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0S 90 ANOS DE FIDEL CASTRO: O líder da revolução cubana, que já escapou de mais de 600 complôs homicidas orquestrados pela CIA (a agência de assassinos treinados pelos Estados Unidos), chega aos 90 anos de vida. GRANDE, COMO ELE É GRANDE!

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Fidel Castro, líder “imortal” que deixou a CIA obcecada, completa 90 anos

Por Sara Gómez Armas

Do UOL Em Havana

Charutos explosivos, drinques envenenados, um traje de mergulho letal e uma “Mata Hari” apaixonada. Nada pôde acabar com Fidel Castro, líder da revolução cubana que completa 90 anos neste sábado (13) e burlou mais de 600 complôs homicidas orquestrados pela CIA (agência de inteligência dos Estados Unidos).
Fidel Castro, nêmesis por décadas do “imperialismo ianque”, se transformou desde os preâmbulos da revolução que triunfou em 1959 em um obstáculo para os EUA e a principal ameaça a seus interesses na América Latina, onde o líder cubano apoiou movimentos de esquerda e guerrilhas de inspiração comunista nas trincheiras da Guerra Fria.
Mesmo de antes de 1959, durante o levante em Sierra Maestra, datam as primeiras tentativas da CIA de exterminar o “barbudo”. Uma lista que inclui pelo menos 638 atentados entre 1958 e o ano 2000 dos quais os serviços secretos cubanos tiveram constância, 167 dos quais estavam em avançada fase de execução no momento que foram desmantelados.
Entre eles há planos altamente rocambolescos, mais próprios de filmes de espiões como James Bond ou da Pantera Cor-de-Rosa que dos todo-poderosos serviços de inteligência dos EUA, que chegaram a criar o departamento ZR/Rifle com a única missão de liquidar Fidel, em colaboração com a máfia para acrescentar um toque “hollywoodiano” ao tema.
Nos alvores da revolução, Fidel participou da Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York em 1960, ocasião que a CIA quis aproveitar para matá-lo com várias ideias como colocar explosivos nos charutos do comandante, uma missão que finalmente não chegou a concretizar-se.
Após a fracassada invasão da Baía dos Porcos –por exilados anticastristas financiados pelos EUA–, os serviços de inteligência se esforçaram em idealizar um desaparecimento limpo e sem rastro de sangue de Fidel Castro, com o envenenamento como opção predileta, operação que contou com a participação expressa de mafiosos como John Rosselli e Santos Traficante Jr.
Eles se ocuparam de conseguir as cápsulas de cianureto que entregaram em 1963 ao garçom da cafeteria do Hotel Habana Libre, onde Fidel ia frequentemente tomar um drinque.
Foi outro fracasso: a cápsula de cianureto ficou grudada ao gelo do congelador onde estava guardada e não pôde ser utilizada; o atentado que mais perto esteve de ter êxito, embora o acaso tenha salvado de novo a vida do líder cubano.
No entanto, o episódio mais cinematográfico é o que envolveu Marita Lorenz, amante de Fidel durante alguns meses após o triunfo da revolução que, após transferir-se aos EUA, foi contratada pela CIA no final de 1960, com apenas 20 anos, para envenenar o comandante durante um encontro na suíte de um hotel de Havana.
Marita guardou as pílulas letais em um frasco de creme hidratante e viajou a Cuba. As pastilhas derreteram com o creme, mas a jovem “Mata Hari” –que depois trabalhou como espiã da CIA por várias décadas– já tinha decidido no avião que não assassinaria aquele que tinha sido seu primeiro amor.
Conhecedores de sua paixão pelo mergulho, os agentes da CIA também projetaram planos como impregnar de bactérias letais um traje de neopreno ou camuflar uma pequena bomba explosiva sob um búzio em uma das praias onde o comandante costumava mergulhar.
Perante as dificuldades para matá-lo, houve outros planos que só buscavam desacreditá-lo: colocar sal de talio, uma substância depilatória, em seus charutos ou sapatos, o que ao ser inalado por Fidel provocaria a perda de sua significativa barba; ou bombear com LSD uma estação de rádio onde discursaria ao vivo para drogá-lo e fazer com que parecesse que tinha perdido a cabeça.
Um capítulo à parte merece Luis Posada Carriles, que atentou com a vida do comandante em várias ocasiões, além de participar da explosão de uma bomba no hotel Copacabana de Havana em 1997, que matou um turista italiano; ou da explosão de um avião da empresa Cubana de Aviación em 1976, no qual morreram 73 pessoas.
Carriles –exilado cubano, anticastrista ferrenho, ex-agente da CIA e “cruel terrorista”, segundo Fidel– urdiu seu último atentado contra o líder cubano durante a 10ª Cúpula Ibero-Americana realizada no Panamá em 2000: outra tentativa frustrada pela qual foi condenado e enviado à prisão, embora tenha sido anistiado logo depois.
FONTE PORTAL UOL
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Fidel Castro faz 90 anos: 9 frases célebres do polêmico líder da Revolução Cubana

