MIRANDA MUNIZ: A frase “A política é como uma nuvem: você olha e ela está de um jeito; olha de novo e ela já mudou.”, atribuída ao “coronel” da política mineira Magalhães Pinto, ilustra bem a atual quadra que estamos vivendo no Brasil. Um bom exemplo disso, é a forma surpreendente que os veículos de comunicação dos “Marinhos” (Globo) e dos “Frias” (Folha de São Paulo) começaram a mudar de tom em relação às conjunturas políticas e econômicas.O cavalo-de-pau desses dois expoentes do PIG (Partido a Imprensa Golpistas) tem deixado os analistas e militantes de queixo caído, buscando decifrar seu real sentido

JORNAIS DO PIG BRASILAlterações no front

· por Miranda Muniz

 

A frase “A política é como uma nuvem: você olha e ela está de um jeito; olha de novo e ela já mudou.”, atribuída ao “coronel” da política mineira Magalhães Pinto, ilustra bem a atual quadra que estamos vivendo no Brasil.

Um bom exemplo disso, é a forma surpreendente que os veículos de comunicação dos “Marinhos” (Globo) e dos “Frias” (Folha de São Paulo) começaram a mudar de tom em relação às conjunturas políticas e econômicas.

O Globo, no editorial “Manipulação do Congresso ultrapassa limites” do dia 7.08, após espinafrar o presidente da Câmara Eduardo Cunha por sua irresponsabilidade com as tais “pautas bombas” que “turbinaria a crise”, termina afirmando “tudo isso deveria aproximar os políticos responsáveis de todos os partidos para dar condições de governabilidade ao Planalto.” Na mesma linha, ventilou-se que o chefe do clã, João Roberto Marinho, em suposta reunião com senadores do PT, havia declarado que a presidenta Dilma iria “cumprir o mandato até 2018”, num claro recado aos golpistas tresloucados.

Já o Grupo Folha, por meio de editorial “Vácuo de Legitimidade”, em 8.08, também não deixou por menos e, no final, sentenciou: “Há visões divergentes entre tucanos sobre como abreviar o mandato de Dilma Rousseff, por certo. Fica evidente, porém, que uma ala barulhenta do partido pensa que pode subordinar os meios jurídicos a seus fins eleitorais, vergando as regras da democracia para encurtar o caminho até o poder.”

O cavalo-de-pau desses dois expoentes do PIG (Partido a Imprensa Golpistas) tem deixado os analistas e militantes de queixo caído, buscando decifrar seu real sentido.

Há quem considera ser apenas uma tática do PIG que, mesmo apoiando os golpistas, não quer “se queimar” (ficando na história como promotores de golpes). Entende que o afastamento da Presidente se daria por um caminho jurídico, via questionamento das contas eleitorais perante o TSE, feita pelo PSDB, ou institucional, através da reprovação das contas do Executivo, em função das tais pedaladas fiscais e, consequentemente, seu impeachment por crime de responsabilidade.
Outros entende que a “guinada” está relacionada às questões econômicas, onde o empresariado, em especial o nacional, chegou à conclusão que o turbinamento artificial da crise coloca em risco a economia nacional e, consequentemente, a saúde de suas próprias empresas.

Coincidência ou não, a mudança de posição ocorreu logo após as poderosas Federações das Industrias de São Paulo e Rio de Janeiro (FIESPE e FIRJAN) divulgarem manifesto apontando a necessidade de uma “união de todos pela estabilidade institucional”. Nesse mesmo período, o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, também reclamou da oposição tresloucada: “A crise política é mais forte que a econômica. Isso abala a confiança no país e retarda a retomada do crescimento.” Isso sem contar que a Presidenta conseguiu reunir todos os 27 governadores e firmar um pacto pela governabilidade, mesmo a contragosto do Aécio Neves.

Ainda há que se ressaltar outros dois fatores que estão sendo decisivos: a firmeza e a determinação da Presidente que, mesmo cercada e chantageada (sugeriram até sua renúncia) pela “manada de caititus” tem resistido bravamente e o sentimento anti-golpista que vem tomando conta de setores importantes da sociedade, em função da ofensiva dos movimentos sociais e populares que vêm desmascarando os intentos golpistas.

Parece que a Presidenta tem reconhecido essa ação dos movimentos sociais, pois já entabulou conversas diretas com as “Margaridas” (trabalhadoras rurais) no dia 12 e com os movimentos sociais, no dia 13 de agosto.

Portanto, a meu ver, foi esse conjunto de fatores, tanto de ordem econômica quanto política, é que tem sido decisivo para esse arrefecimento da sanha golpista.

Entretanto, com essa gente que tem DNA antidemocrático e que resiste aos avanços sociais, mesmo que tímidos, não podemos ter ilusões. Estarão sempre na espreita a espera do melhor momento para desferir o bote fatal para retomar o poder e aniquilar as importantes conquistas econômicas e sociais desse curto período de governos democráticos e populares, iniciados com a vitória do ex-presidente Lula, e que ainda precisa muito avançar.

 

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· Miranda Muniz – agrônomo, bacharel em direito, oficial de justiça-avaliador federal, dirigente estadual da CTB/MT e do PCdoB-MT.

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