Você sabe o que é a LIBERDADE? – pergunta Saíto

 

 

 

 

Saito, pensador mato-grossense, e David Hume, historiador e ensaísta britânico nascido na Escócia que se tornou célebre por seu empirismo radical e seu ceticismo filosófico

Saito, pensador mato-grossense, e David Hume, historiador e ensaísta britânico nascido na Escócia que se tornou célebre por seu empirismo radical e seu ceticismo filosófico

Liberdade? Que é isso?

Por Gonçalo Antunes de Barros Neto – o Saíto

 

A vida está se tornando um princípio, uma mágica, um conceito primeiro, e dele se retiram o sustentáculo e fundamento para novas conquistas e descobertas.
Não se cuida do princípio primeiro (de base metafísica) ou mesmo do Deus cristão, mas de algo lógico, simétrico e cartesiano, plasmado na noção de liberdade de escolha. Algo apropriado por todos, especialmente de alguns anos para cá.
Jamais se exigiu tanto quanto nessa essência, do ser em sua busca constante, do confronto consigo mesmo ou do espaço para exercitá-la. E as asas se abrem num folguedo próprio de quem se trai, por ela. É a tal necessidade.
As regras são dissimuladas, a verdade é a vontade de cada qual, o ambiente é virtual, e o Pokemon Go, a escolha.
A ideia de razão prática é contraditória em termos (Hume). Mas quem nos guia na ação? Quem é o continente entre razão e liberdade?
Escreve Chaim Perelman – ’Pessoalmente, creio que há um papel da razão prática, mas é puramente negativo: permite-nos descartar soluções desarrazoadas. Mas nada nos garante, em questão prática, a existência de uma única solução razoável. Nesse caso, se não há, em questão prática, solução única, como a que nos fornece a resposta verdadeira em questão teórica, a escolha da solução depende, não mais da razão, mas da vontade’ (Ética e direito).
O que se tem nesse imbróglio entre escolher racionalmente (na razão prática a indicar as consequências) e escolher sem peia, com total liberdade, é a nudez da necessidade.
A necessidade ganha um papel de destaque no mundo contemporâneo. Claro que aqui não se está a discutir a necessidade econômica, de sobrevivência física. Mas, sim, na necessidade como vetor, que faz ‘tábula rasa’ (folha de papel em branco) da vontade.
Pode-se não querer jogar Pokemon Go, não participar de grupos virtuais (Face, Whatts etc.), mas a necessidade se agiganta por sobre a realidade, no que não se materializa, e existe, e o virtual se encarrega do processo como se fenômeno físico fosse.
A ideia de rebanho, de ser aceito, de ter grupo, de poder participar, ainda comanda o cérebro e a alma de todos. E você, acredita na liberdade?
Portanto, razão, vontade, escolha, liberdade, modernamente são ‘conceitos’ à disposição da necessidade, real e não virtual, que a tudo transforma, até a realidade. E esse princípio de tudo, independente de quem nos deu ou de quem nos enganou, está mais para algo que se transforma, muda constantemente, do que um achado, com forma e bem delineado conceitualmente.
Afinal, os bonequinhos a serem capturados estão ou não a nos rondar? Consegues, com total liberdade, sair dos vários grupos virtuais dos quais participas?
Não? Então, tens necessidades.
É por aí…

GONÇALO ANTUNES DE BARROS NETO – o Saíto, magistrado e professor, escreve aos domingos em A Gazeta

email: [email protected]).

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