NAS MÃOS DA ELITE PREDADORA: Em troca de “ajuda” europeia, Ucrânia será forçada a aceitar redução dos salários, cortes significativos no setor público e nos serviços sociais, além de aumento dos impostos sobre a classe trabalhadora e corte de pensões. Além disso, terá que aderir a um programa de liberalização que permitirá à Europa despejar mercadorias no mercado ucraniano, a desregulamentação e a maior abertura do setor financeiro do país à especulação e à privatização

Ucrânia-ruas+incendiadas e avanço dos partidos de direita

“Protestos” assassinaram a democracia − Ucrânia derrotada pela intriga e pela violência

23/2/2014, [*] Paul Craig Roberts – Institute for Political Economy
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu
 Ucrânia-manifestações-bandeira-UE
Manifestantes moderados estendem bandeira da UE em Kiev (24/11/2014)
Quem manda lá? Não, com certeza, os moderados alugados e bem pagos que Washington e a União Europeia sonhavam pôr lá, como novo governo da Ucrânia. O acordo que a oposição sustentada por Washington e pela União Europeia fizeram com o presidente Yanukovich para pôr fim à crise não durou meia hora.
Até o ex-campeão de boxe, Vitali Klitschko, que fazia pose de líder da oposição há apenas poucas horas, foi vaiado pelos vândalos e terroristas, e descartado. O agora nomeado presidente por algo que parece ser um Parlamento irrelevante,Oleksandr Turchynov, não tem apoio algum entre os que derrubaram o governo.
Como a BBC noticiou,
(…) como todos os políticos da oposição, Turchynov não goza da confiança nem do respeito dos reunidos na Praça Independencia em Kiev.
 Oleksandr Turchynov
Oleksander
Turchynov
No leste da Ucrânia, a única força armada e organizada é o ultranacionalista “Pravy Sektor” − Setor Direita. Pelo modo como os “líderes” desse grupo estão falando, vê-se que se sentem instalados no poder. Um deles, Aleksandr Muzychko, já jurou lutar “até a morte contra judeus e russos”.
Afirmando a autoridade do Pravy Sektor (Setor Direita) sobre a situação, Muzychko declarou que agora que o governo democraticamente eleito foi derrubado, “teremos ordem e disciplina” e “esquadrões do Pravy Sektor (Setor Direita) matarão os bastardos, onde forem encontrados”.
Os “bastardos” são qualquer manifestante que ouse protestar contra o Pravy Sektor (Setor Direita).
Muzychko declarou que “o próximo presidente da Ucrânia será do Pravy Sektor (Setor Direita)”.
Outro líder do Pravy Sektor (Setor Direita), Dmitry Yarosh, declarou:
(…) o Pravy Sektor não vai depor armas.
Disse que o acordo feito entre a oposição e o presidente é “inaceitável” e exigiu a extinção do partido político do presidente Yanukovich.
 Dmytro Yarosh
Dmitry Yarosh
Esse Setor Direita tem raízes que remontam aos ucranianos que lutaram ao lado de Adolf Hitler contra a União Soviética durante a IIª Guerra Mundial. Foi o Setor Direita que introduziu na praça os vândalos armados que converteram as manifestações pacíficas em Kiev, a favor de o país aproximar-se da União Europeia, em ataques violentos contra a Polícia, com o objetivo de derrubar governo democraticamente eleito – o que o Setor Direita afinal conseguiu.
O Setor Direita não derrubou o governo da Ucrânia para entregá-lo nas mãos da “oposição” alugada e paga por Washington e pela União Europeia.
Há uma tendência a apresentar o Setor Direita como pequeno grupo marginal. E o Setor Direita não só tomou o controle dos protestos, retirando-o dos moderados apoiados pelo Ocidente – como os próprios tais moderados já admitiram, eles mesmos – mas o Setor Direita também encontrou apoio público suficiente para destruir o monumento nacional aos soldados do Exército Vermelho que morreram para libertar a Ucrânia da ocupação pelos nazistas alemães.
