No Rio, Marcelo Freixo (PSOL) é o candidato dos artistas

Em sua campanha para prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Freixo, do PSOL, conta com apoio de artistas de grande conceito como Chico Buarque e Caetano Veloso. Só que, para o eleitorado do Rio, esse coronelismo midiático parece não pesar muito.

Freixo e os artistas
por MIGUEL DO ROSÁRIO

http://www.riopolitica.com/2012/07/30/freixo-e-os-artistas/

O Rio de Janeiro é a cidade dos artistas. Aqui fica a sede da Rede Globo, o maior centro de produção audivisual da América Latina, e somos a segunda maior cidade do país, em população e produto interno bruto. Teríamos muitos artistas flanando por nossos calçadões mesmo se não tivéssemos a Globo.

Não é só isso. Por alguma razão, talvez por sua enorme tradição no campo da cultura, por ser possivelmente a cidade mais bela do Brasil em termos de belezas naturais, por sua vocação turística, não há artista brasileiro que não sinta afinidade pelo turbulento e maravilhoso Rio.

Daí que quando  o candidato Marcelo Freixo ganhou destaque nas mídias por causa do apoio que vem recebendo de figuras sagradas da arte,  criou-se uma verdadeira onda nas redes sociais. No Rio de Janeiro, ou em qualquer cidade do país, receber o apoio político de artistas como Caetano Veloso, Chico Buarque, de cineastas como Zé Padilha, e ter um vice como Marcelo Yuca, é um inegável trunfo.

Freixo é um vencedor neste sentido, e já assegurou, para daqui a dois anos, uma boa votação como deputado federal.

Entretanto, o eleitorado carioca, até pela proximidade constante de tantas estrelas, não parece se deixar impressionar muito porque Caetano Veloso apóia um candidato. Numa cidadezinha do interior, talvez isso fizesse diferença. No Rio, não. O carioca é meio blasé quando se trata de celebridades.  Muitas delas passeiam nas ruas com total liberdade, e os cariocas evitam até de olhar direto pra elas, com receio de que isso viole a privacidade do artista, e principalmente por orgulho. O carioca é um sujeito em geral modesto, simples, mas que no fundo se dá muito importância e não quer ser visto bajulando celebridade.

Além disso, Eduardo Paes também tem seus artistas: Fernanda Montenegro, por exemplo, só pra citar um nome sagrado.

De qualquer forma, independente do apoio de artistas, os cariocas tem que discutir as opções com base em propostas de governo e, sobretudo, posicionamento político. Não é correto votar num candidato só porque uma celebridade que você admira também o faz. Isso constituiria um perigoso coronelismo midiático.  Se Freixo é um bom candidato, que ganhe em função de suas ideias e do significado de seu nome na conjuntura política brasileira, e não porque aparece numa foto ao lado de Chico Buarque.

Dito isto, precisamos avaliar: que partidos políticos apóiam Freixo? Que sindicatos? Que movimentos sociais? Um candidato de esquerda precisa ter uma base social e institucional mínima para ter condições políticas de fazer um bom governo. O Psol tem condições de administrar uma cidade como o Rio de Janeiro?

Na opinião deste blogueiro, Freixo é um candidato bem intencionado, um sujeito honesto e que teve um desempenho corajoso como deputado estadual, enfrentando as milícias. Mas seu discurso é refém do discurso lacerdista, antipolítico, que tanto mal traz à sociedade, sobretudo por sua leviandade. A coisa mais fácil do mundo é xingar os políticos. Mas é vulgar também. Vale como piada de botequim, mas se torna um discurso aliado ao conservadorismo quando na boca de uma pessoa culta, mormente alguém com ideias de esquerda.

Por outro lado, é melhor que tenhamos um candidato forte na ultra-esquerda do que um Le Pen ameaçando tomar a Praça XI. Ainda estamos tentando entender, todavia, o significado de Marcelo Freixo nas eleições do Rio de Janeiro.

fonte RIO POLITICA

Marcelo Freixo, do PSOL, com Gil, Caetano, Djavan e Marisa Monte

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