NOVA GREVE NO HORIZONTE: Servidores acreditam que, com pressão e negociação, podem reverter parcelamento da RGA

 
A assembleia desta segunda-feira, 29 de maio de 2017, foi na verdade um esquenta. Desde a semana passada, através das declarações das lideranças do Fórum Sindical de Mato Grosso, já se sabia que a proposta de parcelamento da RGA 2017, não seria acatada pelos servidores estaduais. O governo tentou um corta-luz, reunindo deputados e secretários para ribombar a sua proposta, também na semana passada, mas o script deste ano é o mesmo do ano passado.
Depois do primeiro lance governamental, vem então o primeiro lance sindical, com a concentração de servidores apenas da Capital, na Praça das Bandeiras, nesta segunda. Enquanto a administração de Zé Pedro Taques fará pressão através da ação de sua base parlamentar na Assembleia Legislativa, os servidores vão tentar “sangrar” o governo do lado de cá.
A assembleia e passeata desta segunda foi o segundo round de uma batalha que promete render ainda muito suor e lágrimas, e novo desgaste da administração estadual. Sim, porque questionada a partir de sua principal base social, o desgaste maior fica sempre para o governo, por mais que ele procure diluir o impacto das mobilizações dos servidores contanto com apoio de sua base parlamentar e sua força de mídia.  É que os servidores contam sempre com a força do boca a boca, potencializada pelas redes sociais, na capital e avançando pelos municípios a dentro, causando muitos estragos, como já se teve oportunidade de conferir em 2016. Mas, se o Fórum Sindical repete a mesma canção do ano passado – “ah, eu quero meu RGA, e o Governo não quer pagar”…-, demonstrando a falta de criatividade do seu marketing,  o governo até piorou a receita,  errando em um ponto nevrálgico, ao pular as instâncias, e lançar no ar uma proposta de reajuste que, em momento nenhum foi previamente discutida com as lideranças sindicais, ao contrário do que se viu no ano passado, quando chegou até a alimentar algumas dissidências no Fórum, depois que Zé Pedro e sindicalistas se reuniram.

O próximo round que os servidores pretendem levar de vencida será no dia 7, quando fazem uma primeira paralisação de 24 horas. O tamanho e o alcance desta paralisação irão determinar os novos passos do Forum Sindical. Também haverá ocupação pacífica da Assembleia Legislativa e tentativa tangenciada de negociação através do secretário da Seges, que já começou um papo com o Fórum na semana passada.

O sindicalista Oscarlino Alves, que virou a figura central no comando do Fórum Sindical, vejam só, revelou jogo de cintura e confiança no papel a ser desempenhado por  Modesto para que algum tipo de avanço seja alcance, sob a ótica dos servidores. “Ele deu a entender que existe a possiblidade de fazer uma melhor negociação”, argumentou Oscarlino. O núcleo duro do governo, mesmo enfraquecido com a ausência de Paulo Taques, que deixou a Casa Civil depois das denúncias dos grampos ilegais mas continua atuando nos bastidores, alega que a RGA e as leis de carreiras vão impactar a folha de pagamento em quase R$ 1 bilhão, neste ano, nas despesas com pessoal, superando o permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

O que o governo fala, os sindicalistas dizem que não se confirma já que não houve qualquer negociação previa com eles, antes do governador Zé Pedro divulgar seus números. Contra a proposta do governo, os sindicalistas dizem que, “como o mês de maio já fechou a folha de pagamento, a nossa proposta é que se pague em junho os 3,92% remanescentes da RGA do ano passado e se garanta toda a RGA de 2017 em 2017. E que não se ‘congele’ as leis de carreiras nem se aumento a alíquota previdenciária de 11% para 14%”, como defendeu Oscarlino Alves que do alto do carro de som do comando da greve, neste segunda, demonstrou que continua tão emotivo quanto no ano passado. No meio do discurso, sua voz voltou a ficar embargada, ao falar dos sacrifícios que será fazer uma nova greve para fazer valer os direitos daqueles que, segundo ele, constituem o principal fator de desenvolvimento das estruturas do Estado, que são os servidores públicos estaduais.

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