MIGUEL DO ROSÁRIO: A partir do momento em que Eduardo Campos marca posição como candidato de oposição e faz discurso afinado com vocabulário conservador, fica a dúvida: ele tirará mais votos de Dilma, presidente bem avaliada, ou de Aécio Neves, que não tem o recall de Serra? Provavelmente, tirará votos de ambos, o que causaria maior dano ao PSDB, porque é a oposição quem precisa ampliar seu patrimônio eleitoral, não o governo.

As evidências apontam que Eduardo Campos, líder do PSB e governador de Pernambuco, se articula intensamente para consolidar uma candidatura que confronte, pela direita, a candidatura à reeleição da presidente Dilma Roussef

Campos engolirá Aécio?

por Miguel do Rosário   
O CAFEZINHO

A candidatura de Eduardo Campos está se tornando um fato político curiosíssimo. Pra começar, é cercada de névoas ideológicas, partidárias, políticas… Já está ficando claro que Campos caminha para a oposição. Ele mesmo parece não fazer mais questão de ocultar o fato. Seus encontros, públicos e secretos (e depois vazados), tem sido sempre com os elementos mais radicais da oposição ao governo federal: Roberto Freire, José Serra, Jarbas Vasconcelos. No entanto, ainda não se tem certeza de maneira absoluta sobre sua candidatura, como há em relação à Dilma e Aécio.

Pelo andar da carruagem, Campos é candidato, e será de oposição. Seus discursos e movimentações se dirigem em marcha acelerada na direção de uma ruptura, com reflexos, certamente, de longo prazo para a carreira do governador de Pernambuco.

A partir do momento em que Eduardo Campos marca posição como candidato de oposição e faz um discurso afinado com o vocabulário conservador, fica uma dúvida: com isso, ele tirará mais votos de Dilma, presidente bem avaliada, ou mais de Aécio Neves, que não tem o recall de Serra?

Provavelmente, tirará votos de ambos, o que causaria maior dano ao PSDB, porque é a oposição quem precisa ampliar seu patrimônio eleitoral, não o governo.

Hoje o Globo publicou matéria, no espaço mais nobre da seção de política, intitulada:

PPS esquece ideologia do Partidão e se alia cada vez mais à centro-direita

A matéria tem o significado de um ataque político à Roberto Freire, presidente do MD, legenda que surgiu ontem da fusão de PPS com PMN, porque Freire vem procurando, desde a campanha presidencial de 2010, a vender uma tese esdrúxula, quase esquizofrênica, de que, ele sim, representa a “esquerda” brasileira. A tese é ruim, porque Freire não tem apoio de nenhuma corrente da esquerda não-partidária: não tem apoio em movimentos sociais, em sindicatos, universidade ou intelectualidade.

Freire vem tentando, esse tempo todo, dar um golpe conceitual, e foi apoiado pela mídia em 2010 até então. Há poucas semanas, Freire organizou um evento que reuniria a “esquerda democrática” nacional, novamente exercitando uma ousada alquimia semântica, visto que os convidados e participantes eram quase todos representantes do que o resto do Brasil entende por “direita”.

Como não acredito que O Globo dê ponto sem nó, o ataque platinado visa castigar Freire por sua decisão prematura de abandonar a aliança com o PSDB em prol de Eduardo Campos, um candidato certamente interessante, mas sem condições reais de enfrentar Dilma Rousseff em 2014, por falta de tempo de TV, e falta de palanques na maior parte do Brasil.

Por falar em palanque, outra mexida nos tabuleiro político promete emoções: a possibilidade de Serra sair do PSDB e entrar neste novo partido, PMN, para disputar o governo de São Paulo em 2014. A medida visaria dar palanque à Eduardo Campos. Em todos estes movimentos, todavia, pode-se antever o revoar de muitas penas, pois uma candidatura Serra em São Paulo dividiria o voto conservador, facilitando a vida do PT. Sem contar que o apoio de Serra, se pode dar palanque a Campos no maior colégio eleitoral do país, também risca lhe tirar muitos votos Brasil a fora, em função da rejeição recorde de José Serra.

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No front econômico, tivemos uma pequena alta de juros de 0,25%, certamente influenciada pela campanha de caráter mundial deflagrada nas últimas semanas, com empenho especial da mídia tupi. O aumento, por insignificante, não deve afetar a vida do cidadão comum, mas também não ajuda o Brasil a crescer mais. De qualquer forma, temos que nos preparar para uma campanha de grande porte para sabotar a economia brasileira. O primeiro front de guerra acontece na comunicação, com a sistemática manipulação de todos os índices. A inflação é um exemplo. Todas as previsões, do FMI, do setor privado nacional, do governo, apontam uma inflação em 2013 menor que a do ano anterior. Claro que isso pode mudar, e campanhas midiáticas podem fazer diferença, visto que boa parte das decisões que levam a reajustes de preço são de caráter subjetivo, por parte do empresariado. A proteção à economia brasileira está na competição, que não é lá essas coisas, em virtude da alta concentração do varejo em mãos de três ou quatro grandes grupos, todos estrangeiros (Walmart, Casino, Carrefour). O que nos protegerá, portanto, serão as cadeias pequenas e médias, que concorrem fortemente entre si e não podem se dar ao luxo de aumentar preços por decisões de caráter político.

fonte blog O CAFEZINHO

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