Mino Carta defende sua atuação como jornalista diante de Demétrio Magnoli, Reinaldo Azevedo e Fábio Pannunzio

Mino Carta, jornalista, editor da revista CartaCapital

De volta ao passado

Mino Carta
CARTA CAPITAL

“Mino Carta é um chato, se pudesse reescreveria os Evangelhos. Inimigo do regime, Geisel o detestava, mas não tinha rabo preso.” De um depoimento de João Baptista Figueiredo, gravado em 1988 durante um churrasco amigo e divulgado após a morte do último ditador da casta fardada.

É do conhecimento até do mundo mineral que nunca escrevi uma única, escassa linha para louvar os torturadores da ditadura, estivessem eles a serviço da Operação Bandeirantes ou do DOI-Codi. Ou no Rio, na Barão de Mesquita. E nunca suspeitei que a esta altura da minha longa carreira jornalística me colheria a traçar as linhas acima. Meu desempenho é conhecido, meus comportamentos também. Mesmo assim, há quem se abale a inventar histórias a meu respeito. Alguém que, obviamente, fica abaixo do mundo mineral.

Não me faltaram detratores vida adentro, ninguém, contudo, conseguiu provar coisa alguma que me desabonasse. Os atuais superam-se. Um deles se diz jornalista, outro acadêmico. Pannunzio & Magnoli, binômio perfeito para uma dupla do picadeiro, na hipótese mais generosa de uma farsa cinematográfica. Esmeram-se para demonstrar exatamente o que soletro há tempo: a mídia nativa prima tanto por sua mediocridade técnica quanto por sua invejável capacidade de inventar, omitir e mentir.

Afirmam que no meu tempo de diretor de redação de Veja defendi a pena de morte contra “terrorristas”, além de enaltecer o excelente trabalho da Oban. Outro inquisidor se associa, colunista e blogueiro, de sobrenome Azevedo. E me aponta, além do já dito, como um singular profissional que não aceita interferência do patrão. Incrível: arrogo-me mandar mais do que o próprio. Normal que ele me escale para o seu auto de fé. O Brasil é o único país do meu conhecimento onde os profissionais chamam de colega o dono da casa.

Não há nas calúnias que me alvejam o mais pálido resquício de verdade factual. Os textos que me atribuem para baseá-las nascem de uma mistificação. Pinçados ao acaso e fora do contexto, um somente é de minha autoria e nada diz que me incrimine. E pouparei os leitores de disquisições sobre minha repulsa visceral, antes ainda que moral, à prisão sem mandado, à tortura e à pena de morte. Quando o Estadão foi pioneiro na publicação de um artigo assinado Magnoli, limitei-me a escrever um breve texto para o site de CartaCapital, destinado a contar a história de outra peça de humorismo, escrita em 1970 por um certo Lenildo Tabosa Pessoa, redator, vejam só, do Estadão, e intitulada O Senhor Demetrio. Ou seja, eu mesmo, marcado no batismo por nome tão pesado.

Lenildo pretendia publicar seu texto no jornal, os patrões, Julio de Mesquita Neto e Ruy Mesquita, não deixaram. Surgiu em matéria paga o retrato de um hipócrita pretensamente refinado que, como Arlequim da política, servia ao mesmo tempo Máfia e Kremlin. O senhor Demetrio, de codinome Mino. Diga-se que Lenildo encontraria eco três anos depois no programa global de um facínora chamado Amaral Neto, também identificado como Amoral Nato, que repetia Lenildo no vídeo. Como se vê, tom e letra das calúnias estão sujeitos a mudanças ideológicas.

Ao negarem espaço nas páginas da sua responsabilidade à diatribe de Lenildo, os herdeiros do doutor Julinho quiseram respeitar a memória do meu pai, que trabalhou no Estadão por 16 anos, e meu honesto e leal desempenho na criação da Edição de Esporte e do Jornal da Tarde. O Estadão, evidentemente, não é mais o mesmo. Lenildo e Amaral Neto me tinham como perigoso subversivo de esquerda. Em compensação, hoje sou acusado de ter dirigido naquele mesmo 1970 uma Veja entregue “à bajulação, subserviência e propaganda da ditadura”. É espantoso, mas a semanal da Abril em 1970 era submetida à censura exercida na redação por militares. Eu gostaria de saber o que acham os senhores Pannunzio, Magnoli e Azevedo a respeito de quem na mídia brasileira se perfilava illo tempore ao lado da ditadura. Ou seja, quase todos.

Quem, de fato foi censurado? Os alternativos, então chamados nanicos, em peso, do Pasquim a Opinião, que depois se tornaria Movimento, sem exclusão de O São Paulo, o jornal da Cúria paulistana regida por dom Paulo Evaristo Arns. A Veja, primeiro por militares, depois por policiais civis no período Médici. Com Geisel, passou a ser censurada diariamente, de terça a sexta, nas dependências da Polícia Federal em São Paulo, e aos sábados, à época dia de fechamento, na própria residência de censores investidos do direito a um fim de semana aprazível. Enquanto isso, Geisel exigia que os alternativos submetessem seu material às tesouras censórias em Brasília, toda terça-feira.

