NOTÍCIAS DA GREVE: Enquanto Rafael Costa ainda vacila, Rodivaldo Ribeiro assume inesperado discurso em favor da servidão na redação, o revisor Caio Matoso adere à paralisação e fortalece movimento reivindicatório dentro da redação do Diário de Cuiabá. Viva o Caio! Quando será que o comunista Pab Rodrigo vai parar? Grevistas por enquanto, perdem de 16 a 4, pela conta do Rodivaldo Ribeiro. Mas se alguém perde é a categoria dos jornalistas, que está em luta pela retomada do respeito para com os profissionais que atuam na redação do Diário de Cuiabá

Pablo Rodrigo, editor de Política e Caio Matoso, revisor do Diário de Cuiabá

Pablo Rodrigo, editor de Política e Caio Matoso, revisor do Diário de Cuiabá

A vida segue escrevendo suas lições. A greve na redação do Diário de Cuiabá, também. Nessa sexta-feira, a informação que se tem é que o digno jornalista Rafael Costa, que já há alguns dias se limita a remeter seus textos para a redação do DC sem aparecer por lá, ainda não virou grevista. Será que é a ideologia de direita do Rafael que faz ele vacilar assim? Mas essa explicação quem deve dar é o próprio Rafael Costa. Eu me limito a especular.

Quanto ao Rodivaldo Ribeiro, antigo integrante de bandas alternativas em nossa capital, nessa greve parece que ele resolveu assumir uma postura nada alternativa. Argumementando que paralisação só vale se for paralisação total, o Rodivaldo segue trabalhando e, em postagens no Facebook, acho um jeito de entrar em falsa polêmica comigo e com a Beatriz Saturnino não em torno da greve mas em torno, vejam só, da Editoria de Cultura do Diário de Cuiabá. O Gordo, no meu entendimento, acaba fazendo a defesa da ideologia da servidão, ao mesmo tempo que sugere que ele não tem salário atrasado dentro do Diário. Será que ele vai publicar o seu holerite de outubro para nos provar isso? Será o Rodivaldo o repórter mais amado do Gustavo Capilé?

Outro que vacila, apesar de ter falado em paralisação, no início da semana, é o jornalista Pablo Rodrigo, ilustre editor de Política e com conhecida militância no movimento estudantil e no Partido Comunista do Brasil, em Mato Grosso. A justificativa do Pablo é que ele só para se conseguir convencer toda a sua editoria a parar. Pablo anda em busca da unanimidade. Parece que ele ainda não percebeu que a unanimidade é uma construção. Para chegar até ela, é sempre preciso um primeiro passo. Como ele, editor, parar para servir de exemplo para aqueles que trabalham sob a sua batuta.

Um passo como o que foi dado nesta sexta-feira, 6 de novembro de 2015, pelo revisor do Diário, o Caio Matoso, que também é militante ativo da cena cultural cuiabana. Ao assumir a paralisação, Caio escreveu lá no Facebook:

Enock Cavalcanti e Beatriz Saturnino tô com vocês, sou revisor ortográfico aqui no Diário, tô saindo agora da redação, tô na greve, tô no movimento. É preciso respeito, já perdi as contas do que tenho a receber da empresa. Agora são cinco. Segunda-feira tem assembleia a confirmar, de acordo com o sindicato. Abraços.”

Bem, a semana termina e a gente só tem que comemorar: nossa greve cresceu! Éramos cinco – eu, o João Bosquo, a Beatriz Saturnino e a Hegla Oleiniczak, que mantinha sua colaboração via internet, não é bom esquecer dela –  agora somos quatro! Quem sabe até onde podemos chegar?? A luta sindical é sempre um aprendizado e a história já nos mostrou que trabalhador aprende mais em um dia de luta do que em um ano de escola. Então, vamos persistir na luta.

Como aperitivo, um trecho da troca de ideias entre o Rodivaldo Ribeiro e este editor em estado de paralisação, nos espaços do Facebook. Eu defendendo a crescente paralisação dos trabalhadores do DC, ele argumentando que não vale a pena fazer paralisação parcial.Acessando meu perfil no Face você tem a íntegra da conversa. Confira:

 

Enock Cavalcanti A paralisação contra o patrão que não nos paga o salário perde sua importância, aos olhos do Rodivaldo Ribeiro, como bem lembra aBeatriz Saturnino, por que o Rodivaldo prefere tirar uma fora comigo com relação aos rumos do DC Ilustrado. Vejam vocês como isso é psicologicamente curioso e como explica, de uma maneira torta, a ideologia de servidão que acaba amansando algumas pessoas diante dos adversários que seria efetivamente importante combater.

