

      Porém, a discussão sobre suas causas e origens diverge entre diversos fatores apontados por especialistas. A psiquiatra forense Hilda Morana, coordenadora do departamento de Psiquiatria Forense da Associação Brasileira de Psiquiatria, define o termo no seu sentido social. Para ela, corrupção é “ato de cometer atitudes ilícitas com o intuito de conseguir vantagem financeira ou mais poder”. Segundo Hilda, o típico corrupto é “o indivíduo que busca driblar regras em benefício próprio, sem levar em consideração outras coisas que não o próprio benefício”.

      Ela afirma que esse tipo de comportamento é causado por um transtorno de personalidade, que, especificamente, pode ser definido de forma mais clara como um defeito do caráter. “É o chamado transtorno de personalidade antissocial. O indivíduo que possui o transtorno de personalidade antissocial não foi capaz, ao longo do tempo em que ocorreu o desenvolvimento de seu cérebro, de desenvolver adequadamente o ’senso ético’.

      Ele não é capaz de respeitar o outro em sua plenitude, espontaneamente”, afirma. Hilda diz que esse distúrbio é causado por falhas cerebrais, mais especificamente, “por falhas do desenvolvimento cerebral em áreas frontais, chamadas suborbitárias, que muitas pesquisas apontam como sendo as regiões do cérebro responsáveis pela formação do ’senso ético’, e também da assimilação da moral estabelecida.

      Ou seja, é ‘um defeito de fabricação’”. Se o indivíduo apresenta esse problema em algum momento da vida, muito provavelmente vai morrer com ele, e até mesmo tratamentos modernos contra o transtorno de personalidade não apresentam resultados 100% garantidos na recuperação”.

      Parentes envolvidos

      A especialista acredita que o quadro é parte de um conjunto de outros distúrbios, denominados transtornos de desenvolvimento. Entre eles, Hilda cita o retardo mental, que é um distúrbio que afeta de forma mais ou menos séria as áreas responsáveis pelo desenvolvimento intelectual do indivíduo, e o autismo, que afeta as áreas do cérebro responsáveis pela fala, pela sociabilidade e também pode afetar as áreas responsáveis pelo desenvolvimento intelectual.

      “Por sua vez, o transtorno de personalidade provoca uma deficiência no caráter, em decorrência de má-formação das áreas do cérebro responsáveis pela sensibilidade moral”, declara. A psiquiatra forense argumenta que, para ela, há poucas dúvidas sobre o caráter herdado do distúrbio. Ela diz que sempre há pelo menos um parente que também está envolvido em alguma operação ilícita ou em alguma trapaça, embuste ou situação similar.

      “O caráter herdado da doença é inquestionável. Nem sempre o outro indivíduo afetado é um parente direto, como um pai ou uma mãe. Às vezes um tio, ou primo. Mas é certo que, se o indivíduo apresentou em algum momento esses sintomas, é possível encontrar outros afligidos pelo quadro na família”. Para Hilda, a corrupção pode ser diagnosticada a partir do consultório.

      Ela explica que é possível determinar a presença do distúrbio por meio do exame Pet Scan, ou tomografia por emissão de pósitrons, e que “o método revela com clareza a área suborbitária afetada pelo distúrbio do desenvolvimento. A gravidade do quadro pode variar muito. A gradação do distúrbio altera entre ‘leve’ até ‘muito grave’, e permite enquadrar a maioria dos criminosos e transgressores. Por exemplo, um quadro ‘leve’ pode se adequar a um oportunista que realiza pequenos delitos. Já um caso muito grave pode representar um político que realize grandes perseguições ou até mesmo um genocídio, como um ditador”.

      Sem cura

      Entre as causas do problema, a psiquiatra aponta o fator genético. Mas, ao mesmo tempo, ela declara que não há apenas um gene responsável pelo quadro, mas uma interação entre genes responsáveis pelo desenvolvimento cerebral. E por outro lado, há também as pressões ambientais.

      “A má-formação das regiões suborbitárias do cérebro em decorrência desse distúrbio do desenvolvimento é consequência não só de um gene específico, ou de uma pressão ambiental. É uma interação genético-ambiental, uma associação de genes e ‘fatores desencadeadores’. Ou seja, em dois gêmeos univitelinos, existe a possibilidade de que um apresente o problema, e outro não”.