Sim, o Estadão também foi censurado e com ele o Jornal da Tarde. A punição resultava de uma briga em família. O jornal apoiara o golpe, mas sonhava com a devolução do poder a um civil, desde que se chamasse Carlos Lacerda. Este não deixava por menos nas suas aventuras oníricas. O Estadão acabou sob censura, retirada contudo em janeiro de 1975, no quadro das celebrações do centenário do jornal. Carlos Lacerda foi cassado. Diga-se que ao Estadão permitia-se preencher os espaços vagos deixados pelos cortes com versos de Camões, em geral bem escolhidos, e ao Jornal da Tarde com receitas de bolo, às vezes discutíveis. O resto da mídia não sofreu censura. Não era preciso.

Quando me chamam para fazer palestras em cursos de jornalismo, sempre me surpreendo ao verificar que o enredo que acabo de alinhavar é ignorado pelos alunos e por muitos professores. Acham que a censura foi ampla, geral e irrestrita. Meus críticos botões observam que me surpreendo à toa. Pois não se trata de futuros Pannunzios, Magnolis e Azevedos? No caso deste senhor Reinaldo, vale acentuar uma nossa específica diferença. Não me refiro ao fato de que eu reputo Antonio Gramsci um grande pensador, enquanto ele o define como terrorista. A questão é outra.

Ocorre que, ao trabalhar e ao fazer estágios na Europa, entendi de vez que patrão é patrão e empregado é empregado, e que para dirigir redações o profissional é chamado por causa de sua exclusiva competência. Ao contrário do que se dá no Brasil, por lá não há diretores por direito divino. Por isso, ao deixar o Jornal da Tarde para tomar o comando dos preparativos do lançamento de Veja, me senti em condições de exigir certas garantias.

No Estadão tivera um excelente relacionamento com a família Mesquita, fortalecido pela lembrança que cultivavam de meu pai, iniciador da reforma do jornal que Claudio Abramo aprofundou e completou. Gozei na casa então ainda do doutor Julinho, filho do fundador, de grande autonomia, aquela que facilitou a criação de um diário de estilo muito próprio, arrojado na diagramação, em busca de qualidade literária no texto. Estava claro, porém, que a linha política seria a da família. Com os Mesquita me dei muito bem, foram de longe meus melhores patrões, talvez os remanescentes não percebam que por eles tenho afeto, embora, saído do Estadão, não me preocupasse em mostrar que minhas ideias não coincidiam com as deles.

Convidado finalmente pelos Civita para a empreitada de Veja, solicitei uma liberdade de ação diversa daquela de que gozara no Jornal da Tarde. Só aceitaria o convite se os donos da Abril, uma vez definida a fórmula da publicação, se portassem como leitores a cada edição, passível de discussão está claro, mas a posteriori, quer dizer, quando já nas bancas.

Pedido aceito. A primeira Veja, espécie de newsmagazine à brasileira, foi um fracasso. Além disso, já irritou os fardados por trazer na capa a foice e o martelo. A temperatura subiu com a segunda capa, a favor da Igreja politicamente engajada. A quinta, com a cobertura do congresso da UNE em Ibiúna, foi apreendida nas bancas. E também o foi aquela que celebrou a decretação do AI-5 no dia 13 de dezembro de 1968. Tempos difíceis. Mas a edição de mais nítido desafio aos algozes da ditadura é de mais ou menos um ano depois. A chamada de capa era simples e direta: “Torturas”, em letras de forma.

A história desta reportagem começou cerca de três meses antes, com uma investigação capilar conduzida por uma equipe de oito repórteres encabeçada por Raymundo Rodrigues Pereira. Foram levantados 150 casos, três deles nos detalhes mínimos. Emílio Garrastazu Médici acabava de ser escolhido para substituir a Junta Militar e pela pena do então coronel Octavio Costa acenava em discurso, pretensamente poético ao declinar a origem do novo ditador por dizê-lo vindo do Minuano, à necessidade do abrandamento da repressão. Raymundo e eu recorremos a um estratagema, e saímos com uma edição anódina para celebrar o vento gaúcho. Falávamos da posse, da composição do ministério, do discurso. Chamada de capa: “O Presidente Não Admite Torturas”.

Ofereço este número de Veja à aguda análise de Pannunzios, Magnolis, Azevedos e quejandos. (Nada a ver com queijo.) Bajulação e subserviência estão ali expostas da forma mais redonda. Naquele momento, a mídia foi atrás de Veja, e por três dias falou-se mais ou menos abertamente de tortura. Logo veio a proibição, que Veja ignorou. Na noite de sexta-feira a reportagem da equipe de Raymundo descia à gráfica para arrolar 150 irrefutáveis casos de tortura, dos quais três em detalhes. Ao mesmo tempo, eu mandava cortar os telefones da Abril para impedir ligações de quem pretendesse interferir, autoridades, patrões e intermediários. A edição foi apreendida nas bancas, e logo desembarcou na redação a censura dos militares.