 

Rodivaldo Ribeiro Ah, para com o psicologismo, Enock. Uma coisa tem nada a ver com a outra. Sabia muito bem que provocar meus brios iria me fazer responder, são vocês que estão encompridando uma história sem motivo. Tem ideologia de servidão nenhuma de minha parte, já disse e repito: eu não trabalho de graça, logo, sou tão servil quanto qualquer outro trabalhador brasileiro. Quer focar no que interessa? Devemos todos nos encontrar pessoalmente (e eu disse TODOS os que trabalham no Diário) e cada um dizer se vai ou não trabalhar e o porquê. De novo: ou paramos todos ou não adianta nada meia dúzia parar.

Enock Cavalcanti Exato, Rodivaldo. E quem é que constrói essa assembleia dos trabalhadores do Diário. que você mesmo propõe, com muito senso de oportunidade? À medida que você não pára, à medida que você continua cumprindo as pautas que o bom mestre Gustavo manda, você psicologicamente está se alinhando com o quê e com quem? Com a greve ou com a servidão? Com sua categoria ou com seu patrâo? Uma paralisação é coisa que não se constroi da noite por dia. Não queira justificar seus vacilos pelos vacilos alheios. Os dominós vão caindo um a um. É a disposição de um para a luta que constrói a disposição de todos, imagino eu. Se você parar, acredito que será apenas o primeiro da Cidades. Se o Rafael parar, será apenas o primeiro da Política. E a luta vai se fazendo, primeiro na consciência dos trabalhadores.


Rodivaldo Ribeiro
 Esse trabalho de convencimento deve ser diário, feito aqui na redação ou sei lá onde, e pode até partir da minoria, mas tem de ser efetivado, pelo menos, pela maioria. Sem isso, não há consenso nem mesmo democrático. E a maior parte da redação está trabalhando. Somos 20, 4 pararam.

 

 

Enock Cavalcanti Não estamos falando de uma situação de normalidade. Para que exista a normalidade tem que haver trabalho e a contraprestação na forma do salário. É assim em todo o mundo, em todas as categorias, numa relação que avançou através dos séculos. Por que essa tentativa de traçar um roteiro diferenciado para a direção doJornal Diario De Cuiaba e nos remeter de volta para o passado da completa desregulamentação do mercado de trabalho em desfavor do lado mais fraco da cadeia, que somos nós, os trabalhadores? Qual o absurdo de parar agora para tentar reconstruir um ambiente de normalidade? É um esforço que deveria interessar até ao patrão, se ele não quiser ficar como explorador. Você, Rodivaldo Ribeiro, meio que tenta caracterizar nós 4 como os anormais da história, os fora da ordem, os que estão marchando diferente, em contraposição ao meu entendimento de que existem hoje, na redação do DC, 16 profissionais que não atuam dentro de uma lógica de mercado, respeitada aqui e em todo mundo, há muitos anos, que é aquela lógica do trabalhou tem que receber. Por que essas pessoas agem assim e pensam em continuar agindo assim? Será que já não basta? Anos e anos desse clima broxante dentro da redação? Acho que você precisa de abrir os olhos, acordar para a realidade dessa situação de exploração, por isso é que cometo essa troca de ideias.Você tenta tornar lógico o discurso da servidão, permita-me dizer. 4 pararam porque chegaram a um ponto de exaustão, depois de trabalhar sem a contrapartida do salário. Insisto e continuo querendo entender: por que só 4 assumem essa exaustão e os demais se sujeitam à vontade patronal, em um ambiente que não é mais uma relação de trabalho rotineira e legal, mas sim uma relação de servidão? Falo, falo, falo, mas parece que o patrão Gustavo expressa uma argumentação muito mais competente que a minha já que é do lado dele que você e os 16 acabam ficando. Eu acho que deveria se tentar fazer diferente. A assembleia dos trabalhadores do DC que você chegou a propor me parece um bom espaço para se enfrente esse impasse que impacta todas as nossas vidas. Esse negocio de conversar no dia a dia da redação pode ser um inicio mas como aprofundar uma conversa com as pautas arrastando repórteres e editores daqui pra li, numa correria sem fim?

(para acessar a íntegra, acesse aqui: https://www.facebook.com/enock.cavalcanti.1)

 

 

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