 

 

  • AP Photo/Ismael Francisco, Cubadebate

Até os mais críticos admitem que Fidel Castro Ruz, o homem que liderou a Revolução Cubana e que completa 90 anos neste sábado (13), é um grande orador.
É claro que os longos discursos também já foram motivo de muitas piadas, mas nas mais de seis décadas que Fidel esteve na linha de frente da política internacional e entre as reflexões que compartilhou desde que deixou o poder em 2006, o revolucionário cubano disse várias frases memoráveis.
Veja abaixo algumas das frases mais famosas de Fidel Castro.

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1.”A história me absolverá”

Uma das frases mais conhecidas de Fidel Castro é também uma das primeiras que o público conheceu.
Ele falou isso aos 26 anos, quando ainda era um jovem revolucionário.
Depois do ataque ao quartel Moncada de Santiago de Cuba, em 26 de julho de 1953, e depois de passar 76 dias “preso em uma cela solitária”, como denunciou na época, ele fez a própria defesa no julgamento. E encerrou com estas palavras:
“Sei que a prisão será dura como nunca foi para ninguém, cheia de ameaças, de enfurecimento ruim e covarde, mas não a temo, como não temo a fúria do tirano miserável que arrancou a vida de 70 dos meus irmãos. Condene-me, não importa, a história me absolverá.”
Fidel Castro foi condenado no dia 16 de outubro daquele mesmo ano. Depois de passar 22 meses na prisão, foi libertado graças a uma anistia e partiu para o exílio no México.

2. “Se saio, chego; se chego, entro; se entro, triunfo”

De acordo com os que conviveram com ele durante o exílio no México, estas foram as palavras mais repetidas por Fidel antes de partir, em 1956, no iate Granma com um grupo de 80 pessoas.
Eles estavam indo iniciar a luta guerrilheira em Cuba e derrotar Fulgêncio Batista: “Se saio, chego; se chego, entro; se entro, triunfo”, era o que dizia o revolucionário.
Esse otimismo era uma das suas características marcantes. Fidel sempre disse que, para ser revolucionário, não se pode ser pessimista.

3. “Vou bem, Camilo?”

A pergunta acima foi feita ao companheiro de guerrilha e um de seus colaboradores mais próximos, o comandante Camilo Cienfuegos. Era o dia 8 de janeiro de 1959 e Fidel Castro fazia seu primeiro discurso para o povo cubano depois da vitória da revolução, em sua chegada à Havana.
“Vou bem, Camilo?”, perguntou Fidel em uma pausa do discurso.
“Vai bem, Fidel”, respondeu Cienfuegos, que foi aplaudido pelo público.

OS 90 ANOS DE FIDEL CASTRO

4. “Que sejam como o Che!”

No dia 18 de outubro de 1967, nove dias depois da morte de Che Guevara na Bolívia, Fidel Castro participou de uma vigília em homenagem ao guerrilheiro argentino na Praça da Revolução.
Durante a vigília ele definiu Che como “um exemplo” e o “modelo ideal” para o povo cubano.
“Se queremos falar como queremos que sejam nossos combatentes revolucionários, nossos militantes, nossos homens, devemos dizer sem hesitação de nenhuma espécie: Que sejam como o Che! Se queremos falar como queremos que sejam os homens das futuras gerações, devemos dizer: Que sejam como o Che! Se queremos dizer como desejamos que sejam educadas nossas crianças, devemos dizer sem vacilar: Queremos que sejam educados no espírito do Che!”