Quando ouvi falar em distensão pela primeira vez, meados de 1972, pela boca do general Golbery, à época presidente da Dow Chemical no Brasil, pareceu-me possível alguma mudança na sucessão de Médici. De fato, Golbery, que vinha de conhecer, articulava na sombra a candidatura de Ernesto Geisel, títere sob medida para as suas artes de titereiro. Meados de 1973, assenta-se a candidatura obrigatória de Geisel. Alguns meses após, ministério em gestação, Golbery, futuro chefe da Casa Civil à revelia de Médici, me sugere uma conversa com o recém-convocado para a pasta da Justiça, Armando Falcão. Assunto: fim da censura em clima de distensão.

Conversei duas vezes com Falcão enquanto Roberto Civita entre janeiro e fevereiro de 1974 apontava em Hugh Hefner um notável filósofo da modernidade. Mal assumiu a pasta, dia 19 de março de 1974, Falcão chamou-me a Brasília para comunicar que a censura se ia naquele instante. Sublinhei: “Sem compromisso algum de nossa parte”. “Claro, claro”, proclamou, e me deu de presente seu livro de recente publicação, intitulado A Revolução Permanente. Mais tarde Golbery comentaria: “Falcão é o nosso Trotski”.

Três semanas após, a censura voltou, mais feroz do que antes. Duas reportagens causaram a costumeira irritação, fatal foi uma charge de Millôr Fernandes. Em revide, decretava-se que a censura seria executada em Brasília às terças-feiras. Fui visitar Golbery no dia seguinte, eu estava de veneta rebelde, levei meus dois filhos meninotes, e andei pela capital federal de limusine. No meu livro de próxima publicação, O Brasil, a sair pela Editora Record como O Castelo de Âmbar, descrevo assim a visita ao chefe da Casa Civil.

“A secretária do ministro, dona Lurdinha, senhora de modos caseiros, redonda rola sobre o carpete sem perder o sorriso, chega-se ao meu ouvido, murmura: “Veio também o senhor Roberto Civita, quer ser recebido mas não tem hora marcada”. Não deixo que o tempo se estique inutilmente, tomo a visão panorâmica da antessala e vejo Arci, entalado em uma poltrona com expressão perdida na paisagem da savana descortinada além das vidraças. “Que faz aqui?” E ouço meu próprio latido.
“Vici me contou que você viria, e eu gostaria…”
“Você não pediu audiência, não tem hora”, proclamo.

Ele insiste, à beira da imploração. O meu tom chama a atenção de Manuela e Gianni, encaram a cena sem entender o assunto, percebem porém que o pai está muito irritado, enquanto o outro tem jeito de pedinte. Lurdinha traz uma laranjada para as crianças e avisa que o general está à espera. Admito: “Você entra comigo, mas se compromete a não abrir a boca”. Ele promete.

Na conversa que se segue no gabinete da Casa Civil, o meu argumento é óbvio, Veja é uma revista semanal que encerra o trabalho na noite de sábado e vai às bancas às segundas-feiras, obrigá-la a submeter textos e fotos aos censores na terça significa inviabilizá-la. Pergunto a Golbery: “Os senhores pretendem que Veja simplesmente acabe?” Não, nada disso. “Então é preciso pôr em prática outro sistema.”

O chefe da Casa Civil entende e concorda. Diz: “Vá até o Ministério da Justiça, fale com Falcão, a Lurdinha já vai avisá-lo, diga a ele que vamos procurar uma saída até amanhã no máximo, a próxima edição tem de sair regularmente”.
Golbery fica de pé, hora da despedida. O general não conhecia o patrãozinho que até aquele momento cumpriu a promessa feita na antessala. E de supetão abre a boca: “General, se o senhor acha que devemos tomar alguma providência em relação ao Millôr Fernandes…”
Golbery fulminou-o: “Senhor Civita, não pedi a cabeça de ninguém”.

Vici e Arci, ou seja, Victor Civita e Roberto Civita, assim se chamavam no castelo envidraçado à beira do Tietê, esgoto paulistano ao ar livre. Esse entrecho já o desenrolei em O Castelo de Âmbar sem merecer desmentido e o próprio Millôr o colocou no ar do seu blog logo após a publicação no final de 2000. Ao sair do gabinete de Golbery, eu disse a Roberto Civita “você é mesmo cretino”, como depois o definiria na conversa de despedida com o pai Victor, mas poderia dizer coisa muito pior. Quanto à minha saída da direção de Veja e de conselheiro board abriliano, descrevi o evento em editorial de poucas semanas atrás. Faço questão de salientar, apenas e ainda, que não fui demitido, e sim me demiti para não receber um único centavo das mãos de um Civita, nem que fosse a comissão pelo empréstimo de 50 milhões de dólares recebidos pela Abril da Caixa Econômica Federal, juntamente com o fim da censura, em troca da minha cabeça. A revista prontamente caiu nos braços do regime.

