Ministro Teori Zavascki, do STF, atende MPF e quebra de sigilo bancário de Júlio Campos e sua filha Consuelo, em inquérito que aponta ligação dos dois com comendador Arcanjo. No inquérito, Nilson Teixeira (ex-gerente de Arcanjo) aponta desvio de verbas da Assembleia para financiamento de campanha de Dante de Oliveira e possivel envolvimento de Júlio, Tom Spinelli e José Carlos Novelli em crimes desarticulados pela Operação Arca de Noé

Teori Zavascki quebra sigilo bancário de Júlio Campos e sua filha Consuelo by Enock Cavalcanti

Teori Zavascki, ministro do Supremo Tribunal Federal e Júlio Campos. O deputado federal, que já é investigado por possível envolvimento como mandante de dois assassinatos, agora aparece também como alvo de investigações do MPF relativas ao possível desvio de recursos da Assembleia Legislativa de MT para utilização em Caixa 2 de campanhas eleitorais em Mato Grosso, conforme reportagem de Catarine Piccioni

Teori Zavascki, ministro do Supremo Tribunal Federal e Júlio Campos. O deputado federal, que já é investigado por possível envolvimento como mandante de dois assassinatos, agora aparece também como alvo de investigações do MPF relativas ao possível desvio de recursos da Assembleia Legislativa de MT para utilização em Caixa 2 de campanhas eleitorais em Mato Grosso, conforme reportagem de Catarine Piccioni

STF autoriza quebra de sigilo bancário de Júlio Campos em inquérito que liga o parlamentar a Arcanjo

De Brasília – Catarine Piccioni
OLHAR DIRETO

O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), deferiu diligências solicitadas pelo Ministério Público Federal (MPF) em inquérito no qual o deputado federal Júlio Campos (DEM-MT) é suspeito de participação em esquema de financiamento de campanhas políticas envolvendo João Arcanjo Ribeiro (considerado ex-chefe do crime organizado em Mato Grosso). O inquérito está no STF desde o início deste mês. De acordo com despacho assinado por Zavascki, a quebra do sigilo bancário do parlamentar e da filha dele, Consuelo Maria Pinto Campos, está entre as diligências.

O requerimento formulado pelo MPF se baseia em informações colhidas durante a instrução de uma ação penal em que Arcanjo, Luiz Alberto Dondo Gonçalves (contador que prestou serviços para Arcanjo), Silvia Chirata Arcanjo Ribeiro (ex-mulher de Arcanjo), Nilson Roberto Teixeira (ex-gerente de factoring pertencente a Arcanjo) e outras três pessoas respondem por crimes contra o sistema financeiro, lavagem de capitais e formação de quadrilha.

Conforme o requerimento, Teixeira apontou o envolvimento de conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), incluindo Júlio Campos, em esquema que teria desviado verba da Assembleia Legislativa (AL-MT) para financiamento de campanhas eleitorais (por exemplo, do ex-governador de Mato Grosso Dante de Oliveira).

No requerimento, o MPF citou que Arcanjo tinha diversas factorings, especialmente a Confiança Factoring, que emprestava dinheiro para financiamento de campanhas políticas. Teixeira afirmou que Ubiratan Spinelli (ex-conselheiro do TCE-MT), Júlio Campos (ex-conselheiro do TCE-MT) e José Carlos Novelli (conselheiro do TCE-MT) estavam envolvidos nos crimes desarticulados pela operação Arca de Noé (deflagrada pela Polícia Federal em Mato Grosso em 2002).
O MPF afirmou ainda que Campos chegou a ser ouvido sobre o caso quando conselheiro. No depoimento, o então conselheiro teria dito que, em 1998, vendeu uma casa (localizada em Cuiabá) para Arcanjo por R$ 150 mil. O pagamento do negócio teria sido parcelado. Segundo ele, a quantia de R$ 58,5 mil – citada em relatório do Banco Central – se referia a uma das parcelas.

Movimentações

Para solicitar as diligências ao Supremo, o MPF considerou ainda relatório do conselho de controle de atividades financeiras (Coaf), unidade de inteligência financeira do governo brasileiro. De acordo com o relatório mencionado, o deputado mato-grossense movimentou R$ 2,3 milhões de janeiro de 2003 a dezembro de 2004, realizou 20 operações de vendas de imóveis para a World News Participações Ltda. (controlada pela South Fall Development, sediada nas Ilhas Virgens) e vendeu um terreno para Arcanjo.