5. “Tenho um colete moral (…) que tem me protegido sempre”

Em 1979, antes de viajar para a ONU em Nova York, um jornalista perguntou a Fidel Castro a respeito de um boato de que ele “sempre estava protegido pela roupa”.
“Que roupa?”, perguntou de volta Fidel, já se preparando para abrir a camisa.
“Todo mundo diz que você tem um colete à prova de balas”, disse o jornalista.
“Não. Vou a desembarcar assim em Nova York. Tenho um colete moral que é forte. Este tem me protegido sempre”, respondeu o líder cubano rindo, enquanto abria a camisa e mostrava o peito.

6. “Todos os inimigos podem ser vencidos”

Em 1995, durante uma entrevista na missão cubana das Nações Unidas com a apresentadora de origem cubana María Elvira Salazar para o canal americano Telemundo, Fidel Castro respondeu desta forma a uma pergunta que questionava quem ele considerava seu pior inimigo.
“Meu pior inimigo? Acho que não tenho inimigos piores, porque acredito que todos os inimigos podem ser vencidos.”

7. “Não pretendo exercer meu cargo até os cem anos”

“Que os vizinhos do norte não se preocupem, não pretendo exercer o meu cargo até os cem anos”, disse Fidel em Bayamo, no dia 26 de julho de 2006, em um discurso para o Dia da Rebeldia Nacional.
Cinco dias depois, no dia 31 de julho, ele anunciou que deixaria temporariamente o poder por motivos de saúde. Ele tinha se submetido a uma operação e o irmão dele, Raúl, assumia o poder.

Leia Também:  “As manifestações de junho marcaram o despertar político de uma nova geração. Mas outro levante popular, ainda maior, não pode ser descartado neste momento.” O alerta é do historiador britânico Perry Anderson, professor da Universidade da Califórnia, ex-editor da New Left Review, um dos mais importantes teóricos marxistas contemporâneos. Leia a entrevista ao Estadão

8. “Não tenho nem um átomo de arrependimento”

“Cometi erros, mas nenhum estratégico, simplesmente tático. Não tenho nem um átomo de arrependimento pelo que fizemos em nosso país”, explicou Fidel ao jornalista espanhol Ignacio Ramonet, de acordo com o livro Cem Horas com Fidel, publicado em 2006.

9. “O melhor amigo que tive”

Como vinha ocorrendo nestes últimos anos depois que deixou o poder em Cuba, a despedida de Fidel ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, depois de sua morte em 2013, foi feita em uma de suas Reflexões, os artigos publicados pela imprensa estatal cubana.
“Hoje guardo uma lembrança especial do melhor amigo que tive em meus anos de político ativo –que, muito humilde e pobre, formou o Exército Bolivariano da Venezuela– Hugo Chávez Frías.”
“Homem de ação e ideias, um tipo de doença extremamente agressiva o surpreendeu e o fez sofrer muito, mas enfrentou com grande dignidade e com uma dor profunda para familiares e amigos próximos que tanto amou. Bolívar foi seu mestre e o guia que orientou seus passos na vida. Ambos reuniram a grandeza suficiente para ocupar um lugar de honra na história humana.”

FONTE PORTAL UOL

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Fidel Castro completa 90 anos e pede paz no mundo

 

