PREFEITURA SANEAMENTO

SOCIÓLOGO NALDSON RAMOS: Como se explica hoje esse rugir da classe média que, além do fim à corrupção, pede insistentemente “Fora Dilma” nas ruas? No fundo, não é a corrupção ou o preço da gasolina que estão protestando mas, sim, pelo fato de não suportarem mais ver os shopping centers lotados, as filas nos bancos, o trânsito insuportável inchado de motos e carros populares, os mercados e as praias lotadas. Quantas saudades têm da inflação alta, povo excluído nas periferias das cidades; todavia, o ócio de fim semana regado à carne, a vinho e o caviar não faltavam às suas mesas. Vale lembrar que muitos nasceram nos anos 1980 e 1990, portanto, nunca conheceram o passado de ditadura, recessão e exclusão

fora dilma

A classe média ruge

POR NALDSON RAMOS

 

As manifestações de 15 de março e 12 de Abril último revelam uma “nova face” da classe média brasileira.

Finalmente, ela sai de dentro dos apartamentos, das suas casas confortáveis e, momentaneamente, abandona o ócio do consumismo aos finais de semana para mostrar à sociedade e ao governo os seus dentes de brilho brancos.

Sai de cena pública os “sem dentes” e excluídos para entrar em cena os incluídos de linguajar raivosos contra a corrupção e o governo.

Ser contra a corrupção, independente do governo de plantão, é um mérito, mas contra este governo e o PT, assim como o pedido de impeachment, merece algumas considerações. Atualmente não sou filiado a nenhum partido, mas nem por isto deixo de tomar partido.

E é bom entender que partido político representa uma parte da sociedade e a classe média menos esclarecida e a elite nunca viram o PT com bons olhos por razões ideológicas, ou por raiva mesmo ao ver seus interesses não representados totalmente. “Finalmente, ela sai de dentro dos apartamentos, das suas casas confortáveis e, momentaneamente, abandona o ócio do consumismo aos finais de semana para mostrar à sociedade e ao governo os seus dentes de brilho brancos”

Na minha graduação, nas disciplinas ciência política III e IV, ouvi dos meus professores uma análise muito comum à época, final dos anos 70, afirmando que as classes médias se mantêm sempre próxima dos interesses da classe dominante e, em alguns momentos, quando o sistema econômico e político altera profundamente seu nível de consumo, ela pode oscilar para o lado oposto se aliando aos interesses do povo. Mas, em regra, ela é extremamente reacionária e raramente enxerga para além do seu umbigo.

Essa classe média protesta, de forma geral, não sou contra os protestos (parta de onde partir), se fazendo de injustiçada, posando de arautos da moral e da ética. Acham-se politizadas sem nunca ter lido um livro de política, ou de história, para entender o desastre que foi no passado a nossa República brasileira de 1889 a 1989.

Um século de exploração do latifúndio, da industrialização dependente, de salários bem abaixo da inflação, da falta de democracia, moradia, saúde e educação pública para as massas excluídas de cidadania.

Como se explica hoje esse rugir da classe média que além do fim à corrupção, pede insistentemente Fora Dilma nas ruas?

No fundo, não é a corrupção ou o preço da gasolina que estão protestando, mas sim pelo fato de não suportarem mais ver os shopping centers lotados, as filas nos bancos, o trânsito insuportável inchado de motos e carros populares, os mercados e as praias lotadas.

Quantas saudades têm do final dos anos 1990 e início do ano 2000: inflação alta, povo excluído nas periferias das cidades; todavia o ócio de fim semana regados à carne, a vinho e o caviar não faltavam às suas mesas. Vale lembrar que muitos nasceram nos anos 1980 e 1990, portanto nunca conheceram o passado de ditadura, recessão e exclusão.

As classes médias que hoje protestam nunca leram os clássicos da política: Maquiavel, Hobbes, Locke, Rousseau, Montesquieu, Gramsci, entre outros. Se leram, não entenderam nada de política e de governo representativo.

Por isto não entendem a função do Estado, da representação política (governo) e nem da democracia liberal burguesa, quem dirá de social democracia, hegemonia e democracia brasileira. Quando muito leram Paulo Coelho e os livros de autoajuda. Talvez isto explique em parte a sua raiva contra o atual governo (Fora Dilma).