Diferente da destruição encenada pelos EUA da estátua de Saddam Hussein, que foi evento de propaganda montado pelos EUA para que os representantes da imprensa-empresa press-tituta fotografassem, a destruição, pela extrema direita ucraniana, do monumento comemorativo da libertação da Ucrânia pelo Exército Vermelho teve, sim, apoio popular.
O Setor Direita odeia os russos por terem derrotado Hitler, mas, pela mesma razão, também odeia os EUA, a França e a Inglaterra. De modo algum o Setor Direita será o partido político que integrará a Ucrânia à União Europeia.
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Susan Rice
As partes russas da Ucrânia compreendem claramente que a destruição, pela extrema direita, do monumento que homenageia a vitória do Exército Vermelho sobre as tropas nazistas é ameaça direta contra a população russa que vive na Ucrânia. Governos provinciais no leste e no sul da Ucrânia que já foram parte da Rússia estão organizando milícias para resistir à ameaça de nazistas ultranacionalistas criada pela estupidez e pela incompetência de Washington, e pela ignorância e ingenuidade patéticas dos “manifestantes” de Kiev.
Tendo interferido em assuntos internos da Ucrânia e perdido em seguida o controle sobre os eventos, Washington põe-se agora a lançar “ultimatos” à Rússia para que não interfira na Ucrânia.
Será que a perfeitamente idiota Susan Rice, conselheira de segurança nacional neoconservadora de Obama, pensa que Putin dará alguma (qualquer, mínima) atenção aos “ultimatos” dela, ou a “instruções” de um governo militarmente tão incompetente que não consegue sequer ocupar Bagdá, depois de oito anos de tentativas, nem consegue derrotar uns poucos milhares de Talibãs armados só com armas leves, depois de doze anos?
As tropas russas precisaram só de algumas horas para destruir o exército georgiano treinado e armado por EUA e Israel, que Washington mandou lá, para invadir Ossétia Sul.
 Victoria Nuland2
Victoria Nuland
Onde será que Obama descobre nulidades como Susan Rice e Victoria Nuland? Deviam ser postas num sanatório para mulheres portadoras de necessidades (muito) especiais, nunca no governo de uma superpotência, onde a ignorância e a arrogância da dupla pode iniciar a IIIª Guerra Mundial.
A Ucrânia é muito mais importante para a Rússia que para os EUA ou a União Europeia. Se a situação na Ucrânia descambar completamente, e os extremistas de direita assumirem o controle, a intervenção russa é certa. O arrogante, estúpido governo Obama, tolamente, temerariamente, imbecilmente, criou uma ameaça estratégica direta contra a existência da Rússia.
Segundo o Moscow Times, eis o que um alto funcionário do governo russo tem a dizer:
Se a Ucrânia rachar, haverá guerra. A Ucrânia perderá, primeiro, a Crimeia, porque a Rússia irá para lá, como fizemos na Georgia.
Outro funcionário russo disse:
Não permitiremos que Europa e EUA nos tomem a Ucrânia. Todos os estados da ex-União Soviética são, para nós, uma família. Pensam que a Rússia está ainda fraca, como no início dos anos 1990s. Não estamos.
A extrema direita ucraniana está hoje em posição mais forte que os fantoches ucranianos pagos por Washington, gente absolutamente fraca e irrelevante que vendeu o próprio país pelo dinheiro de Washington. O Setor Direita é organizado. Está armado. É local. Não depende de dinheiro pago a ele por Washington, nem de ONGs pagas pela União Europeia. Têm ideologia e é focado. O Setor Direita não precisa pagar manifestantes para encher ruas, como Washington teve de fazer.
