Na Folha de S. Paulo, Reinaldo Azevedo agora tenta defender Joaquim Barbosa dizendo que o ministro do STF é vítima de racismo. Reinaldo esqueceu que os “progressistas” não estão preocupados com a cor de Joaquim Barbosa porque, em primeiro lugar, somos negros também.

O jornalista Reinaldo Azevedo, articulista de Veja e da Folha de S.Paulo e o ministro Joaquim  Barbosa, incensado pela grande mídia por protagonizar evidente perseguição a réus petistas no Julgamento do Mensalão

O jornalista Reinaldo Azevedo, articulista de Veja e da Folha de S.Paulo e o ministro Joaquim Barbosa, incensado pela grande mídia por protagonizar evidente perseguição a réus petistas no Julgamento do Mensalão

Reinaldo Azevedo tenta racializar debate sobre Joaquim Barbosa

Enviado por , O Cafezinho 

Danadinho esse Reinaldo. Só que dessa vez ele se estrepou. Talvez por não ser tão inteligente como pensa que é.

O agora colunista da Folha publicou hoje um artigo intitulado “Barbosa no tronco”, onde acusa os blogs de serem racistas por criticarem Joaquim Barbosa.

Antes de falar disso, porém, quero fazer alguns comentários sobre outra acusação de Reinaldo aos blogs, presente no mesmo texto.

O colunista, seguindo a cartilha da mídia, acusa os blogs de serem “financiados por dinheiro público”.

É só assim que eles, os pitbulls da mídia, se referem aos blogs, como se todo mundo não soubesse que, historicamente, quem drena para si a maior parte das verbas públicas destinadas à publicidade institucional sempre foi a grande mídia. Não só faz e fez isso como sustentou um golpe militar justamente para mamar mais forte nas tetas do Estado. E quer derrubar o governo atual, porque não está satifeita com o que ainda mama (o governo federal ainda é extremamente generoso). Quer voltar a mamar com a volúpia e prazer que só um governo tucano pode lhe proporcionar.

A estratégia unida da mídia é matar os blogs pelo bolso. Ao generalizar que todos os blogs recebem “verba pública” (só alguns recebem, e isso não é crime; é um direito deles), eles tentam minar a nossa credibilidade, e intimidam as agências de publicidade, que não vão arriscar perder seus generosos bônus de volume se metendo com um punhado de “sujos”.

E assim os blogs não recebem nem publicidade privada, visto que as agências estão no bolso da grande mídia, nem pública, porque os governos e estatais ficam intimidados com as acusações da mesma grande mídia, de que estariam fazendo algo de errado se anunciassem em blogs.

O principal defeito dos blogs, no entanto, é que eles não pagam propinas às agências. É muito mais confortável para as agências gastar R$ 3 milhões anunciando em três jornais e uma revista do que dispersar esses recursos em trezentos blogs e sites. Os três jornais e revistas pagam milhões em bônus de volume e são fáceis de serem monitorados.

O lado trágico disso é que os blogs, sem verba de nenhum lado, enfrentam dificuldades para se profissionalizar.

Esse papo me irrita um pouco, porque eu nunca recebi verba pública. Não vejo nada de errado em ter anúncio de uma estatal, mas é que eu nunca tive essa oportunidade. Sou o sujeito mais “iniciativa privada” que eu conheço. Trabalho desde os 16 anos em firma própria, 100% privada. E hoje o Cafezinho é sustentado 100% por verba privada, sendo 90% assinaturas e 10% anúncios adsense. O outro blog em que trabalho, o Tijolaço, tem a mesma característica.

A acusação de Reinaldo, portanto, é leviana, irresponsável, desonesta, como de resto quase tudo que ele escreve.

Mas voltemos ao assunto do racismo.

A estratégia de Reinaldo é acusar os críticos de Barbosa de racistas. Seria um racismo “complexo”, que “só pode ser exercido por mentalidades ditas progressistas”.

Ora, o oportunismo de Reinaldo é tão mal disfarçado, tão baixo, que dá preguiça responder.

Olha como Reinaldo se refere à Barbosa:

“É justamente essa a turma que tenta mandar o negro Joaquim Barbosa, ministro do STF, para o tronco”.

Reinaldo, um branquela azedo (com todo o respeito a todos os branquelas azedos), esqueceu que os “progressistas” não estão preocupados com a cor de Joaquim Barbosa porque, em primeiro lugar, somos negros também.

Os tucanos como Reinaldo vivem num mundinho tão branco, com tão poucos negros por perto, que esquecem esse “detalhe”.

Em segundo lugar, se deixássemos de criticar Barbosa por ele ser negro, aí sim seríamos racistas.

O racismo vem de Reinaldo Azevedo, ao querer desviar o tema dos inúmeros erros processuais da Ação Penal 470, para um debate racialista que não está em jogo aqui.

Isso é desespero de quem está perdendo o debate.

É um esforço mau caráter de usar os traumais raciais ainda presentes no país para fugir a uma discussão que, além de política, se torna cada vez mais também jurídica e constitucional.

Reinaldo Azevedo acusou Edson Santos, deputado federal (na foto), de discriminar o "negro" Joaquim Barbosa

Reinaldo Azevedo acusou Edson Santos, deputado federal petista (na foto), de discriminar o “negro” Joaquim Barbosa?