O Coaf também apontou que a filha de Júlio Campos, Consuelo Campos, movimentou, no mesmo período, R$ 1,6 milhão em sua conta corrente. Contudo, a renda mensal declarada por ela seria de R$ 3,6 mil. E, em dezembro de 2004, Consuelo teria recebido um depósito de R$ 1,5 milhão de Oswaldo Simões Sério (ex-proprietário da casa de carnes Cadoro Ltda., aberta em 1983 e cancelada em 1984) e da madeireira Aguapey Ltda. (aberta em 1985 e cancelada em 1991). Ela teria transferido R$ 94 mil para a VR Fomento Mercantil, R$ 250 mil para JVP Factoring, R$ 103 mil para a Invest Fomento Mercantil e R$ 93 mil para a madeireira Madeecris Ltda..

No requerimento, o MPF disse ainda que a VR Fomento Mercantil é de propriedade de Valdir José Piran, preso na operação Arca de Noé por ligação com Arcanjo. E que a Piran Sociedade de Fomento Mercantil Ltda., pertencente a familiares de Valdir Piran, vendeu um imóvel ao próprio Valdir Piran.

“O relatório do Coaf também informou outras transações de compra e venda de imóveis por empresas de factoring. O único depósito de Júlio Campos à Confiança Factoring, no valor de R$ 58,5 mil, foi, em tese, justificado pela venda de um imóvel, cuja escritura foi apresentada pelo parlamentar. No entanto, o relatório informou inúmeras movimentações atípicas de Júlio Campos e de sua filha Consuelo, que são incompatíveis com os seus rendimentos mensais e com os cargos exercidos. À época dos fatos, Campos era conselheiro do TCE (2002-2007) e sua filha era assessora do Senado. As movimentações relatadas pelo Coaf, em uma análise superficial, tem correlação com João Arcanjo Ribeiro, pois os depósitos feitos por Consuelo tiveram como destinatária a factoring de Valdir Piran (pessoa de confiança de Arcanjo)”, consta do requerimento do MPF que gerou a autorização das diligências por Zavascki.

Outro lado

A reportagem do Olhar Jurídico tentou contato com o deputado Júlio Campos desde a manhã desta terça-feira (27) até a publicação desta matéria, mas ele não atendeu as ligações. A assessoria de imprensa e a chefia de gabinete pediram que o site aguardasse a assessoria jurídica verificar a decisão proferida por Zavascki no último dia 20. Por último, disseram que apenas o advogado Paulo Fabrinny Medeiros poderia se posicionar sobre o tema e recomendaram que o site esperasse o retorno dele. Medeiros não retornou e também não atendeu as ligações do Olhar Jurídico.

2 Comentários

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  1. - IP 187.6.100.28 - Responder

    …..esse julio campos e o jaimy são um câncer no cenário político nacional….só estão na política porque neste pais o voto é comprado forma escancarada por´políticos corruptos que aproveitam da miséria a populaçao e perpetua no poder….VC JAIME E JULIO PARA MINHA MODESTA OPINIÃO SÃO UMA VERGONHA NACIONAL..TENHO FÉ QUE OS SENHORES AINDA CAIRAM NAS MÃOS DO MINISTRO JOAQUIM BARBOSA….JULIO, JAIME, RIVA E COMPANHIA SEUS DIAS ESTÃO CHEGANDO…..A JUSTIÇA DE DEUS NÃO FALHARÁ…..

  2. - IP 187.53.137.33 - Responder

    CADÊ OS COMENTARISTAS ENOCK?
    A GALERA DE VAGABUNDOS CARRAPATOS DO PSDB, DEM E PMDB LOCAIS ESTÃO QUIETINHOS…
    A BATATA DELES ESTÁ ASSANDO…LOGO, LOGO NÃO FICA PEDRA SOBRE PEDRA…
    ESSES PILANTRAS QUE VIVEM NO BEM BOM SEM TRABALHAR VÃO TER QUE REBOLAR…

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