O mais grave: “manifestantes” bem intencionados, mas estúpidos – sobretudo os estudantes de Kiev – e um parlamento ucraniano jogando para os “manifestantes” destruíram a democracia ucraniana. O Parlamento controlado pela oposição tirou do governo, sem eleições, um presidente eleito: não há dúvida alguma de que é ação ilegal e antidemocrática óbvia. O Parlamento controlado pela oposição emitiu mandados de prisão ilegais contra membros do governos do presidente. O Parlamento controlado pela oposição tirou da cadeia criminosos legalmente condenados.
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Parlamento controlado pela oposição, na abertura da sessão de 27/1/2014
Assim, com a oposição criando um regime de ilegalidade, para substituir os procedimentos legais e constitucionais, o campo ficou aberto para ser ocupado pelo Setor Direita. Podem esperar: tudo que a oposição fez a Yanukovich o Setor Direita fará à oposição. Por suas ações ilegais e inconstitucionais, a oposição criou o precedente para ser, ela também, e logo, derrubada.
Assim como a revolução de fevereiro de 1917 contra o czar russo preparou o cenário para a Revolução Bolchevique de outubro de 1917, colhendo de surpresa os estúpidos “reformadores”, a derrubada da ordem política na Ucrânia preparou o cenário para o Setor Direita. Resta esperar, só, que o Setor Direita deixe escapar a chance.
 Viktor Yanukovich-22-2-14
Viktor Yanukovich
A imprensa-empresa norte-americana, como fonte de informação, é imprestável. Opera como um Ministério para Mentiras do Governo. Jornalistas propagandistas corruptos estão pintando a derrubada antidemocrática de Yanukovich como se fosse vitória da liberdade e da democracia. Quando tudo começar a vir abaixo e já não conseguirem esconder os fatos, os/as press-tituto(a)s culparão a Rússia e Putin. A imprensa-empresa ocidental é uma praga que desabou sobre a humanidade.
Os norte-americanos não têm nem ideia de que o governo neoconservador do Doido da Casa Branca os está levando para uma grande confrontação.
Que ironia! O “primeiro presidente negro”, o homem que os liberais imaginaram que restauraria a justiça, a moralidade e a razão para toda a civilização ocidental, aparece aí, hoje, como o homem que, ou aceitará uma derrota humilhante, ou arriscará todos nós, numa guerra que pode destruir a vida na Terra.
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 Paul Craig Roberts3
[*] Paul Craig Roberts (nascido em 03 de abril de 1939) é um economista norte-americano, colunista do Creators Syndicate. Serviu como secretário-assistente do Tesouro na administração Reagan e foi destacado como um co-fundador da Reaganomics.  Ex-editor e colunista do Wall Street JournalBusiness Week e Scripps Howard News Service. Testemunhou perante comissões do Congresso em 30 ocasiões em questões de política econômica.
Durante o século XXI, Roberts tem frequentemente publicado em Counterpunch, escrevendo extensamente sobre os efeitos das administrações Bush (e mais tarde Obama) relacionadas com a guerra contra o terror, que ele diz ter destruído a proteção das liberdades civis dos americanos da Constituição dos EUA, tais como habeas corpus e o devido processo legal. Tem tomado posições diferentes de ex-aliados republicanos, opondo-se à guerra contra as drogas e a guerra contra o terror, e criticando as políticas e ações de Israel contra os palestinos. Roberts é um graduado do Instituto de Tecnologia da Geórgia e tem Ph.D. da Universidade de Virginia, pós-graduação na Universidade da Califórnia, Berkeley e na Faculdade de Merton, Oxford University.
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Ucrânia: NSA “vaza” uma ameaça a Merkel