Protestam contra a própria ignorância política. Nas faixas, nada de direitos sociais como: mais educação, mais saúde, mais habitação popular e mais salários. Já têm tudo isto, conquistado à custa do suor dos trabalhadores e dos excluídos de cidadania.

Quem são os líderes destas manifestações de Fora Dilma (corrupção?) Praticamente todos, ou são empresários, ou ligados a esta classe média raivosa, como é o caso da representante dos “Revoltados On line”. Embora se digam apolíticos (sem partidos), no fundo exercem um papel político extremamente conservador e perigoso para a democracia brasileira.

Se entendessem um pouco de política verificariam que não existe entre eles nenhum movimento social e histórico de peso (OAB, ABI, sindicatos), ou até mesmo políticos da oposição de expressão defendendo Fora Dilma. Não existe ainda nenhum fato que comprove o envolvimento da presidente com os casos de corrupção.

O quadro atual é bem diferente do que aconteceu com Fernando Collor, pois ele se beneficiava diretamente dos fundos de campanha para pagamento de despesas pessoais da Casa Dinda, além de receber de “presente” um automóvel para servir sua residência particular.

Nem mesmo os candidatos derrotados nas últimas eleições, e o ex-presidente Fenando Henrique, fazem coro com os revoltados “Vem pra Rua” “Movimento muda Brasil” e “Revoltados on-line”, sem contar inúmeros depoimentos de políticos e juristas afirmando que Fora Dilma não tem sustentação legal, por ora, para resultar num impeachment. Sobra-lhes a companhia de Lobão, Ronaldo (para quem não se lembra se trata do jogador), e o exótico político militar deputado Jair Bolsonaro, líder dos que pedem a intervenção militar.

São estes analfabetos políticos que protestam e pedem Fora Dilma, sob o pretexto de que estão combatendo a corrupção e a política do PT.

No fundo, no fundo, têm outros interesses: desestabilizar a democracia, tirar proveito de um governo autoritário e restringir o acesso das massas aos direitos de cidadania.

Vamos protestar sim, por mais democracia e uma reforma política ampla (política constitucional), para que continue avançando ainda mais na inclusão social e justiça para todos, e não apenas para a classe média e a elite.

Insisto, não estou aqui defendendo os erros do PT. O Brasil vive uma crise de representação política, econômica e ética que precisa ser enfrentada urgentemente.

Penso que tudo deve ser apurado e responsabilizado. Mas, diante da atual conjuntura, penso que todos, com um pouco de bom senso, devem tomar parte (partido) deste debate.

naldson

NALDSON RAMOS COSTA é bacharel em Ciências Políticas e Sociais, especialista em Ciências Sociais, mestre e doutor em Sociologia.

3 Comentários

Assinar feed dos Comentários

  1. - IP 177.221.96.140 - Responder

    Criticar o PT pelas suas roubalheiras e pedir a saída de seus líderes do poder não pode???

    Então deixa eles continuarem com os descalabros.

    • - IP 189.59.47.200 - Responder

      SANTA IGNORÂNCIA! SÓ PODIA SER DO PT. FALAR A VERDADE NUNCA FOI CRÍTICA E SIM UM DESABAFO PELOS DESMANDOS COM O NOSSO BRASIL. SOU BRASILEIRA E NÃO PARTIDÁRIA. NINGUÉM E NENHUM POLÍTICO SEJA DE QUALQUER PARTIDO TEM O DIREITO DE ENGANAR O POVO.;MAIS SIM DE LUTAR PELA DIGNIDADE DA NAÇÂO. COM MUITO AMOR DEFENDO ESTA TERRA. QUE É NOSSA PÁTRIA.

  2. - IP 177.17.202.67 - Responder

    Mais um imbecil que comparece na pagina de PT.Aliás deveria ser chamada,Página do i; idiotas ,imbecis,incompetentes,etc.

Deixe seu Comentário

Seu endereço de email não será publicado.
Campos com * são obrigatórios.

15 + 20 =