Em Havana

  • AP/Ismael Francisco

O ex-presidente cubano Fidel Castro, que completa 90 anos neste sábado (13), pediu a preservação da paz no planeta e alertou que “a espécie humana enfrenta o maior risco de sua história”.
“É preciso frisar sobre a necessidade de preservar a paz, e que nenhuma potência tenha o direito de matar milhões de seres humanos”, escreveu o líder da Revolução Cubana em artigo intitulado “El Cumpleaños” (O aniversário) e publicado hoje no portal oficial “Cubadebate”.
Fidel, afastado do poder por problemas de saúde há uma década, aborda neste novo artigo questões como o problema da superpopulação mundial, as armas nucleares, as tentativas dos Estados Unidos de eliminá-lo e a importância da educação, mas também lembra, em tom nostálgico, episódios de sua infância.
“A espécie humana enfrenta hoje o maior risco de sua história. Os especialistas neste tema são os que mais podem fazer pelos habitantes deste planeta, cujo número se elevou, de 1 bilhão no final de 1.800, a 7 bilhões no início de 2016. Quantos terão no nosso planeta dentro de alguns anos?”, questiona o ex-mandatário.
Um ano e meio depois do começo do histórico processo de degelo diplomático entre Cuba e Estados Unidos, Fidel considera que o discurso do presidente americano, Barack Obama, em sua visita ao Japão em maio foi fraco.
“Faltaram palavras para se desculpar pelo massacre de centenas de milhares de pessoas em Hiroshima, apesar de conhecer os efeitos da bomba (atômica lançada pelos Estados Unidos sobre essa população em 1945)”, sustenta ele. E acrescenta: “Foi igualmente criminoso o ataque a Nagasaki, cidade que os donos da vida escolheram ao acaso. É preciso frisar sobre a necessidade de preservar a paz, e que nenhuma potência tenha o direito de matar milhões de seres humanos”.

OS 90 ANOS DE FIDEL CASTRO

Fidel rememora as características geográficas de Birán, na atual província de Holguín, onde nasceu, e conta como seu pai sofreu antes de morrer, poucos anos antes do triunfo da Revolução e, em outro parágrafo, defende que a falta de educação “é o maior prejuízo que se pode fazer a uma criança”.
“De seus três filhos homens, o segundo e o terceiro estavam ausentes e distantes. Um nas atividades revolucionárias e outro cumprindo seu dever. Eu tinha dito que sabia quem podia me substituir se o adversário tivesse sucesso em seus planos de eliminação. Eu quase ria com os planos maquiavélicos dos presidentes dos Estados Unidos”, escreve Fidel Castro.
O ex-presidente agradece também as “mostras de respeito, saudações e os presentes” recebidos no seu aniversário e assegura que tudo isso dá força “para reciprocar através de ideias” que transmitirá aos militantes do Partido Comunista de Cuba (PCC, único) e “aos organismos pertinentes”.
Há meses, Cuba comemora os 90 anos do líder de sua Revolução com vários eventos e homenagens. O principal ato será hoje no Teatro Karl Marx, em Havana, que abrirá suas portas para uma peça sobre a qual não foram divulgados detalhes.
A última “Reflexão” de Fidel Castro divulgada na imprensa oficial foi em 28 de março e levava por título “O irmão Obama”.

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TARSO GENRO AO TUTAMÉIA: Poder miliciano bloqueia o impeachment de Bolsonaro. VIDEO

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Tarso Genro


 

TARSO: PODER MILICIANO BLOQUEIA IMPEACHMENT

POR ELEONORA DE LUCENA E RODOLFO LUCENA

 

Bolsonaro comete um crime verdadeiro de responsabilidade por dia. E o processo de impeachment não funciona. Não funciona porque essa ordem de força paralela [as milícias e forças paramilitares subversivas dentro das polícias] está pressionando, trabalha alheia ao Estado de direito e influi nas decisões do parlamento. Ou por medo, ou por covardia, ou por irresponsabilidade, ou por cumplicidade com setores majoritários do parlamento. Porque, se o parlamento não fosse majoritariamente seduzido e integrado com essas estruturas paralelas, evidentemente Bolsonaro já teria saído. Seria impichado e sairia algemado. Estaria preso. Porque tudo o que ele fez até hoje –seja em relação ao coronavírus, seja em relação a outras questões, seja em relação a golpes militares, em relação a ameaças ao CNJ e ao STF e ameaças ao próprio Congresso –não tem paralelo na história do Brasil. Estamos num terreno e num momento perigoso. Porque esses grupos paralelos estão representados por uma maioria congressual que não toma providências contra eles. A principal providência contra esses grupos, contra essa estrutura paralela de poder miliciano que está no Brasil seria o impeachment do presidente. E a maioria do Congresso é refém desse bloqueio. Então não toma providências. E essa maioria é cúmplice com aquilo que pode acontecer no Brasil. E que pode se deparar com a situação semelhante, inclusive, ao que ocorreu no Capitólio.”