A partir daí, tive de inventar meus empregos para viver. Ou por outra, para viver com um salário infinitamente menor (insisto, infinitamente) do que aquele dos importantes da imprensa, e nem se fale daqueles da televisão. Ganham mais que os europeus e de muitos americanos. Em outro país, um jornalista com o meu passado não sofreria as calúnias de Pannunzios, Magnolis e Azevedos, e de vários que os precederam. Muito representativos de uma mídia que manipula, inventa, omite e mente. Observem os fatos e as mentiras da atualidade imediata, o caso criado pelo protagonismo de Gilmar Mendes e pela ferocidade delirante dos chapa-branca da casa-grande. Além do mais, há em tudo isso um traço profundo de infantilidade, um rasgo abissal, a provar o estágio primitivo da sociedade do privilégio, certa de que a senzala aplaude Dilma e Lula e mesmo assim se conforma, resignada, dentro dos seus habituais limites.

Os caluniadores são, antes de mais nada, covardes. Sentem as costas protegidas pela falta generalizada de memória, ou pela pronta inclinação ao esquecimento. Pela impunidade tradicional garantida por uma Justiça que não pune o rico e poderoso. Pelo respaldo do patrão comprometido com a manutenção do atraso em um país onde somente 36% da população conta com saneamento básico, e 50 mil pessoas morrem assassinadas ano após outro. Confiam no naufrágio da verdade factual, pela enésima vez, e que tudo acabe em pizza, como outrora se dizia, a começar pela CPI do Cachoeira e pela pantomima encenada por Gilmar Mendes. E que o tempo, vertiginoso e fulminante como sempre, se feche sobre os fatos, sobre mais uma grande vergonha, como o mar sobre um barco furado.

fonte CARTACAPITAL

 

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Demétrio Magnoli engole o “vírus da raiva” e ataca Mino Carta da Revista Carta Capital

FRANCO AHMAD – OBSERVATORIO ON LINE

Mais uma vez o sociólogo Demétrio Magnoli engoliu o vírus da raiva ”do cachorro louco “.

Em seu artigo publicado no jornal “O Globo” desta quinta-feira, o sociólogo “neurótico”,  defende o diretor da revista Veja, Policarpo Junior e ataca o atual diretor de redação da Revista Carta Capital, Mino Carta.

Segundo Magnoli, o suposto ataque à liberdade de imprensa, nas críticas que vêm sendo feitas a Policarpo Júnior, teria sido organizado por uma máfia de “bons companheiros”.

Leia, abaixo, o artigo de Magnoli:

“Os Bons companheiros”

De “caçador de marajás”, Fernando Collor transfigurou-se em caçador de jornalistas. Na CPI do Cachoeira, seu alvo é Policarpo Jr., da revista “Veja”, a quem acusa de associar-se ao contraventor “para obter informações e lhe prestar favores de toda ordem”. Collor calunia, covardemente protegido pela cápsula da imunidade parlamentar. Os áudios das investigações policiais circulam entre políticos e jornalistas ─ e quase tudo se encontra na internet. Eles atestam que o jornalista não intercambiou favores com Cachoeira. A relação entre os dois era, exclusivamente, de jornalista e fonte ─ algo, aliás, registrado pelo delegado que conduziu as investigações.

Jornalistas obtêm informações de inúmeras fontes, inclusive de criminosos. Seu dever é publicar as notícias verdadeiras de interesse público. Criminosos passam informações ─ verdadeiras ou falsas ─ com a finalidade de atingir inimigos, que muitas vezes também são bandidos. O jornalismo não tem o direito de oferecer nada às fontes, exceto o sigilo, assegurado pela lei. Mas não tem, também, o direito de sonegar ao público notícias relevantes, mesmo se sua divulgação é do interesse circunstancial de uma facção criminosa.

Os áudios em circulação comprovam que Policarpo Jr. seguiu rigorosamente os critérios da ética jornalística. Informações vazadas por fontes diversas, inclusive a quadrilha de Cachoeira, expuseram escândalos reais de corrupção na esfera federal. Dilma Rousseff demitiu ministros com base naquelas notícias, atendendo ao interesse público. A revista na qual trabalha o jornalista foi a primeira a publicar as notícias sobre a associação criminosa entre Demóstenes Torres e a quadrilha de Cachoeira ─ uma prova suplementar de que não havia conluio com a fonte. Quando Collor calunia Policarpo Jr., age sob o impulso da mola da vingança: duas décadas depois da renúncia desonrosa, pretende ferir a imprensa que revelou à sociedade a podridão de seu governo.

A vingança, porém, não é tudo. O senador almeja concluir sua reinvenção política inscrevendo-se no sistema de poder do lulopetismo. Na CPI, opera como porta-voz de José Dirceu, cujo blog difunde a calúnia contra o jornalista. Às vésperas do julgamento do caso do mensalão, o réu principal, definido pelo procurador-geral da República como “chefe da quadrilha”, engaja-se na tentativa de desqualificar a imprensa ─ e, com ela, as informações que o incriminam.

O mensalão, porém, não é tudo. A sujeição da imprensa ao poder político entrou no radar de Lula justamente após a crise que abalou seu primeiro mandato. Franklin Martins foi alçado à chefia do Ministério das Comunicações para articular a criação de uma imprensa chapa-branca e, paralelamente, erguer o edifício do “controle social da mídia”. Contudo, a sucessão representou uma descontinuidade parcial, que se traduziu pelo afastamento de Martins e pela renúncia ao ensaio de cerceamento da imprensa. Dirceu não admitiu a derrota, persistindo numa campanha que encontra eco em correntes do PT e mobiliza jornalistas financiados por empresas estatais. Policarpo Jr. ocupa, no momento, o lugar de alvo casual da artilharia dirigida contra a liberdade de informar.