      Quanto ao comportamento do indivíduo afetado, Hilda declara que “o portador do distúrbio tem plena consciência da natureza criminosa e funesta de seus atos, mas não apresenta remorso ou hesitação, exceto quando a ação pode trazer algum mal considerável para ele mesmo. Para ele, vale o ‘dane-se o resto’”. E acrescenta: “na linguagem popular, é ’safadeza’ mesmo, oportunismo, falta de moral, ética e escrúpulos.

      Esse personagem é constantemente atraído para situações em que se conhecem possibilidades de obtenção de vantagens diversas com facilidade, e por isso a proliferação desses indivíduos no meio político”. Ela declara que “essa situação não é exclusiva do Brasil,percebe-se esse padrão no mundo. Estatísticas recentes apontam que cerca de 15% da população mundial é afetada pelo transtorno. Entre todos os casos, os mais graves, que podem responder por crimes mais sérios, orbitam entre 1% e 2% desses indivíduos. Estes, quase que obrigatoriamente, cometerão atos cruéis de algum tipo: grandes golpes que podem afetar muitas pessoas, torturas, assassinatos bárbaros para obtenção de fortunas, etc.”.

      A psiquiatra lamenta que não existam medicamentos com resultados satisfatórios contra o transtorno. “Alguns até apresentam efeitos moderados e podem mesmo melhorar o funcionamento da região afetada, mas nunca acabar com o comportamento patológico”, diz. Para ela, uma solução adequada para o problema é “o fim da permissividade excessiva para com a corrupção política”.

      Hilda afirma que “o portador do transtorno conhece as consequências possíveis de seus atos, para ele mesmo, mas a impunidade estimula esse indivíduo a praticar o ato, porque ele é capaz de ‘pesar’ os benefícios e revezes que a ação ilícita pode trazer”.

      Virada da infância

      Já João Augusto Figueiró, médico e psicoterapeuta do Hospital das Clínicas da USP, corrobora em muitos aspectos com a colega forense, mas acredita em uma causa multifatorial e, principalmente, em menos determinismo.

      “A corrupção política, policial, tem a ver com a formação insuficiente da moralidade, mas não necessariamente com a presença de um distúrbio de personalidade. As práticas corruptas normalmente são realizadas por indivíduos com falhas nos ditos ’sentimentos morais’, na ética e na preocupação pelo bem-estar alheio”.

      Figueiró explica que a região do cérebro responsável pelos sentimentos morais é “o chamado ‘cérebro moral’, que é composto pelo lobo pré-frontal, pelo sistema límbico e por uma porção do lobo temporal”. Ele atesta que, quando essas regiões sofrem um desenvolvimento adequado, na juventude, o indivíduo em questão poderá apresentar comportamentos considerados adequados.

      Para ele, esse desenvolvimento se dá por meio da interação do cérebro com o ambiente, ou seja, pela interação entre o que foi herdado pelo sujeito e as pressões ambientais. O psicoterapeuta diz que esse processo ocorre principalmente nos primeiros anos de vida, quando já são observados padrões de comportamento moral.

      Ele declara que “já no primeiro ano pode ser observada alguma reação ‘moral’ a expressões do sofrimento alheio. Entre os 3 e 5 anos de vida, ocorre uma virada que evidencia preocupações legítimas com o outro, sentimentos de culpa e anseio por reparações. Essa virada pode ser explicada como uma ‘virada para a empatia’, ou a capacidade de se identificar com o outro”.

      Conduta e moral

      De acordo com o especialista, indivíduos que não passaram por esse processo de forma saudável podem sofrer de deficiências no cérebro moral. Essa deficiência provoca o transtorno de personalidade. Segundo ele, “esse quadro resulta de uma interação negativa entre o que foi herdado pelo indivíduo (seus genes) e o ambiente, ou seja, de uma interação nociva entre sua constituição cerebral e as pressões ambientais.

      Essas pressões ambientais podem ser provenientes de uma criação muito permissiva ou de limites morais e éticos muito frouxos”. Assim como a psiquiatra forense Hilda Morana, João Augusto aponta que existe um transtorno que caracteriza a maioria dos corruptos: “é o transtorno antissocial, que torna o portador um indivíduo sem limites morais e éticos, quando se trata de obter vantagens diversas. Há também o transtorno narcísico, mas geralmente este caracteriza o indivíduo extremamente egocêntrico, que nem sempre é corrupto”.