É o que afirma Tarso Genro ao TUTAMÉIA. Para ele, uma “transfusão entre a ilegalidade estruturada através da liberação das armas, de dar prestígio às milícias, dos assassinatos seletivos com setores estruturados dentro das polícias militares pode mudar a natureza do Estado brasileiro”, alerta. Nesta entrevista, ele trata da “tentativa de golpe” nos EUA, da situação das polícias, da tragédia da Covid-19, dos desafios para as forças democráticas, de debates na esquerda e da necessidade de criação “uma frente política de bloqueio ao bolsonarismo”. Afirma que é preciso estimular e apoiar todos os grupos políticos que são contra o negacionismo e que defendem a democracia nesse momento.

Por quê? Porque o perigo maior é o fascismo! O perigo maior hoje o Brasil não é a eleição do Alckmin, não é sequer a eleição do Dória. Não é a eleição de ninguém que seja consagrado nas urnas contra o Bolsonaro. Eu, que defendo a candidatura do presidente Lula em primeiro lugar e, em segunda instância, a candidatura de Fernando Haddad, tenho que guardar para mim por enquanto. Porque nós temos que nos unir hoje com todos os setores políticos da sociedade para uma frente política de bloqueio ao bolsonarismo e nos preparar programaticamente para 2022. Sem falar em nomes. Uma grande frente para bloquear o fascismo e instituir no país o funcionamento político e econômico do Estado brasileiro dentro da Constituição de 1988, que é Constituição social democrata”.

Exatamente esse foi o sentido da carta que escreveu a João Dória Jr. no final do ano passado, em que diz que o governador de São Paulo “detém hoje a legitimidade necessária para –através dos devidos processos legais– desequilibrar o jogo contra Bolsonaro”. Ao TUTAMÉIA, Genro a resposta do governador e fala de outras iniciativas para debate plural sobre a frente ampla.

Prefeito de Porto Alegre por duas vezes, governador do Rio Grande do Sul, ministro de três pastas no governo Lula (Justiça, Educação e Relações Internacionais), advogado, professor, escritor, Tarso Genro, 73, fala do papel do empresariado na conjuntura (ele presidiu também o Conselhão no governo Lula):

Não é crível que, dentro do grande empresariado brasileiro, uma maioria de empresários ache que Bolsonaro pode oferecer algum futuro para o país. O país está sendo liquidado, está sendo desmantelado”, declara.

Tarso também aborda as divergências dentro do PT, partido que dirigiu quando estourou a crise do mensalão, em 2005. Elogia Gleisi Hoffmann e trata de posições de personagens como Lula, João Dória, William Bonner, Ciro Gomes, Marina Silva, Michel Temer (acompanhe a íntegra da entrevista no vídeo e se inscreva no canal TUTAMÉIA TV).

Aqui, alguns trechos:

CORONAVÍRUS, ELITES E BOLSONARO

É uma tragedia [a pandemia] que nenhuma pessoa da minha geração poderia esperar que acontecesse. Não é uma tragédia única, nem uma que surge do nada. Ela está determinada pela postura de um governo conservador, misógino, negacionista, de corte fascista, de uma irresponsabilidade pública absoluta e que as classes dominantes brasileiras se espelham. Bolsonaro não é um bandido isolado. Não é um condutor fascista isolado das massas –ele tem apoio ainda no país, mas isso se reduziu–, e nem uma pessoa que surgiu do nada. Foi uma alternativa que as classes dominantes brasileiras escolheram para fazer as reformas. Não era uma escolha difícil [entre Bolsonaro e Haddad] para as classes dominantes brasileiras. Estavam entre permitir que os trabalhadores, que os pobres, que as classes medias empobrecidas, que os não ricos do país continuassem participando da mesa da democracia no país ainda que em situação desigual em relação à distribuição de riqueza. E resolveram cortar essa participação.