No jogo da calúnia, um papel instrumental é desempenhado pela revista “Carta Capital”. A publicação noticiou falsamente que Policarpo Jr. teria feito “200 ligações” telefônicas para Cachoeira. Em princípio, nada haveria de errado nisso, pois a ética nas relações de jornalistas com fontes não pode ser medida pela quantidade de contatos. Entretanto, por si mesmo, o número cumpria a função de arar o terreno da suspeita, preparando a etapa do plantio da acusação, a ser realizado pela palavra sem freios de Collor. Os áudios, entretanto, evidenciaram a magnitude da mentira: o jornalista trocou duas, não duzentas, ligações com sua fonte.

A revista não se circunscreveu à mentira factual. Um editorial, assinado por Mino Carta, classificou a suposta “parceria Cachoeira-Policarpo Jr.” como “bandidagem em comum”. Editoriais de Mino Carta formam um capítulo sombrio do jornalismo brasileiro. Nos anos seguintes ao AI-5, o atual diretor de redação de Carta Capital ocupava o cargo de editor de “Veja”, a publicação na qual hoje trabalha o alvo de suas falsas denúncias. Os editoriais com a sua assinatura eram peças de louvação da ditadura militar e da guerra suja conduzida nos calabouços. Um deles, de 4 de fevereiro de 1970, consagrava-se ao elogio da “eficiência” da Operação Bandeirante (Oban), braço paramilitar do aparelho de inteligência e tortura do regime, cuja atuação “tranquilizava o povo”. O material documental está disponível no blog do jornalista Fábio Pannunzio, sob a rubrica “Quem foi quem na ditadura”.

Na “Veja” de então, sob a orientação de Carta, trabalhava o editor de Economia Paulo Henrique Amorim. A cooperação entre os cortesãos do regime militar renovou-se, décadas depois, pela adesão de ambos ao lulismo. Hoje, Amorim faz de seu blog uma caixa de ressonância da calúnia de Carta dirigida a Policarpo Jr. O fato teria apenas relevância jurídica se o blog não fosse financiado por empresas estatais: nos últimos três anos, tais fontes públicas transferiram bem mais de um milhão de reais para a página eletrônica, distribuídos entre a Caixa Econômica Federal (R$ 833 mil), o Banco do Brasil (R$ 147 mil), os Correios (R$ 120 mil) e a Petrobras (que, violando a Lei da Transparência, se recusa a prestar a informação).

Dilma não deu curso à estratégia de ataque à liberdade de imprensa organizada no segundo mandato de Lula. Mas, como se evidencia pelo patrocínio estatal da calúnia contra Policarpo Jr., a presidente não controla as rédeas de seu governo ─ ao menos no que concerne aos interesses vitais de Dirceu. A trama dos bons companheiros revela a existência de um governo paralelo, que ninguém elegeu.

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CRITICA LITERÁRIA

Só Freud para livrar Mino de obsessão com Civita. “A Sombra do Silêncio” é uma espécie de tudo é verdade segundo dom Mino Carta, o aristocrata do rancor

POR EULER DE FRANÇA BELÉM
REVISTA BULA – 25-8-2011

Há duas, ou mais, leituras do romance à clef “A Sombra do Silêncio” (Francis, 224 páginas), do jornalista Mino Carta. A primeira, que tem vigorado, é patrocinada pela revista “CartaCapital”, de propriedade de Mino Carta, que vê o romance como uma obra de gênio, ombreando, sabe-se lá, com alguma história de Henry James ou Flaubert. É uma leitura equivocada porque Mino não faz literatura — é memorialista que talvez tenha receio de ser processado (ele diz que um ex-ministro da ditadura, depois senador na democracia, era homossexual. O economista já faleceu), ou, o que é mais crível, não tenha paciência para a pesquisa. Então, usando a forma do romance — mas não fazendo romance, como querem seus críticos favoráveis, que sempre notam sua alta cultura, o diálogo fino com a pintura e a música —, pode, além de atacar seus adversários, políticos, empresários e jornalistas, tornar as histórias mais elásticas. “A Sombra do Silêncio” é, de algum modo, uma espécie de tudo é verdade segundo dom Mino Carta, o aristocrata do rancor, o homem que ensina que se deve comer peixe só com garfo, sem o uso de faca. O “Gattopardo” patropi que quer ser Tomasi di Lampedusa.   Na verdade, ao pretender contar a história de seu amor por Core Mio (Angélica, a paixão de uma vida), Mino Carta faz, mais uma vez, memorialismo à clef. Então, no lugar da primeira leitura, oponho a minha: a histórica, entre outras. Mercúcio Parla, alter ego de Mino Carta, tem o hábito de satirizar os intelectuais, ele próprio intelectual (dos bons, sério, íntegro), embora tentando se mostrar apenas como jornalista. Ele atribui a Alberti/Claudio Abramo o seguinte: “E os intelectuais? Servem o poder, querendo ou não, mesmo porque o primogênito vira coronel e um dos irmãos Intelectual. A família é a mesma”. Mercúcio/Mino contrapõe: “Mas nem todos nascem abastados…”. Abramo replica: “Estes sonham em subir na vida, quando não dá para virar coronel, vale a pena ser Intelectual”. E nós, jornalistas, servimos a quem? Ao poder, é claro.