      O psicoterapeuta explica que “uma característica do antissocial é a dificuldade de se identificar com os sentimentos dos outros, como os assassinos, chefes políticos cruéis ou indivíduos que desviam grandes quantidades de recursos do país, possivelmente prejudicando muitas pessoas”. Segundo ele, na infância, não existem transtornos de personalidade, propriamente ditos.

      Existem transtornos de conduta, que podem, com a idade adulta, evoluir para os transtornos de personalidade. “Entre eles estão as proverbiais maldades das crianças contra os animais e as intrigas elaboradas, feitas para prejudicar colegas intencionalmente. Mas nem todos que apresentam esses transtornos de conduta desenvolvem transtornos de personalidade”, alivia. O especialista igualmente afirma não existir cura para o transtorno de personalidade antissocial.

      “O grande problema é que isso não tem cura e o portador nunca busca tratamento. A única forma de combater o quadro são medidas de contenção externas, como a vigilância e a punição. Em situações onde os delitos praticados são punidos de fato, os portadores do transtorno tendem a se portar melhor”, avisa.

      Para João Augusto, vale lembrar que “apesar dos problemas referentes ao transtorno antissocial, indivíduos ‘normais’ também podem ser corruptos. Tudo depende dos ambientes nos quais estão inseridos. Ambientes extremamente permissivos e com acesso a muito poder, marcados pela impunidade, que são típicos da paisagem política brasileira, normalmente favorecem o surgimento do personagem corrupto”.

      Tolerância mil

      Você considera aceitável que um guarda de trânsito não multe um motorista porque ele conta que cometeu a infração em função de uma emergência? Mais da metade de um total de 269 entrevistados considera que sim.

      Esta foi apenas uma das situações simuladas pela professora Rita Biason, professora da Unesp, do Campus de Franca, cientista política e coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre a Corrupção, e por colegas durante uma pesquisa realizada com estudantes universitários de três instituições de ensino superior do Estado de São Paulo que buscou avaliar o impacto da corrupção e a percepção dos universitários sobre o tema e ainda seus valores em relação ao assunto.

      O exemplo é um caso de suborno em que há implicação emocional. Os pesquisadores afirmam no artigo publicado em 2008 na revista Probidad que quando se trata de questões pessoais, o público tende a demonstrar maior tolerância. Por outro lado, muitas pessoas mostram-se mais sensíveis à corrupção que envolve órgãos públicos, principalmente no que se refere ao nepotismo e à compra de votos.

      Entretanto, a compra de votos não é vista como algo inaceitável por todos os segmentos da população. Segundo Rita Biason, em outro estudo realizado, ela identificou que a classe socioeconômica que recebe até três salários mínimos não vê problema em trocar o voto pelo saco de cimento, pela consulta médica e outros bens ou serviços. “Isso remete à necessidade, o sujeito precisa do saco de cimento embora haja aqueles indivíduos que tripudiam o coletivo, que exageram nas solicitações e muitas vezes sem necessidade.

      Essa população tem vivido um ciclo de dependência dos programas do governo – Bolsa Família, Leve Leite entre outros. São ações que acabam não resolvendo a questão, mas sim criando uma dependência e sob certo aspecto reforçando a prática de corrupção. O problema não são os programas governamentais propriamente ditos. Ocorre que perguntamos para as pessoas: você considera aceitável ou inaceitável receber uma Bolsa Família mesmo sem necessidade? A grande maioria aceita receber. Há, portanto, um dilema ético que só aparece a partir do momento em que o aguçamos”, destaca.

      Público e privado

      Mas, segundo Rita, o principal fato verificado na pesquisa é que todas as classes sociais praticam corrupção. “Temos dificuldade de dizer ‘não’ à corrupção no Brasil porque não conseguimos distinguir o público do privado. Os exemplos que temos tido ao longo dos anos reforçam a ideia de que o público é algo que pertence ao indivíduo, e somente ele pode usufruir. A forma como a maioria dos agentes públicos – eleitos ou não – se comporta no Brasil, especificamente sobre a ‘coisa pública’ é lamentável e contribui para reforçar esta situação”, afirma.

      Falta de pai

      Para Laura Ward da Rosa, membro titular da Sociedade Brasileira de Psicanálise de Porto Alegre, psicanalista e professora do Curso de Pós-graduação em Psicanálise e Educação da UniRitter, de Porto Alegre, a corrupção sempre existiu, porém no mundo contemporâneo ganhou traços mais visíveis e sua manutenção está relacionada a um déficit de atuação das instâncias paternas.