 

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LEIA, AGORA, O QUE REINALDO AZEVEDO ESCREVEU NA FOLHA DE S.PAULO

REINALDO AZEVEDO

Barbosa no tronco

Para os ‘petralhas’, o ‘negro nomeado por Lula’ seria a expressão do ‘novo Brasil’. O príncipe virou um sapo

A discriminação racial assume muitas faces, mas três delas se destacam. Há o ódio desinformado, raivoso, agressivo. O sujeito não gosta do “outro” porque “diferente”, o que, para ele, significa inferior. Há a discriminação caridosa, batizada de “racismo cordial”. Olha-se esse “outro” como um destituído de certas qualidades, mas sem lhe atribuir culpa por essa falta; o “diferente” merece respeito e, se preciso, tutela. Uma vertente da cordialidade é ver a “comunidade” dos desiguais (iguais entre si) como variante antropológica. Com sorte, seus representantes acabam no “Esquenta”, da Regina Casé, tocando algum instrumento de percussão –nunca de cordas!– ou massacrando a rima num rap de protesto. E há uma terceira manifestação, especialmente perversa, que chamo de “racismo de segundo grau”. Opera com mecanismos mais complexos e só pode ser exercida por mentalidades ditas progressistas. É justamente essa a turma que tenta mandar o negro Joaquim Barbosa, ministro do STF, para o tronco.

Os leitores da Folha que conhecem o meu blog sabem que, ao longo dos anos, mais critiquei Barbosa do que o elogiei. Antes ou depois do processo do mensalão. E os temas foram os mais variados –inclusive o mensalão. Ainda que a internet não servisse para mais nada, seria útil à memória. Os textos estão lá, em arquivo. Cheguei a ser alvo de uma patrulha racialista porque, dizia-se então, este branquelo não aceitava a altivez de um negro.

O ministro era saudado como herói por esquerdistas, “progressistas” e blogs financiados por dinheiro público –aqueles que se orgulham de ser chamados por aquilo que são: “sujos”. Como esquecer os ataques nada edificantes de Barbosa a Gilmar Mendes, seu parceiro de tribunal, em 2009? Os “petralhas” consideravam Mendes o seu único inimigo na corte, e o “negro nomeado por Lula” seria a expressão do “novo Brasil”. O príncipe virou um sapo.

Não entro, não agora, no mérito dos votos do ministro no caso do mensalão. Fato: não tomou nenhuma decisão discricionária –até porque, na corte, a discricionariedade, quando existe, atende pelo nome de “prerrogativa”. Que a sua reputação esteja sob ataque, não a de Ricardo Lewandowski, eis a evidência da capacidade que a máquina petista tem de moer pessoas. Por que Lewandowski? O homem inocentou José Dirceu, Delúbio Soares e José Genoino até do crime de corrupção ativa, mas foi duro com Kátia Rabello e José Roberto Salgado, do Banco Rural. Para esse gigante da coerência, os crimes da “Ação Penal 470” (como ele gosta de chamar) poderiam ter sido cometidos sem a participação da trinca petista. É grotesco!

Mas o que é esse tal “racismo de segundo grau”? É aquele que tenta impor ao representante de uma “raça” (conceito estúpido e desinformado!) um conteúdo militante que independe da sua vontade, da sua consciência, da sua trajetória pessoal. Assim, por ser negro, Barbosa seria menos livre do que um branco porque obrigado a aderir a uma pauta e a fazer o discurso que os “donos das causas” consideram progressista. Ao nascer negro, portanto, já teria nascido escravo de uma agenda.

O mensaleiro João Paulo Cunha foi explícito a respeito: “[Barbosa] Chegou [ao Supremo] porque era compromisso nosso, do PT e do Lula, reparar um pedaço da injustiça histórica com os negros”. O ministro não se pertencia; não tinha direito a um habeas corpus moral.

Afinal de contas, quantos votos Barbosa tem no tribunal? Notem que os movimentos negros –a maioria pendurada em prebendas estatais– silenciou a respeito. Calaram-se também quando o jornalista Heraldo Pereira foi chamado de “preto de alma branca” por um desses delinquentes financiados por dinheiro público. Por que defender um negro que trai a causa? Por que defender um negro bem-sucedido da TV Globo?

Um preto só prova que é livre quando obrigado a carregar a bandeira “deles”.

 

Categorias:Plantão

2 Comentários

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  1. - IP 177.221.96.140 - Responder

    A verdade é que os petralhas disseram à exaustão que o Joaquim Barbosa por ser negro estava traindo (quem??) ao condenar os petistas brancos e milionários como João Paulo, Delúbio, Zé Genoino e Zé Dirceu.

  2. - IP 177.98.63.96 - Responder

    O senhor diz: “Reinaldo esqueceu que os progressistas não estão preocupados com a cor de Joaquim Barbosa porque, em primeiro lugar, somos negros também. Os tucanos como Reinaldo vivem num mundinho tão branco, com tão poucos negros por perto, que esquecem esse detalhe.” Não bastaria um único tucano negro ou um progressista branco para desmoronar esse seu “argumento”?

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