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Mercosul estende o tapete vermelho a Chávez

Há um mês, em Mendoza, os presidentes do Brasil, da Argentina e do Uruguai aprovaram a adesão da Venezuela como membro pleno do Mercosul e a suspensão temporária do Paraguai do bloco.

Ritual da cerimônia de ingresso da Venezuela, na terça-feira 31, já está definido; ingresso venezuelano foi definido na última reunião do Mercosul em Mendoza, na Argentina

Brasília – Após seis anos de tramitação, a Venezuela será incorporada ao Mercosul em solenidade marcada para o próximo dia 31 (terça-feira), em Brasília. A parte do cerimonial já está definida. Por volta das 9h45, a presidenta Dilma Rousseff aguardará no Palácio Planalto a chegada da presidenta Cristina Kirchner (Argentina) e dos presidentes José Pepe Mujica (do Uruguai) e Hugo Chávez (da Venezuela).

Em seguida, haverá a foto oficial com os quatro presidentes. Depois, ocorre a reunião dos chefes de Estado.

Os ministros das Relações Exteriores do Brasil, da Argentina, do Uruguai e da Venezuela se reúnem amanhã (30), em Brasília. A ideia é que preparem um esboço das atividades do grupo de trabalho que se debruçará sobre os aspectos técnicos relativos à definição do programa de liberalização comercial.

Há um mês, em Mendoza, os presidentes do Brasil, da Argentina e do Uruguai aprovaram a adesão da Venezuela como membro pleno do Mercosul e a suspensão temporária do Paraguai do bloco. A suspensão do Paraguai foi definida pelos presidentes por considerarem que o processo de destituição do poder do então presidente Fernando Lugo, em 22 de junho passado, não seguiu os preceitos democráticos.

O Congresso do Paraguai ainda não havia aprovado o ingresso dos venezuelanos no bloco, mas os parlamentos dos demais países aprovaram a incorporação. O assunto motivou debates em todos os países. A exemplo do que ocorreu na Cúpula do Mercosul, em Mendoza, na Argentina, Dilma, Chávez, Mujica e Cristina Kirchner devem discursar na cerimônia do dia 31.

 

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OPINIÃO

A REFUNDAÇÃO DO MERCOSUL

Por Emir Sader

“A entrada da Venezuela como membro pleno do MERCOSUL – a ser formalizada na próxima terça-feira em Brasília – permite que o MERCOSUL reformule não apenas sua composição, mas ganhe novo impulso e ocupe todos os espaços da integração regional. Esse novo formato rompe com círculos viciosos que estavam fazendo o MERCOSUL girar em falso, pelas disputas comerciais por mercado entre grandes corporações privadas brasileiras e argentina. Com os outros dois países – Uruguai e Paraguai – marginalizados.

Enquanto isso, os processos de integração regional – UNASUL, Banco do Sul, Conselho Sul-americano de Defesa, Comunidade de Estados Latino-americanos e do Caribe – avançavam. No começo da crise econômica internacional, foi a UNASUL que promoveu as reuniões dos governos sul-americanos para formular estratégias comuns de resistência aos efeitos recessivos da crise.

A solicitação de ingresso da Venezuela tinha sido aprovada nos Congressos da Argentina, do Uruguai e do Brasil, ficando, há anos, bloqueada no Senado do Paraguai. Quando esse mesmo Senado promoveu o golpe branco que derrubou Fernando Lugo, os outros três países do MERCOSUL, além de condenarem o golpe, decidiram pelo ingresso da Venezuela, depois da suspensão do Paraguai como membro pleno.

O ingresso da Venezuela permitirá uma espécie de refundação do MERCOSUL, não apenas rompendo com o círculo vicioso apontado, mas também estendendo as esferas de integração para outras áreas, entre elas, a educação, a pesquisa, tecnologia, a comunicação, a cultura, os esportes, entre outros. Assim como no próprio plano econômico, aprofundando as formas de integração.

Enfim, o MERCOSUL passa a poder expressar a força que a região tem demonstrado, ressaltada ainda mais pelo contraste com os países do centro do capitalismo, que seguem em crise e em recessão. Os países do MERCOSUL estão entre os países latino-americanos que priorizam a integração regional, as políticas sociais e Estado ativo nos planos econômico e social.

O MERCOSUL, incorporando a terceira economia da América do Sul, torna-se pólo econômico dinâmico no Sul do mundo. Deve [em breve] incorporar a Bolívia e o Equador – que já solicitaram seu ingresso – como membros plenos, avançando na integração econômica regional.

Daí a importância da reunião da próxima terça-feira, uma das mais importantes em toda a historia do MERCOSUL e, certamente, a mais importante há muito tempo.”

Emir Simão Sader (São Paulo, 13 de julho de 1943), é sociólogo e cientista político brasileiro.

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