      Ela afirma que a saída da mulher para o mercado de trabalho foi um dos fatores que corroborou para uma mudança na estrutura familiar. “Há uma grande perda de limites na situação atual, até mesmo no campo da política. A família de hoje ganhou certo espraiamento com relação à questão da autoridade, as crianças opinam sobre coisas que não devem opinar, a adolescência se antecipou e seu final foi retardado.

      Há uma perda de autoridade e falta de limites que contribuem para a criança crescer pensando que pode tudo. Pode escolher tudo: brinquedo, alimento. Tudo é muito liberal, sem um critério do mais conveniente e adequado a cada faixa etária. Há uma perda de valores ao longo do processo de desenvolvimento desde a infância, passando pela adolescência e chegando à vida adulta. As relações amorosas são muito frágeis, as pessoas não querem se comprometer. Não há criação de um vínculo firme, seguro. As pessoas não se comprometem no trabalho, na vida amorosa, na política e tampouco na educação”, afirma a psicanalista.

      Percepção do erro

      Mas a percepção da corrupção parece ainda estar relacionada a outros fatores. Segundo Eduardo Salcedo-Albarán, filósofo pela Universidad del Rosario, Bogotá, Colômbia, e coordenador da área de Metodologia do Método – Transdisciplinary research group on social sciences -, a identificação de uma vítima de um crime público de corrupção exige a elaboração de relações causais complexas por parte do cérebro “Em alguns crimes é fácil identificar a vítima, e quando é o caso, uma relação causal simples permite ligar o crime atual à vítima.

      É chamado de ‘fácil’, porque o cérebro tem de conectar poucos eventos para conectar o crime à vítima. Por exemplo, se você está andando em uma rua e vê que uma pessoa foi baleada e, momentos depois, essa mesma pessoa morre – você apenas precisa ligar os dois eventos. O cérebro é muito eficiente quando conecta poucos eventos.

      Além disso, quando conectamos um par de eventos envolvendo a percepção de emoções, o cérebro reage muito rápido, também com respostas emocionais originadas em áreas emocionais. Elaboração de relações causais simples sobre reações de empatia são geralmente automáticas, mas não relacionadas com capacidades cognitivas sofisticadas. Aquelas áreas emocionais, aquelas do cérebro primitivo, reagem mais rápido do que áreas relacionadas a capacidades cognitivas de alto nível, como lógica rígida e argumentação.

      Nesse sentido, em crimes públicos de corrupção, essas áreas relacionadas com capacidade cognitiva devem ser usadas. Por exemplo, se você paga um suborno, não está claro quem será afetado pelo seu ato e, por isso, é fácil pensar que não há vítima. No entanto, se pensar cuidadosamente, usando capacidades cognitivas e elaborando uma relação causal complexa, você achará a vítima do seu crime”, explica Eduardo.

      Segundo o filósofo, existem basicamente duas grandes áreas no cérebro: o interior do cérebro, chamado de cérebro primitivo, e o neocórtex. Assim, enquanto emoções e sentimentos são originados no cérebro primitivo, o córtex externo ou neocórtex – área que apareceu mais recentemente na evolução do Homo sapiens – está relacionado à racionalidade, lógica, argumentação e, em geral, às capacidades cognitivas.

      Neurônios espelho

      Eduardo explica que além desses processos causais cerebrais, acredita que haja outro mecanismo envolvido: a inativação de neurônios espelhos. “Na verdade, é uma questão empírica que ainda precisa ser confirmada por exames de imagem”, diz. O pensador explica que testou a hipótese de que neurônios espelho relacionados à empatia e a emoções sociais não são ativados quando ocorre um crime de corrupção pública.

      Para tanto, ele apresentou relatos de corrupção para um grupo de pessoas e analisou suas reações. “Quando liam uma história pequena de corrupção e não dávamos informação sobre as vítimas, elas tendiam a pensar que o ato de corrupção não estava completamente incorreto em termos morais, precisamente, porque ‘ninguém estava sendo prejudicado’.