25/2/2014, [*] Moon of Alabama
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu
 Angela Merkel-peitos
Será que a Alemanha terá peito suficiente para enfrentar os EUA?
Os EUA e a União Europeia não concordam sobre a Ucrânia. Os europeus prefeririam não provocar os russos (calma lá! Eles fornecem o gás que aquece nossos lares) e prefeririam alguma concessão, como resultado na Ucrânia. Eis a razão pela qual a oferta de dinheiro que a União Europeia fez à Ucrânia foi, para começar, insultantemente pouco dinheiro, e teve de ser rejeitada. Os EUA querem confrontação com a Rússia e um regime fantoche completamente servil na Ucrânia. Embora Merkel queira instalar seu protegido, e campeão de boxe Klitschko no poder na Ucrânia, ela não quer pagar por isso – pelo menos, não quer pagar muito. Os EUA não gostam da escolha de Merkel e querem pôr lá o seu próprio oligarca. A propósito disso, precisamente, foi que a secretária-assistente e neoconservadora Victoria Nuland enunciou seu “foda-se a União Europeia”.
Agora, os EUA conseguiram pôr abaixo toda a estrutura política na Ucrânia e querem passar a mão no show inteiro. Mas ainda querem que a Europa, especialmente a Alemanha, pague pela confusão toda.
Daí a coluna assinada hoje por um propagandista dos EUA, Ulrich Speck, e publicada no New York TimesO que o Ocidente deve fazer pela Ucrânia:
Ulrich Speck
Ulrich Speck
Porque a oferta foi fraca demais, a porta foi escancarada para que o Sr. Putin a sabotasse e o Sr. Yanukovych a rejeitasse. Agora, a União Europeia tem de comparecer com uma oferta melhor: não apenas o status de associada, mas a condição de membro pleno.
A Sra. Merkel tem agora de mostrar coragem e competência estratégica. Se a Europa Oriental tornar-se instável, a Alemanha também será afetada – e profundamente afetada. Só Berlim tem o peso e as conexões necessárias para trazer para bordo todos os atores chaves para tornar possível a mudança.
Muito interessante é que, agora, o “ocidente” está reduzido a Berlim pagar a conta – e é só disso que se trata nessa “mensagem”. E… vocês perceberam a pequena ameaça que se ouve em “se a Europa Oriental tornar-se instável, a Alemanha também será afetada”? “Que bela casa a sua… Seria uma lástima ela ser destruída num incêndio”.
 Ucrânia-ruas+incendiadas
O incêndio na Ucrânia pode atingir a Alemanha…
E houve também um lembrete adicional no fim da semana, para a Sra. Merkel,  de que é melhor ela fazer o que a estão mandando fazer:
A Agência de Segurança Nacional (NSA) dos EUA subiu o grau de vigilância contra altos funcionários do governo alemão, depois de Barack Obama ter ordenado que parassem de espionar a chanceler Angela Merkel – noticiou o jornal Bild am Sonntag no domingo.
Bild am Sonntag disse que recebeu a informação vazada de um alto funcionário da NSA empregado na Alemanha, e que entre os altos funcionários que estão sendo espionados está o ministro do Interior, Thomas de Maiziere, confidente muito próximo de Merkel.
 Angela Merkel e Thomas de Maiziere
Thomas de Maiziere                                       Angela Merkel
Um “alto funcionário da NSA empregado na Alemanha” que conversa como o mais pró-EUA dos jornais da Alemanha não é sentinela que alerta sobre algum perigo iminente para o povo: é empregado distribuindo vazamento autorizado, enviado como ameaça contra alvo conhecido.
O aviso dado a Merkel é claro: Pague logo e nem pense em fazer acordo com Putin pelas nossas costas.