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Passou a ser uma grande articulação da mídia oligopólica, dos quadros conservadores, dos partidos políticos que se articularam nacionalmente e globalmente para bloquear aqueles espasmos positivos de social democracia que tivemos no Brasil, escorados na gloriosa Constituição de 1988. E se enxergaram no Bolsonaro, como em “O Retrato de Dorian Gray (romance de Oscar Wilde). Transferiram a sua feiura moral, a sua pobreza espiritual, o seu banditismo congênito numa sociedade escravista para uma pessoa que era o Bolsonaro. Resolveram apoiar e transformar em presidente da República. Está aí o resultado. As mortes do coronavírus são resultado do protofascismo que está dirigindo o Brasil hoje, do negacionismo medieval”.

INVASÃO DO CONGRESSO NOS EUA

O que aconteceu em Washington é o que o Estado americano, as classes dominantes americanas que dominam o seu Estado e o complexo financeiro, industrial e militar transportam para fora do seu território. Para fora do seu território, eles fazem o que querem: matam, ocupam países, enforcam um chefe de Estado, ocupam território, poços de petróleo e não respeitam nenhuma norma internacional –e muito menos as normas internas desses países em que eles têm algum interesse econômico.

O que ocorreu em Washington. Essa ordem concreta que existe fora dos Estados Unidos, que é a postura do Estado americano em relação aos seus satélites, foi agora aplicada dentro dos EUA. Quantos golpes de Estado eles promoveram aqui na América Latina? Quantos golpes levaram as pessoas à morte e à tortura em centenas de países em todo o mundo?

Esta ordem de fora estava no poder e, quando isso acontece no seu próprio país, se desenvolvem métodos fascistas de direção política para que ela permaneça no poder, para que essa ordem aplicada lá fora se torne a ordem vigente também lá dentro. A democracia americana sofreu ontem um assalto político com uma tentativa de golpe de Estado. Uma tentativa muito primária, mas assim foi também a tentativa de golpe de Estado da Marcha sobre Roma [promovida por Benito Mussolini, em 1922, para alcançar o poder].

O caso não terminou com essa derrota de Trump. O fascismo demonstrou organização, ousadia, desfaçatez para tentar derrubar um governo eleito democraticamente, limpamente e ocupar o poder. Saudemos o fracasso, mas essa história não terminou. Não é de graça que Bolsonaro tem insistido em fraude [com o voto eletrônico]”.

POLÍCIAS E BOLSONARISMO

Custo a crer que as polícias militares estejam dominadas pelo bolsonarismo. Não acredito nisso. Tem focos subversivos organizados paramilitares que estão dentro das polícias e se comunicam com milícias fora das polícias. Essa é a formação de uma ordem concreta paralela ao Estado de direito que em algum momento pode ser mobilizada para ocupar o Estado, se as Forças Armadas não resistirem. Todo o brasileiro, independentemente de ideologia, desde que seja um democrata, tem que compreender a importância que, no futuro, as Forças Armadas vão ter nesse jogo. No nazismo e fascismo houve fortalecimento paralelo de instituições parapoliciais, que foram convergindo para dentro do Estado e neutralizando o papel constitucional legal que tinham as Forças Armadas. Não eram Estados fascistas, mas democráticos burgueses, com certo nível de estabilização democrática pela via parlamentar.

Essa transfusão entre a ilegalidade estruturada através da liberação das armas, de dar prestígio às milícias, dos assassinatos seletivos com setores estruturados dentro das polícias militares pode mudar a natureza do Estado brasileiro. Essa ordem informal e paralela que existe pode anular de fato alguns fundamentos constitucionais importantes. Um exemplo extremamente perigoso. Bolsonaro comete um crime verdadeiro de responsabilidade –que a presidenta Dilma nunca cometeu– um crime de responsabilidade por dia. E o processo de impeachment não funciona. Não funciona porque essa ordem de força paralela está pressionando e trabalha alheia ao Estado de direito e influi nas decisões do parlamento. Ou por medo, ou por covardia, ou por irresponsabilidade, ou por cumplicidade com setores majoritários do parlamento. Porque, se o parlamento não fosse majoritariamente seduzido e integrado com essas estruturas paralelas, evidentemente o Bolsonaro já teria saído. Seria impichado e sairia algemado. Estaria preso. Porque tudo o que ele fez até hoje — seja em relação ao coronavírus, seja em relação a outras questões, seja em relação a golpes militares, seja em relação a ameaças ao CNJ, ao STF, a ameaças ao próprio Congresso– não tem paralelo na história do Brasil. Estamos num terreno e num momento perigoso”.