      Mas quando dávamos informações sobre a pessoa que estava sendo prejudicada pelo ato de corrupção, as pessoas tendiam a dizer que aquela ação é moralmente incorreta. Em termos gerais, quanto mais se sabe sobre a pessoa em particular que está sendo prejudicada pelo ato, mais neurônios espelho relacionados à empatia e a emoções sociais provavelmente serão ativados”, considera

      que os olhos não veem…

      Eduardo diz que emoções mais poderosas de empatia social surgem quando se pode ver a vítima e, mais forte ainda, se é possível ver a face da vítima. Ele conta que o psicólogo Paul Slovic, do Decision Research Institute, tem estudado essa questão para genocídio e tem observado que mais emoções de empatia surgem quando você conhece sobre, por exemplo, um menino que deve ser resgatado, quando vê sua face e sabe sobre sua vida, do que quando lhe contam que 20 pessoas foram assassinadas.

      O pesquisador explica que, emocionalmente, não somos sensibilizados pelo número 20 tanto quanto somos sensibilizados ao ver a face do menino. Para Eduardo, há uma carência de estudos que relacionem corrupção com neurociência. Em sua opinião, cientistas sociais e neuropsicologistas deveriam trabalhar em conjunto.

      Entretanto, ele destaca que cientistas sociais geralmente pensam que a inclusão de genes, cérebro e biologia no entendimento dos comportamentos humanos pode levar ao determinismo biológico ou eliminar o poder das variáveis culturais.

      Cultura da impunidade?

      Segundo a cientista política Rita Biason, a Carta de Pero Vaz de Caminha já continha indícios de corrupção, pois o autor pede emprego ao rei para um parente. Ela diz que no Brasil Colônia também há vários relatos do crime na obra Arte de Furtar. Entretanto, considera imprudente demonstrar que a corrupção no Brasil é um dado histórico.

      “Se for esta a lógica, não podemos fazer mais nada, teremos uma situação de imobilismo, passividade e aceitação. Dizem que há uma cultura da corrupção, mas não creio nisso. Para mim, há uma cultura de impunidade”, destaca. Para a professora, o ponto mais vulnerável hoje para a manutenção da corrupção é o Judiciário.

      “Há uma dificuldade muito grande para criminalizar a corrupção, ou seja, demonstrar por meio de provas o ato corrupto”, diz. Nesse sentido, Rita afirma que o Ministério Público de São Paulo, por exemplo, hoje consegue condenar mais agentes públicos eleitos por meio da Lei de Improbidade Administrativa (LIA) do que pelo Código Penal. “Isso porque pela LIA, as provas costumam ser mais evidentes e juridicamente eficientes.

      No Código Penal, há algumas vulnerabilidades que dificultam a condenação”, afirma. Para ela, o ajuste nesse dispositivo iria agilizar a criminalização e diminuir a sensação de impunidade entre a população. Entretanto, a pesquisadora ressalta que a corrupção não é eliminada. “Este problema estará apenas sob controle, não há forma de suprimi-lo. Os países desenvolvidos não são menos ou mais corruptos do que o Brasil, apenas possuem mecanismos de controle eficazes e punição rápida.

      Em geral, na América Latina podemos observar que a década de 1990 trouxe mudanças importantes. Se tomarmos o Índice de Percepção da Corrupção (IPC) da Transparency International é possível observar avanços e recuos da corrupção na Colômbia, na Costa Rica, no Uruguai, na Argentina e no Chile. São países que passaram por problemas semelhantes aos do Brasil com governos militares seguidos de democracia”, considera.

      Rita lembra que o pesquisador Treisman afirma que em novas democracias, as práticas de corrupção somente serão superadas após 40 anos de Estado democrático. “A boa notícia é que já vivemos 20 anos dos 40. O aprimoramento significa a criação de instituições capazes de controlar os processos internos, como tribunais de justiça, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Tribunal de Contas da União (TCU) e conselhos e comissões de ética. Eu sou otimista porque vejo muitos países em que não há nem divulgação dos casos de corrupção e nem movimentação para investigar e denunciar atos ilícitos. Nesse sentido, nós avançamos muito”, destaca

      Fonte: Revista Psique

  16. - IP 179.217.116.236 - Responder

    Eu disse certa vez que esse pt não ė um partido e sim uma måfia, cada elemento do partido tem uma funçāo especifica e ai daquele que nāo cumpri-la corretamente paga com a pröpria vida ele tem gente no executivo,judiciario,legislativo nas autarquias ,na oab,na imprensa que o diga os Celsos Daniės da vida.que teve um rompante de honestidade e deu no que deu.

