PREFEITURA SANEAMENTO

Meses antes do golpe militar de 1964, Brasil esteve na mira de uma intervenção armada dos Estados Unidos. Em outubro de 63, John Kennedy (conforme gravações comprovam) cogitava usar aparato militar americano contra o Brasil de Jango e Brizola temendo que o País “se tornasse uma nova Cuba” e saísse do controle dos EUA. A invasão não se consumou e o presidente americano golpista acabou assassinado por seus próprios compatriotas. Jango morreu no exílio e Brizola voltou para o Brasil nos braços do povo. Confira toda história no vídeo de Flávio Tavares, O DIA QUE DUROU 21 ANOS

O presidente-golpista dos Estados Unidos, John Kennedy, que acabou assassinado em seu próprio País, e o presidente brasileiro João Goulart, deposto por golpe militar financiado pelos Estados Unidos e que veio a falecer no exílio, na Argentina

O presidente-golpista dos Estados Unidos, John Kennedy, que acabou assassinado em seu próprio País, e o presidente brasileiro João Goulart, deposto por golpe militar financiado pelos Estados Unidos e que veio a falecer no exílio, na Argentina

O golpe de Kennedy

Gravações revelam que o presidente dos Estados Unidos cogitou uma intervenção militar no Brasil para derrubar o governo João Goulart

 Da ISTOÉ

Meses antes do golpe militar de 1964, o Brasil esteve na mira de uma intervenção armada dos Estados Unidos. É isso o que mostram registros de conversas entre o ex-presidente americano John Kennedy, o seu embaixador no Brasil, Lincoln Gordon, e assessores. Num dos diálogos, em outubro de 1963 (46 dias antes de ser assassinado a tiros no Estado do Texas), Kennedy interrompe uma análise da conjuntura política brasileira feita pelo diplomata e o questiona sobre a possibilidade de Washington usar seu aparato militar para derrubar o governo democrático de João Goulart. “Você vê a situação indo para onde deveria? Acha aconselhável que façamos uma intervenção militar?”, questiona o presidente. A resposta de Lincoln Gordon é esclarecedora: “Essa é uma outra categoria, que eu chamo de ‘contingência perigosa possivelmente requerendo uma ação rápida’. Esse é o principal problema.”

chamada.jpg
CONSPIRADORES
O presidente John Kennedy e o embaixador Lincoln Gordon:
eles temiam que o Brasil se tornasse “uma nova Cuba”

As gravações disponibilizadas ao público pelo jornalista Elio Gaspari no site recém-lançado “Arquivos da Ditadura” fazem parte do acervo da Biblioteca Kennedy e foram guardadas graças a uma decisão do ex-mandatário da Casa Branca de manter registros de diálogos para que fossem alvos de pesquisas futuras. Em outras conversas gravadas, o presidente John Kennedy e o embaixador Gordon revelam o que pensam sobre João Goulart. Para eles, Jango era um ditador populista com fortes inclinações esquerdistas. Nesse contexto, os Estados Unidos temiam que o Brasil se tornasse “uma nova Cuba” (palavras usadas pelo embaixador), colocando em risco os interesses da Casa Branca durante o ápice da Guerra Fria travada com a União Soviética. Como se sabe, a intervenção armada americana nunca saiu do papel. Em 1º de abril de 1964, forças militares nacionais depuseram o governo de João Goulart.

O movimento golpista contou com amplo apoio do sucessor de John Kennedy, Lyndon Johnson. Em uma operação conhecida como Brother Sam, uma frota com 11 navios americanos (confira quadro) foi enviada ao Brasil às vésperas do golpe militar. Antes de se aproximarem da costa brasileira, porém, as embarcações retornaram. João Goulart já havia sido deposto da presidência da República e o golpe militar estava consolidado. O regime de exceção se perpetuou por 21 anos e serviu de inspiração para uma sucessão de golpes em outras nações da América do Sul.

A história vira sucata

KENNEDY-02-IE-2303.jpg

Ícone máximo do apoio do governo dos Estados Unidos ao golpe de 1964, o porta-aviões da Marinha americana USS Forrestal vai virar sucata. Enviado pela Casa Branca ao Brasil como parte de uma frota de 11 embarcações que daria suporte e apoio ao golpe militar contra o presidente João Goulart, o USS Forrestal, que já foi um dos maiores do gênero no mundo, chegou a ser oferecido em 1993 às autoridades brasileiras para que se transformasse em fonte de estudos. Como o País recusou a oferta, o navio ficou esquecido todos esses anos. Agora, uma empresa americana vai desmontá-lo no Texas em troca do direito de vender componentes da embarcação reciclados e de um simbólico pagamento de US$ 0,01 realizado pelo governo americano.