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TUTAMÉIA pergunta: as instituições estão reféns desse poder paralelo?

Tarso: “Indiretamente, estão. Porque esses grupos paralelos estão representados por uma maioria congressual que não toma providências contra eles. A principal providência contra esses grupos, contra essa estrutura paralela de poder miliciano que está no Brasil seria o impeachment do presidente. E a maioria do Congresso é refém desse bloqueio. Então, não toma providências. E essa maioria é cúmplice com aquilo que pode acontecer no Brasil. E que pode se deparar com a situação semelhante, inclusive, ao que ocorreu em Washington no dia 6 de janeiro.

DEFINIÇÃO DO GOVERNO BOLSONARO

O governo Bolsonaro é protofascista, aventureiro, [que atua] através de uma personalidade psicopática, doentia, que foi trabalhada por grandes think tanks internacionais, por estruturas de poder internacional do grande capital, do setor mais conservador do capitalismo mundial que quer utilizá-lo para as reformas. Até não tem muita simpatia por ele. Bolsonaro breca as reformas porque sabe que, se as fizer muito rapidamente, poderá cair fora, não vai ser mais necessário”.

EMPRESARIADO E BOLSONARO

Não é crível que, dentro do grande empresariado brasileiro, uma maioria de empresários ache que Bolsonaro pode oferecer algum futuro para o país. O país está sendo liquidado, está sendo desmantelado. A ciência, a pesquisa, a tecnologia, o ensino superior, a educação. A saúde está sendo devastada. Eu não sei até onde esse pessoal vai dar sustentação a um demente como Bolsonaro. Uma pessoa que vem a público dizer o que diz: debochar da ciência, atacar as pessoas, desrespeitar os indivíduos, ter ataques racistas publicamente. Como o país absorve isso? Só pode ser uma classe dominante muito atrasada, muito cúmplice, muito fora de um projeto de destino nacional, que está centralizando os demais setores das classes dominantes brasileiras. Com um apoio inclusive em setores populares, o que é mais grave. Um apoio em função da produção que foi feita contra o PT, contra a esquerda, contra o Lula, para poder repassar o Bolsonaro como um novo herói. Ninguém se surpreende, hoje, se metade dos eleitores de Bolsonaro votasse no Lula. Porque eles foram seduzidos; estão sendo orientados para apoiar uma pessoa que preside o país dessa maneira”.

LUTAS E FRENTES

Para Tarso Genro, a luta hoje tem dois níveis. O primeiro é o emergencial: “É a luta contra a pandemia, pela vacina, pela ciência. A luta pelo direito das pessoas de serem bem informadas e se vacinarem. É a luta contra o genocídio político que está sendo cometido a partir do governo federal”.

Há outro nível que é “o da defesa do funcionamento pleno das instituições democráticas, STF, Congresso Nacional, partidos políticos, liberdade de opinião, de circulação. Não adianta querer fazer atalhos. É a questão democrática. Na questão democrática, temos que unirmo-nos a todos, em movimentos paralelos e convergentes. Todos nós temos que defender aquelas pessoas e grupos políticos que são contra o negacionismo e que defendem as liberdades democráticas perante o avanço do fascismo. Ou que estão sendo atingida pelo arbítrio e pela violência. Isso não é uma frente política, como pensam alguns. Frente política a gente faz com pessoas que a gente tem diferenças políticas, mas não tem divergência de princípio”.

Ele defende, em outro nível, “uma grande frente política pela esquerda, que abra um leque de relações políticas e um programa de transição para uma economia produtiva de inclusão social, de desenvolvimento, de alto crescimento, de defesa das instituições democráticas, que vá para a disputa política na sociedade”.

 
 

ELEONORA DE LUCENA E RODOLFO LUCENA

Jornalistas há mais de quarenta anos, o casal gaúcho atuou na imprensa de combate à ditadura militar, na Zero Hora, na Gazeta Mercantil e na Folha de S. Paulo

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