 
[*] “Moon of Alabama” é título popular de “Alabama Song” (também conhecida como“Whisky Bar” ou “Moon over Alabama”) dentre outras formas. Essa canção aparece na peça Hauspostille (1927) de Bertolt Brecht, com música de Kurt Weil; e foi novamente usada pelos dois autores, em 1930, na ópera A Ascensão e a Queda da Cidade de Mahoganny. Nessa utilização, aparece cantada pela personagem Jenny e suas colegas putas no primeiro ato. Apesar de a ópera ter sido escrita em alemão, essa canção sempre aparece cantada em inglês. Foi regravada por vários grandes artistas, dentre os quais David Bowie (1978) e The Doors (1967). No Brasil, produzimos versão SENSACIONAL, na voz de Cida Moreira, gravada em “Cida Moreira canta Brecht”, que incorporamos às nossas traduções desse blogMoon of Alabama, à guisa de homenagem. Pode ser ouvida a seguir:
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A Doença da Ucrânia…e a Cura da Europa

24/2/ 2014, [*] Eric Draitser  − Counterpunch
Traduzido por João Aroldo
 Ucrânia-pravy-sektor-enfrenta-polícia
Manifestantes do “Pravy Sektor” (Setor Direita) enfrentam policiais com barricadas móveis (20/2/2014)
A situação na Ucrânia está evoluindo a cada hora. Ultranacionalistas de direita e seus colaboradores “liberais” tomaram o controle da Rada (Parlamento ucraniano) e depuseram o presidente democraticamente eleito, embora totalmente corrupto e incompetente, Yanukovich.
A ex-primeira-ministra e condenada criminalmente, Yulia Timoshenko, foi libertada, e agora está a fazer causa comum com o Setor da Direita, Svoboda, e os outros elementos fascistas, enquanto os líderes nominais da oposição, como Arseny Yatsenyuk e Vitali Klitschko, começam a ir para o segundo plano.
Em Moscou, o presidente russo, Vladimir Putin, sem dúvida, observa com ansiedade. Em Washington, Victoria Nuland e a administração Obama se alegram. No entanto, talvez o desenvolvimento mais importante esteja prestes a surgir na Europa, enquanto as forças do capital financeiro ocidental se preparam para receber a Ucrânia no rebanho. Eles virão com os presentes neoliberais de sempre: austeridade e “liberalização econômica”.
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Destroços da Praça Maidan em 20/2/2014
(clique na imagem para aumentar)
Com a derrubada do governo Yanukovitch, os 15 bilhões de dólares em assistência financeira que a Rússia prometeu à Ucrânia estão em dúvida. De acordo com a agência de classificação Moody’s:
A Ucrânia vai exigir 24 bilhões de dólares para cobrir um déficit orçamental, o pagamento da dívida, contas de gás natural e apoio a pensões apenas em 2014.
Sem continuidade da compra de títulos por Moscou e outras formas de ajuda financeira, e com as forças pró-UE assumindo o controle da política econômica e externa do país, o resultado não é difícil de prever: um pacote de resgate da Europa com todas as condições de austeridade habituais.
Em troca de “ajuda” europeia, a Ucrânia será forçada a aceitar a redução dos salários, cortes significativos no setor público e nos serviços sociais, além de um aumento dos impostos sobre a classe trabalhadora e corte de pensões. Além disso, o país será obrigado a aderir a um programa de liberalização que permitirá à Europa despejar mercadorias no mercado ucraniano, a desregulamentação e a maior abertura do setor financeiro do país à especulação e à privatização predatória.
Não são necessários poderes psíquicos para prever esses acontecimentos. Basta olhar para a onda de austeridade nos países europeus, como Grécia e Chipre. Além disso, os países do Leste Europeu, com as condições econômicas e históricas semelhantes à Ucrânia – a Letônia e a Eslovênia especificamente – fornecem um roteiro para o que a Ucrânia deve esperar.
 Photo: © Europen Parliament/P.Naj-Oleari pietro.naj-oleari@europarl.europa.eu
Yulia Timoshenko
O modelo de “sucesso”
Quando a “liderança” pró-UE da Ucrânia sob Timoshenko & Cia. (e a direita fascista) começar a olhar para futuro, eles imediatamente vão olhar para a Europa para resolver os problemas econômicos mais urgentes. O povo ucraniano no entanto faria bem em examinar o precedente da Letônia para entender o que os aguarda. Como os renomados economistas Michael Hudson e Jeffrey Sommers escreveram em 2012:
O que permitiu à Letônia sobreviver à crise foram os resgates da UE e do FMI… Elites à parte, muitos emigraram… Demógrafos estimam que 200.000 partiram na última década – cerca de 10% da população … A Letônia experimentou os efeitos da austeridade e do neoliberalismo. As taxas de natalidade caíram durante a crise – como é o caso em quase toda parte, são impostos programas de austeridade. Ela continua tendo uma das maiores taxas da Europa de suicídio e de mortes nas estradas causadas por dirigir embriagado. O crime violento é alto, sem dúvida, por causa do desemprego e cortes orçamentários prolongados da polícia. Além disso, há a fuga de cérebros em conjunto com a emigração de trabalhadores.
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Manifestantes eslovenos contra “austeridade” em Liubliana (20/8/2013)
O mito da prosperidade a acompanhar a integração e resgates da UE é apenas isso, um mito. A realidade é a dor e o sofrimento em uma escala muito maior do que a pobreza e o desemprego que a Ucrânia já experimentou, especialmente na parte ocidental do país. O mais educados, os mais preparados para assumir a liderança, vão fugir em massa. Os líderes que permanecerem vão fazê-lo enchendo seus bolsos e insinuando-se aos financistas europeus e norte-americanos que migram para a Ucrânia como abutres em cima de carniça. Em suma, a corrupção e a má administração do governo Yanukovitch vão parecer uma memória agradável.
A “liberalização” que a Europa demanda criará enormes lucros para os especuladores, mas muito poucos empregos para as pessoas que trabalham. A melhor terra será vendida às empresas estrangeiras e grileiros, enquanto os recursos, incluindo o setor agrícola altamente cobiçado, serão tomados e vendidos no mercado mundial deixando, tanto os agricultores como os moradores das cidades, em pobreza extrema, os seus filhos irão para a cama com fome. Este será o “sucesso” da Ucrânia. É assustador pensar que como seria o fracasso
Na Eslovênia, outro país do Leste Europeu que tem experimentado o “sucesso” que a Europa deseja, os ditames econômicos de Bruxelas têm devastado as pessoas que trabalham no país e suas instituições. A Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou um relatório de 2013, em que se recomenda que, como primeiro passo, a Eslovênia aja para “ajudar o setor bancário a ficar de pé outra vez”, acrescentando que “são necessárias medidas adicionais e radicais o mais rápido possível”.
 Eslovenia-protestos-contra-privatização-bancos-20-6-13
Protestos em Liublana (Eslovênia) contra a privatização dos bancos públicos (20/6/2013)
Além disso, a OCDE recomendou a privatização total dos bancos da Eslovênia e outras empresas importantes, apesar de prever uma contração maior que 2% da economia. Em termos leigos, a Europa recomenda que a Eslovênia e seu povo se sacrifiquem para as forças do capital financeiro internacional, nada menos. Esse é o custo da “integração” europeia.
A Ucrânia está passando por uma transformação da pior espécie. Suas instituições políticas foram pisoteadas por uma coleção heterogênea de liberais delirantes, políticos espertos em ternos extravagantes e extremistas nazistas. O tecido social está se rasgando, com cada região em busca de uma solução local para os problemas do que costumava ser sua nação. E, no meio de tudo isso, o espectro de financistas em busca de lucros com cifrões nos olhos é tudo o que o povo ucraniano pode esperar.”
 Eric Draitser (1)
[*] Eric Draitser é analista independente de Geopolítica com sede em Nova Yorque e fundador do sítio Stop Imperialism. É colaborador regular de Russia TodayCounterpunchResearch on GlobalizationPress TV,New Eastern Outlook e muitos outros meios de comunicação. Produz tambémpodcasts; disponíveis no iTunes e Stop Imperialism, bem comoThe Reality Principle, disponível exclusivamente no sítio BoilingFrogsPost.com.
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FONTE REDE CASTOR PHOTO

2 Comentários

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  1. - IP 177.132.247.16 - Responder

    O povo venceu,não aceitou mais a Ucrânia ser para sempre satélite da Russia,como queria Putin.Para os comunistas ,foram os americanos que influenciaram.Como sempre, os cowboys são culpados!Tá sobrando só Cuba,Coréia do Norte,e alguns aqui na A.L!

  2. - IP 179.254.52.184 - Responder

    Interessante mesmo é que o povo da Ucrania preferiu ficar do lado da “elite predadora” do que com o a elite mafiosa da Rússia.
    Me parece que ha um certo saudosismo na materia , afinal a União Européia e a Russia são hoje em dia a mesma essencia . O capitalismo é o remédio e o venneno do mundo e isso não mudará.

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