 

O golpe militar de 1964, que implantou a ditadura, impediu que Leonel Brizola chegasse ao poder, na sucessão de João Goulart

O golpe militar de 1964, que implantou a ditadura e fez o serviço sujo para garantir a hegemonia norte-americana sobre o Brasil, impediu que Leonel Brizola chegasse ao poder, pelo voto livre dos brasileiros, na sucessão de João Goulart (EC)

——————-

O dia que durou 21 anos

Mair Pena Neto – DIRETO DA REDAÇÃO

Se todas as razões exaustivamente expostas ainda não fossem suficientes para justificar uma emissora pública de televisão no país, a exibição da série “O dia que durou 21 anos”, na TV Brasil, já seria suficiente para explicar a necessidade de sua existência. Sim, porque só uma emissora pública coproduziria e abriria espaço para um documentário que expõe toda a participação do governo dos Estados Unidos no golpe militar de 1964, com base em documentação do arquivo norte-americano, que permaneceu secreta por 46 anos.
Seria inimaginável uma emissora comercial destinar três dias da sua programação para o documentário realizado pelo jornalista Flavio Tavares e seu filho Camilo. A TV Brasil já brindara seu público ano passado com a série “Era das Utopias”, de Silvio Tendler, fruto de 20 anos de pesquisa do documentarista brasileiro, exibida durante toda uma semana útil.
Compromissos com patrocinadores e foco exclusivo na audiência levam as emissoras comerciais a apostarem em programas fáceis e de apelo barato, desprezando produções históricas e mais profundas, como documentários. A TV Brasil vem cumprindo seu papel nesse campo e colaborando para o conhecimento e reflexão sobre a nossa história, condição essencial para a formação de verdadeiros cidadãos.
“O dia que durou 21 anos” enterra qualquer inocência sobre a origem e execução do golpe militar de 64 apenas como fruto do anseio dos militares e de parcela da população civil brasileira. A ação começa a ser orquestrada dois anos antes, quando o presidente John Kennedy toma as primeiras medidas, impressionado com os relatos alarmantes do embaixador norte-americano no Brasil, Lincoln Gordon, que via o país como uma segunda Cuba.
É Gordon quem sugere que Jango seja levado à base militar de Nebraska, na visita do presidente brasileiro aos EUA, em abril de 1962. Jango conhece de perto a sala de comando capaz de destruir o planeta sem entender o porque de toda aquela exibição. Jango não tinha nenhum problema particular com os Estados Unidos e as reformas que propunha são as mesmas que (infelizmente) continuam ocupando a agenda brasileira sem que fantasmas comunistas sejam vistos.
Mas Lincoln Gordon não pensava assim e em conversas gravadas com Kennedy recebeu o sinal verde para organizar a conspiração. A CIA executou operações de propaganda no Brasil e o Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais (IPES) e o Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD) financiaram políticos, jornalistas, meios de comunicação e grupos religiosos para atacarem Jango e criarem o clima propício ao golpe.
A morte de Kennedy e a chegada ao poder de Lyndon Johnson não alteram a estratégia e o novo presidente norte-americano aparece em vídeo afirmando que outro regime comunista no hemisfério ocidental não pode e não iria acontecer. “Vamos ficar em cima de Goulart e nos expor se for preciso”, disse Johnson.
O documentário exibe documentos com referências à operação Brother Sam, que o assistente de Lincoln Gordon, Robert Bentley, afirma desconhecer. A exposição a que Johnson se referia se configurava no envio de força-tarefa naval ao Brasil para “controlar as massas”. Junto aos militares brasileiros, a ação era organizada pelo adido militar da embaixada dos EUA, Vernon Walters.
A reação esperada pelos EUA e os militares golpistas não veio, mas isso não impediu que o regime de exceção se transformasse numa ditadura sanguinária, que perseguiu, torturou e matou muitos de seus cidadãos, sempre com apoio incondicional dos EUA, inclusive responsável pela formação de torturadores na famigerada escola do Panamá.
A maioria desses fatos é conhecida, mas o documentário de Flavio Tavares tem o mérito de trazer à luz documentos e gravações que comprovam o envolvimento dos EUA na conspiração. E a TV Brasil, ao exibi-lo em canal aberto, amplia seu alcance e cumpre a função constitucional de ser educativa, cultural e informativa, abrindo espaço para produções independentes que expandem o mercado e contribuem para a melhoria da  qualidade da televisão brasileira.

1 Comentário

Assinar feed dos Comentários

  1. - IP 177.41.88.90 - Responder

    É preciso esclarecer:o contexto era outra na época,a ameaça comunista era real,os soviéticos queriam exportar a ideologia na marra,,e houve apenas uma cogitação,não houve siquer planos ou preparação,então chamar Kennedy de golpista é forçar a barra o que aliás já esta se tornando lugar comum deste blog.Outra coisa,Brizola não voltou nos braços do povo ,chegou no Rio e Rio Grande do SUL ,nos braços do PTB,cuja presidente Ivete Vargas,organizou as recepções PARTIDÁRIAS.Brizola quando se candidatou a presidente perdeu em todo Brasil,menos no Rio e Rio Grande,ele tinha admiradores,e não eleitores no Brasil.Na eleição para presidente,perdeu para Lula e FHC. Se tivesse ganho ,colocaria com certeza o Brasil em crise,pois era mais um “porra loca dramático” que, apesar de proprietário de grandes fazendas no Uruguai,no Brasil era de esquerda!

Deixe seu Comentário

Seu endereço de email não será publicado.
Campos com * são obrigatórios.

vinte − 9 =