    • - IP 179.216.196.106 - Responder

      Pois é, Rui Bueno Ferraz, veja o tipo de ataque que os evangélicos fundamentalistas fazem ao PT. Politica não se faz só nos partidos. A questão dos costumes é sempre dolorosa.

      O que a pastora Damares Alves diz na palestra que você nos remete em vídeo não é muito diferente do que se disse, em Cuiabá, contra o PT, no enfrentamento eleitoral entre Wilson Santos e Alexandre César, em 2004. Condenar os gays e a defesa que o PT faz da criminalização da homofobia é uma rotina que ainda vai dar muito pano pra manga. Mas os petistas são duros na queda, mesmo com o partido vacilando em assumir abertamente causas feministas como a liberação do aborto, já adotada em muitas das nações contemporâneas – vide recentemente o caso do nosso irmão, o Uruguai.

      Torço para que todos que leem esta página acessem o video e confiram. É educativo.

      Trata-se da manipulação da informação para confundir e arrastar, como vaquinhas de presépio, nossos cidadãos mais humildes, sem outros meios de se informarem senão através da igreja do bairro, do pastor ou do apóstolo que vive a aterrizá-los com as noticias do pretenso Apocalipse que nunca vem. E transformar em valores absolutos o que prescreve a Biblia dos cristãos, desafiando a nossa condição de nação laica, onde todos os entendimentos religiosos devem conviver na maior harmonia possível.

      Os discursos da pastora Damares só vem reforçar aquela velha afirmação do autor do Manifesto Comunista, Karl Marx, de que a religião, muitas vezes, é distribuída como ópio para o povo. É dessa forma que a religião segue sendo usada, pelo mundo afora, para jogar irmãos contra irmãos e produzir as violências que se vê tanto por aí.

      Você, que teve a paciência de ver e ouvir a palestra da pastora evangélica fundamentalista (até Jesus Cristo, conforme nos diz a Biblia, foi mais compreensivo para com as prostitutas e os desviados em geral), leia, também, a contestação de suas teses, acessando o linque abaixo:

      https://www.dropbox.com/s/gsfbxouegug4wq6/sobre_palestra_damares_alves_magali_cunha.pdf

  17. - IP 177.193.165.228 - Responder

    Palavras do Riva. “Eu vou ser absolvido. Eu não roubei, não desviei, não existe nenhuma negociação espúria. Não é verdade que eu respondo a 186 processos. São ações civis, que em cima de cada empresa, eles montaram uma ação. Podiam ter feito uma ação única. Pelos embargos eu até poderia estar na presidência, mas tomei uma decisão comigo mesmo e optei por deixar o deputado Romoaldo Júnior (PMDB) presidir. Eu já cumpri meu papel como presidente”, salientou. (Enock defende este aqui também).

  18. - IP 201.88.97.212 - Responder

    É verdade, Enock! Jesus disse que nao veio para salvar os virtuosos mas, sim, os desviados. Nunca li nenhuma passagem em que ele tenha descido a lenha nas ovelhas desgarradas. Ao contrario! Ele sempre pregou a necessidade de resgata’-las. Jesus é amor! Só amor! Puro amor! Não quero com isso defender o aborto, que sempre sera’ um crime covarde e cruel contra uma vida frágil e indefesa. Deus abençoe a todos e feliz 2014, irmãos!

  19. - IP 177.132.243.165 - Responder

    Nao vem com essa de defender a politização do tema sob a desculpa de homofobia, pois claramente omitiu-se de fazer comentarios sobre a doutrinação das criaanças com dinheiro público.
    A palestrante fala sobre sodomização das crianças, masturbação de bebes e juntou provas incontestáveis das cartilhas distribuidas pelo MEC e Ministério da Saúde provavelment4e elaboradas por psicopatas petralhas e ISTO, voce espertamente omite e nao comenta.
    Esta tática foi amplamente utilizada pelos Nazistas na segunda guerra mundial.
    O povo sabe ver onde está a verdade.

  20. - IP 177.202.37.71 - Responder

    …..CAROS LEITORES E VISITANTES EM GERAL POR FAVOR LEIAM O TEXTO DO ” KLEBER” O QUE ELE ESCREVEU FOI NA VERDADE UM HINO NACIONAL….FAÇO DAS SUAS PALAVRAS AS MINHAS….VOCÊ FOI PERFEITO EM SUAS COLOCAÇÕES…A UNICA SOLUÇAO DO BRASIL É UMA REVOLUÇÃO GERAL…

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