Expedição punitiva

Ao contrário de “O Castelo de Âmbar”, primeiro romance de Mino Carta, o segundo livro é menos rancoroso — chega a ser lírico e, mesmo, empolado, embora o autor certamente não aceite este tipo de crítica. Mesmo sendo lírico, sobretudo quando trata de Core Mio, o rancor está sempre presente. Há um espírito vingativo, aqui e ali, sempre que os Civita, fundadores do Grupo Abril, são “dissecados”. “Em César Pavia [Victor Civita], Bertino reconhecia a energia transbordante, a ponto de ser excessiva como a brilhantina que lhe emplastava os cabelos diligentemente esticados para trás, sem condão de devassar a área da testa, exígua, e de lhe iluminar a expressão, pelo contrário, envolvendo-a em halo de brilho de sapato recém-chegado”, conta, certamente com um sorriso irônico nos lábios, Mercúcio/Mino. Página adiante, Mercúcio/Mino volta ao ataque ao núcleo da família Civita: “O pai [Victor Civita], empreendedor de escrúpulos mirrados e jogador desabrido, cínico eventualmente ao expor fraquezas como méritos, mas contraditoriamente habilitado pela natureza a rompantes sentimentais. Tom, tíbio e precário, aculturado em Samueland [Estados Unidos], onde se apossara dos principais defeitos do pessoal do lugar e de qualidade nenhuma, inseguro e arrogante, destinado a suscitar no interlocutor do primeiro encontro a impressão de se haver ou com um hipócrita ou com um boboca. No segundo encontro, as dúvidas caíam e a impressão número dois tornava-se certeza”.

Na página 210, mais uma pancada nos Civita: “Mas são estes, específicos patrões, aqueles que hoje me atormentam com suas pressões e suas tibiezas, sua inesgotável disponibilidade para o compromisso, se for necessário para a curvatura, o salamaleque, a genuflexão. Sei também que os meus dias na Foco [‘Veja’] estão contados, as paciências envolvidas estão no ponto de fervura ou bem próximas…”. Mino Carta conta, em “O Castelo de Âmbar”, que foi demitido a pedido de Armando Falcão. Sobretudo, Roberto Civita — que não é tão medíocre quanto diz o desafeto, mas não tem o talento jornalístico do editor de “CartaCapital” — não fez qualquer esforço para preservar o emprego do jornalista. Entregou sua cabeça e, segundo Mino Carta, teria obtido um polpudo empréstimo de um banco estatal. Há outra versão: Roberto Civita não tolerava Mino Carta e aproveitou-se do conflito do jornalista com setores militares para defenestrá-lo. Uma coisa é certa: o romance de Mino Carta jamais será resenhado em alguma publicação da Editora Abril, como “Veja”.

Há uma história que Mercúcio/Mino explora pouco: Carlos Lacerda, ou Galo Timbiras, teria tentado fazer a sua cabeça quando trocou o “Arauto” pela “Veja”. Lacerda queria usá-lo para expor suas ideias, ou, ainda, ideias contra a ditadura, com a qual havia rompido, por ter sido desprezado. O economista Tomas Horta é tratado com crueza: “Lacaio do regime militar, melífluo como banqueiro e diplomata, voz de cardeal, arrogante no substrato apesar das mãos sempre suarentas, insiste com as fêmeas de qualquer extração. Levou facada de uma delas, conhecida como Jussara Dubarry, por motivos até hoje não apurados. (….) Horta morreu em odor de homossexualismo”. O economista trabalhou no governo de Castello Branco e, na democracia, se elegeu senador e deputado federal por um Estado do Centro-Oeste. Quase no fim do romance, Mino Carta relata a história de Aldo Walder/Vladimir Herzog: “Algo Walder tinha sopro no coração, não resistiu à tortura e morreu, será preciso forjar uma versão oficial para justificar o fato. O comunicado da Feat escorre no olho da câmara e soletra que o jornalista se matou, enforcado por uma tira de pano amarrada à grade da cela”.

Golbery e Geisel

Entre jornalistas veteranos, há uma espécie de Fla x Flu x Fla & Flu: há os que gostam de Geisel, os que gostam de Golbery e os que gostam dos dois (caso de Elio Gaspari). Mino Carta não tolera Geisel: “A foto oficial de Gunther Waldo [Geisel], o general-ditador, rosto de marítimo aposentado, pescoço de peru, faixa presidencial a lhe atravessar o peito, entregue à casaca e coberto pelas condecorações”. Golbery diz a Mino Carta: “No início pretendíamos pôr a casa em ordem e logo em seguida devolver o poder aos civis. Acabamos, no entanto, perdendo o controle da situação, e aí sim, a revolução virou… golpe”.

Mino Carta menospreza e demoniza Geisel — o que Gaspari não faz: “O senhor [o general Tibúrcio/Golbery] usa Waldo, tosco e imponente, desprovido de um único, pálido resquício de humor, porque tem prestígio junto aos seus pares, imenso e definitivo prestígio. No entanto, sabe perfeitamente de quem se trata”. Golbery responde, com palavras que parecem mais de Mino Carta do que dele: “Graças ao plano de retorno às origens, assegurado pelo prestígio, ou seja, pelo poder de Waldo, algum dia, não muito remoto, devolveremos o poder aos civis, contra a vontade dos falcões, que não fizeram a revolução, ou não entenderam seus objetivos e acabaram por dar o golpe. Pela mão da gente, a democracia volta”. Mino Carta (sempre brilhante) desconsidera que é um ato de inteligência o menos inteligente seguir o intelectualmente mais dotado.

Mercúcio admite que, se não teve uma relação corrupta com Golbery, os dois se usaram: “Sim, conheci o general Tibúrcio, fizemos uso um do outro, mas tendo a achar que eu tive mais proveito […] Sim, foi uma relação que durou longos anos, profissionalmente difíceis para mim e de muito poder para ele, ao menos em certos períodos da ditadura, quando os chamados brandos ou pombas levaram a melhor no conflito interno com os duros ou falcões”.

Todos os louros vão para Golbery, o geneDow: “Personagem insubstituível, provavelmente sem se dar conta do seu tamanho, obra de deuses gregos brincalhões […] Esteve no começo e no fim do processo, armou o projeto do golpe [o de 1964] e, ao cabo, o projeto contrário, da chamada abertura. Prestou-lhe um grande serviço o assassínio de Aldo Walder, e, anos depois, as resistências de líderes sindicais mexeram bastante, muito mais do que se imagina até hoje, com a fatia mais importante da opinião pública. Cheguei a pensar, nas duas ocasiões: eis aí o esboço de uma sociedade civil, me perdoem a expressão desabusada”.

No roman à clef, ou sátira à clef, as personagens são reais, mas os nomes são trocados. Só que, no caso de “A Sombra do Silêncio”, a revista de Mino, num texto do então editor Maurício Stycer (agora no Universo Online), esclarece os nomes verdadeiros de algumas personalidades citadas. Outros nomes, o leitor, dada a clareza de Mino — que escreve muito bem —, consegue “traduzir” facilmente. Algumas dicas: Bertino Parla (Giannino Carta, pai de Mino), Cesar Pavia (Victor Civita), Tom Pavia (Roberto Civita), Foresta (Editora Abril), Bulhões Pereira (Júlio de Mesquita Filho), “Arauto” (“Estadão”), Justino (junção, num só nome, de Júlio, Ruy e Luís Carlos Mesquita, filhos de Júlio de Mesquita), general Tibúrcio (Golbery do Couto e Silva), Parlotão (Paulo Egydio Martins), Aldo Walder (Vladimir Herzog), Alberto Alberti (Claudio Abramo, o ídolo de Mino Carta), Professor (Pietro Maria Bardi), Clorinda (Lina Bo Bardi, mulher de Pietro Maria), João da Lua (Paulo Duarte), Botânico (Sérgio Buarque de Holanda), Core Mio (Angélica), Inocêncio Filomeno da Silva Xavier (George Duque Estrada), Galo Timbiras (Carlos Lacerda), Raposo Tavares (Jânio Quadros), Alfred de Musset (Assis Chateaubriand), “Foco” (“Veja”), dom Julius (dom Paulo Evaristo Arns).

Curiosidade autoral: a frase “nos meus revolucionários ninguém põe a mão” é atribuída a Bulhões Pereira. Acredita-se que, com ligeira mudança — “nos meus comunistas ninguém põe a mão” —, a frase é de Roberto Marinho.

Neste breve texto acredito que extraí o sumo do livro de Mino. O que sobra é história de sua paixão por Core Mio, que só interessa a ele mesmo. Sidney Sheldon já fez melhor. O pior é que o terceiro romance está a caminho. Por Deus (ou Zeus), Mino, não!

Categorias:Imprensa em debate

2 Comentários

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  1. - IP 189.74.151.203 - Responder

    Novamente o grande jornalista Mino Carta se mostra grande, colocando literalmente as cartas na mesa, e demonstrando que os reacionários e amestrados jornalistas e acadêmicos de plantão, estão e sempre estarão a serviço dos poderosos. Principalmente, se esses poderosos são os mandatários/donos do 1º poder neste país, a imprensa.

  2. - IP 189.83.192.43 - Responder

    Agora, como dito lá, no Maria Frô, vê se não me censura por causa de ciúmes, Maria Frô é figura pública, muitos a amam de todas as maneiras. Deixa de ciumeira e publica meu comentário porque ele é importante.
    O Caso é Mino Carta, e ele é casca grossa que chapa quente não lhe mete mêdo, pois é tipo de gente que por justiça pisoteia nela e se queima sem chorar como maricas que ameaçam pisotear caídos ao chão, como quem está provisóriamente com a força, e sempre ameaça “sua chapa esta esquentando”, principalmente em jogo, de futebol fica mais leve imaginarmos.
    Mino Carta não! Não foge da obrigação de um patriota, com bom senso, da verdadeira justiça que de ante-mão nós dá direito à defesa, à qualquer cidadão.
    PARTE 2: Obrigatoriamente é um jornalista, ele, o Mino Carta, que, deve ser ouvido pela comissão da verdade para mudar sua lógica, ou lógicmaente dizendo, ilógica, politiqueira para encombrir os verdadeiros comandantes do poder na época. Procurando descobrir quem era e o que fez um pau-mandado, mandado obviamente por muitos, até sutilmente, como às vezes alguém como quem não queria nada só sugeria e ou até apontava quem a torturar ou matar, por interesses mesquinhos, longe dos de uma pátria e de descobrir quem mandava o pau, ou, no pau, mandado.
    Mino Carta quanto tanto outros ativistas da mídia na época tem muito à clarear para o Brasil. Mas antes tenho que fazer uma pausa, coisa de romantismo político ativista, às vezes me pega, como no caso, e domina o querer,
    Um depoimento para Maria, Frô, do que nem soube, nem haveria de um só fâ anônimo. Talvez sensivel sentiu, um amor ferido soprar por perto, ferida doída quase à mágoa.
    PARTE 3: Mas hoje aproveito o depoimento do Mino Carta, melhor dizendo, influenciando-me de sua clareza pacífica, aproveito para dizer que nunca guardei mágoas, nem passadas, e jamais uma seria por ti, anjo, Maria Frô, que amo, como anjo de amor, verdadeiro, de luz.
    Agora volto ao Mino Carta, aquele oculto que foi meu alvo de busca e esperança, sem endereço, credo, raça, cor ou possibilidade de existência. Simplesmente um oculto fruto de muitos anos de busca que agora aparece como a uma Fênix, e, chutando o pau da barraca. Levantando das cinzas que surgiu os restos das brasas que ainda ardem em uma história que nunca quer esfriá-las, as brasas. Clareando, Mino Carta, o princípio de todo o obscurantismo que circulava em minha cabeça sobre nossa mais recente ditadura.
    Aquela que quanto mais nela se mexeu ou se mexe, menos se entendeu e se soube, no fundo nada se descobria, há não ser alguns casos à vista e outros que dão prioridade a nomes mais conhecido da sociedade.
    Me explico logo abaixo o que quero dizer com obrigação como cidadadão de Mino Carta e outros, em uma comissão da verdade, da verdade verdadeira:
    PARTE 4: Porque interrogar soldado, sargento, capitão, tenente e outros subalternos de uma hierarquia rígida em disciplina de obediência é o mesmo que nada. Com todo o respeito à esses profissionais e às forças armadas, no caso de uma ditadura com mortes e torturas, em gíria militar cabe a frase, são só paus mandados, soldados treinados para obecerem ordens cegamente. Pois o que fizeram porque foi respeitando a hierarquia militar, alguns até foram condecorados e é assim que funciona as forças armadas, mata-se um inimigo e é condecorado com pomposas medalhas. Obviamente alguns, dos paus mandados, passaram dos limites por contra própria, sempre há, isso se vê ainda hoje quando invadem as favelas no Rio.
    Aproveitando o tema, favela, por similaridade de erros e abusos entre os casos, seria por exemplo: criarem uma comissão da verdade sobre o tráfico e convocarem garotos portando armas automáticas que, em alguns casos as usavam para aplicar as leis severas deste ramo, que ia de tortura à até morte à mando de seus comandos militares. E resolver o problema do tráfico de drogas do Rio de Janeiro
    PARTE 5: Para podermos assim, simulando se não relatando a realidade para à título de comparação, demonstrarmos que por estes depoimentos como o de Mino Carta entre outros que viveram a ditadura da forma mais dura, irmos ao cerne da questão. Contarmos a verdadeira história da ditadura brasileira. Pois tudo aforante alguns devaneios raros de alguns imbecis metidos a Rambos, foi negociado, acertado, decidido e ordenando dentro de escritórios das forças armadas, grande mídia e grandes grupos financeiros, inclusive estrangeiros. As forças armadas não passaram de peças de um tabuleiro, que provavelmente nem por militares brasileiros foram mexidas.
    Portanto para se obter a verdade nesta comissão da verdade e não fazê-la de mais um palanque político aonde; como a um enredo de filme surgem dezenas de bandidos e mocinhos que de tudo fazem para estarem diante dos olofotes para ganhos pessoais.
    PARTE 6: Os primeiros a serem interrogados devem ser os jornalistas, músicos, autores, compositores e donos da mídia engajados na políticas, sem pré-julgamentos. Os verdadeiros olofotes, as verdadeiras luzes sobre estes fatos, e, depois sim, todos os outros de todos os lados. Porque só assim a verdade apresentará em uma sequência lógica e, principalmente apresentará nítidamente os seus objetivos inclusive financeiros, para os fatos se assucederem da forma como se assucederam, com o auxílio e proveito de muitos X9 também ou tirando proveito da grande imprensa Golpista (PIG) se apresentando até os dias de hoje como bons samaritanos por se blindaram com a desculpa de ser um bom funcionário e só procurava atender o patrão.
    José da Mota.

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